Uma das mais extraordinárias mudanças culturais do século XX...
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Cia das Letras, 1995, p. 317. (Adaptado).
Dentre os acontecimentos políticos e culturais dos anos 60 e 70, aquele em que a juventude, em vez de usar a sua disposição para a crítica social, reforçou o poder institucional vigente, foi
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Alternativa correta: C — Revolução Cultural Chinesa (iniciada em 1966).
Tema central: mobilização da juventude nas décadas de 1960-70 e o papel político dessa mobilização. A questão exige distinguir movimentos juvenis que desafiaram o poder do Estado daqueles em que a juventude foi instrumento para reforçar um poder institucional existente.
Resumo teórico (claro e progressivo): Em vários lugares, jovens foram agentes de contestação (ex.: Maio de 1968). Contudo, na China a liderança de Mao mobilizou estudantes e jovens (os “Guardas Vermelhos”) para atacar inimigos políticos internos, purgar quadros do Partido e promover a ideologia maoista. Essa mobilização, embora parecesse uma rebelião de baixo para cima, foi instrumentalizada para consolidar o controle pessoal de Mao e a ortodoxia do regime (ver MacFarquhar & Schoenhals, Mao’s Last Revolution, 2006; Dikötter, The Cultural Revolution, 2016; Hobsbawm, Era dos Extremos, 1995).
Por que a alternativa C é certa: a Revolução Cultural usou a energia juvenil para perseguir e eliminar dissidências internas e reorganizar instituições segundo a linha de Mao — na prática reforçando uma forma específica de poder institucional (o maoismo) e a autoridade central. Ou seja, a juventude atuou como instrumento do Estado/ liderança, não apenas como força autônoma de crítica social.
Análise das alternativas incorretas:
A — Maio de 1968, em Paris: movimento massivo de estudantes e trabalhadores que contestou a ordem estabelecida, exigiu mudanças sociais e questionou o poder — foi claramente uma ruptura contra o institucional.
B — manifestações da UNE no Brasil nos anos 1960: as mobilizações estudantis brasileiras foram oposição ao regime autoritário e à política vigente; não reforçaram o poder instituído, mas sim o desafiaram.
D — letras do rock norte‑americano dos anos 1970: ainda que haja variações, em geral o rock crítico (contra a Guerra do Vietnã, por exemplo) teve papel contestatório cultural; dificilmente se caracteriza como reforço do poder institucional vigente.
Dica de interpretação: foque em palavras-chave do enunciado — “reforçou o poder institucional vigente”. Procure movimentos em que a juventude foi cooptada por uma liderança estatal, não apenas movimentos espontâneos de contestação.
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