Questões de Vestibular
Comentadas sobre gêneros literários em literatura
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Tendo como referência que o poema é um gênero literário composto, principalmente, por versos, métrica, estrofes, rimas e ritmo, leia o texto I e o trecho do poema Tabacaria (texto II), de 1933, de autoria de Álvaro de Campos, heterônimo do poeta Fernando Pessoa.
TEXTO I
Como expressão linguística, um poema tende a organizar-se em frases ritmadas, com base na entonação, no número de sílabas, na distribuição mais ou menos regular, ou irregular, das sílabas acentuadas, constituindo-se desta maneira numa série de versos. [...] Na atividade poética formal de construção de um poema, exploram-se as possibilidades da linguagem em geral e da língua específica, em particular: a) no material sonoro; b) nas palavras; c) nas associações de ideias; d) nas construções frasais, utilizando-se o ritmo, a harmonia imitativa, a rima, a assonância, a aliteração, as figuras de palavras, as figuras de pensamento, as figuras de sintaxe [...].
Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/poema. Acesso em: 01 jul. 2024.
TEXTO II
Tabacaria
[...] Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Disponível em: http://arquivopessoa.net/textos/163. Acesso em: 01 jul. 2024 (fragmento).
Assinale a alternativa correta a respeito dos elementos estruturais e simbólicos que constituem o poema Tabacaria.
( ) A primeira estrofe do poema de Freitas relaciona-se intertextualmente com as estrofes da canção de Alves e Lago, sobretudo no que se refere à similar condição feminina dos dois excertos.
( ) A “mulher de verdade” de Alves e de Lago é resignada e submissa, se comparada à outra mulher, altiva e exigente, a quem o eu-lírico se refere e se relaciona no presente.
( ) A amélia no poema de Freitas desconstrói, no segundo verso, a imagem da Amélia da canção, revelando uma relação homoafetiva.
( ) Freitas aborda a condição feminina, apresentando amplo panorama de mulheres que problematizam as desigualdades de gênero.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - A visita 2 - Crocodilo I 3 - Exílio 4 - A cura
( ) É evidente que no início foi difícil, inclusive fiz muitos movimentos em vão. Só depois, quando o braço foi se soltando, comecei a sentir um lento calor tomando conta do meu corpo. Deve ter sido aí que acertei a primeira. Depois acertei mais duas muito boas, e o outro caiu. Então ficou fácil.
( ) Não sabemos, e talvez jamais saibamos, o que veio primeiro: se foi o vírus que aqui se instalou e causou toda a degradação, ou se foi a degradação, a insalubridade do nosso meio que gerou o vírus. São dúvidas que nos assaltam, mas não cabe a nós esclarecê-las.
( ) Não fazia a mínima ideia de que horas eram, mas a noite estava gorda e sem estrelas. Eu ainda tinha muita noite pela frente, numa longa viagem, mas era quase certo que estaria de volta a tempo de abrir a loja pela manhã.
( ) Comecei a ver que muitos homens e mulheres que passavam apressados, metidos em seus ternos e tailleurs e carregando suas pastas ou dirigindo seus automóveis sabe-se lá para onde, muitos deles levavam às costas um gato, um cachorro, às vezes uma pomba.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - Construção 2 - Cotidiano 3 - Deus lhe pague 4 - Samba de Orly 5 - Valsinha
( ) Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã.
( ) Um dia ele chegou tão diferente Do seu jeito de sempre chegar Olhou-a de um jeito muito mais quente Do que sempre costumava olhar E não maldisse a vida tanto Quanto era seu jeito de sempre falar E nem deixou-a só num canto Pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar.
( ) Pede perdão Pela duração dessa temporada Mas não diga nada Que me viu chorando E pros da pesada Diz que eu vou levando Vê como é que anda Aquela vida à toa E se puder me manda Uma notícia boa
( ) Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - Álbum de família 2 - Auto da Compadecida 3 - Dois perdidos numa noite suja 4 - O pagador de promessas 5 - O santo e a porca
( ) A obra de Nélson Rodrigues apresenta o casal de primos, Jonas e Senhorinha, que tem desejos voltados somente aos filhos: o mais velho, Nonô, enlouquece de desejo pela mãe; o do meio, Edmundo, volta para casa, pois não deseja a esposa, já que é apaixonado pela mãe; Guilherme, o mais jovem, no seminário, mutila-se por não suportar o desejo pela irmã; Glória, a adolescente, é desejada pelo pai, que desvirgina as mocinhas das redondezas pensando ser a caçula.
