Questões de Vestibular Comentadas sobre gêneros literários em literatura

Foram encontradas 96 questões

Ano: 2026 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2026 - UFU-MG - Vestibular - Segundo Semestre 2026 |
Q4200522 Literatura
Meu rosto se mistura com o dia
Nuvens telhados ramagens e Dezembro
Apaixonada estou dentro do tempo
Que me abriga com canto e com imagens


Tão abrigada estou dentro da hora
Que nem lamento já a tarde antiga
Tudo se torna presente e se demora
Será que o dia me pede que eu o diga?

ANDRESEN, S. de M. B. Coral e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 185.

No poema Dia, o sujeito poético de Sophia de Mello Breyner Andresen
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Ano: 2026 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2026 - UFU-MG - Vestibular - Segundo Semestre 2026 |
Q4200519 Literatura
Eu vou contar uma história
De um pavão misterioso
Que levantou vôo na Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando uma condessa
Filha de um conde orgulhoso.

REZENDE, J. C. M. O romance do pavão misterioso. Fortaleza: Academia Brasileira de Cordel; Tupynanquim Editora, 2011.

Os versos correspondem à primeira estrofe de O romance do pavão misterioso, um dos cordéis mais influentes do século XX. Considerando a importância do cordel para a literatura e a cultura brasileira, analise as asserções. 

I. “Raptando uma condessa/filha de um conde orgulhoso” evidencia que os cordéis tratam exclusivamente de conflitos da elite europeia, descendente de nobres, afastando-se de temas populares ou do cotidiano sertanejo.
II. A estrofe apresenta uma característica presente na maioria dos cordéis: uma estrutura fixa em sextilha, cuja métrica e esquema de rimas favorecem a musicalidade e a oralização próprias da poesia popular.
III. A influência do cordel em outras manifestações artísticas evidencia sua forte presença na cultura brasileira; o folheto O romance do pavão misterioso, por exemplo, inspirou a canção Pavão mysteriozo, composta por Ednardo em 1974.
IV. O espaço citado na estrofe, Grécia, um país europeu, caracteriza a maior parte dos cordéis brasileiros, que tradicionalmente privilegiam figuras mitológicas em detrimento de ambientações nordestinas.

Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.  
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Ano: 2026 Banca: Ibest Órgão: UNICEPLAC Prova: Ibest - 2026 - UNICEPLAC - Vestibular - Medicina |
Q4165477 Literatura
Eu tenho uns amores — quem é que os não tinha
Nos tempos antigos? — Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha
Que digam, que falem em regra geral.
— A flor dos meus sonhos é moça e bonita
Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
Mas onde ela mora, que casa ela habita,
Não quero, não posso, não devo contar!

Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
As tranças compridas, qual livre bacante,
O pé de criança, cintura de anel;
— Os olhos rasgados são cor das safiras,
Serenos e puros, azuis como o mar;
Se falam sinceros, se pregam mentiras,
Não quero, não posso, não devo contar!

Oh! ontem no baile com ela valsando
Senti as delícias dos anjos do céu!
Na dança ligeira qual silfo voando
Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
— Que noite e que baile! — Seu hálito virgem
Queimava-me as faces no louco valsar,
As falas sentidas que os olhos falavam
Não posso, não quero, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,
Fugimos das salas, do mundo talvez!
Inda era mais bela rendida ao cansaço,
Morrendo de amores em tal languidez!
— Que noite e que festa! e que lânguido rosto
Banhado ao reflexo do branco luar!
A neve do colo e as ondas dos seios
Não quero, não posso, não devo contar!


Casimiro de Abreu. Segredos (fragmento). In: As Primaveras.
São Paulo: Livraria Editora Martins S/A; Instituto Nacional do Livro, 1972
(texto original datado do século XIX). 
O texto em questão é um excerto do poema Segredos, de autoria de Casimiro de Abreu, um dos maiores expoentes do Romantismo brasileiro. Uma das características da estética romântica presente nesse texto é 
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Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4207466 Literatura
Leia os versos da canção abaixo e assinale a alternativa correta.

