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Q3549355 História
Leia o fragmento de texto abaiхо.

"De 1914 até o seu final, a guerra assumiu seu lado mais cruel. Milhões de vidas foram ceifadas na chamada guerra de trincheiras, quando as tropas se limitavam a defender determinadas posições estratégicas".

De acordo com Bittencourt (2006), em Introdução à História Marítima Brasileira, a que conflito o fragmento de texto acima se refere?
Alternativas
Q3549353 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.


TEXTO II 



Aprazível Reminiscência



Que saudade me aperta


Do lugar onde nasci.


Uma nostalgia desperta


Do paraíso onde vivi.


Lá, tudo me encantava,


Das matas aos animais.


De longe se avistava


A beleza dos florais.


Para as águas do açude


Sempre olhava eu atento.


Numa completa quietude,


Aquilo era o meu acalento.


Numa manhã fria e bela


O chocalho das vacas ressoava.


Uma mulher no canto da janela


A vida dos outros trinchava.


Ouvindo aquilo eu ria,


Minha mãe me reclamava.


O sorriso no rosto mantinha


Pela situação que se passava.


O dia era de chuva,


O pingo na telha batia.


Ligeiro a água avançava,


Na ponta do córrego surgia.


Saudades não mais terei.


Eu amo aquele lugar.


Um dia lá voltarei


Para ele poder admirar.


Debaixo das sombras deitar-me-ei


Do peito, a saudade se arranca.


Incansavelmente esperarei


O canto esplendoroso da asa branca.



SILVA, Lucas Rosa da. In: OLIVEIRA, Katia Aparecida da Silva. (Org.). Lembranças - poemas. Minas Gerais: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2022. p.48. Adaptado.



TEXTO IIl



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

Analise as afirmativas abaixo quanto à relação entre os textos I, Ile III.

I- Todos os textos relacionam-se na medida em que abordam o tema das memórias.
II- Os textos I e IIl distanciam-se por tratarem de desencontro amoroso.
III- Os textos I e Il tratam mais especificamente de lembranças do lugar onde se viveu.
IV- Todos os textos versam sobre o tema da saudade.

Assinale a opção correta.
Alternativas
Q3549350 Português
TEXTO III


Q22_25.png (360×280)


SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.
Assinale a opção que apresenta um par com o mesmo número de fonemas?
Alternativas
Q3549349 Português
TEXTO II 


Aprazivel Reminiscência


Que saudade me aperta

Do lugar onde nasci.

Uma nostalgia desperta

Do paraíso onde vivi.

Lá, tudo me encantava,

Das matas aos animais.

De longe se avistava

A beleza dos florais.

Para as águas do açude

Sempre olhava eu atento.

Numa completa quietude,

Aquilo era o meu acalento.

Numa manhã fria e bela

O chocalho das vacas ressoava.

Uma mulher no canto da janela

A vida dos outros trinchava.

Ouvindo aquilo eu ria,

Minha mãe me reclamava.

O sorriso no rosto mantinha

Pela situação que se passava.

O dia era de chuva,

O pingo na telha batia.

Ligeiro a água avançava,

Na ponta do córrego surgia.

Saudades não mais terei.

Eu amo aquele lugar.

Um dia lá voltarei

Para ele poder admirar.

Debaixo das sombras deitar-me-ei

Do peito, a saudade se arranca.

Incansavelmente esperarei

O canto esplendoroso da asa branca.


SILVA, Lucas Rosa da. In: OLIVEIRA, Katia Aparecida da Silva. (Org.). Lembranças poemas. Minas Gerais: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2022. p.48. Adaptado.
Assinale a opção em que o termo destacado é o sujeito da oração.
Alternativas
Q3549347 Português
TEXTO II 


Aprazivel Reminiscência


Que saudade me aperta

Do lugar onde nasci.

Uma nostalgia desperta

Do paraíso onde vivi.

Lá, tudo me encantava,

Das matas aos animais.

De longe se avistava

A beleza dos florais.

Para as águas do açude

Sempre olhava eu atento.

Numa completa quietude,

Aquilo era o meu acalento.

Numa manhã fria e bela

O chocalho das vacas ressoava.

Uma mulher no canto da janela

A vida dos outros trinchava.

Ouvindo aquilo eu ria,

Minha mãe me reclamava.

O sorriso no rosto mantinha

Pela situação que se passava.

O dia era de chuva,

O pingo na telha batia.

Ligeiro a água avançava,

Na ponta do córrego surgia.

Saudades não mais terei.

