Questões de Concurso
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“O Céu em si-mesmo, considerado como abóbada sideral e região atmosférica, é rico em valores mítico-religiosos. O ‘alto’, o ‘elevado’, o espaço infinito são hierofanias do ‘transcendente’, do sagrado por excelência... Mas não podemos reduzir os seres supremos a uma hierofania uraniana, pois eles ultrapassam tal condição: são ‘criadores’, ‘bons’, ‘eternos’ (‘velhos’), fundadores de instituições e guardiães das normas — atributos que só em parte podem ser explicados pelas hierofanias celestes.” (p. 98).
“Uma vez feita esta reserva — que é importante — podemos destrinçar na história dos seres supremos e das divindades celestes um fenômeno no mais alto grau revelador para a experiência religiosa da humanidade: é que estas figuras divinas têm tendência a desaparecer do culto. Em parte nenhuma desempenham um papel predominante, foram afastadas e substituídas por outras forças religiosas: culto dos antepassados, espíritos e deuses da natureza, demônios da fecundidade, grandes deuses, etc. É notável que esta substituição se faça sempre em proveito de uma força religiosa ou de uma divindade mais concreta, mais dinâmica, mais fértil (por exemplo, o Sol, a Grande Mãe, o Deus Macho, etc.). O vencedor é sempre o representante ou o distribuidor da fecundidade: ou seja, em última análise, o representante ou o distribuidor da vida.” (p. 99).
“O fenômeno da solarização do ser supremo uraniano é bastante freqüente na África. Toda uma série de povos africanos dá ao ‘ser supremo’ o nome de ‘Sol’... A solarização progressiva das divindades celestes corresponde ao mesmo processo de erosão que conduziu, em outros contextos, à transformação destas divindades celestes em deuses atmosférico-fecundadores.” (p. 107).
Considerando a análise eliadiana da estrutura e do destino histórico das divindades celestes, bem como o fenômeno de sua substituição por figuras divinas mais dinâmicas e ligadas à fecundidade, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“A definição que a mim, pessoalmente, me parece a menos imperfeita, por ser a mais ampla, é a seguinte: o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do ‘princípio’. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma ‘criação’: ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente.” (p. 9)
“O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma ‘história verdadeira’, porque sempre se refere a realidades. O mito cosmogônico é ‘verdadeiro’ porque a existência do Mundo aí está para prová-lo; o mito da origem da morte é igualmente ‘verdadeiro’ porque é provado pela mortalidade do homem, e assim por diante.” (p. 9)
“Os mitos, em suma, recordam continuamente que eventos grandiosos tiveram lugar sobre a Terra, e que esse ‘passado glorioso’ é em parte recuperável. A imitação dos gestos paradigmáticos tem igualmente um aspecto positivo: o rito força o homem a transcender os seus limites, obriga-o a situar-se ao lado dos Deuses e dos Heróis míticos, a fim de poder realizar os atos deles. Direta ou indiretamente, o mito ‘eleva’ o homem.” (p. 104)
Considerando a definição eliadiana de mito como “história sagrada” e “narrativa de uma criação”, bem como sua função de fornecer modelos paradigmáticos para a conduta humana, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“O pensamento simbólico não é domínio exclusivo da criança, do poeta ou do desequilibrado: ele é consubstancial ao ser humano: precede a linguagem e a razão discursiva. O símbolo revela certos aspectos da realidade — os mais profundos — que desafiam qualquer outro meio de conhecimento. As imagens, os símbolos, os mitos, não são criações irresponsáveis da psiqué; eles respondem a uma necessidade e preenchem uma função: pôr a nu as mais secretas modalidades do ser. Por conseguinte o seu estudo permite-nos conhecer melhor o homem, ‘o homem sem mais’, aquele que ainda não transigiu com as condições da história.” (p. 13).
“Não se deve encarar este simbolismo do Centro com as suas implicações geométricas do espírito científico ocidental. Para cada um destes microcosmos podem existir vários ‘centros’. Como não tardaremos a ver, todas as civilizações orientais — Mesopotâmia, Índia, China, etc. — conhecem um número ilimitado de ‘Centros’. Melhor ainda: cada um destes ‘Centros’ é considerado e mesmo designado literalmente por ‘Centro do Mundo’. Como se trata de um espaço sagrado, que é dado por uma hierofania ou construído ritualmente, e não de um espaço profano, homogéneo, geométrico, a pluralidade dos ‘Centros da Terra’ no interior de uma só região habitada não oferece qualquer dificuldade. Estamos em presença de uma geografia sagrada e mítica, a única efetivamente real e não de uma geografia profana, ‘objetiva’, de certo modo abstrata e não essencial, construção teórica de um espaço e de um mundo que não se habita e que, portanto, não se conhece.” (p. 39).
