Questões de Vestibular
Sobre desigualdades de raça, classe e gênero em sociologia
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ARRUZZA, Cinzia; BATTACHARYA, Tithi; FRASER, Nancy. Feminismo para os 99%: um manifesto. São Paulo: Boitempo, 2019.
“A chamada ‘economia do cuidado’ é o conjunto de atividades não remuneradas, geralmente exercidas por mulheres, como a limpeza da casa, preparação de alimentos e os cuidados com crianças, idosos e doentes da família. Um pacote que vale 11% do PIB atual (...). Em valores, foram cerca de 634,3 bilhões de reais em 2015 [por exemplo]. (...) Contabilizar o valor dos afazeres domésticos no PIB do Brasil só se tornou possível a partir de 2001, quando o IBGE introduziu na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) a pergunta referente ao número de horas despendido pela população para executar essas atividades.”
Disponível em https://www.cartacapital.com.br/.
Nos textos apresentados, encontram-se dois conceitos, o de “reprodução social” e o de “economia do cuidado”. De acordo com as definições desses conceitos e com os dados indicados, qual das afirmações a seguir está correta?
GORDIMER, Nadine. O melhor tempo é o tempo presente. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.82-83.
No excerto do romance da escritora sul-africana Nadine Gordimer, é possível identificar:
O Globo, 22/07/2022; CNN Brasil, 16/06/2023.
“Pois bem, é justamente a partir daí que aparece a necessidade de teorizar as ‘raças’ como o que elas são, ou seja, construtos sociais, formas de identidade baseadas numa ideia biológica errônea, mas eficaz, socialmente, para construir, manter e reproduzir diferenças e privilégios. Se as raças não existem num sentido estritamente realista de ciência, ou seja, se não são um fato do mundo físico, são, contudo, plenamente existentes no mundo social, produtos de formas de classificar e de identificar que orientam as ações dos seres humanos.”
GUIMARÃES, Antônio Sergio Alfredo. Raças e estudos de relações raciais no Brasil. Novos Estudos CEBRAP, n.54, 1999. p.153.
Relacionando os dados trazidos pela PNAD/IBGE e o conceito de raça do sociólogo Antônio Sergio Alfredo Guimarães, é correto afirmar:
No cenário esportivo, é possível identificar alguns avanços em relação ao alcance dessa meta, conforme reconheceu a jogadora brasileira de futebol Marta:
“Quando as atletas do sexo feminino têm a chance de se destacar, os resultados são enormes. E para isso, a Copa do Mundo Feminina de 2019 foi realmente uma virada no jogo. A audiência global do torneio ultrapassou 1 bilhão de pessoas.”
Disponível em https://brasil.un.org/.
A Olimpíada de Paris 2024, por sua vez, estabeleceu, pela primeira vez na história, a paridade de gênero em todos os esportes olímpicos, com 5.250 vagas destinadas a cada sexo. Apesar das conquistas, o caminho rumo à igualdade de gênero continua. Com base no exposto, é correto afirmar:
Texto 1
A imagem acima reproduz uma postagem feita pelo ator Chay Suede sobre uma feijoada que havia consumido em um restaurante de luxo. As reações na rede social do ator incluíram comentários como "se isso é feijoada de rico eu prefiro morrer pobre”.
(Adaptado de JIMENEZ, K. Saiba quanto Chay Suede pagou pela polêmica 'feijoada de rico'!. Portal R7, 17 de abr de 2022. Acesso em 01/09/25.)
Texto 2
A forma como as pessoas vivenciam as diferentes classes deve gerar as probabilidades dessas pessoas terem certos gostos, certos estilos de vida. No caso das classes altas, essa lógica é a do desinteresse ou da não-necessidade. Uma vez afastada de toda a urgência da vida pela sobrevivência e pela reprodução, os sujeitos das classes altas possuem uma relação de distanciamento com o mundo. Esse distanciamento transforma o senso de distinção em senso estético nessa classe. O senso estético é a noção de que o belo se dá pela forma, e não pela função.
(Adaptado de BERTONCELO, E.; NICOLAU NETTO, M. Captando a distinção empiricamente. Contemporânea, v. 13, p. 363-364, 2024.)
A partir dos textos, é correto afirmar que a polêmica associada à postagem
(Djamila Ribeiro. O que é: lugar de fala?, 2017. Adaptado.)
O excerto aborda um conceito que propõe uma nova perspectiva de análise filosófica, sobretudo em relação
Elas entraram para o movimento feminista apagando e negando a diferença, sem pensar em raça e gênero juntos, mas eliminando raça do cenário.
(bell hooks. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, 2018. Adaptado.)
Ao abordar aspectos do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da década de 1960, o excerto
GIDDENS, A.; SUTTON, P. Conceitos essenciais de Sociologia. São Paulo: Editora da UNESP, 2017. p. 149.
