Foram encontradas 21.050 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4216614 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

No trecho “A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições”, o emprego da expressão “analgésicos de curto efeito” constitui um recurso expressivo utilizado para: 
Alternativas
Q4216613 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Segundo o texto, a “algofobia” presente na sociedade contemporânea contribui para:
Alternativas
Q4214742 Saúde Pública
Uma equipe de Saúde da Família organizou uma roda de conversa sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) com adolescentes da escola local. A Agente Comunitária de Saúde (ACS) Ana participou e deseja registrar a atividade no e-SUS AB. Qual é a ficha correta para esse registro?
Alternativas
Q4214741 Saúde Pública
Em uma comunidade indígena de difícil acesso, a equipe solicita ao ACS informações para reorganizar ações de saúde. O agente decide analisar dados do e-SUS AB e do território. Qual informação é mais relevante para o planejamento territorial, tendo como base a Política Nacional da Atenção Básica e os princípios da territorialização?
Alternativas
Q4214740 Saúde Pública
Durante o planejamento territorial em uma área de difícil acesso na Amazônia, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) precisa levantar informações sobre vulnerabilidade social e ambiental das famílias. Qual técnica é mais indicada para esse levantamento inicial? 
Alternativas
Q4214739 Saúde Pública
Em município amazônico, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) incentiva os moradores a participarem da reunião do Conselho Municipal de Saúde para discutir problemas de acesso fluvial à unidade. Esse estímulo está relacionado a qual diretriz/princípio organizativo do Sistema Único de Saúde - SUS? 
Alternativas
Q4214738 Saúde Pública
Durante visita domiciliar, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) identifica uma gestante adolescente com anemia, insegurança alimentar e evasão escolar. Ele comunica a equipe e articula ações com assistência social e educação. Essa atuação está alinhada a qual princípio/diretriz do Sistema Único de Saúde - SUS? 
Alternativas
Q4214737 Saúde Pública
Em uma comunidade ribeirinha amazônica, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) observa aumento de casos de diarreia em crianças após o período de cheia dos rios. Para subsidiar o planejamento da Equipe de Saúde da Família, o profissional decide realizar levantamento das condições de vida no território. Qual ação está mais adequada ao papel do Agente Comunitário de Saúde (ACS) no diagnóstico territorial?
Alternativas
Q4214736 Saúde Pública
Em uma região amazônica isolada, a gestão municipal solicita que um Agente Comunitário de Saúde (ACS) realize visitas em outras comunidades fora de sua área geográfica de atuação por falta de profissionais no município. À luz da legislação (Lei nº 13.595/2018), essa solicitação é:
Alternativas
Q4214735 Saúde Pública
Uma Agente Comunitária de Saúde (ACS) que atua em área rural amazônica precisa deslocar-se por longas distâncias de barco para realizar visitas domiciliares diariamente em sua área de atuação. Segundo a Lei nº 13.595/2018, qual direito pode ser assegurado nesse contexto?
Alternativas
Q4214734 Saúde Pública
Em área amazônica com comunidades indígenas e ribeirinhas de difícil acesso, a Agente Comunitária de Saúde (ACS) junto com a equipe de saúde organizam um cronograma diferenciado de visitas, priorizando localidades com maior vulnerabilidade social e maior incidência de malária. Essa organização no planejamento que a Agente Comunitária de Saúde (ACS) junto com a equipe realiza, expressa qual princípio/diretriz do SUS?
Alternativas
Q4214733 Saúde Pública
Em uma comunidade ribeirinha amazônica, um morador recém-chegado de outro estado procura a Agente Comunitária de Saúde (ACS), solicitando orientação para atendimento de saúde, mas ainda não possui comprovante de residência local. O ACS explica que ele tem direito ao atendimento na Unidade Básica. Essa conduta do Agente Comunitária de Saúde (ACS) está fundamentada em qual princípio/diretriz do SUS? 
Alternativas
Q4214732 Direito Sanitário
À luz das competências constitucionais do Sistema Público de Saúde, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4214731 Direito Sanitário
De acordo com as disposições da Constituição Federal, é correto afirmar sobre a participação da iniciativa privada na assistência à saúde:
Alternativas
Q4214730 Direito Sanitário
Nos termos da Constituição Federal, as ações e serviços públicos de saúde integram:
Alternativas
Q4214729 Legislação Federal
Nos termos da Lei nº 11.350/2006, a administração pública pode rescindir unilateralmente seus contratos apenas nas hipóteses expressamente previstas. Considerando essas disposições, analise o caso hipotético:

Um Agente Comunitário de Saúde teve seu contrato rescindido unilateralmente após procedimento administrativo que constatou insuficiência de desempenho. No entanto, durante o processo, não lhe foi assegurado recurso hierárquico com efeito suspensivo, nem houve divulgação prévia dos padrões mínimos exigidos para a continuidade da relação de emprego.

À luz da norma legal, a medida adotada pela administração é:
Alternativas
Q4214728 Legislação Federal
Considerando as atribuições do Agente Comunitário de Saúde no âmbito das políticas públicas de saúde, analise a situação hipotética abaixo.

Durante visita domiciliar, um Agente Comunitário de Saúde realiza orientações sobre prevenção de doenças, incentiva a participação da família em atividades coletivas da Unidade Básica e encaminha informações sobre serviços disponíveis na rede pública, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde.

De acordo com as atribuições legais previstas na Lei n° 11.350/2006, a atuação descrita tem como principal objetivo:
Alternativas
Q4214727 Direito Sanitário
O conjunto de ações e serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público constitui o SUS, podendo a iniciativa privada participar de forma complementar.

De acordo com as disposições sobre a organização do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelecidas na Lei nº 8.080/1990, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4214726 Direito Sanitário
Em determinado município, a gestão local decidiu restringir o acesso à Atenção Básica apenas a residentes formalmente cadastrados, priorizando exclusivamente atendimentos curativos individuais, sem integração com ações de promoção, prevenção ou vigilância em saúde. Além disso, instituiu critérios de exclusão baseados na condição socioeconômica, sob o argumento de otimização de recursos.

À luz da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), no âmbito do Sistema Único de Saúde, essa decisão é:
Alternativas
Q4214725 Legislação Estadual
Analise os itens a seguir:

I. Ausentar-se dos serviços durante o expediente, sem prévia autorização;
II. Tratar com urbanidade as pessoas;
III. Receber propina ou vantagem de qualquer espécie em razão de suas atribuições.

Nos termos da Lei Complementar nº 63/2012, ao servidor é proibido: 
Alternativas
Respostas
901: C
902: D
903: B
904: A
905: A
906: C
907: D
908: A
909: E
910: C
911: B
912: A
913: C
914: C
915: B
916: E
917: C
918: E
919: A
920: E