“O que distingue o historiador das religiões de um historiador sem mais, é que ele lida com fatos que, se bem que históricos, revelam um comportamento que ultrapassa de longe os comportamentos históricos do ser humano. Se é verdade que o homem se encontra sempre ‘em situação’, esta situação nem por isso é sempre histórica, ou seja, condicionada unicamente pelo momento histórico contemporâneo. O homem integral conhece outras situações além da sua condição histórica; conhece, por exemplo, o estado onírico, ou de sonho acordado, ou de melancolia e de desprendimento, ou de beatitude estética, ou de evasão, etc. — e todos estes estados não são ‘históricos’, se bem que sejam também autênticos e tão importantes para a existência humana como a sua situação histórica.” (p. 32-33).
Considerando a defesa eliadiana da autonomia e da perenidade do simbolismo, bem como sua crítica ao historicismo redutor e ao positivismo, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“Todavia, a importante novidade proposta por Pettazzoni foi defender o fato de que a comparação podia ser somente ‘histórica’, isto é – contrariamente à Fenomenologia e ao darwinismo –, tendente a evidenciar as irreduzíveis especificidades históricas de todo fato religioso. Por consequência, contra uma comparação que procurava leis gerais e similitudes formais, o historiador italiano apurava um método comparativo que ressaltava as diferenças e as originalidades que somente as particularidades históricas conseguem justificar.” (p. 47).
“E, justamente, a partir do final da década de 1940 – contemporaneamente a uma profunda reflexão teórica sobre a relação entre religiões, Historicismo e Fenomenologia – que De Martino começa a deslocar sua atenção para os camponeses do Sul italiano, para seu ‘folclore’ e suas manifestações rituais. [...] o rito ‘comporta a canalização, a formalização da emoção em termos culturais que conseguem dominá-la, resgatá-la em tempos (periódicos), em modos (os estereótipos verbais, gestuais, musicais etc.) e em um espaço bem definido’.” (p. 53 e 55).
“O método histórico-comparado de Pettazzoni conotou, enfim, a História das Religiões nos termos de uma disciplina afim à Etnologia e à Antropologia religiosa. Afim, mas não idêntica, todavia. Finalmente, o estudioso não pôde deixar de utilizar-se da mesma linguagem daquelas disciplinas maduras, mas teria feito isso com o objetivo final de verificá-la à prova dos fatos e, se necessário, negá-la, contradizê-la ou refiná-la.” (p. 50).
Considerando o percurso metodológico da Escola Italiana de História das Religiões, especialmente no que diz respeito à comparação histórica, à análise do rito e à relação com a Antropologia, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com a perspectiva do autor.
“A primeira vertente, a sistemática (evolucionista), pode ser exemplificada: pelos estudos do filólogo Max Müller, desde suas Lectures on the Science of Language (London 1861), e pelos trabalhos de Edward Burnett Tylor ‘The Religion of Savages’ (In: Fortnightly Review, 1866), e Primitive Culture (London 1871), obras que apontam para a conotação essencial do mais primitivo estádio da evolução cultural; essa primeira vertente encerra-se – e será finalmente sintetizada, no âmbito de uma abordagem propriamente sociológica – com a obra de Émile Durkheim em seu estudo Les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse (Paris 1912): aqui o mais primitivo estádio da evolução cultural será identificado, enfim, com o ‘sistema totêmico’ australiano com o objetivo de analisar, justamente, essas ‘formas elementares’ do religioso.” (p.9).
“Em uma segunda parte deste mesmo capítulo 1, levaremos em consideração a vertente fenomenológica (essencialista). Faremos isso partindo da obra de Rudolf Otto Das Heilige (O Sagrado, Breslau 1917): obra de um teólogo luterano e filósofo kantiano que se utiliza, propriamente, da Ciência das Religiões para empreender uma característica análise teológica; em seguida abordaremos a obra de Gerardus Vander Leeuw Phänomenologie der Religion (Tübingen 1933), que realiza uma verdadeira operação de desistoricização que se tornará útil à Fenomenologia; finalmente, tentaremos apontar para a síntese mais significativa, complexa e conturbada da própria vertente fenomenológica, através da obra de Mircea Eliade Traité d’Histoire des Religions (Paris 1949).” (p. 9).
“Dessa abordagem, decorre a importante lição, central na perspectiva histórico-religiosa, segundo a qual para entender determinados contextos histórico-culturais ‘outros’ é preciso entrar em (e adequar-se a) uma lógica autônoma e consoante ao sistema de valores e ao mundo das ideias próprios de cada cultura: no contexto das culturas etnológicas, de fato, uma lógica diferente da clássica ocidental (a lógica aristotélica, por exemplo). De outra forma, manifestasse a incapacidade de inteligência com relação àquelas culturas ou, às vezes pior, à adoção de uma leitura etnocêntrica daquelas realidades culturais.” (p. 90- 91).