Eu amo aquele lugar.

Um dia lá voltarei

Para ele poder admirar.

Debaixo das sombras deitar-me-ei

Do peito, a saudade se arranca.

Incansavelmente esperarei

O canto esplendoroso da asa branca.


SILVA, Lucas Rosa da. In: OLIVEIRA, Katia Aparecida da Silva. (Org.). Lembranças poemas. Minas Gerais: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2022. p.48. Adaptado.
No poema "Aprazível Reminiscência", o eu lírico, de modo geral, tem o propósito de:
Alternativas
Q3549343 Português
TEXTO I 


Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena. 

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

     "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera е amável ao mesmo tempo. O vento soprava doce.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

     "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

    A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

    "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

    E nessa mistura de amor, aventura, ilusão е doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, а seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Rio de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção que apresenta um trecho cuja colocação do pronome oblíquo distancia-se da norma culta.
Alternativas
Q3549338 Português
TEXTO I 


Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena. 

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

     "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera е amável ao mesmo tempo. O vento soprava doce.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

     "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

    A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

    "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

    E nessa mistura de amor, aventura, ilusão е doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, а seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Rio de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção que apresenta um trecho confirmando que o viajante não reconheceu a pessoa com quem estava conversando.
Alternativas
Q3549334 Português
TEXTO I 


Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena. 

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

     "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera е amável ao mesmo tempo. O vento soprava doce.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

     "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

    A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

    "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

    E nessa mistura de amor, aventura, ilusão е doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, а seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Rio de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção em que o verbo é intransitivo.
Alternativas
Q3549326 Direito Marítimo
De acordo com o Regulamento Disciplinar para a Marinha, o recurso deve ser remetido à autoridade a quem dirigido, dentro do prazo de:
Alternativas
Q3549321 Direito Marítimo
De acordo com a Ordenança Geral para o Serviço da Armada, como é efetuada a distribuição das Praças a bordo?
Alternativas
Q3549320 Direito Administrativo
Segundo o previsto na Ordenança Geral para o Serviço da Armada (OGSA), como devem ser emitidas as ordens? 
Alternativas
Q3549306 Direito Marítimo
De acordo com a Ordenança Geral para o Serviço da Armada, assinale a opção correta no que se refere ao Comandante da Organização Militar (OM).
Alternativas
Q3549303 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.


TEXTO II 



Aprazível Reminiscência



Que saudade me aperta


Do lugar onde nasci.


Uma nostalgia desperta


Do paraiso onde vivi.


Lá, tudo me encantava,


Das matas aos animais.


De longe se avistava


A beleza dos florais.


Para as águas do açude


Sempre olhava eu atento.


Numa completa quietude,


Aquilo era o meu acalento.


Numa manhã fria e bela


O chocalho das vacas ressoava.


Uma mulher no canto da janela


A vida dos outros trinchava.


Ouvindo aquilo eu ria,


Minha mãe me reclamava.


O sorriso no rosto mantinha


Pela situação que se passava.


O dia era de chuva,


O pingo na telha batia.


Ligeiro a água avançava,


Na ponta do córrego surgia.


Saudades não mais terei.


Eu amo aquele lugar.


Um dia lá voltarei


Para ele poder admirar.


Debaixo das sombras deitar-me-ei


Do peito, a saudade se arranca.


Incansavelmente esperarei


O canto esplendoroso da asa branca.



SILVA, Lucas Rosa da. In: OLIVEIRA, Katia Aparecida da Silva. (Org.). Lembranças - poemas. Minas Gerais: Editora Universidade Federal de Alfenas, 2022. p.48. Adaptado.



TEXTO IIl

 


SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.
Analise as afirmativas abaixo quanto à relação entre os textos I, Il e IIl.

I- Todos os textos relacionam-se na medida em que abordam o tema das memórias.
II- Os textos I e IIl distanciam-se por tratarem de desencontro amoroso.
III- Os textos I e Il tratam mais especificamente de lembranças do lugar onde se viveu.
IV- Todos os textos versam sobre o tema da saudade.

Assinale a opção correta.
Alternativas
Q3549302 Português

TEXTO IIl



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

 

Em "Pensei que pudesse me esquecer dela comendo, mas não consigo...", a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido da fala e mantendo-se a estrutura da frase, por:
Alternativas
Q3549301 Português

TEXTO IIl



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

 

Tendo em vista a ideia de causa e consequência em relação ao que é apresentado pelo personagem da tira, o fato de se apaixonar levou a que consequência?
Alternativas
Q3549300 Português

TEXTO IIl



SCHULZ, Charles. Disponível em: <https://deposito-detirinhas.tumblr.com/post/87505672722/por-charles-schulzwwwpeanutscom>. Acesso em 17/10/2023.