Com base no texto, assinale a alternativa com as associações corretas entre as colunas.
Disponível em: https://tinyurl.com/25j5ntyn. Acesso em: 4 mar. 2026.
O texto evidencia
Internet: <https://www.tce.ba.gov.br/>.
Refletindo sobre o papel dos povos indígenas e africanos na formação da identidade nacional e temas correlatos, assinale a alternativa correta.
A MÃO DA LIMPEZA
O branco inventou que o negro Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão Negra é a mão De quem faz a limpeza Lavando a roupa encardida, esfregando o chão Negra é a mão É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão Negra é a mão Nos preparando a mesa Limpando as manchas do mundo com água e sabão Negra é a mão De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só Eta branco sujão
A canção A mão da limpeza foi lançada em 1984, por Gilberto Gil, no álbum Raça Humana. A canção aborda a questão da presença da população negra brasileira no emprego doméstico, realidade cujas raízes estão relacionadas ao contexto histórico da escravidão.
Com relação ao tema, considere as afirmações abaixo.
I - Em 2013, foi aprovada a Emenda Constitucional 72, conhecida como PEC das domésticas, que, pela primeira vez na história do Brasil, equiparou os direitos das trabalhadoras domésticas aos demais trabalhadores urbanos e rurais.
II - Na atualidade, a prevalência da população negra brasileira nos empregos domésticos, especialmente das mulheres negras, evidencia a persistência de hierarquias sociais, raciais e de gênero como fatores que incidem na limitação de oportunidades de estudo, trabalho e mobilidade social.
III- Ao longo da história do século XX, a defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas foi uma pauta que mobilizou a categoria, com destaque para Laudelina de Campos Melo, mulher negra, que, na década de 1930, fundou a primeira Associação de Empregadas Domésticas do país.
Quais estão corretas?
Leia o seguinte segmento apresentado, em 2010, ao Supremo Tribunal Federal pelo historiador Luiz Felipe de Alencastro, em audiência pública a respeito das cotas universitárias.
[...] boa parte das duas últimas gerações de indivíduos escravizados no Brasil não era escrava. Moralmente ilegítima, a escravidão do Império era ainda – primeiro e sobretudo – ilegal [...]. Tenho para mim que este pacto dos sequestradores constitui o pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira. [...] Pelos motivos apontados acima, os ensinamentos do passado ajudam a situar o atual julgamento sobre cotas universitárias na perspectiva da construção da nação e do sistema político de nosso país. [...] Trata-se, sobretudo, de inscrever a discussão sobre a política afirmativa no aperfeiçoamento da democracia, no vir a ser da nação.
ALENCASTRO, L. F. O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira. Novos Estudos, n. 87, 2010, p. 7-9.
Considerando a posição do historiador e o conhecimento histórico sobre a sociedade brasileira, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) O Estado e parte considerável da sociedade, ao longo da história do Império brasileiro, aceitaram manter uma estrutura econômica e social fundada na ilegalidade da escravização de indivíduos que deveriam ser considerados livres.
( ) A escravidão, durante o período imperial, era encarada pelo conjunto da sociedade como ilegítima, uma vez que feria os princípios da moralidade cristã e do liberalismo econômico, fomentados a partir do Segundo Reinado.
( ) A implementação de políticas de ações afirmativas para a redução das desigualdades sociais no presente pode ser justificada a partir da compreensão dos processos históricos que possibilitaram e deram continuidade a tais desigualdades.
( ) O estudo do passado pela história é um instrumento importante para a definição de um sistema político mais justo, para a construção de uma sociedade mais democrática e para elaborar projetos de futuro para a nação.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) O empreendedorismo e os contratos formais e estáveis, no Brasil, demonstraram crescente aumento, apesar de existirem possibilidades de modalidades contratuais, como os trabalhos intermitente, terceirizado e autônomo. Tais contratos preveem a acentuada flexibilidade em utilizar o trabalhador apenas em momentos precisos.
( ) Os campos empregatícios que mais têm recrutado trabalhadores via contrato intermitente são ocupados, majoritariamente, por pessoas do sexo masculino, as mais acometidas pelo desemprego no Brasil.
( ) A terceirização atinge frações e segmentos da classe social historicamente submetida a condições de precarização do trabalho, o que leva ao aprofundamento das disparidades socioeconômicas. Os trabalhadores terceirizados são mais acometidos por agravos de saúde, em decorrência do tipo de vínculo firmado e de condições e relações de trabalho estabelecidas.
