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Q3698114 Português

Leia o Texto I e responda à questão.


Texto I


Consumo de ovo pode ajudar a melhor a memória, indica pesquisa

Estudo nos EUA aponta efeitos do alimento nas funções cognitivas, sobretudo entre mulheres

Regina Célia Pereira, da Agência Einstein

22/10/2024 às 17:11 | Atualizado 22/10/2024 às 17:14



    Se há algumas décadas o ovo era visto como vilão do cardápio, atualmente ele desponta como um dos alimentos mais completos e destaca-se em estudos pelas vantagens à saúde. Um dos trabalhos mais recentes, publicado em agosto no periódico Nutrients, mostra que o ovo está por trás de impactos positivos na memória, especialmente entre mulheres.

    Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, avaliaram dados de um grupo de 890 indivíduos, sendo 357 homens e 533 mulheres. Os hábitos alimentares dos participantes foram esmiuçados e eles passaram por testes cognitivos.

    Entre os resultados do trabalho, observou-se um menor declínio na fluência verbal ao longo dos anos entre as mulheres que consumiam ovo. Elas tinham melhor capacidade de nomear categorias de itens, como animais, em comparação com as que não apreciavam o ingrediente.

    Efeitos similares foram observados em outros artigos. “Embora os próprios estudiosos enfatizem a necessidade de mais pesquisas para confirmar tais achados, algumas substâncias encontradas no alimento têm sido associadas a efeitos benéficos ao cérebro”, diz a nutricionista Serena del Favero, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    A primeira que merece menção é a colina. Trata-se de uma das vitaminas do complexo B. Presente na gema, é essencial para a síntese de um neurotransmissor conhecido como acetilcolina, que, entre outras funções, está envolvido na regulação da aprendizagem e da memória.

    Há ainda a luteína e a zeaxantina, integrantes dos carotenoides, grupo de pigmentos de potente ação antioxidante. “Essas substâncias atuam na proteção contra o estresse oxidativo e a inflamação no cérebro”, comenta a nutricionista. Seriam, portanto, guardiãs dos neurônios e demais estruturas cerebrais.

    Colina, luteína e zeaxantina fazem bonito pelas funções cognitivas, mas o ovo oferece ainda outras preciosidades. Seu conteúdo proteico tem sido dos mais badalados. Ainda que a gema contenha uma pequena parcela, a clara é uma verdadeira “sopa” de aminoácidos, pedacinhos de proteína fabricados pela natureza com a função de proteger o embrião em desenvolvimento dentro do ovo.

    No nosso organismo, o nutriente atua na constituição de tecidos e órgãos, contribuindo para a integridade de unhas, cabelos e pele. Também é indispensável na construção e reparação muscular.

    Exageros, entretanto, não oferecem benefícios adicionais e podem trazer danos à saúde. “O corpo tem um limite de absorção de proteínas por refeição”, explica a nutricionista. Aquantia deve ser determinada de acordo com o perfil e o estilo de vida de cada um.



Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/consumo-de-ovo-pode-ajudar-a-melhorar-memoria-indica-pesquisa/.Acesso em: 09 dez. 2024, [adaptado].

A respeito das ideias apresentadas no Texto I, analise as assertivas que seguem.



I- O texto divulga uma pesquisa que associa o consumo do ovo a benefícios cognitivos.


II- A pesquisa relatada foi realizada nos EUAe publicada no periódico Nutrients.


III- O ovo é apresentado como um alimento que deve ser excluído do cardápio.


IV- Colina, luteína e zeaxantina são algumas das substâncias encontradas no ovo.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3685315 Matemática
Determinada peça automotiva custa R$ 199,80. José precisa adquirir esta peça e decidiu pagar com dinheiro. Ele entregou ao caixa da loja duas cédulas de R$ 20,00, uma cédula de R$ 50,00, uma cédula de R$ 10,00, uma cédula de R$ 200,00 e mais 80 centavos em moedas.

Quanto deverá receber de troco?
Alternativas
Q3685314 Matemática
Pedro é pintor e sabe que, sozinho, consegue fazer determinado trabalho em 6 dias, trabalhando 4 horas por dia. Se contratar outro profissional ajudante com o mesmo desempenho que o seu, e ambos trabalhando 6 horas por dia, nas mesmas condições, em quanto tempo eles vão concluir o trabalho?
Alternativas
Q3685313 Matemática
Em determinada repartição pública, 60% dos cargos são ocupados por homens. Isso significa que
Alternativas
Q3685312 Matemática
Para calcular a metade de algum número, pode-se
Alternativas
Q3685311 Matemática
Certa escola realizou uma campanha de doação de alimentos básicos para distribuir entre algumas famílias carentes do município. Durante a campanha, foram arrecadados 144 quilos de arroz, 192 quilos de feijão e 216 quilos de macarrão. Essa divisão foi feita de modo que o maior número possível de famílias fosse contemplado e todas recebessem a mesma quantidade de arroz, a mesma quantidade de feijão e a mesma quantidade de macarrão, sem haver sobra de qualquer item arrecadado.

Nesse caso, quantos quilos de arroz cada família recebeu?
Alternativas
Q3685310 Matemática
Em certo concurso público, foram oferecidas 120 vagas. A comissão organizadora informou que houve um total de 3360 candidatos inscritos concorrendo às vagas. Sendo assim, qual a relação de candidatos por vaga deve ser divulgada pela comissão organizadora do concurso? 
Alternativas
Q3685309 Matemática
Calcular 20% de algo, é o mesmo que
Alternativas
Q3685308 Matemática
Em uma sala de aula, durante a realização de um concurso, a razão entre o número de candidatos do sexo feminino e o número de candidatos do sexo masculino é de 3 para 2.

Se há 30 candidatos no total, quantos candidatos do sexo feminino há nessa sala?
Alternativas
Q3685307 Matemática
Em certa repartição pública alguns servidores deverão ser remanejados para melhor atender a população. Para isso, distribuem-se os servidores em 30 setores distintos, alocando 48 servidores em cada setor. Se fosse possível alocar 72 desses servidores em cada setor, seriam necessários 
Alternativas
Q3685306 Matemática
Sabe-se que certa escola do município decidiu fornecer merenda escolar saudável para os seus estudantes. Um dos itens obrigatórios foi o suco natural feito com polpa de frutas. Sabe-se que certa mistura de polpa de fruta e água deve ser preparada num total de 200 litros, dos quais 25% são de polpa.

Qual a quantidade de água que deveria ser acrescentada a esta mistura para que o volume resultante venha conter 20% de polpa de fruta?
Alternativas
Q3685305 Português
A divisão silábica está correta, EXCETO em: 
Alternativas
Q3685304 Português
A vírgula foi usada com a função de indicar a intercalação do aposto em:
Alternativas
Q3685303 Português
Admite-se mais de uma concordância para o verbo destacado em:
Alternativas
Q3685302 Português
As palavras destacadas estão corretamente interpretadas entre parênteses, EXCETO em: 
Alternativas
Q3685301 Português
Todas as palavras destacadas são advérbios, EXCETO em: 
Alternativas
Q3685300 Português
Todas as palavras são acentuadas graficamente, segundo a mesma regra, EXCETO em:
Alternativas
Q3685299 Português
A RAÇA SUPERIOR

Walcyr Carrasco


    A espécie humana acredita ser a única inteligente. Puro engano. Há tempos imemoriais nós, os humanos, fomos derrotados por uma raça superior, muito mais esperta. Mais que derrotados, fomos domesticados. Pelos cachorros.

    De fato, sob qualquer índice de avaliação, a raça canina se mostra superior. Quem convive com um cão gosta de dizer que é “dono”. Como acreditar, se tudo prova que o cachorro é dono do homem? Na questão da alimentação, por exemplo.

    Qualquer pessoa gasta dinheiro e tempo para comprar ração. Analisa os vários tipos e até experimenta uns pedacinhos para avaliar o sabor. Corre atrás de ossos para proporcionar tardes de degustação ao cachorro. Compra imitações de borracha. Indústrias pesquisam novas rações nutritivas.

    Gastam uma fábula em propaganda. Ou seja: sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los! Certa vez tive uma cachorrinha que só podia comer arroz com cenoura e carne moída. Estava sem empregada. Durante um mês levantava uma hora antes, preparava a comida e saía para trabalhar. Ao voltar, servia uma nova refeição e lavava o prato. Em troca, ela me lambia os dedos. Eu me sentia no cúmulo da felicidade só de receber essas lambidinhas! Seja dita a verdade: quem era dono de quem? 

