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Q732410 Português

O que é ética hoje?

Sem uma discussão lúcida sobre a ética não é possível agir com ética

                                                                                                                      Marcia Tiburi

      A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas. Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande problema.

      O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente éticos porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo.

      Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta, para se chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E, por isso, permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a ignorância triunfam.

      Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito, pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão. Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a ética. E isso não é opinião de ignorantes que não frequentaram escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como princípio que deve reger nossas relações?

      Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do que significa a ética como elemento estrutural para cada um como pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é pelo “como fazemos para sermos éticos” que tudo começa. Aí começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu” e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê-lo.

      A Ética permanece, porém, sendo uma palavra vã, que usamos a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público. A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual cresce a ignorância - depende disso.

      Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não percebem – é tratar a ética como um trabalho da lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista.

                                                       (http://www.marciatiburi.com.br/textos/somoslivre.htm)

                                                                                                                                   Questões:

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q732408 Português

O que é ética hoje?

Sem uma discussão lúcida sobre a ética não é possível agir com ética

                                                                                                                      Marcia Tiburi

      A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas. Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande problema.

      O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente éticos porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo.

      Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta, para se chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E, por isso, permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a ignorância triunfam.

      Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito, pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão. Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a ética. E isso não é opinião de ignorantes que não frequentaram escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como princípio que deve reger nossas relações?

      Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do que significa a ética como elemento estrutural para cada um como pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é pelo “como fazemos para sermos éticos” que tudo começa. Aí começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu” e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê-lo.

      A Ética permanece, porém, sendo uma palavra vã, que usamos a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público. A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual cresce a ignorância - depende disso.

      Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não percebem – é tratar a ética como um trabalho da lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista.

                                                       (http://www.marciatiburi.com.br/textos/somoslivre.htm)

                                                                                                                                   Questões:

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q732345 Biblioteconomia

Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.

A _____________ é a base primordial da informação jurídica, pois através dela é que os tribunais tomam suas decisões formando a _____________ e que é analisada formando a _____________.

Alternativas
Q732344 Biblioteconomia
Para Vergueiro (1989): [...] está bem claro que nenhuma biblioteca pode ser autossuficiente, dando-se ao luxo de suprir todas as necessidades de seus usuários com recursos próprios. Esta é uma ilusão da qual, por mais tentadora que seja, os bibliotecários devem procurar fugir. Na realidade, é uma aspiração humanamente impossível de concretizar. Nesse sentido, a literatura da área aponta para
Alternativas
Q732343 Biblioteconomia

No que se refere aos objetivos da Bibliografia, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) Elaboração de emendas disciplinares.

( ) Controle Bibliográfico.

( ) Ordenamento e transmissão Bibliográficos.

( ) Listas de Referências sugeridas à biblioteca.

Alternativas
Q732342 Biblioteconomia

Em relação aos elementos que compõe o registro MARC, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) Estrutura dos Registros – normas (ISO 2709 e ANSI Z39.2).

( ) Conteúdo dos elementos definido pelo AACR.

( ) Conteúdo dos elementos definido pela LC.

( ) Conteúdo dos elementos definido pelo International Standard Bibliographic Description (ISBD).

Alternativas
Q732341 Biblioteconomia
No Serviço de Referência, o momento em que o bibliotecário discute e elabora a questão com o usuário, para buscar o melhor resultado no sistema de recuperação da informação utilizado, denomina-se
Alternativas
Q732340 Biblioteconomia
Em relação à estrutura, o Diário Oficial da União se divide em quantas seções? E os editais se encontram em qual seção?
Alternativas
Q732339 Biblioteconomia

Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.

A partir do ___________ é possível definir ações e ___________ a serem alcançados(as) pelas unidades de informação na busca por resultados eficazes na gestão.

Alternativas
Q732338 Biblioteconomia
Na Classificação Decimal Universal CDU, o símbolo (1/9) indica o âmbito
Alternativas
Q732337 Biblioteconomia
Qual é a notação correta para Direito Internacional(341) e o meio ambiente e sua proteção(502)?
Alternativas
Q732336 Biblioteconomia
Qual é a notação correta da CDU para classificar um Dicionário de Direito Econômico, quando sabe-se que 345.78 é a classe para Direito econômico e (038) para dicionário técnico?
Alternativas
Q732335 Biblioteconomia
A informação jurídica pode ser gerada, registrada e recuperada de formas distintas. Qual é a que se caracteriza por meio da doutrina?
Alternativas
Q732334 Biblioteconomia
Ainda referente ao processo de Análise Documentária, as operações fundamentais para a geração de informação documentária são:
Alternativas
Q732333 Biblioteconomia
No processo de Análise Documentária, a fase que determina o conjunto de termos que irá representar o conteúdo do documento é
Alternativas
Q732332 Biblioteconomia
Ao fazer a catalogação descritiva de um documento de acordo com o AACR2, qual sinal de pontuação usa-se para separar o autor do tradutor e a autoria de responsabilidade mista?
Alternativas
Q732331 Biblioteconomia
Qual é o tipo de autoria em que, em uma mesma obra, dividem a autoria um ilustrador e um escritor?
Alternativas
Q732330 Biblioteconomia
A distinção entre Descrição e Acesso no AACR é clara. Acesso se refere
Alternativas
Q732329 Biblioteconomia
Qual é a melhor forma de promover e valorizar os serviços e produtos que uma biblioteca pode oferecer, à medida que supram os desejos e necessidades de seu usuário?
Alternativas
Q732328 Biblioteconomia
Qual é a norma que se refere ao conceito: apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento?
Alternativas
Respostas
10821: A
10822: C
10823: C
10824: E
10825: D
10826: A
10827: B
10828: B
10829: C
10830: B
10831: A
10832: E
10833: A
10834: C
10835: A
10836: E
10837: D
10838: B
10839: C
10840: E