( ) O desemprego e as dificuldades de inserção dos trabalhadores no mercado formal de trabalho impedem a aceitação das ofertas de trabalho, visto que os trabalhadores se submetem a ficar sem o gozo de férias, sem descansos e sem condições dignas de alimentação.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Na última segunda-feira, o jovem imigrante congolês Moïse Kabamgabe, de 24 anos, foi brutalmente assassinado no Rio de Janeiro. Moïse chegou ainda criança ao Brasil junto com sua mãe e seus irmãos. Era um refugiado que buscava reconstruir a vida longe dos conflitos étnicos na República Democrática do Congo que já tinham ceifado a vida de seu pai e de outros parentes. […] A hostilidade contra africanos tem longa história no Brasil. Nunca é demais lembrar que a história do Brasil é fundada na escravidão. O tráfico transatlântico de africanos escravizados trouxe somente para o Brasil mais de cinco milhões de homens, mulheres e crianças, segundo dados de uma plataforma digital que quantifica os números do comércio negreiro. No século 19, depois da Revolta dos Malês — um movimento de resistência na Bahia protagonizado por africanos de origem iorubá, da África Ocidental —, o governo local estabeleceu uma política de deportação para a África daqueles envolvidos no episódio ou mesmo que representassem algum perigo na cabeça das autoridades brasileiras. […] Com o final do tráfico de africanos escravizados, uma outra política de imigração se estabeleceu no país. Imigrantes europeus, como os italianos, que formavam uma comunidade importante em São Paulo, eram cada vez mais numerosos no Brasil depois de 1850. Os africanos e seus descendentes, por sua vez, foram empurrados cada vez mais para a subalternidade, que se arrasta até os nossos dias.
PINTO, Ana Flavia [et al]. Assassinato de jovem congolês destrói imagem de país cordial e hospitaleiro. UOL, 02 fev. 2022. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2022/02/02/assassinato-de-jovemcongoles-destroi-imagem-de-pais-cordial-e-hospitaleiro.htm>. Acesso em: 08 out. 2022.
Considerando a história das relações étnico-raciais no Brasil, a principal ideia contida no segmento é que
[...] As pretas não eram sérias, as pretas tinham a cona larga, as pretas gemiam alto, porque as cadelas gostavam daquilo. Não valiam nada.
As brancas eram mulheres sérias. Que ameaça constituía para elas uma negra? Que diferença havia entre uma negra e uma coelha? Que branco perfilhava filhos a uma negra? Como é que uma negra descalça, de teta pendurada, vinda do caniço a saber dizer, sim, patrão, certo, patrão, dinheiro, patrão, sem bilhete de identidade, sem caderneta de assimilada, poderia provar que o patrão era o pai da criança? [...]
Os brancos entravam no caniço e pagavam cerveja, tabaco ou capulana a metro à negra que lhes apetecesse. A bem ou mal. Depois abotoavam a braguilha e desapareciam para as suas honestas casas de família.
Considere as seguintes afirmações sobre o excerto.
I - As personagens pretas são sexualmente objetificadas e se constituem como uma grave ameaça às tradicionais famílias brancas.
II - A primeira atitude do colonizador era reconhecer os filhos gerados com suas escravas.
III- A mulher preta é usada como objeto sexual, enquanto a mulher branca é a dona de casa, a esposa e a mãe imaculada.
Quais estão corretas?
De acordo com o pôster, a universidade pretende
(Alexandre Barbosa. “O que é decolonialismo?”. www.eca.usp.br, 07.05.2024. Adaptado.)
De acordo com o excerto, o decolonialismo
O preconceito racial criou nos americanos uma atitude ambivalente para com a Espanha. Os peninsulares (espanhóis) eram sem dúvida brancos puros, mesmo que fossem imigrantes pobres. Os americanos eram mais ou menos brancos e mesmo os mais ricos tinham consciência da mistura de raças e estavam ansiosos para provar que eram brancos, se necessário por ação judicial. Mas o fator raça se tornou mais complexo devido a interesses sociais, econômicos e culturais, e a supremacia branca não era incontestável; para além de suas defesas havia uma massa de índios, mestiços, negros livres, mulatos e escravos.
(John Lynch. “As origens da independência da América espanhola”. In: Leslie Bethell (org.). História da América Latina: da independência a 1870, 2004. Adaptado.)
De acordo com o excerto, a sociedade colonial, na América espanhola,
“Em recente encontro feminista [...] tínhamos observado uma sucessão de falas [...], que colocavam uma série de exigências quanto à luta contra a exploração da mulher, do operariado etc. A unanimidade das participantes quanto a essa denúncia era absoluta. Mas no momento em que começamos a falar do racismo e suas práticas em termos de mulher negra, já não houve mais unanimidade. Nossa fala foi acusada de emocional por umas e até mesmo de revanchismo por outras [...]”
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Org.: Flavia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020, p. 61.
Com base no pensamento da autora e no texto, sobre o modo como a filósofa aborda a questão da mulher, assinale a opção correta.
https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/mito-da-democracia-r acial-no-brasil-e-suas-consequencias/
O mito da democracia racial, defendido na obra de Gilberto Freire, contribuiu para: