O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
IA exigirá cuidado com o emprego dos mais jovens
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[1] Com seu progresso em velocidade jamais vista, mesmo para outras tecnologias digitais, as ferramentas
de inteligência artificial (IA) têm despertado um misto de júbilo e temor. O entusiasmo é alimentado por
seu desempenho a cada dia melhor e pela projeção de uma nova revolução em diferentes áreas do
conhecimento e setores da economia. O medo advém do risco de uso nefasto e do impacto no mercado de
trabalho. O embate entre futuros utópico ou distópico ganhou destaque nas conversas entre profissionais
das mais variadas áreas — de músicos a advogados. No meio acadêmico, há uma discussão acalorada a
respeito do efeito concreto da IA no mercado de trabalho. A conclusão, por enquanto, é que, sim, ela
destruirá empregos — mas não há motivo para desespero.
[2] Em estudo publicado no final de agosto, três pesquisadores da Universidade Stanford identificaram
"quedas substanciais" nas taxas de emprego de profissionais entre 22 e 25 anos nas ocupações mais
expostas à nova tecnologia, como desenvolvedores de software ou serviços de atendimento. Para os mais
velhos, a realidade tem sido outra. O nível de emprego tem se mantido ou até aumentado. No mercado de
trabalho como um todo, o nível de ocupação cresce, mas para trabalhadores jovens se mantém estagnado.
[3] O estudo também revela que nem todas as aplicações de IA resultam em declínio de vagas para quem
entra no mercado de trabalho. Em atividades com automação intensiva, há perdas. Nos empregos que
usam IA para ampliar habilidades humanas, há ganhos. Quanto aos salários, o uso da nova tecnologia
tem — por enquanto — tido pouco efeito.
[4] Os autores são cuidadosos para não extrair conclusões precipitadas. Ressaltam ser necessário obter
dados mais precisos e continuar o monitoramento. Afirmam que a adoção de novas tecnologias
normalmente produz efeitos heterogêneos no mercado de trabalho. Mas especulam se os trabalhadores
que mais sentiram consequências negativas até o momento não seriam "os canários da mina de carvão"
— aqueles que, sensíveis a gases tóxicos, eram usados por mineiros como alarme.
[5] A dificuldade de prever os efeitos da IA está ligada ao ineditismo. Se as projeções de nova revolução
forem confirmadas, olhar para trás de nada servirá para avaliar as mudanças. Thomas Malthus, o
pensador britânico do século XVIII, foi um dos economistas mais brilhantes de sua geração. A partir de
uma observação correta, concluiu que a renda per capita sempre se manteria em nível de subsistência.
Para azar de Malthus e sorte da humanidade, a Revolução Industrial deu início a uma explosão inédita de
produtividade e renda. Ante as novas evidências, a armadilha malthusiana evaporou.
[6] Ainda que as transformações provocadas pela IA possam ter consequências sem precedentes, algumas
lições do passado são úteis. Entre 1760 e 1850, a Revolução Industrial não resultou em ganho salarial e
acabou com várias ocupações. Para evitar choque parecido, é preciso adotar medidas para mitigar os
efeitos da tecnologia, sobretudo no emprego dos jovens; incentivar o uso de ferramentas de IA que
ampliem as habilidades humanas; recolocar quem perder empregos; e, sobretudo, investir na formação desses jovens para que sejam profissionais mais flexíveis, capazes de se adaptar às oportunidades que
surgirão. Afinal, jovens ainda têm toda a vida para aprender.