Questões de Concurso
Para psicopedagogo
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Todas as flores são vermelhas. Nenhum rosa é vermelha. Portanto,
Bob não é bondoso ou Carlos é calvo. Bob é bondoso ou Carlos é calvo ou Alice é amada. Alice é amada ou Carlos não é calvo. Alice não é amada ou Bob é bondoso. Logo,
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A identificação do sujeito do verbo “haver”, presente na passagem “– Não há remédio, minha senhora.”, encontra-se corretamente apontada em:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O sintagma adverbial “de carro”, que consta no excerto “A filha esperava-a embaixo, de carro.” (22º parágrafo), assume o valor semântico de:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A estrutura verbal em destaque no fragmento “Fora linda na juventude.” (2º parágrafo) está flexionada em determinado modo e tempo. Essa mesma flexão se repete no verbo destacado na alternativa:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
No excerto “É a vida, senhora Raposo, é a vida.” (23º parágrafo), as vírgulas foram empregadas, já que separam um(a):
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Levando-se em consideração os conhecimentos referentes ao emprego do acento grave indicativo de crase, assinale a alternativa abaixo em que, se houvesse o acréscimo de tal acento no termo destacado, manter-se-ia a correção gramatical:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Analisando-se a estruturação dos períodos que compõem o texto, mais especificamente o período “Essa senhora tinha a vertigem de viver.” (2º parágrafo), a oração destacada apresenta uma natureza:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Tendo em vista a unidade de sentido da narrativa, a sequência textual “Depois chorou. Tinha vergonha.” (23º parágrafo), assim apresentada, contribui para a progressão das ideias, uma vez que estabelece determinada relação semântica, mesmo sem conectivo explícito. Essa relação semântica poderia ser estabelecida com a ajuda de todos os conectivos apontados abaixo, fazendo-se as adaptações necessárias para unir os dois períodos em um só, com EXCEÇÃO da alternativa:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O texto clariceano se constrói por meio de uma preocupação com a forma, que se reflete no emprego de uma linguagem artística; assim, a imagem simbólica construída na passagem “Mudos fogos de artifícios.” (23º parágrafo) estrutura-se com o uso de um recurso estilístico:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A idade da personagem Cândida Raposa é enfatizada no texto, pois:
Ruído de passos
Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo.
Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.
Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.
Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:
– Quando é que passa?
– Passa o quê, minha senhora?
– A coisa. – Que coisa?
– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.
– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.
– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!
– Não importa, minha senhora. É até morrer.
– Mas isso é o inferno!
– É a vida, senhora Raposo. A vida era isso, então? essa falta de vergonha?
– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.
– Não há remédio, minha senhora.
– E se eu pagasse?
– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.
– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?
– É, disse o médico. Pode ser um remédio.
Então saiu do consultório. A filha esperava-a embaixo, de carro. Um filho Cândida Raposo perdera na guerra, era um pracinha. Tinha essa intolerável dor no coração: a de sobreviver a um ser adorado.
Nessa mesma noite deu um jeito e solitária satisfez-se. Mudos fogos de artifícios. Depois chorou. Tinha vergonha. Daí em diante usaria o mesmo processo. Sempre triste. É a vida, senhora Raposo, é a vida. Até a bênção da morte.
A morte.
Pareceu-lhe ouvir ruído de passos. Os passos de seu marido Antenor Raposo.
LISPECTOR, Clarice. A via crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
O texto de Clarice Lispector, quanto à sua organização interna, estrutura-se como uma sequência classificada como narrativa. Essa afirmativa se justifica conceitualmente com base no que se observa na alternativa:
Com o objetivo de retomar a integração entre os países do continente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no dia 30 de maio, no Palácio do Itamaraty, presidentes dos países da América do Sul. Apenas o(a) presidente de qual país NÃO esteve presente?
Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, escreveu um livro sobre a diversidade cultural brasileira. O autor não aceitava uma fórmula pronta, que afirmava que o Brasil é resultado da mistura de indígenas com povos africanos e europeus. São cargos que ele ocupou, EXCETO:
Com o objetivo de oferecer um retrato da população e das condições domiciliares no país, o Brasil costuma realizar o Censo Demográfico a cada quantos anos?
O Supremo Tribunal Federal (STF) remarcou para 1º de junho o julgamento sobre a descriminalização de drogas. O caso, que seria analisado em maio, foi adiado em virtude do julgamento de qual ex-senador?
Estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, os Três Poderes estão presentes na administração do Estado Brasileiro. No Brasil, a adoção desse modelo tem o objetivo de fazer com que cada poder atue de maneira independente, cada um fiscalizando o outro, para evitar que excedam seus limites. Analise as assertivas abaixo sobre a Teoria dos Três Poderes:
I. Tem como objetivo evitar a concentração de poder e o abuso dele por meio de uma tirania.
II. A adoção desse sistema é uma cláusula pétrea da Constituição Brasileira, sendo assim, não pode ser abolido.
III. Os poderes são harmônicos e dependentes entre si.
Quais estão corretas?
Leia a charge a seguir e as assertivas a respeito de sua relação com o texto-base desta prova.
I. Tanto a charge quanto o texto aludem à cantora Rita Lee.
MAS
II. Apenas a charge aborda o caráter libertário da cantora.
Assinale a alternativa que apresenta a correta relação entre as assertivas.
Rita me abriu uma porta e chamou: “vem comigo”.
Por Martha Medeiros
01 Resumida história do jeans: durante ... Corrida do Ouro, na Califórnia, mineradores
02 precisavam de roupas fortes e duráveis, então o industrial Levi Strauss inventou calças em tecido
03 rústico, usando toldos de barracas e carroças. O molde veio de uma calça de marinheiro genovês,
04 daí a palavra “jeans”.
05 A partir de 1930, essas calças começaram a ser usadas em filmes de cowboy. Nos anos
06 1950, James Dean e Marylin Monroe aderiram, e o jeans tornou-se um símbolo de rebeldia,
07 popularizando-se entre os jovens. Nos anos 1960 e 1970, o movimento hippie consagrou-o.
08 Revolução concluída, o jeans foi adotado pela moda nos anos 1980, com estilistas lançando suas
09 próprias marcas.
10 O resumo da minha história: nasci com o gene da obediência. Fui uma menina mais calada
11 do que extrovertida, e ser livre virou um ideal. Um dia, ouvi um jingle que definia liberdade como
12 sendo uma calça velha, azul e desbotada. Comprei e não tirei mais do corpo. Na adolescência,
13 só faltava dormir com as calças da Lixo, famosas pela boca pata de elefante. ... despeito da
14 marca, eu chamava todas elas de calça Lee em vez de jeans.
15 Virou peça curinga de pessoas de todas as idades, classes, credos e cruz-credos: é da
16 natureza do jeans, a democracia. Um uniforme que convida ... autenticidade: pode-se usá-lo
17 com pedrarias ou rasgões, pérolas no pescoço ou dreadlock no cabelo.
18 Está nos brechós e nas vitrines da Avenue Montaigne. São tantos os estilos, que buscar
19 o modelo perfeito se tornou um estresse, mas depois de experimentar uns 30 no provador de
20 uma loja de departamentos, a gente acaba dando match com algum (essa sou eu, a que prefere
21 um jeans “zé-ninguém” aos de grife).
22 Comecei a escrever este texto _________ foi em 20 de maio de 1873 que Levi Strauss
23 patenteou o jeans, dando início ao seu bombástico sucesso. Há exatos 150 anos. Achei que cabia
24 o registro em crônica, e estava exatamente aqui, nos parágrafos finais, quando soube da morte
25 de Rita. Foi um flechaço: adeus. Parecia que eu tinha perdido uma amiga íntima. Fiquei sem
26 palavras, abandonei o computador e fui fazer meu luto. Só mais tarde voltei ao texto, perplexa
27 com a coincidência luminosa: Lee.
28 Minha mais importante Lee. A que me ensinou o que era liberdade para além dos refrões
29 de jingles, a que salvou a menina perdida, procurando se encontrar. Rita me abriu uma porta e
30 chamou, “vem comigo”, e fui com ela bailar, amar, gozar – e nunca mais me calei.
31 Se tive coragem para ser uma mulher independente, devo à Rita o empurrão e o caimento.
32 Agora é tratar de viver o daqui para frente, sobre o qual sei quase nada, apenas que, mesmo
33 que aos 90 anos, é de jeans que pretendo ser flagrada no final.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2023/05/rita-me-abriu-uma-porta-e-chamou-vem-comigo-clhtfxiuh008d0165t6g20fpv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica palavra ou expressão que NÃO poderia substituir a locução conjuntiva “mesmo que” (l. 32-33), por apresentar sentido diferente e causar alteração significativa ao contexto do trecho em que ocorre.