Questões de Vestibular
Comentadas sobre geografia física em geografia
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TEXTO 5
Raios de sol ao meio
Mais uma vez ele aparecia na minha frente como se tivesse vindo do nada. Seus olhos eram grandes e negros e pareciam ter nascido bem antes dele. Suas espinhas se agigantavam conforme o ângulo de que eram vistas. Sua orelha era algo indescritível. Além de orelha ela era disforme, meio redonda e meio achatada nas pontas. Ela era meio várias coisas. Uma orelha monstro. A boca era alguma coisa que só estava ali para cumprir seu espaço no rosto. Era boca porque estava exatamente no lugar da boca. E era a segunda vez que ele me mobilizava. Mas no conjunto de elementos díspares reinava uma sensualidade ímpar que me tirava de mim sem que eu soubesse navegar no outro que em mim surgia. De mim não sabia entender o que emanava para ele em toda a sua estranha vastidão de patologia visual. No meio sol da meia-noite as coisas se anunciaram e antes que a madrugada avançasse a lua em sua metade escondida ardeu com um olhar malicioso e sorriu.
(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 177.)
A expressão “sol da meia-noite”, empregada no Texto 5, indica um aparente contraste, já que, para a maior parte do planeta Terra, a meia-noite, ou o momento da mudança de data, ocorre no período escuro do dia. Embora pareça estranho, em algumas regiões, ocorrem dias com duração de 24 horas para o período claro. Acerca das condições para tal ocorrência e de seus desdobramentos, analise as assertivas a seguir:
I-A situação conhecida como sol da meia-noite é observável para além da latitude de 66° 33’, tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul.
II-Contrariamente à situação de sol da meia-noite, para além dos trópicos de Câncer e Capricórnio, é observável a situação de período escuro em pleno meio-dia.
III-Os círculos polares Ártico e Antártico marcam a latitude mínima em que os raios solares incidem 24 horas por dia no solstício de verão.
IV-A latitude de 23° 27’ marca o limite de incidência dos raios solares no solstício de inverno para cada um dos hemisférios.
Em relação às proposições analisadas, assinale a alternativa
cujos itens estão todos corretos:
TEXTO 3
O acendedor de lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doura a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 25)
O Texto 3 relata uma situação que frequentemente ocorre no mundo contemporâneo, que é a exploração da mão de obra trabalhadora, e faz referência ao Sol e à Lua, que nos remete à temática dos movimentos da Terra. Acerca das características e dos efeitos dos dois movimentos mais importantes de nosso planeta, rotação e translação, são feitas as assertivas a seguir. Analise-as:
I-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são iguais e determina o começo da primavera e do outono.
II-Têm por efeito a sucessão dos dias e das noites, que influencia na organização da vida, e o solstício, em que os dias e as noites são desiguais e determina o começo do verão e do inverno.
III-Ambos movimentos acontecem no sentido anti-horário, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do verão e do inverno.
IV-Ambos movimentos ocorrem de oeste para leste, e equinócio significa que os dias e as noites têm igual duração e determina o começo do outono e da primavera.
De acordo com os itens analisados, marque a alternativa
que contém apenas proposições corretas:
TEXTO 1
Queimada
À fúria da rubra língua
do fogo
na queimada
envolve e lambe
o campinzal
estiolado em focos
enos
sinal.
É um correr desesperado
de animais silvestres
o que vai, ali, pelo mundo
incendiado e fundo,
talvez,
como o canto da araponga
nos vãos da brisa!
Tambores na tempestade
[...]
E os tambores
e os tambores
e os tambores
soando na tempestade,
ao efêmero de sua eterna idade.
[...]
Onde?
Eu vos contemplo
à inércia do que me leva
ao movimento
de naufragar-me
eternamente
na secura de suas águas
mais à frente!
Ó tambores
ruflai
sacudi suas dores!
Eu
que não me sei
não me venho
por ser
busco apenas ser somenos
no viver,
nada mais que isso!
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)
O Texto 1 faz referência a queimadas, que, quando realizadas de maneira não controlada são maléficas ao ambiente florístico e faunístico de qualquer bioma. Levando-se em conta o clima, o relevo e a vegetação, o território brasileiro é constituído de diferentes e diversificados mosaicos paisagísticos. Assinale, dentre as alternativas a seguir, a que melhor correlaciona as regiões brasileiras e os biomas nelas predominantes:
Marque a alternativa correta.
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto e as afirmativas a seguir.
Os grandes volumes de precipitação acumulados nos meses de setembro e outubro últimos no Rio Grande do Sul resultaram em constantes inundações, principalmente em áreas próximas aos rios da Região Metropolitana da Capital que desaguam no Lago Guaíba. Em situação normal, há um maior volume de chuvas registrado nos meses de primavera nos estados da Região Sul do Brasil; entretanto, em 2015, os valores ultrapassaram as médias dos últimos quinze anos, ocasionando, inclusive, o fechamento das comportas do Cais do Porto Mauá, para evitar uma possível inundação na área central de Porto Alegre.