Considerando a contraposição metodológica entre as vertentes sistemática/evolucionista e fenomenológica, de um lado, e a perspectiva histórico-religiosa da Escola Italiana (Pettazzoni, De Martino, Brelich, Sabbatucci), de outro, tal como apresentada por Agnolin, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
Qual é o pH aproximado dessa solução?
(Dados: CH3COONa = 82 g/mol; CH3COOH = 60 g/mol; pKa CH3COOH = 4,74; log 0,5 ≈ -0,30.)
I. Fixação, amonificação nitrificação, assimilação e desnitrificação são etapas do ciclo do nitrogênio.
II. Os compostos clorofluorcarbonetos (CFC) são os principais agentes químicos destruidores da camada de ozônio, pois seus átomos de cloro, quando livres, em reações catalisadas por radiação ultravioleta, desestruturam as moléculas de ozônio.
III. No ciclo do enxofre, o gás sulfídrico, resultante da redução dos sulfatos e da decomposição de aminoácidos, é oxidado a enxofre elementar. Essa reação é típica de certas bactérias oxidantes do enxofre não fotopigmentadas, como as do gênero Thiobacillus.
IV. O ciclo global do fósforo é peculiar entre os grandes ciclos biogeoquímicos, uma vez que esse elemento não produz, em nenhum momento, qualquer substância volátil em quantidades relevantes.
Como técnico em química do laboratório de microbiologia classificado como nível de biossegurança 2 (NB2) de um Instituto Federal, você foi encarregado de auxiliar na aquisição de uma cabine de segurança biológica para manipulação de microrganismos que podem representar risco moderado ao operador.
Considerando o princípio da tripla proteção, segundo o qual devem ser protegidos simultaneamente o operador, a amostra manipulada e o ambiente de trabalho, assinale a alternativa que apresenta o equipamento mais adequado para uso rotineiro em um laboratório NB2.
I. O modelo atômico de Dalton (1808) propôs que o átomo era uma esfera maciça, indivisível e indestrutível, como uma bola de bilhar, e eletricamente neutro.
II. O modelo de Thomson (1897) introduziu a ideia da existência de partículas subatômicas negativas, denominadas elétrons, distribuídas em uma massa positiva, fazendo analogia com um pudim de passas.
III. O modelo de Rutherford (1911), baseando-se nos resultados do experimento da “folha de ouro”, demonstrou que o átomo possui um núcleo pequeno, denso e positivo, e uma região, denominada eletrosfera, em que se encontram elétrons orbitando circularmente. Esse modelo é popularmente conhecido como planetário.
IV. O modelo de Bohr (1913), em conjunto com as ideias de Rutherford, propôs que os elétrons podem ocupar quaisquer valores de energia ao redor do núcleo, nas chamadas camadas, sem restrições quantizadas.
V. O modelo quântico moderno, também conhecido como modelo de Schrödinger, descreve os elétrons por meio de orbitais, que representam regiões com maior probabilidade de encontrá-los.
Com base em conhecimentos básicos de eletroquímica, assinale a alternativa que identifica corretamente as partes contidas em (a), (b), (c) e (d).
I. ao adicionar sal na água da massa para que ela ferva a uma temperatura mais alta, cozinhando mais rápido;
II. ao aplicar sal em estradas com neve para derreter o gelo;
III. na conservação de alimentos com açúcar (geleias) ou sal, reduzindo a atividade da água;
IV. na aplicação de soro fisiológico (isotônico) em amostras de sangue, evitando que as hemácias sofram hemólise (estourem) ou plasmólise (murchem).
As propriedades coligativas retratadas nessas situações são, respectivamente:
(Dados: 2Cl- (aq) → Cl2(g) + 2 elétrons; F = 94685 C/mol elétrons.)
Considere as reações termoquímicas a seguir (condições-padrão):
I. C(s, grafite) + O2(g) → CO2(g) ΔH1= −393,5 kJ
II. H2(g) + 1/2O2(g) → H2O(l) ΔH2= −285,8 kJ
III. C(s, grafite) + 2H2(g) → CH4(g) ΔH3= −74,8 kJ
Mediante a aplicação da Lei de Hess, pode-se determinar o ΔH da reação:
CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O(l)
A partir dessas informações, assinale a alternativa que apresenta o ΔH da reação de combustão do metano e o calor liberado na combustão de 32,0 g de metano, respectivamente.
(Dado: CH4 = 16 g/mol.)
(Dado: CH3COOH = 60 g/mol.)
2NO(g) + 2H2(g) → N2(g) + 2H2O(g)
Com base nas informações cedidas, é correto
afirmar que a ordem global da reação é