 

Assinale a opção que apresenta um par com o mesmo número de fonemas?
Alternativas
Q3549290 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Assinale a opção que apresenta uma palavra com hiato.
Alternativas
Q3549282 Português
TEXTO I 

Amor de viajante


    O rio de águas claras corria lentamente e o sol já ia se escondendo atrás das montanhas. Cansada, eu buscava algo além da realidade. Coisas como estrelas que falam, rosas que choram... A fantasia era pra mim um desvio da realidade bruta. Diante daquele sol, dos ventos e homens em verdadeira harmonia, parei. Sentei na relva úmida. Sentia a natureza, meu mundo borbulhando em latência plena.

    Percebi que a uns metros de mim repousava um homem de aparência rude. Cabelos despenteados, barba por fazer e uma sacola com roupas como um pesado fardo. Sentado, com os joelhos junto ao peito, parecia se proteger da dor. A noite caía e ele permanecia ali, quase imóvel. Assobiava como se cantasse uma canção de adeus para alguém. Olhei-o pelas costas. Havia uma mistura de sentimentos fechados no peito. Me aproximei.

   "Triste?" Me atrevi a perguntar. "Não sei", respondeu-me com a voz mansa. Não falei nada. Sentei ao seu lado e fiquei admirando sua fisionomia austera e amável ao mesmo tempo. O vento soprava doсе.

    "Sabe, há muitos anos eu vivi nesse lugar..." Começou a me dizer.

    "Do lado esquerdo do rio havia uma palmeira. Já me banhei aqui quando menino".

    De repente parou de falar, como se eu não fosse digna de tais confissões. Mas suas confusões pareciam ser maiores que as desconfianças. Então, prosseguiu:

    "Foi numa tarde como essa que eu, cansado de andar, parei aqui para descansar. Desse mesmo lugar onde estou agora, vi uma menina. Estava de costas. E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que lhe caíam nas costas, como um manto. Depois disso, corri mundo. Naveguei os sete mares. Conheci mulheres deslumbrantes. Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula. Fiz o diabo nesse mundo de Deus. Mas nem todas as loucuras, nem todos os bordéis de beira de estrada, nem os vinhos que me embebedaram, me fizeram esquecê-la. Aquela menina sempre viveu nos lugares mais bonitos de minha memória. Se ela existiu realmente, não sei. Alucinação, talvez."

   A essa altura o viajante não externava angústia. Era como se contasse mais uma de suas aventuras. Falava como se buscasse, num fundo qualquer, um jeito adocicado de me contar sua vida.

   "Talvez ela tenha se transformado numa estrela, ou esteja à beira de um outro rio, despedaçando outros corações. Quem sabe, esteja despertando outros amores. Mas viverá em mim até o fim dos meus dias."

   E nessa mistura de amor, aventura, ilusão e doçura, levantou, se despediu e seguiu viagem. Sem perceber que a mulher que tanto procurava estava ali, a seu lado.


SOUZA, Maria de Lourdes. Dicionário de Lembranças. Río de Janeiro: Editora Contemporânea, 1998.
Sobre o uso dos pronomes no 7º parágrafo do texto 1, analise as afirmativas abaixo.

I- "E eu só pude ver aqueles longos cabelos negros que Ihe caíam nas costas (...)"- "Ihe" pode ser substituído por "dela", sem alteração de significado.
II- "(...) me fizeram esquecê-la"- "la" retoma "uma
III- menina". "Cheguei a lutar numa guerra, apesar de achá-la ridícula." "la" pode ser substituído por "ela", respeitando a norma culta da língua.

Assinale a opção correta.
Alternativas
Q3549122 Direito Marítimo
De acordo com a Ordenança Geral para o Serviço da Armada, as Organizações Militares de terra são estruturadas com base em três documentos fundamentais, são eles:
Alternativas
Q3549119 Direito Marítimo
Assinale a opção que NÃO apresenta um componente do Poder Marítimo, segundo Bittencourt (2006), em Introdução à História Marítima Brasileira.
Alternativas
Respostas
21: C
22: D
23: E
24: C
25: D
26: D
27: A
28: D
29: C
30: D
31: C
32: E
33: D
34: A
35: D
36: E
37: C
38: D
39: A
40: A