( ) A história acompanha Zé-do-burro e sua mulher Rosa. Zé vê seu melhor amigo, o burro Nicolau, ser atingido por um raio e decide fazer uma promessa para Santa Bárbara, correspondente à Iansã no Candomblé, em um terreiro para salvar o animal. Sua promessa consiste em atravessar sete léguas, carregando uma cruz, até cumpri-la em uma igreja, o que não lhe foi permitido realizar por causa da intolerância da igreja católica, representada pelo padre Olavo.
( ) A peça de Plínio Marcos concentra as ações num quarto de pensão, em cujo espaço dois homens, Tonho e Paco, conversam sobre a dureza de suas vidas e duelam continuamente entre golpes físicos e ataques verbais, mostrando a intensidade de suas posições, que, às vezes, são trocadas, pois são de mundos distintos. Aos poucos, o diálogo adquire contornos grotescos e violentos, até culminar no assassinato de Tonho por Paco.
( ) João Grilo e Chicó são amigos inseparáveis que protagonizam a história vivida no sertão nordestino; são assolados pela fome, pela aridez, pela seca, pela violência e pela pobreza, e sobrevivem num ambiente hostil e miserável, valendo-se de sagacidade e da perspicácia para contornarem suas adversidades. Essa peça de Ariano Suassuna é marcada pela linguagem oral, e a maioria das personagens é corrompida pelo dinheiro, inclusive os religiosos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) Os dois trechos permitem identificar o realismo mágico. No primeiro, isso é percebido, também, por meio do longo período ininterrupto de chuva sobre Macondo; no segundo, a personagem mítica Mãe de Ouro assume o formato de bola de fogo ou de uma bela mulher.
( ) A formação de Macondo e da família Buendía, na obra de García Márquez, ocorre de maneira sobreposta. A sequência de nascimentos e de mortes dessa família são os únicos dados que possibilitam ao leitor o entendimento do enredo.
( ) O livro de Guimarães está ambientado na Fazenda Olhos D´Água. O enredo organiza-se em dois principais momentos: a história de Sinhá Carolina, dona da fazenda ao fim da época escravagista, e a história de amor entre Curiango e Joca, que se apaixona pela moça ao vê-la pela primeira vez.
( ) A linguagem aproxima-se do tom coloquial e da oralidade na obra de Guimarães, em tom de conversa. A variação interiorana que compõe o relato, tanto na fala do narrador quanto no modo de expressão das personagens, abarca expressões e vocábulos rurais da sociedade campestre.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) A representação feminina, no poema de Andresen, aponta mulheres historicamente valorizadas pelos homens, colocando-as ao lado deles no processo de construção igualitária entre os universos feminino e masculino.
( ) O eu-lírico, nos versos de Freitas, dirige-se aos pais em tom de correspondência, como se lhes escrevesse uma pequena carta, para contar, além de pequenos detalhes da viagem a outro país, a mudança de sexo.
( ) O tom irônico, reflexivo e provocativo, presente em muitos dos poemas de Freitas, desafia o senso comum, o que permite aos leitores questionar imposições sociais às mulheres.
( ) A problematização e o questionamento da condição feminina caracterizam o eixo temático da poética de Andresen, mas descrições e sensações ligadas ao mar, ao jardim, às mãos, à noite, à luz, à mitologia grega são temas ignorados pela poeta.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - Fogo morto 2 - Incidente em Antares 3 - Os ratos 4 - Terras do sem fim 5 - Vidas secas
( ) A trama centra-se, sobretudo, na história de uma família de retirantes nordestinos, e as personagens principais que povoam a narrativa são: o vaqueiro Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, seus dois filhos, a cachorra Baleia.
( ) O enredo é dividido em três partes que se relacionam e se complementam: “O mestre José Amaro”, “O Engenho do Seu Lula” e “O Capitão Vitorino”; a fundação e a decadência do Engenho Santa Fé e das famílias que lá moram são temas centrais narrados.
( ) A ação do romance ocorre em intervalo de 24 horas; o relato, em linguagem simples e objetiva, está concentrado na angústia da personagem central – um funcionário público – em resolver um problema financeiro: reunir uma soma em dinheiro para quitar a dívida contraída com o leiteiro.
( ) A história, caracterizada pelo realismo mágico, aborda acontecimentos de uma sexta-feira 13, em 1963, quando sete pessoas morrem e são privadas de serem enterradas, porque os coveiros estão em greve; os defuntos insepultos, então, denunciam a podridão moral dos vivos da cidade.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) Em Conto de Escola, o narrador relembra como o professor Policarpo ensinou os jovens a se afastarem da corrupção e da delação.
( ) Em A Causa Secreta, Fortunato assiste Garcia chorar sobre o caixão de Maria Luíza.
( ) Em Dona Paula, a protagonista do conto reencontra, na história da sobrinha, algo de seus amores passados.
