Questões de Vestibular Sobre literatura
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1) A mulher, nos versos de Camões, toma feições claras, bem definidas e assume a condição de uma companheira humana. 2) Nos seus poemas, odes, canções e redondilhas, a mulher amada aparece como um ser angelical e iluminado por uma áurea sobrenatural que lhe transfigura as feições carnais. 3) A figura feminina é quase sempre representada como um ser pecador, à beira do abismo, tentado pelo pecado e clamando por socorro.
Está(ão) corretas apenas:
1) Assim como o protagonista de seu romance, Mário de Sá-Carneiro também viveu na boêmia de Paris e Lisboa. Sua obra, de forma geral, apenas pode ser compreendida pelo leitor que previamente possui conhecimento acerca da sua biografia. 2) Apesar de A confissão de Lúcio se apresentar de forma aparentemente linear, o ordenamento dos fatos relatados está subordinado ao tempo interior e subjetivo do protagonista, que constroi seu relato na medida em que toma consciência e dá significado à sua própria história. 3) Ao criar um personagem como Lúcio, que desdobra seu EU em outros dois personagens inexistentes (Ricardo e Marta), o autor evidencia vestígios da influência que sofreu das ideias positivistas do final do século XIX. Isto porque, um dos temas centrais dessa novela é o retrato e a problematização das patologias psicológicas, mais particularmente a esquizofrenia.
Está(ão) correta(s):
1) Em A confissão de Lúcio, por se tratar de uma narrativa em primeira pessoa e de tom memorialista, todos os fatos transmitidos ao leitor são perpassados e “contaminados” pelo olhar desiludido do protagonista. 2) Apesar do protagonista alegar que pretende fazer uma confissão documental, toda a narrativa transcorre em tom confessional. O narrador empreende um ritmo lento, detalhista e a todos os fatos relatados atribui sentidos e significações. 3) Narrada em primeira pessoa, A confissão de Lúcio é marcada por um discurso descritivo e realista. O autor não apenas faz relatos em pormenores como também exatos, objetivos e que tendem à imparcialidade.
Está(ão) correta(s):
1) Paulo Honório e Madalena, personagens psicologica e socialmente opostos, se apaixonam e descobrem que suas diferenças são complementares e harmonizantes para o casamento. 2) Graciliano Ramos estabelece uma correspondência formal entre a brutalidade de Paulo Honório e a narrativa em primeira pessoa. 3) Representante máximo da adesão de Graciliano Ramos às ideias socialistas, São Bernardo oferece ao leitor alternativas concretas e politicamente viáveis e partidárias para o problema da seca no Nordeste.
Está(ão) correta(s):
Jorge Amado, Capitães de areia.
O tipo cujo perfil se traça, em linhas gerais, neste excerto, aparece em romances como Memórias de um sargento de milícias, O cortiço, além de Capitães de areia. Essa recorrência indica que
OBSERVE a ilustração e LEIA o soneto de Gregório de Matos, a seguir.

SONETO
Pequei, Senhor, mas não porque hei
pecado,
de vossa alta clemência me despido;
porque quanto mais tenho delinquido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido,
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada,
glória tal e prazer tão repentino vos deu,
como afirmais na sacra história,
eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Mattos
Durante o período colonial brasileiro, as principais manifestações artísticas, entre elas o Barroco, foram marcadas pela influência da religiosidade.
Com base na análise da imagem e da leitura do soneto de Gregório de Matos, constata-se que
LEIA com atenção os dois textos abaixo e faça o que se pede.
TEXTO I
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da nação brasileira
Dizem todos os dias
me dá um cigarro.
Deixa disso, camarada
TEXTO II
Vício na fala
Para dizerem milho
Dizem mio
Para dizerem melhor
dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
e vão fazendo telhados.
ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo. Nova Cultural, 1988.
O Modernismo de 1922 foi um movimento de ruptura com os cânones da literatura nacional. Um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna e do Modernismo, Oswald de Andrade, professa uma poesia irreverente, paródica e radical.
Nos dois textos acima, Oswald de Andrade, por meio do discurso poético e metalinguístico,
TEXTO 1
Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço,
Aqui descansarei a quente sesta
Dormindo um leve sono em teu regaço;
Enquanto a luta jogam os pastores,
e emparelhados correm nas campinas,
toucarei teus cabelos de boninas,
nos troncos gravarei os teus louvores
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!
(Tomás Antônio Gonzaga)
TEXTO 2
UM SONETO PARA MARÍLIA
À maneira de Dirceu
Eis que um dia na mata se banhava
Enquanto o deus as costas lhe voltava.
Cupido... e estava nu, inteiramente,
Pois que deixara à margem da corrente
O arco terrível e a repleta aljava.
Só aguardava ocasião... E, de repente
As armas furta sorrateiramente,
Surgem então as fauces escarninhas
Dos silvanos e sátiros astutos.
Põem-se a vaiar o Amor, sem mais cautelas
Marília que, às ocultas, o espreitava
—Ah! Temíeis as frechas quando minhas!
(E o deus sorri) Vereis agora, ó brutos,
O que Marília há de fazer com elas!
(MARIO QUINTANA)
A respeito dos dois textos, observe os seguintes comentários:
I. Quanto ao gênero literário, o TEXTO 1 revela, encoberto na cena descritiva, um lirismo confessional, através do qual o eu poético expressa o seu amor, sua paixão.
II. O TEXTO 2 se constitui como paráfrase do TEXTO I, ao reproduzir as mesmas ideias deste.
III. O TEXTO 2 mostra um locutor mais distanciado dos sentimentos e do confessionalismo amoroso; quanto ao gênero literário, este texto traz uma tendência dominante do gênero narrativo.
IV. O TEXTO 2 contém insinuações humorísticas e sensuais que ‘desconstroem’ o clima lírico e confessional, presente na cena do TEXTO 1.
V. O TEXTO 2 centraliza seu foco de atenção à personagem Marília, numa tentativa de recuperar o confessionalismo amoroso escamoteado no TEXTO 1
VI. O TEXTO 2 desconstrói e dessacraliza a cena e o sentimento amoroso do TEXTO 1, constituindo-se como paródia deste.
Está CORRETO o que se afirmou
Leia os poemas abaixo e faça o que se pede.
Texto I
Fazendeiros de cana
Minha terra tem palmeiras?
Não. Minha terra tem engenhocas de rapadura
E cachaça e açúcar marrom,
Tiquinho, para o gasto.
Tem cana caiana e cana crioula,
cana-pitu,
Cana rajada e cana-do-governo, e muitas
outras
Canas de garapa e bagaço para os porcos
Em assembleia grunhidora diante da
Moenda movida gravemente pela junta de bois
De sólida tristeza e resignação.
As fazendas misturam dor e consolo em caldo
verde garrafa.
E sessenta mil réis em imposto fazendeiro.
Carlos Drummond de Andrade
Texto II
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dias
I. Em “saber-lhe o sentido”, o pronome oblíquo tem a ideia de posse.
II. No texto, predomina a figura de linguagem denominada sinestesia.
III. As expressões sensoriais caracterizam a fase do Romantismo português.
A questão refere-se ao fragmento de texto a seguir.
Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me faz esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente (...)”Não tenhas ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, ver.1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa
fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos,
a saber, que a minha primeira amiga e o meu
maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos
também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! Vamos
à História dos Subúrbios” Capítulo CXLVIII E Bem,
E O Resto ? Machado de Assis. Dom Casmurro.
São Paulo: Abril Cultural, 1981, p. 174.