    E na questão amorosa? Quando gosta de alguém, o cão abana o rabo. Pode ser um desconhecido. Gostou, abanou. Quando está a fim, deita-se de patas para cima e lança um olhar bem pidoncho. Até o coração mais duro não resiste a dar carinho, coçar as orelhas, fazer uns afagos. Eu, não. Nunca me deitei de barriga para ficar me oferecendo. Vontade não faltou, mas e a coragem? Nós, seres humanos, usamos artifícios. Gastamos dinheiro em perfumes, em cabeleireiros, em dermatologistas. Vamos a happy hours, jantares, festas, barzinhos da moda, entramos em chats da internet, só para achar quem nos coce as orelhas. Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto:

    — Ih! Está com carência afetiva.

    Toca a procurar terapeuta. Horas e horas dedicadas a analisar a pura vontade de buscar amor! Revistas dedicam quilômetros de papel a práticas de sedução. Como olhar de lado, como sorrir, como se oferecer sem dar na vista.

    Mais: como ter coragem de expressar os sentimentos. Cachorro, não. Abana o rabo e pronto. Muitas vezes, com ciúme, já tive vontade de morder alguém. Ao contrário, sorri simpaticamente enquanto o sangue fervia. Cães não possuem esse tipo de constrangimento. Atiram-se em cima do rival. Mordem a mão de quem acaricia. Até conseguirem seu quinhão de afeto. Mas também não guardam raiva. Depois de rosnarem um para o outro, dois cães saem pulando e brincando juntos.

    Que espécie sabe lidar melhor com as próprias emoções?

    A questão da pele também é importante. Criamos indústrias do vestuário porque não estamos satisfeitos com a própria pele, e inventamos estratagemas para cobri-la. Boa parte da humanidade se dedica a fabricar tecidos, a inventar e a vender roupas. Qualquer pessoa ambiciona se vestir bem. Fortunas são despendidas em novos guarda-roupas. A moda vira, e toca a gastar tudo outra vez.

    Cachorro, não. Nasce vestido. Imagine-se quanto delírio, quanta mão-de-obra seria evitada se o ser humano tivesse a mesma tranquilidade a respeito da própria aparência.

    Chegamos ao X da questão. Criamos filosofias, escrevemos livros. Há quem faça ioga, meditação. Tudo para aprender a aceitar o fardo da existência. O cão já nasce aceitando. A vida é e não é, deve pensar o cão, com a sabedoria de um mestre zen. É o que constato todo dia ao chegar em casa exausto do trabalho, de mau humor com o chefe, com a fatura do cartão de crédito prestes a me degolar, o cheque especial batendo as folhas em torno de minhas orelhas como uma ave de rapina.

    Sento na varanda e meu cachorro se aproxima: Sem nenhuma preocupação na vida. Deita-se aos meus pés e prepara-se para receber sua dose cotidiana de carinho. Eu me submeto. Raça superior é isso aí.

    Disponível em: https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-do-walcyr-carrasco
    Acesso em: 13 set. 2025
Há linguagem conotativa em:

1. “Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto [...]”
2. “Ou seja: sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los!”
3. “É o que constato todo dia ao chegar em casa exausto do trabalho, de mau humor com o chefe, com a fatura do cartão de crédito prestes a me degolar, o cheque especial batendo as folhas em torno de minhas orelhas como uma ave de rapina.”
4. “Criamos indústrias do vestuário porque não estamos satisfeitos com a própria pele, e inventamos estratagemas para cobri-la.” 
Alternativas
Q3685298 Português
A RAÇA SUPERIOR

Walcyr Carrasco


    A espécie humana acredita ser a única inteligente. Puro engano. Há tempos imemoriais nós, os humanos, fomos derrotados por uma raça superior, muito mais esperta. Mais que derrotados, fomos domesticados. Pelos cachorros.

    De fato, sob qualquer índice de avaliação, a raça canina se mostra superior. Quem convive com um cão gosta de dizer que é “dono”. Como acreditar, se tudo prova que o cachorro é dono do homem? Na questão da alimentação, por exemplo.

    Qualquer pessoa gasta dinheiro e tempo para comprar ração. Analisa os vários tipos e até experimenta uns pedacinhos para avaliar o sabor. Corre atrás de ossos para proporcionar tardes de degustação ao cachorro. Compra imitações de borracha. Indústrias pesquisam novas rações nutritivas.

    Gastam uma fábula em propaganda. Ou seja: sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los! Certa vez tive uma cachorrinha que só podia comer arroz com cenoura e carne moída. Estava sem empregada. Durante um mês levantava uma hora antes, preparava a comida e saía para trabalhar. Ao voltar, servia uma nova refeição e lavava o prato. Em troca, ela me lambia os dedos. Eu me sentia no cúmulo da felicidade só de receber essas lambidinhas! Seja dita a verdade: quem era dono de quem? 

    E na questão amorosa? Quando gosta de alguém, o cão abana o rabo. Pode ser um desconhecido. Gostou, abanou. Quando está a fim, deita-se de patas para cima e lança um olhar bem pidoncho. Até o coração mais duro não resiste a dar carinho, coçar as orelhas, fazer uns afagos. Eu, não. Nunca me deitei de barriga para ficar me oferecendo. Vontade não faltou, mas e a coragem? Nós, seres humanos, usamos artifícios. Gastamos dinheiro em perfumes, em cabeleireiros, em dermatologistas. Vamos a happy hours, jantares, festas, barzinhos da moda, entramos em chats da internet, só para achar quem nos coce as orelhas. Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto:

    — Ih! Está com carência afetiva.

    Toca a procurar terapeuta. Horas e horas dedicadas a analisar a pura vontade de buscar amor! Revistas dedicam quilômetros de papel a práticas de sedução. Como olhar de lado, como sorrir, como se oferecer sem dar na vista.

    Mais: como ter coragem de expressar os sentimentos. Cachorro, não. Abana o rabo e pronto. Muitas vezes, com ciúme, já tive vontade de morder alguém. Ao contrário, sorri simpaticamente enquanto o sangue fervia. Cães não possuem esse tipo de constrangimento. Atiram-se em cima do rival. Mordem a mão de quem acaricia. Até conseguirem seu quinhão de afeto. Mas também não guardam raiva. Depois de rosnarem um para o outro, dois cães saem pulando e brincando juntos.

    Que espécie sabe lidar melhor com as próprias emoções?

    A questão da pele também é importante. Criamos indústrias do vestuário porque não estamos satisfeitos com a própria pele, e inventamos estratagemas para cobri-la. Boa parte da humanidade se dedica a fabricar tecidos, a inventar e a vender roupas. Qualquer pessoa ambiciona se vestir bem. Fortunas são despendidas em novos guarda-roupas. A moda vira, e toca a gastar tudo outra vez.

    Cachorro, não. Nasce vestido. Imagine-se quanto delírio, quanta mão-de-obra seria evitada se o ser humano tivesse a mesma tranquilidade a respeito da própria aparência.

    Chegamos ao X da questão. Criamos filosofias, escrevemos livros. Há quem faça ioga, meditação. Tudo para aprender a aceitar o fardo da existência. O cão já nasce aceitando. A vida é e não é, deve pensar o cão, com a sabedoria de um mestre zen. É o que constato todo dia ao chegar em casa exausto do trabalho, de mau humor com o chefe, com a fatura do cartão de crédito prestes a me degolar, o cheque especial batendo as folhas em torno de minhas orelhas como uma ave de rapina.

    Sento na varanda e meu cachorro se aproxima: Sem nenhuma preocupação na vida. Deita-se aos meus pés e prepara-se para receber sua dose cotidiana de carinho. Eu me submeto. Raça superior é isso aí.

    Disponível em: https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-do-walcyr-carrasco
    Acesso em: 13 set. 2025
Em alguns trechos, o locutor do texto faz uso da linguagem informal, o que pode ser percebido em:
Alternativas
Q3685297 Português
A RAÇA SUPERIOR

Walcyr Carrasco


    A espécie humana acredita ser a única inteligente. Puro engano. Há tempos imemoriais nós, os humanos, fomos derrotados por uma raça superior, muito mais esperta. Mais que derrotados, fomos domesticados. Pelos cachorros.

    De fato, sob qualquer índice de avaliação, a raça canina se mostra superior. Quem convive com um cão gosta de dizer que é “dono”. Como acreditar, se tudo prova que o cachorro é dono do homem? Na questão da alimentação, por exemplo.

    Qualquer pessoa gasta dinheiro e tempo para comprar ração. Analisa os vários tipos e até experimenta uns pedacinhos para avaliar o sabor. Corre atrás de ossos para proporcionar tardes de degustação ao cachorro. Compra imitações de borracha. Indústrias pesquisam novas rações nutritivas.

    Gastam uma fábula em propaganda. Ou seja: sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los! Certa vez tive uma cachorrinha que só podia comer arroz com cenoura e carne moída. Estava sem empregada. Durante um mês levantava uma hora antes, preparava a comida e saía para trabalhar. Ao voltar, servia uma nova refeição e lavava o prato. Em troca, ela me lambia os dedos. Eu me sentia no cúmulo da felicidade só de receber essas lambidinhas! Seja dita a verdade: quem era dono de quem? 

    E na questão amorosa? Quando gosta de alguém, o cão abana o rabo. Pode ser um desconhecido. Gostou, abanou. Quando está a fim, deita-se de patas para cima e lança um olhar bem pidoncho. Até o coração mais duro não resiste a dar carinho, coçar as orelhas, fazer uns afagos. Eu, não. Nunca me deitei de barriga para ficar me oferecendo. Vontade não faltou, mas e a coragem? Nós, seres humanos, usamos artifícios. Gastamos dinheiro em perfumes, em cabeleireiros, em dermatologistas. Vamos a happy hours, jantares, festas, barzinhos da moda, entramos em chats da internet, só para achar quem nos coce as orelhas. Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto:

    — Ih! Está com carência afetiva.

    Toca a procurar terapeuta. Horas e horas dedicadas a analisar a pura vontade de buscar amor! Revistas dedicam quilômetros de papel a práticas de sedução. Como olhar de lado, como sorrir, como se oferecer sem dar na vista.

    Mais: como ter coragem de expressar os sentimentos. Cachorro, não. Abana o rabo e pronto. Muitas vezes, com ciúme, já tive vontade de morder alguém. Ao contrário, sorri simpaticamente enquanto o sangue fervia. Cães não possuem esse tipo de constrangimento. Atiram-se em cima do rival. Mordem a mão de quem acaricia. Até conseguirem seu quinhão de afeto. Mas também não guardam raiva. Depois de rosnarem um para o outro, dois cães saem pulando e brincando juntos.

    Que espécie sabe lidar melhor com as próprias emoções?

    A questão da pele também é importante. Criamos indústrias do vestuário porque não estamos satisfeitos com a própria pele, e inventamos estratagemas para cobri-la. Boa parte da humanidade se dedica a fabricar tecidos, a inventar e a vender roupas. Qualquer pessoa ambiciona se vestir bem. Fortunas são despendidas em novos guarda-roupas. A moda vira, e toca a gastar tudo outra vez.

    Cachorro, não. Nasce vestido. Imagine-se quanto delírio, quanta mão-de-obra seria evitada se o ser humano tivesse a mesma tranquilidade a respeito da própria aparência.

    Chegamos ao X da questão. Criamos filosofias, escrevemos livros. Há quem faça ioga, meditação. Tudo para aprender a aceitar o fardo da existência. O cão já nasce aceitando. A vida é e não é, deve pensar o cão, com a sabedoria de um mestre zen. É o que constato todo dia ao chegar em casa exausto do trabalho, de mau humor com o chefe, com a fatura do cartão de crédito prestes a me degolar, o cheque especial batendo as folhas em torno de minhas orelhas como uma ave de rapina.

    Sento na varanda e meu cachorro se aproxima: Sem nenhuma preocupação na vida. Deita-se aos meus pés e prepara-se para receber sua dose cotidiana de carinho. Eu me submeto. Raça superior é isso aí.

    Disponível em: https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-do-walcyr-carrasco
    Acesso em: 13 set. 2025
São indicações de que os cachorros são uma raça superior, EXCETO
Alternativas
Respostas
2961: D
2962: B
2963: A
2964: A
2965: B
2966: B
2967: D
2968: C
2969: C
2970: B
2971: D
2972: C
2973: D
2974: A
2975: B
2976: C
2977: A
2978: C
2979: D
2980: B