ALVORADA
Alvorada lá no morro, que beleza, Ninguém chora, não há tristeza, Ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo. E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo. Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida. E o que me resta é bem pouco, quase nada, do que ir assim vagando numa estrada perdida.
(CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)
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Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4207463 Literatura
No conto “Réplica”, que integra a coletânea No seu pescoço, de Chimamanda Adichie, a protagonista vive
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Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4207462 Literatura
Leia os textos 1 e 2.

Texto 1
Aos óculos
Só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes.
Na verdade, me exilam dele com filtrar-lhe a menor imagem.
Já não vejo as coisas como são: vejo-as como eles querem que as veja.
Logo, são eles que veem, não eu que, mesmo cônscio do logro, lhes sou grato
por anteciparem em mim o Édipo curioso de suas próprias trevas.
(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 63, 1992.)
Texto 2
“Do grego odé e do latim ōde (ou ōda), a ode era, na antiguidade clássica, um poema destinado a ser cantado, ou um canto alegre, triste ou lírico. Era um poema de alguma extensão, de elevado assunto ou nobre, expressando sentimentos ilustres, em homenagem a algo ou a alguém. Apresentava também a elaboração estrófica, bem como estilo formal nobre e cerimonioso”.
(Adaptado do verbete “Ode”, elaborado por Ana Ladeira. In: CEIA, C. E-Dicionário de termos literários (projeto abrigado pela Universidade Nova de Lisboa). Disponível em [https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode](https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode). Acesso em 31/05/2025.)

É correto afirmar que a ode mínima de José Paulo Paes reelabora a definição clássica de “ode” ao
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2025 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4143772 Literatura
Para responder à questão, leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
— E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
— E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
Contemporânea dos poetas portugueses Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca não se filiou a nenhuma escola literária e sua poesia é considerada de difícil classificação. Considerando os aspectos formais (gênero poético adotado, métrica empregada e esquema de rimas), o soneto de Florbela Espanca aproxima-se do
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2025 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4143770 Literatura
Para responder à questão, leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
— E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
— E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
O soneto de Florbela Espanca caracteriza-se, sobretudo, pelo seu teor
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129404 Literatura
Luis Fernando Verissimo criou diversos personagens que se tornaram símbolos de sua obra, como Ed Mort, Analista de Bagé e Velhinha de Taubaté. Sobre esses personagens, assinale a alternativa correta. 
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129402 Literatura
Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida.


As plantas viam o jardineiro como as plantas veem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora.

Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.

[…]

Nenhuma flor lamentava a morte dos escravos que Celestino sufocara em mar alto. Os homens despejaram a cal no porão, saco a saco. Os negros viram que um pó caía sobre eles, mas não entenderam o que se passava. Os sacos de cal foram vazados no porão e a porta fechada por Celestino. Ouviram-se gemidos, pedidos de socorro e, passado algum tempo, um silêncio que apaziguou os piratas. O rapaz que lhes abrira o porão pela calada manteve-se a um canto, aturdido.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra A visão das plantas.

( ) O capitão, ao contrário da indiferença das flores, se arrepende do assassinato dos escravizados.
( ) O capitão busca consolo para seus crimes nas conversas com o padre Alfredo.
( ) O capitão passa a ver uma “velha negra”, uma das vítimas.
( ) O capitão conta para as crianças apenas as belezas de suas viagens marítimas.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129401 Literatura
Instrução: Para responder a questão, leia o trecho abaixo, retirado de O avesso da pele, de Jeferson Tenório.


(...) Ao caminhar por Porto Alegre, você se sentia sem lugar. Porque, toda vez que você saía para caminhar, tinha a impressão de estar invadindo um espaço. Bastava dar uma olhada em volta para perceber que você não podia pertencer àquilo, mas acontece que você insistiu. Permaneceu. Porto Alegre era um lugar que você construiu fora de si. Você nunca esteve dentro dela. E agora caminho por essas mesmas ruas, tenho Ogum em minhas mãos, e ainda me sinto perdido, mas a palavra continua não sendo essa. Vou em frente, na direção do Guaíba. Tenho Ogum em minhas mãos porque agora é a minha vez. 
A partir do excerto acima e da leitura integral da obra O avesso da pele, considere as seguintes afirmações.

I - O trecho, presente no capítulo “A barca”, ilustra o final do enredo da obra, momento em que o narrador relembra a morte de seu pai.
II - O trecho pode ser caracterizado como a representação da tomada de consciência do narrador, amparado por Ogum, na luta contra a violência endereçada às pessoas pretas.
III- O trecho, presente no capítulo “O avesso”, recupera memórias do narrador quando estava no Departamento Médico-Legal de Porto Alegre, identificando o corpo de seu pai.

Quais estão corretas?
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129398 Literatura
Instrução: Para responder a questão, leia o trecho abaixo, retirado de Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane.


Vou ao espelho tentar descobrir o que há de errado em mim. Vejo olheiras negras no meu rosto, meu Deus, grandes olheiras! Tendo andado a chorar muito por esses dias, choro até demais. Olho bem para a minha imagem. Com esta máscara de tristeza, pareço um fantasma, essa aí não sou eu. Titubeio uma canção antiga daquelas que arrastam as lágrimas à superfície. Nessa coisa de cantar, tenho as minhas raízes. Sou de um povo cantador. Nessa terra canta-se na alegria e na dor. Canto e choro. Delicio-me com as lágrimas que correm com sabor a sal, com o maior prazer do mundo, Ah, mas como me liberta esse choro!


Paro de chorar e volto ao espelho. Os olhos que se refletem brilham como diamantes. É o rosto de uma mulher feliz. Os lábios que se refletem traduzem uma mensagem de felicidade, não, não podem ser os meus, eu não sorrio, eu choro. Meu Deus, o meu espelho foi invadido por uma intrusa, que se ri da minha desgraça.  
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra Niketche: uma história de poligamia.

( ) O protagonismo do enredo está sob a responsabilidade do personagem Antônio Tomás (Tony), marido de Rosa Maria (Rami) e pai de Bentinho, filho caçula do casal.
( ) A narrativa evidencia a relevância de refletir sobre a condição feminina em um contexto poligâmico, além de expor os conflitos e os dilemas decorrentes dessa conjuntura.
( ) A rua em que Rami e Tony residem é permeada por mulheres traídas, solitárias e abandonadas por seus maridos, as quais invejam a dedicação, a felicidade e a fidelidade do marido da narradora.
( ) A narradora, quando se vê diante do espelho, toma consciência de sua ancestralidade e do quanto é oprimida por uma sociedade patriarcal, sentindo compaixão de si própria.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129395 Literatura
Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de Água funda, de Ruth Guimarães.


Aí, o Joca entrou no meio da conversa:

— Mãe de Ouro... Hum... — espichou o beiço com pouco caso. — Mãe de Ouro... Mãe de bosta, com perdão da má palavra. Aquilo é uma estrela que mudou de lugar.

— Ela escuta, Joca!

— Que escute!

— Se não acredita, não abuse...

Ele agravou a Mãe de Ouro, porque era abusante como ele só. Mas pagou. Ela escutou a praga e veio. Porque, se não fosse a praga, podia bem ser que ele escapasse.
Assinale a alternativa correta sobre o excerto acima, considerando, também, a leitura integral da obra Água funda.
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129391 Literatura

Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de Quincas Borba, de Machado de Assis.


Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro – questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! Chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens. 

A partir da leitura do excerto e da leitura integral da obra Quincas Borba, assinale a alternativa correta.
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Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129390 Literatura
Leia as afirmações a seguir sobre O demônio familiar, de José de Alencar.

I - O demônio familiar, do título da peça, refere-se a Pedro, escravizado, pois ele “perturba a paz doméstica”, como diz Eduardo, no último ato.
II - Eduardo, jovem médico, defende a abolição da escravidão e faz da alforria de Pedro um ato político para criticar as leis do Império.
III- Azevedo, depois do retorno da França, critica a escravidão brasileira, pois seria uma vergonha nacional.

Quais estão corretas?
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Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2025 - EINSTEIN - Vestibular - Prova I - 1º Semestre 2026 |
Q4116337 Literatura
Para responder à questão, leia o poema “Desencontro (2)”, de Mia Couto. 

No avesso das palavras
na contrária face
da minha solidão
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos noturnos lábios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crepúsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas1
a espera do silêncio

(Mia Couto. Poemas Escolhidos, 2016.)

1timbila: instrumento musical de percussão, do tipo xilofone, tradicional de Moçambique.
A situação amorosa descrita pelo eu lírico envolve 
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Q3857465 Literatura
Para responder a questão, leia o primeiro poema da seção intitulada “Homenagem a Ricardo Reis”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), publicado originalmente em 1972 no livro Dual.


Não creias, Lídia, que nenhum estio1
Por nós perdido possa regressar
                    Oferecendo a flor
                    Que adiamos colher.


Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
                    Não existe piedade
                    Para aquele que hesita.


Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
                    Longo indelével rasto2
                    Que o não-vivido deixa.


Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos3 cujo passo
                    Vai sempre mais à frente
                    Do que o teu próprio passo.


(Sophia de Mello Breyner Andresen. Coral e outros poemas, 2018.)


1 estio: verão.
2 rasto: rastro.
3Kronos: do grego khrónos, “tempo”. Na mitologia grega, titã do tempo.

Logo na estrofe inicial do poema, o eu lírico ressalta o caráter


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Q3508170 Literatura

Texto I


Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



Texto II

POESIA


Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



Texto III

 O LUTADOR

 

Lutar com palavras

é a luta mais vã.

Entanto lutamos

mal rompe a manhã.

São muitas, eu pouco.

[...]

 

Mas lúcido e frio,

apareço e tento

apanhar algumas

para meu sustento

num dia de vida.

Deixam-se enlaçar,

tontas à carícia

e súbito fogem

[...].

 

Insisto, solerte.

Busco persuadi-las.

[...]

 

Sem me ouvir deslizam,

perpassam levíssimas

e viram-me o rosto.

 

Lutar com palavras

parece sem fruto.

Não têm carne e sangue…

Entretanto, luto.

Palavra, palavra

(digo exasperado),

se me desafias,

aceito o combate.

[...]

 

Luto corpo a corpo,

luto todo o tempo,

sem maior proveito

que o da caça ao vento.

[...]

 

Iludo-me às vezes,

pressinto que a entrega

se consumará.

Já vejo palavras

em coro submisso,

esta me ofertando

seu velho calor,

aquela sua glória

feita de mistério,

outra seu desdém,

outra seu ciúme,

e um sapiente amor

me ensina a fruir

de cada palavra

a essência captada,

o sutil queixume.

[...].

 

O ciclo do dia

ora se conclui

e o inútil duelo

jamais se resolve.

O teu rosto belo,

ó palavra, esplende

na curva da noite

que toda me envolve.

Tamanha paixão

e nenhum pecúlio.

Cerradas as portas,

a luta prossegue

nas ruas do sono.

 

Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



Texto IV

PROCURA DA POESIA


Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

são indiferentes.

Não me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

das casas.

Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza

nem os homens em sociedade.

Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

significam.

A poesia (não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto.


Não dramatizes, não invoques,

não indagues. Não percas tempo em mentir.

Não te aborreças.

Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


Não recomponhas

tua sepultada e merencória infância.

Não osciles entre o espelho e a

memória em dissipação.

Que se dissipou, não era poesia.

Que se partiu, cristal não era.


Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intata.

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consume

com seu poder de palavra

e seu poder de silêncio.

Não forces o poema a desprender-se do limbo.

Não colhas no chão o poema que se perdeu.

Não adules o poema. Aceita-o

como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

no espaço.


Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível que lhe deres:

Trouxeste a chave?


Repara:

ermas de melodia e conceito

elas se refugiaram na noite, as palavras.

Ainda úmidas e impregnadas de sono,

rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

Considerando-se o conteúdo temático, os poemas Poesia (Texto II), O lutador (Texto III) e Procura da poesia (Texto IV) podem sem classificados como textos
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Ano: 2024 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2024 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V1 |
Q4211611 Literatura
   “São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...     A casa está cheia de ratos...”
Dyonélio Machado. Os ratos.

A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar: 
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 2 - Dia 2 |
Q3385625 Literatura
TEXTO III


Amor
Clarice Lispector


        Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.
Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:
Alternativas
Respostas
1: D
2: B
3: E
4: C
5: A
6: D
7: E
8: D
9: E
10: D
11: C
12: E
13: A
14: C
15: A
16: E
17: C
18: E
19: E
20: D