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Q3699095 Português
A questão refere-se ao texto a seguir. 

O arquivo 

    No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
    joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
    Prosseguiu a luta. 
    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
  joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
   Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
   Respirou descompassado.
    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
    O coração parava.
     — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
    A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
  Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão. 
    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
    O corpo era um monte de rugas sorridentes.
    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia: 
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
    O chefe não compreendeu:
    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
    A emoção impediu qualquer resposta.
    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
    joão transformou-se num arquivo de metal. 

(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O segmento que exerce a mesma função sintática do sublinhado acima está em: 
Alternativas
Q3699092 Português
A questão refere-se ao texto a seguir. 

O arquivo 

    No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
    joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
    Prosseguiu a luta. 
    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
  joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
   Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
   Respirou descompassado.
    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
    O coração parava.
     — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
    A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
  Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão. 
    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
    O corpo era um monte de rugas sorridentes.
    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia: 
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
    O chefe não compreendeu:
    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
    A emoção impediu qualquer resposta.
    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
    joão transformou-se num arquivo de metal. 

(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 
joão se transformou num arquivo de metal.
Simbolicamente, essa transformação representa

I - uma crítica à desumanização advinda da rotina burocrática e repetitiva.
II - o surgimento de uma identidade e de uma individualidade diligente e astuta.
III - a desintegração emocional do indivíduo resultante de uma alienação progressiva.
IV - uma ascensão profissional conquistada gradativamente com resiliência e sabedoria.

É CORRETO o que se afirma em
Alternativas
Q3699089 Português
A questão refere-se ao texto a seguir. 

O arquivo 

    No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
    joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
    Prosseguiu a luta. 
    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
  joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
   Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
   Respirou descompassado.
    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
    O coração parava.
     — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
    A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
  Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão. 
    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
    O corpo era um monte de rugas sorridentes.
    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia: 
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
    O chefe não compreendeu:
    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
    A emoção impediu qualquer resposta.
    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
    joão transformou-se num arquivo de metal. 

(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 
No texto, a chefia 
Alternativas
Q3699088 Português
A questão refere-se ao texto a seguir. 

O arquivo 

    No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
    joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
    Prosseguiu a luta. 
    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
  joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
   Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
   Respirou descompassado.
    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
    O coração parava.
     — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
    A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
  Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão. 
    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
    O corpo era um monte de rugas sorridentes.
    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia: 
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
    O chefe não compreendeu:
    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
    A emoção impediu qualquer resposta.
    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
    joão transformou-se num arquivo de metal. 

(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 
Ironicamente, o texto tematiza  
Alternativas
Q3698113 Medicina
Nas equipes multiprofissionais do SUS, existem diversos profissionais que podem desempenhar ações de acolhimento, escuta, cuidados em saúde mental, mas sem substituir o trabalho do psicólogo. Porém, é CORRETO afirmar que o profissional que tem a competência de identificar incialmente o sofrimento psíquico é o: 
Alternativas
Q3698110 Psicologia
Na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), existem as Unidades de Acolhimento, nas quais o psicólogo tem atuação importante no campo da saúde mental, álcool e outras drogas. É CORRETO afirmar que uma ação deste profissional nesta unidade corresponde a: 
Alternativas
Q3698108 Psicologia
A Política Nacional de Saúde Mental foi construída a partir do movimento da Reforma Psiquiátrica ocorrida no Brasil e que teve início a partir dos anos de 1970. Esta política apresenta um conjunto de princípios. É CORRETO afirmar que o princípio da integralidade significa: 
Alternativas
Q3698106 Psicologia
A Psicologia Analítica de C. G. Jung representa uma importante contribuição para o campo da Psicologia. Um dos seus principais conceitos é o de individuação.Apartir dele, analise as assertivas que seguem.

I- É possível afirmar que o primeiro passo para a individuação é o desnudamento do inconsciente, que é uma máscara que esconde o self e a realidade reprimida.
II- No processo de individuação, dá-se o confronto com a sombra. Na medida em que há uma aceitação de sua realidade, distinguimo-nos dela, e assim podemos ficar livres de sua influência.
III- No confronto com a anima ou o animus, deve-se encará-lo(a) como sendo uma pessoa, uma entidade com a qual se pode comunicar e de quem se pode aprender.
IV- No processo final da individuação, ocorre o desenvolvimento do self, e ele traz unidade à psique e integra o material consciente e o inconsciente.

É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q3698105 Psicologia
Os testes psicológicos são importantes suportes no processo de avaliação em Psicologia e podem ser utilizados de forma complementar dentro deste processo. Sobre a sua utilização, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3698102 Psicologia
A Psicanálise se constituiu como uma das mais importantes abordagens que estão na base das contribuições à Psicologia. Nas atividades desenvolvidas para construir a Psicanálise, Freud utilizou os conteúdos oníricos para complementar o entendimento dos tratamentos que realizava. Para ele, é CORRETO afirmar que o sonho é um(a): 
Alternativas
Q3696373 Raciocínio Lógico
A matriz da Figura 03 foi construída admitindo a mesma regra lógica para a formação das linhas e colunas. Além disso, todos os elementos que a compõem pertencem ao conjunto A = {5,10,15,25}.