Sobre esse evento afirma-se:
I. Está relacionado ao fenômeno El Nino, que determina um padrão diferenciado de circulação entre os ventos atmosféricos e as correntes oceânicas superficiais no Oceano Pacífico, provocando o aumento de precipitações na região.
II. A ocupação das áreas urbanas se projeta para o leito de vazante de rios e lagos e, por isso, em períodos excepcionais, essas áreas são invadidas.
III. Como o Lago Guaíba está à montante dos rios Caí, Sinos, Jacuí e Gravataí, o volume de suas águas atinge níveis excepcionais.
IV. A ocorrência de ventos do quadrante sul é um fator agravante no transbordamento das águas do Lago Guaíba, pois eles funcionam como um represador do escoamento natural das águas.
Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, analise as afirmativas que podem completar a frase a seguir.
Considerando a posição da Terra em relação ao Sol e seus efeitos sobre o clima do planeta, podemos afirmar que
I. a quantidade de radiação solar incidente sobre o topo da atmosfera da Terra depende de três fatores: latitude, longitude e altitude.
II. as regiões de baixa latitude do planeta recebem a luz solar de maneira mais direta e concentrada; já as regiões de alta latitude recebem a insolação de forma oblíqua e difusa.
III. as terras atravessadas pela linha do Equador possuem dois máximos de insolação nos solstícios e dois mínimos nos equinócios.
IV. o Sol só poderá incidir diretamente sobre a cabeça de um observador (ângulo de 90º ou zênite), ao meio dia, nas terras do planeta localizadas entre as latitudes 30º N e 30º S, respectivamente.
Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto e as afirmativas propostas sobre as marés.
As marés são alterações do nível das águas dos oceanos e mares verificadas em todo o planeta. Elas interferem de maneira significativa na formação das correntes marítimas, nas rotas de navegação e na pesca. As variações nas marés devem-se à atração lunar sobre as águas, entretanto o Sol também exerce influência nesse fenômeno. Diante disso, são feitas as seguintes afirmativas:
I. Quando o Sol e a Lua estão em conjunção ou oposição, suas ações se somam, ampliando a variação das marés.
II. Nas quadraturas, a variação das marés se reduz, em função da posição ocupada pelo Sol e pela Lua, em ângulo de 90º.
III. No caso brasileiro, a amplitude das marés é maior no litoral Sul e Sudeste do que nos estados do Norte e Nordeste.
IV. As marés vivas, ou marés de sizígia, ocorrem em período de lua cheia ou nova.
Estão corretas apenas as afirmativas
"O tempo vem desgastando lentamente a paisagem das terras planas do interior de Minas Gerais e São Paulo. O planalto que abriga a bacia do São Francisco, rio que nasce no sudoeste de Minas Gerais e corre em direção ao nordeste até Pernambuco, está paulatinamente encolhendo pelo recuo das escarpas que formam sua borda. No último 1,3 milhão de anos, esse planalto perdeu área para uma região vizinha situada a altitudes menores, onde se assenta a bacia do rio Doce."
(Salvador Nogueira. A dança das bacias. São Paulo: Pesquisa Fapesp, Janeiro de 2013. p. 51)
A transformação notada pode ser explicada como resultante
A figura abaixo apresenta a ocorrência de derrames basálticos na porção centro-sul do Brasil.

Sobre essa ocorrência, é correto afirmar:
A figura a seguir exibe a imagem de um ciclone.

É correto afirmar que o ciclone em questão

Disponível em: http://www.geografia.seed.pr.gov.br/modules/ galeria/uploads/5/normal_125mataatlantica.jpg. Acesso em: 31 out. 2015.
Na imagem, destacado com a cor verde, identifica-se o domínio natural da seguinte vegetação:
I Na trilogia “O Tempo e o Vento", Érico Veríssimo descreve a paisagem da fictícia cidade de Santa Fé, localizada no Sul do Brasil, como uma paisagem de relevo suave, com presença de colinas cobertas por uma vegetação rasteira.
II Em “Vidas Secas", de Graciliano Ramos, o autor narra as dificuldades que os moradores encontram em viver no coração do Sertão nordestino. A paisagem local apresentada é de arbustos de poucas ou nenhuma folha, tons de terra dão a coloração da Região e a presença de cactáceas é bastante frequente.
III No livro “Mad Maria", a maior floresta equatorial do mundo serve como pano de fundo para a construção da lendária ferrovia Madeira-Mamoré. Márcio Souza descreve uma vegetação densa, composta por diversas árvores de copas largas e troncos grossos.
IV No clássico “Dom Casmurro", Machado de Assis ambienta a história de Bentinho e Capitu em meio ao Rio de Janeiro do início do século XX. A cidade está localizada às margens do oceano Atlântico, apresentando paisagens urbanas com o surgimento dos cortiços, mas ainda com fortes paisagens naturais, como uma floresta tropical de vegetação diversificada e uma beleza exuberante.
Assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, aos tipos de vegetação apresentados nas obras.
Considerando a importância dos conceitos da Geografia para a compreensão dos conteúdos escolares e saberes desenvolvidos no dia a dia, relacione os conceitos, apresentados na COLUNA A, às definições que os identificam, listados na COLUNA B.
COLUNA A
1 Espaço
2 Lugar
3 Paisagem
4 Região
5 Território
COLUNA B
( ) Área definida por limites. Nem sempre esta área possui em toda sua extensão características homogêneas.
( ) Este conceito não deve ser entendido apenas como um fragmento, ele é dinâmico e está em constante transformação. Sua definição está relacionada a fatores econômicos, políticos, culturais e religiosos.
( ) É a representação visível de um determinado local. A partir desse conceito podem ser observados temas da Geografia como relevo, vegetação e hidrografia.
( ) Pode ser pensado como uma parcela do espaço que possui uma particularidade que a diferencia das demais. Esta particularidade pode representar fatores culturais, econômicos ou físicos.
( ) Pode ser entendido como um local onde os indivíduos ou grupos estabelecem uma relação afetiva com o ambiente e/ou objetos pertencentes ao local.
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente os parênteses, de cima para baixo.
Todos os processos que causam desagregação das rochas, com separação dos grãos minerais antes coesos e com sua fragmentação, transformando a rocha inalterada em material descontínuo e friável, constituem o processo de
TEXTO 6
[…]
Amado (na sua euforia profissional) – Cunha,
escuta. Vi um caso agora. Ali, na praça da Bandeira. Um caso que. Cunha, ouve. Esse caso pode ser a tua salvação!
Cunha (num lamento) – Estou mais sujo do que pau de galinheiro!
Amado (incisivo e jocundo) – Porque você é uma besta, Cunha. Você é o delegado mais burro do Rio de Janeiro.
(Cunha ergue-se.)
Cunha (entre ameaçador e suplicante) – Não pense que. Você não se ofende, mas eu me ofendo.
Amado (jocundo) – Senta!
(Cunha obedece novamente.)
Cunha (com um esgar de choro) – Te dou um tiro!
Amado – Você não é de nada. Então, dá. Dá!
Quedê?
Cunha – Qual é o caso?
Amado – Olha. Agorinha, na praça da Bandeira. Um rapaz foi atropelado. Estava juntinho de mim. Nessa distância. O fato é que caiu. Vinha um lotação raspando. Rente ao meio-fio. Apanha o cara. Em cheio. Joga longe. Há aquele bafafá. Corre pra cá, pra lá. O sujeito estava lá, estendido, morrendo.
Cunha (que parece beber as palavras do repórter) – E daí?
Amado (valorizando o efeito culminante) – De repente, um outro cara aparece, ajoelha-se no asfalto, ajoelha-se. Apanha a cabeça do atropelado e dá-lhe um beijo na boca.
CUNHA (confuso e insatisfeito) – Que mais?
Amado (rindo) – Só.
Cunha (desorientado) – Quer dizer que. Um sujeito beija outro na boca e. Não houve mais nada. Só isso?
(Amado ergue-se. Anda de um lado para outro. Estaca, alarga o peito.)
Amado – Só isso!
Cunha – Não entendo.
Amado (abrindo os braços para o teto) – Sujeito burro! (para o delegado) Escuta, escuta! Você não quer se limpar? Hein? Não quer se limpar?
Cunha – Quero!
Amado – Pois esse caso.
Cunha – Mas ...
Amado – Não interrompe! Ou você não percebe?
Escuta […]
(RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 12/13.)
I-O estado do Rio de Janeiro está inserido no domínio geomorfológico de Mares de Morros, os quais são formados por grandes volumes rochosos expostos pelo processo de soerguimento.
II-As ocupações, por vezes irregulares, nos sopés de vertentes íngremes estão entre as principais causas de acidentes gerados pelo desmoronamento de terra em algumas áreas do Rio de Janeiro.
III-Em grande parte do domínio de Mares de Morros, como na conhecida Região Serrana do Rio de Janeiro, em anos de excepcionais elevados índices pluviométricos, são recorrentes os desmoronamentos de terra, que provocam prejuízos socioambientais diversos.
IV-Os acidentes envolvendo os deslizamentos de terra em encostas íngremes é um fenômeno tipicamente urbano, praticamente inexistindo nas áreas rurais do Rio de Janeiro.
Marque a alternativa que contém apenas afirmações corretas:
TEXTO 1
O mundo do menino impossível
Fim de tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.
Entre as estrelas e lá detrás da igreja,
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.
E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.
Mas ainda vela
o menino impossível,
aí do lado,
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra da Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nurnberg,
o velho barbado jugoslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpés,
o carrinho português
feito de folha de flandres a
caixa de música checoslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires,
moviendo la cola y la cabeza.
O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papá Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...
“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
[...]
O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada,
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...
[...]
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global,
2006. p. 27-30. Adaptado.)
Na imagem abaixo, foi utilizada a técnica de curvas de nível para representar a topografia de uma região na qual há um vale, entre outras formas de relevo.

Phil Gersmehl Adaptado de Teaching geography. Nova York: Guilford, 2008.
O ponto localizado no fundo desse vale é o identificado pela seguinte letra: