Questões de Concurso Para assistente administrativo

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Q3261801 Auditoria
Ao realizar uma auditoria em um órgão vinculado ao Poder Executivo Federal, verificou-se a inexistência de um processo formal de gestão de riscos. Além disso, constatou-se que a alta administração não participava ativamente do monitoramento das ações e que os controles internos implementados não contemplavam a totalidade dos riscos envolvidos. Com base na Instrução Normativa Conjunta MP/CGU nº 01/2016, qual é a medida mais adequada a ser adotada para corrigir as falhas identificadas? 
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Q3261800 Legislação Federal
Uma unidade de saúde pública que integra a Rede Nacional de Hemoterapia busca esclarecer os direitos e os deveres relacionados à doação de sangue, bem como as responsabilidades da gestão da hemoterapia no Brasil. Considerando o disposto na Lei nº 10.205/2001, assinale a afirmativa correta.
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Q3261799 Administração Geral
Em um encontro com os colaboradores, foram discutidas algumas iniciativas e ações relacionadas à missão, à visão e aos valores da Hemobrás. Considerando tais elementos estratégicos, analise as ações a seguir.
I. João enfatizou que a Hemobrás deve sempre buscar ser reconhecida pela produção sustentável de medicamentos hemoderivados e biotecnológicos, contribuindo para a garantia de abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, por meio de profissionais qualificados e engajados.
II. Pedro ressaltou a importância, na Hemobrás, de agir com foco em resultados, frisando que é necessário manter o comprometimento com objetivos e metas, buscar excelência nos processos e produtos, promover a integração, a cooperação e a gestão participativa, incentivar o desenvolvimento profissional, adotar a aprendizagem contínua, e estar preparados para se adaptar às necessidades e tendências futuras, sempre trabalhando com gestão de riscos e buscando inovações.
III. Ana apontou que a Hemobrás deve pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos hemoderivados e biotecnológicos para atender prioritariamente aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Relacione adequadamente os elementos estratégicos à missão, à visão ou aos valores da Hemobrás.
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Q3261798 Regimento Interno
Nos termos do Regimento Interno da Hemobrás, são consideradas atribuições da Assessoria de Assuntos Regulatórios, EXCETO:
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Q3261797 Legislação Federal
Durante o último semestre, a Hemobrás registrou diversas situações que demandam atuação de suas unidades internas de governança. À luz das competências da Auditoria Interna, da Área de Conformidade e Gerenciamento de Riscos e da Ouvidoria, analise os casos hipotéticos a seguir.
I. João, analista do setor financeiro, identificou que um colega responsável pelas compras também está aprovando pagamentos, o que pode gerar riscos para a empresa. Ele solicitou que seja verificada a aplicação adequada do princípio da segregação de funções, de forma que seja evitada a ocorrência de conflitos de interesse e fraudes.
II. Paula, funcionária da área administrativa, apresentou uma denúncia sigilosa relatando irregularidades em processos internos. Ela solicitou que a empresa receba e examine tais denúncias internas, relativas às atividades da empresa.
III. Renata, gerente de um projeto estratégico, solicitou que seja verificado o cumprimento e a implementação das recomendações feitas pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Conselho Fiscal, conforme exigido em relatórios anteriores.

Com base no Estatuto Social da Hemobrás, para qual unidade cada caso deverá ser encaminhado? 
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Q3261796 Regimento Interno
João é encarregado de receber e inspecionar hemoderivados provenientes do contrato de beneficiamento passivo do plasma e sucedâneos recombinantes dos hemoderivados, preparar a programação de distribuição de hemoderivados e seus sucedâneos recombinantes e monitorar e controlar a temperatura das áreas de armazenamento de medicamentos. Assim, considerando a divisão de competências e atribuições estabelecida no Regimento Interno da Hemobrás, João está vinculado ao serviço de:
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Q3261795 Legislação Federal
Maria foi nomeada para o Conselho de Administração da Hemobrás com prazo de gestão unificado de dois anos, em conformidade com o Estatuto Social da empresa. Após exercer três reconduções consecutivas, o limite de reconduções foi atingido. Passados doze meses de sua saída, Maria foi indicada novamente para retornar ao Conselho. Com base no Estatuto Social da Hemobrás, a indicação de Maria é:
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Q3261794 Ética na Administração Pública
Paulo, colaborador ocupante de cargo de gestão na Hemobrás, é convidado por uma entidade privada, integrante do ramo de indústria farmacêutica, para participar, como palestrante, de seminário destinado a debater o tema de engenharia genética. O convite foi encaminhado pela instituição promotora do evento diretamente ao e-mail pessoal de Paulo e nele continha, além das informações referentes à data e ao horário de realização do evento, o valor da remuneração que seria paga ao agente público como contraprestação pela palestra. O convite informava, ainda, que o pagamento das despesas de viagem de Paulo em razão do evento seria realizado pela entidade promotora do evento e que, durante a realização do seminário, haveria a distribuição de brindes aos palestrantes e participantes do evento. Interessado, Paulo comunicou o recebimento do convite por meio do Sistema Eletrônico de Prevenção de Conflitos de Interesse à sua chefia imediata e lhe solicitou autorização para participar do seminário. Considerando a situação hipotética narrada e as disposições previstas no Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, assinale a afirmativa correta.
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Q3261793 Ética na Administração Pública
Considerando as disposições do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, NÃO representa uma das competências da Comissão de Ética, da área de Integridade e de Correição da Hemobrás: 
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Q3261792 Ética na Administração Pública
Tendo em vista as disposições do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, analise as afirmativas a seguir.
I. Aos colaboradores da Hemobrás é proibida a ausência em horário de expediente, bem como sair antecipadamente sem autorização da chefia imediata.
II. Os colaboradores da Hemobrás, mesmo que estejam de licença ou em período de afastamento, e os parceiros de negócios devem resguardar informações privilegiadas, sigilosas e reservadas que tiverem acesso tanto devido ao exercício profissional quanto por meio casual, em virtude da falta de discrição ou cuidado de pessoas obrigadas a guardar sigilo.
III. Os colaboradores da Hemobrás devem se comprometer a não exercer quaisquer atividades profissionais conflitantes com o exercício do emprego ou função, ou incompatíveis com o horário de trabalho, conforme o regime aplicável.
IV. O Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás não estabelece nenhuma restrição quanto ao uso de recursos materiais, meios de comunicação e instalações colocados à sua disposição e de seus colaboradores para fins estranhos às suas atividades profissionais.

Está correto o que se afirma em
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Q3261791 Ética na Administração Pública
São considerados objetivos do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, EXCETO:
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Q3261790 Ética na Administração Pública
No dia 29 de novembro de 2019, Felipe foi nomeado para ocupar um cargo de gestão na Hemobrás. Coincidentemente, assim que passou a exercer suas funções, ele percebeu que sua sobrinha, Eva, parente colateral em terceiro grau, atuava como estagiária no mesmo setor que seria mantido sob sua gestão imediata. Para prevenir a ocorrência de conflito de interesses, Felipe decidiu formalizar consulta à área responsável pela gestão de pessoas da Hemobrás. Considerando o caso hipotético e as previsões do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, assinale a afirmativa INCORRETA.
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Q3261789 Raciocínio Lógico
Em um congresso de saúde global, participam profissionais oriundos de 24 países. Além disso, cada participante atua exclusivamente em uma das seguintes frentes: pesquisa ou prática clínica. Qual é o número mínimo necessário de participantes para garantir que, em uma das sessões do evento, haja pelo menos dois profissionais do mesmo país e que atuem na mesma frente?
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Q3261788 Raciocínio Lógico
Uma pesquisa foi realizada com os 150 funcionários de um hospital para determinar em qual dia da próxima semana será feito um treinamento sobre primeiros-socorros. Dentre as opções, os funcionários podiam votar em pelo menos um de dois dias (terça-feira e quinta-feira). Como resultado, ficou constatado que 125 funcionários votaram na terça-feira e 45 na quinta-feira, enquanto 5 funcionários responderam que não podem participar em nenhum dos dois dias. Quantos funcionários escolheram ambos os dias?
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Q3261787 Matemática
No principal laboratório de análises clínicas de uma cidade, apenas dois tipos de exames foram realizados em determinado dia: o exame A, que custa R$ 45,00 cada, e o exame B, que custa R$ 120,00 cada. Sabe-se que foram realizados 200 exames nesse dia e que o faturamento total foi de R$ 16.200,00. De acordo com o exposto, qual a diferença entre a quantidade de exames A e a quantidade de exames B realizados nesse dia?
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Q3261786 Raciocínio Lógico
Em uma campanha de vacinação, três postos de saúde – posto A, posto B e posto C – participaram de uma iniciativa para vacinar a população de determinado bairro. O total de vacinas aplicadas foi de 2.000 doses. Observou-se que o posto A aplicou 300 doses a mais do que o posto C, e o posto B aplicou o dobro de doses do posto C. Com base nessas informações, pode-se concluir que: 
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Q3261785 Raciocínio Lógico
Um agente comunitário de saúde realizou visitas domiciliares em um dia e distribuiu materiais informativos sobre prevenção de doenças em quatro bairros da seguinte forma:
• Primeiro bairro: distribuiu 28 materiais;
• Segundo bairro: distribuiu metade dos materiais que carregava ao entrar nesse bairro;
• Terceiro bairro: distribuiu 42 materiais;
• Quarto bairro: distribuiu 28 materiais, e ainda sobraram em sua bolsa 56 materiais.

A soma dos algarismos do número de materiais que o agente comunitário de saúde carregava ao entrar no primeiro bairro é igual a:
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Q3261784 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
O processo de formação de “poderoso” (8º§) só NÃO é o mesmo de:
Alternativas
Q3261783 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
O valor relacional da preposição destacada em “Melhor pecar por ser óbvio [...]” (1º§) é equivalente ao da preposição indicada na alternativa:
Alternativas
Q3261782 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
Releia: “Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.” (9º§) O conector que articula adequadamente os períodos, mantendo a coesão, a coerência e a correção gramatical, é:
Alternativas
Respostas
6101: A
6102: D
6103: A
6104: C
6105: B
6106: D
6107: B
6108: B
6109: B
6110: C
6111: A
6112: D
6113: C
6114: C
6115: A
6116: C
6117: A
6118: A
6119: B
6120: A