Questões de Vestibular
Comentadas sobre sociedade e comportamento em conhecimentos gerais
Foram encontradas 115 questões
Em relação aos fluxos migratórios dos séculos XX e XXI, considere as seguintes alternativas:
I. O Brasil, há décadas, é considerado um país atrativo por migrantes bolivianos, peruanos e, recentemente, haitianos, que fogem das condições econômicas adversas dos seus respectivos países de origem.
II. O regime político cubano dificulta e, em alguns casos, impede a saída de seus cidadãos para outros países sem autorização prévia do governo, o que, por vezes, gera uma emigração ilegal e que põe em risco a integridade física dos emigrantes.
III. Na segunda metade do século XX e início do XXI, é possível constatar um fluxo migratório de indivíduos originários de países colonizados no século XIX para as suas antigas metrópoles.
IV. A emigração atual de sírios está ligada a conflitos internos e suas consequências, como fome, violência e perseguições políticas e religiosas.
TEXTO 3
Escalada para o inferno
Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.
(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)
O Texto 3 aborda o sofrimento de uma criança ainda pequena acompanhando o pai em um ambiente árido e atemorizador. A cena inicial possui semelhanças com uma narrativa importante para as três grandes religiões monoteístas: o sacrifício de Isaque por Abraão. Deus teria pedido ao ancião que sacrificasse o filho que havia gerado milagrosamente com sua esposa, também idosa, Sara. Devido ao gesto de tomar o filho e levá-lo para o altar sacrificial, o patriarca foi chamado de “O Pai da Fé”. Além dessa narrativa comum, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo possuem historicamente características que os aproximam. Sobre esse tema, analise as afirmações a seguir:
I - Essas religiões apresentam a imagem de um Deus profundamente étnico, que escolhe um único povo, exige a execução de rituais sacrificiais e de ritos que reforçam essa identidade coletiva.
II - As três religiões apresentam a imagem de um Deus misericordioso e único, criador de toda a humanidade, apesar de muitas perseguições e conflitos terem sido gerados em razão da fé religiosa desses povos.
III - Elas utilizam um livro como referência para conhecer esse Deus, bem como para transmitir seus ensinamentos e valores.
IV - As três religiões se separaram e passaram a entrar em guerra logo após a morte de Abraão, já que o clã patriarcal não manteve o consenso na conquista de Canaã
De acordo com os itens analisados, marque a alternativa
que contém todas as proposições corretas:
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Cia das Letras, 1995, p. 317. (Adaptado).
Dentre os acontecimentos políticos e culturais dos anos 60 e 70, aquele em que a juventude, em vez de usar a sua disposição para a crítica social, reforçou o poder institucional vigente, foi
Analise as informações para responder a questão:

Peça da campanha publicitária “Homens que amamos”, do esmalte Risqué.

Peça da campanha publicitária “Verão”, da cerveja Itaipava.
Não existem muitos casos de propagandas machistas no Brasil porque a publicidade brasileira é madura para perceber que a pior coisa que pode fazer é irritar o consumidor, seja ele mulher, homem ou criança. De qualquer forma, nós não temos uma declaração oficial a respeito desse assunto”. Essa foi a resposta da assessoria de imprensa do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por telefone, à pergunta [...] referente a algumas peças publicitárias lançadas no Carnaval e no Dia Internacional da Mulher, rechaçadas nas redes sociais por serem consideradas machistas – algumas inclusive retiradas de circulação. [...] Das 18 denúncias de machismo em propaganda recebidas em 2014 [...], 17 foram arquivadas, e apenas uma, da cerveja Conti, que dizia em sua página do Facebook “tenho medo de ir no bar pedir uma rodada e o garçom trazer minha ex” terminou com um pedido de suspensão e advertência da agência que realizou a campanha.
(DIP, Andrea. Na publicidade, o machismo é a regra da casa. Matéria publicada em 22 de março de 2015. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/machismo-e-a-regra-da-casa-4866.html. Acesso em: 06 abr. 2015, às 18h00.)
A prefeitura de Roma declarou guerra à publicidade machista e começou a eliminar todos os cartazes sexistas espalhados pela cidade que divulgam a imagem de "mulher objeto" e que apresentam o corpo feminino de maneira ofensiva. [...] [Ignazio] Marino [prefeito de Roma] afirmou [...] que ‘’o corpo da mulher não poderá ser associado a imagens que o equiparem a um objeto de maneira sexista" e que os espaços da prefeitura "só serão vendidos a quem respeite as regras". Além de retirar imagens ofensivas e não ceder espaços públicos a anúncios machistas, o prefeito anunciou a criação, "antes do verão", de um organismo que avaliará se a publicidade se inscreve dentro das normas de "não discriminação" quanto à orientação sexual e identidade de gênero.
(ORAÁ, Maria Salas. Roma declara guerra à publicidade machista. Matéria publicada em 05 de abril de 2015. Disponível em: http://noticias.r7.com/economia/roma-declara-guerra-a-publicidade-machista-05042015. Acesso em: 06 abr. 2015, às 18h30.)
Tomando por base as informações, julgue os itens:
I. As propagandas de cerveja, mesmo não sendo as únicas a apresentatarem visões sexistas e machistas da mulher, têm sido as mais recorrentes neste tipo de publicidade.
II. Enquanto, no Brasil, o Conar nega a existência de padrões machistas ou preconceituosos na publicidade, em Roma, após o reconhecimento da existência desta prática, a prefeitura da cidade proibiu sua exibição em espaços públicos.
III. A manutenção de elementos machistas na publicidade brasileira tem co- mo uma das causas o fato dos canais de divulgação serem todos privados, ao contrário de Roma, onde a publicidade ocupa espaços concedidos pelo governo.
Está (ão) correto (s):
O que quer dizer civilização do espetáculo? É a civilização de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores vigentes é ocupado pelo entretenimento, onde divertir-se, escapar do tédio, é a paixão universal. Esse é ideal de vida é perfeitamente legítimo, sem dúvida. Só um puritano fanático poderia reprovar os membros de uma sociedade que quisessem dar descontração, relaxamento, humor e diversão a vidas geralmente enquadra- das em rotinas deprimentes e às vezes imbecilizantes. Mas transformar em valor supremo essa propensão natural a divertir-se tem consequencias inesperadas: banalização da cultura, generalização da frivolidade e, no campo da informação, a proliferação do jornalismo irresponsável da bisbilhotice e do escândalo.
(LLOSA, Mário Vargas. A civilização do espetáculo. Trad. Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. pp. 29-30)
Levando em conta a atualidade brasileira, a definição de “civilização do espetáculo”, apresentada por Vargas Llosa, uma das “consequências inesperadas” dessa tendência poderia ser representada:
O Prêmio Nobel é uma das mais prestigiadas premiações do mundo. Todos os anos, pessoas que fizeram pesquisas de grande valor para o bem do ser humano em diversas áreas, como Química, Física, Medicina, Literatura, Economia e Paz, são escolhidas e premiadas. A história do Prêmio se inicia com seu fundador, Albert Nobel, o inventor da dinamite. Após sentir o desgosto das mortes e da destruição causada pela sua invenção, Nobel propôs a criação de uma premiação que prestigiasse aqueles que, no futuro, servissem ao bem da humanidade. Assim, Albert Nobel deixou sua herança de 32 milhões de coroas suecas para a criação de uma instituição que teria a função de administrar a premiação: a Fundação Nobel. A primeira cerimônia do Prêmio Nobel ocorreu em 1901, no Conservatório Real de Estocolmo.
Fonte: http://www.mundoeducacao.com/curiosidades/premio-nobel.htm
Assinale a alternativa correta a respeito do prêmio Nobel.
Montesquieu, filósofo, político e escritor francês foi quem desenvolveu, em 1748 aproximadamente, a Teoria da Separação dos Poderes contida em sua obra “O Espírito das Leis” baseada em John Locke, mas tal separação foi primeiramente mencionada por Aristóteles, filósofo grego seguidor de Platão. A teoria de Montesquieu dividia o poder do Estado para que o absolutismo monárquico fosse evitado, ou seja, para que o poder não permanecesse centralizado nas mãos de uma só pessoa. Dessa forma criou-se os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário passando cada um a ter sua função específica e independente não desmerecendo as demais, já que nenhum poder se sobressai aos demais. Fonte: Adaptado de http://www.mundoeducacao.com/politica/.
Considerando as funções principais dos três poderes associe corretamente a COLUNA A com A COLUNA B, indicando qual a função de cada Poder.
Coluna A ( 1 ) Poder executivo ( 2 ) Poder Legislativo ( 3 ) Poder Judiciário
Coluna B (A) Tem como função a elaboração das leis, de normas gerais a serem seguidas por todos. (B) Sua função principal é a aplicação da lei em casos de conflitos de interesses. (C) Suas funções principais são executar as leis e administrar o País.
A relação correta é:

A escolha de países que sediam a copa de futebol baseia-se em fatores variáveis. A partir de 2002, observa-se, na tabela, a diversificação geográfica dos países-sede.
Duas motivações para a escolha desses países, a partir de 2002, estão explicitadas em:

Meu romance, 1984, foi concebido como uma mostra das perversões que regimes políticos já realizaram parcialmente ou podem realizar.
George Orwell Adaptado de pt.wikipedia.org.
O romance 1984, de George Orwell, publicado em 1948, apresenta um mundo de impérios em conflito e uma sociedade em que todos são observados pelo poder central − o Big Brother.
No contexto internacional da época dessa publicação, o escritor britânico direcionou uma crítica
ao seguinte sistema:
Atente para o seguinte texto:
Serra da Boa Esperança, esperança que encerra
No coração do Brasil um punhado de terra
No coração de quem vai, no coração de quem vem
Serra da Boa Esperança meu último bem
Parto levando saudades, saudades deixando
Murchas caídas na serra lá perto de Deus
Oh minha serra eis a hora do adeus vou-me embora
Deixo a luz do olhar no teu olhar Adeus
(Lamartine Babo)
O conceito de lugar foi utilizado durante muito tempo
na geografia para expressar o sentido de localização
de um determinado sítio. Atualmente, este conceito
vai além da simples localização de fenômenos
geográficos, expressando uma contextualização
simbólica que compreende um conjunto de
significados. Portanto, com base no texto acima e na
perspectiva atual de lugar, pode-se afirmar
corretamente que
I. As indústrias tiveram papel central no crescimento das metrópoles, sobretudo aquelas localizadas no Sudeste. II. As metrópoles brasileiras tornaram-se lugar da crise urbana, relevada pela precariedade do sistema de transportes e falta de moradia entre outros problemas que afligem a população de baixa renda. III. No Nordeste, apesar da pobreza rural, a urbanização com industrialização promoveu um aumento no nível de renda dos trabalhadores. IV. A extensão contínua dos grandes centros urbanos é definida por cidades que balizam regiões de agricultura moderna, como é caso de Ribeirão Preto em São Paulo.
Assinale o correto.
A relação entre as sociedades indígenas e o ambiente amazônico não é a de uma adaptação passiva das primeiras ao segundo, mas a de uma história comum, onde sociedade e ambiente se transformaram em conjunto. [...] As relações com a natureza não são nunca, tratando-se de sociedades humanas, relações naturais, mas relações sociais. [...] Daí não se segue que qualquer atividade humana ou qualquer intervenção cultural seja compatível com o ambiente amazônico; para dizê-lo de maneira crua, o fato da floresta não ser mais virgem não autoriza ninguém a violentá-la.
(adaptado de: CASTRO, Eduardo Viveiros de. NATUREZA EM PESSOA: SOBRE OUTRAS PRÁTICAS DE CONHECIMENTO. Encontro “Visões do Rio Babel. Conversas sobre o futuroda bacia do Rio Negro”. Instituto Socioambiental e a Fundação Vitória Amazônica, Manaus, 22 a 25 de maio de 2007).
O texto aborda a idealização simbólica da sintonia indígena com a natureza e faz crítica direta
O momento da História dos Estados Unidos, com o qual se entrelaça a biografia de Muhammad Ali, caracterizou-se por

Faroeste Caboclo
− Não tinha medo o tal João de Santo Cristo.
Era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
(...)
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidão
(...)
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
(...)
Dizia ele: − Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há.
(...)
E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no
Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
(...)
E João não conseguiu o que queria quando veio pra
Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente
Que só faz sofrer.
Renato Russo
“Que país é este?”, EMI, 1 1987.

Marilyn Monroe. O Pecado mora ao lado. (Filme). EUA, 1955. Disponível em:<http://www.band.com.br/entretenimento/cinema/noticia/?id=100000521836>.Acesso em: agosto 2013.
Na década de 1950, a sociedade estadunidense vivia um
momento de estabilidade e prosperidade econômica, período
em que o país se recuperava da depressão iniciada em 1929.
Neste contexto, as mídias e tecnologias de comunicação
tornaram-se responsáveis pelo (a):