( ) Em Mariana, depois de 18 anos de ausência, Evaristo retorna ao Brasil, quando os amantes revivem as angústias de um amor proibido.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale a alternativa que corretamente descreve a obra.
Ingrina
O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. [...]
Eu me perdi
[...]
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar
Da transparência
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
[...]
Considere as seguintes afirmações sobre os versos no contexto dos poemas.
I - A poesia de Sophia está profundamente marcada pelo contato com a natureza, muito especialmente com o mar.
II - Sophia recupera fatos históricos e míticos, através de longos poemas épicos, repletos de elogios às figuras célebres.
III- O olhar do sujeito lírico revela dupla dimensão, que parte das pequenas coisas, passa pela paisagem e se une ao todo, revelando a importância da existência.
Quais estão corretas?
I - O sujeito cancional conta a vida de abandono dele e da mãe, o que representa a realidade de muitas crianças que não conhecem o pai biológico.
II - A canção reforça o apelo cristão da história, através de rimas como “amor/Nosso Senhor”, “cruz/Jesus”.
III- O pai era um marinheiro estrangeiro, que se tornou dono de bar.
Quais estão corretas?
Antes do nome
Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
[...]
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo filho é Verbo. Morre quem entender.
A invenção de um modo
[...]
Porque tudo que invento já foi dito
nos dois livros que eu li:
as escrituras de Deus,
as escrituras de João.
Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão.
Guia
A poesia me salvará.
[...]
No entanto, repito, a poesia me salvará.
Por ela entendo a paixão
que Ele teve por nós, morrendo na cruz.
Considere as seguintes afirmações sobre os poemas.
I - A fé é uma musa poderosa, e o sujeito lírico sente-se inferior à palavra, tanto das escrituras quanto do cotidiano.
II - O fazer poético é, para o sujeito lírico, ao mesmo tempo, sagrado e profano, corpo e espírito.
III- A metapoesia é uma temática importante na lírica de Adélia Prado.
Quais estão corretas?
Seiscentos e sessenta e seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o poema.
( ) O sujeito lírico busca a definição da vida a partir da metáfora com o universo escolar e a passagem do tempo.
( ) A sucessão “6 horas, 6ª feira, 60 anos” aponta para a finitude, isto é, fim do dia útil, fim da semana útil, consequentemente, fim da vida útil.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque a realidade não corresponde às suas expectativas.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque se dá conta da importância da aprovação na escola.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Entrei apressado, atravessei o corredor do lado direito e no meu quarto dei com algumas pessoas soltando exclamações. Arredei-as e estaquei: Madalena estava estirada na cama, branca, de olhos vidrados, espuma nos cantos da boca.
Aproximei-me, tomei-lhe as mãos, duras e frias, toquei-lhe o coração, parado. Parado. No soalho havia manchas de líquido e cacos de vidro.
D. Glória, caída no tapete, soluçava, estrebuchando. A ama, com a criança nos braços, choramingava. Maria das Dores gemia. Comecei a friccionar as mãos de Madalena, tentando reanimá-la. E balbuciava:
— A Deus nada é impossível.
Era uma frase ouvida no campo, dias antes, e que me voltava, oferecendo-me esperança absurda.
Pus um espelho diante da boca de Madalena, levantei-lhe as pálpebras. E repetia maquinalmente:
— A Deus nada é impossível.
— Que desastre, senhor Paulo Honório, que irreparável desastre! murmurou seu Ribeiro perto de mim.
Assinale a alternativa correta sobre o excerto.
( ) O contexto histórico da peça é a guerra dos atenienses contra os espartanos, iniciada em 413 a.C.
( ) A disposição inicial das mulheres de manter a greve de sexo permanece inalterada durante toda a peça.
( ) As falas de Lisístrata enfatizam a inteligência das mulheres, em contraste com a condição subalterna que ocupam na sociedade.
( ) As metáforas relativas à sexualidade, como “espada rígida”, “apagar o fogo”, mantêm-se muito atuais.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale a alternativa correta em relação ao romance Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo.
I - A narrativa compõe-se de uma mescla de gêneros, entre diário, biografia, crônica e ensaio, ilustrada com fotografias da escritora e da cidade onde nasceu, misturando memórias pessoais e coletivas da colonização portuguesa na África.
II - A autora faz um acerto de contas com o passado colonial português, colocando em cena a figura do pai, que trabalha para o desenvolvimento da cidade de Lourenço Marques e luta contra a exploração e a falta de direitos da população negra.
III- Os episódios narrados contrapõem-se às versões oficiais da colonização portuguesa na África, que silenciam a respeito da realidade de violência, segregação e exclusão da população negra local.
Quais estão corretas?