Nesse contexto, é CORRETO afirmar que: 

Captura_de tela 2025-10-30 090949.png (227×129)

Fonte: CPCON
Alternativas
Q3696371 Raciocínio Lógico
Um simulado composto por três disciplinas, Matemática Aplicada (MA), Álgebra Booleana (AB) e Circuitos Elétricos (CE), foi aplicado, de forma separada, ao final de um curso Técnico em Eletroeletrônica. Aquantidade de alunos que realizaram a prova de cada disciplina, em um universo de 85 alunos matriculados, foi apresentada por meio do Diagrama de Venn a seguir:

Figura 02 - Diagrama de Venn

Captura_de tela 2025-10-30 090829.png (396×322)

Fonte: CPCON

Com base nas informações contidas na Figura 02, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3696370 Raciocínio Lógico
Dadas as sequências numéricas Seq1 e Seq2 a seguir, após determinar as incógnitas, é CORRETO afirmar que:

Seq1: 2, a, b, c, 14, 17, 20
Seq2: 4, x, y, z, 324, 972, 2916
Alternativas
Q3696369 Estatística
Após a realização de uma corrida de 5km, o tempo final dos 8 (oito) primeiros atletas foi divulgado na Tabela 01 a seguir:

Tabela 01 –Tempo de prova

Captura_de tela 2025-10-30 090639.png (382×193)

Fonte: CPCON

Sabendo-se que a diferença de tempo entre os 2 (dois) primeiros candidatos foi de 10 segundos e desconsiderando a fração em segundos do tempo final de cada candidato, assinale a alternativa que apresenta, CORRETA e RESPECTIVAMENTE, a média aritmética, a moda e a mediana da sequência crescente formada pelo tempo final dos candidatos.
Alternativas
Q3696366 Raciocínio Lógico
Considere as proposições abaixo:

P: Carlos não é eletricista;
Q: Maria é comissária de bordo;
R: Jorge é concursado.

É CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3696365 Raciocínio Lógico
Complete a Tabela-verdade a seguir:
Tabela-verdade

Captura_de tela 2025-10-30 090256.png (240×115)

Analise as assertivas e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3696363 Português
O Texto IVse refere à questão.

Texto IV- Blanco
Marisa Monte

Me vejo no que vejo
Como entrar por meus olhos
Em um olho mais límpido
Me olha o que eu olho
É minha criação
Isto que vejo
Perceber é conceber
Águas de pensamentos
Sou a criatura do que vejo

Fonte: PAZ, Octavio. Blanco. Intérprete: Marisa Monte. Barulhinho Bom. Londres: EMI, 1996. Letra disponível em: https://www.letras.mus.br/marisamonte/47272/. Acesso em: 4 out. 2025. 
Observe os seguintes versos da canção:

Captura_de tela 2025-10-30 085950.png (525×95)

É CORRETO afirmar sobre a palavra em destaque que é uma palavra:
Alternativas
Q3696356 Português
Para responder à questão, leia o Texto III.

Texto III

Captura_de tela 2025-10-30 085550.png (527×538)


Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DO-wPeVDngk/?img_index=1. Acesso em: 2 out. 2025.
Acerca do Texto III, analise as assertivas a seguir.

I- O substantivo “monstro” é empregado na tira de forma ambígua.
II- A frustração dos monstros é importante para o estabelecimento da coerência do texto.
III- O humor da tira gira em torno de uma quebra de expectativa.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3696354 Português
O Texto I deve ser lido para responder à questão.

Texto I

PAÍSES PRECISAM TRATAR A SOLIDÃO COMO UM PROBLEMA PÚBLICO

Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio

Waldemar Magaldi Filho

20 set. 2025 às 10h10

    Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
    Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
    É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio, overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
    Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem, dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero não é só um afeto, é uma política do corpo.
    A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
    Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
    Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola. E isolamento é adubo para o desespero.
    Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de metas.
    O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência; investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.


Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025. Adaptado. 
Considerando a coesão do texto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3695990 Psicologia
A ética em saúde configura-se como um conjunto de princípios e valores que orientam a atuação dos profissionais no objetivo de proporcionar o bem-estar, respeitando a dignidade e os direitos dos pacientes.
Marque a alternativa CORRETA sobre o conceito dos princípios bioéticos:
Alternativas
Respostas
9401: D
9402: C
9403: B
9404: A
9405: B
9406: D
9407: C
9408: E
9409: D
9410: A
9411: B
9412: D
9413: C
9414: A
9415: D
9416: C
9417: D
9418: C
9419: C
9420: D