Questões de Concurso Para biomédico

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Q3635639 Português
Considere as seguintes notícias:
1. A maioria dos presos por crimes de drogas não tem relação com facções.
2. A maioria das pessoas desconhece as maiores descobertas científicas.
3. A maior parte dos indígenas do Brasil vive fora dos territórios tradicionais e mora nas cidades.
4. 25% dos candidatos não compareceu para a realização das provas objetivas.
Acerca das orações acima, analise as assertivas abaixo:
I. A primeira notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que a forma verbal “tem” precisa ser acentuada para concordar com o sujeito que está no plural (presos). Desse modo, a forma verbal “tem” deve ser grafada da seguinte maneira: têm.
II. Na segunda notícia apresentou erro de concordância verbal, pois a forma verbal “desconhece”, nesse caso, precisa ser grafada no plural. Portanto, a grafia correta deveria ser “desconhecem”.
III. Na terceira notícia encontramos o tipo de sujeito denominado de partitivo, possibilitando que a grafia da forma verbal “vive” possa ser escrita também no plural: vivem.
IV. A quarta notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que o verbo deve concordar com o valor da expressão numérica. Nesse sentido, a notícia deveria ser escrita da seguinte maneira: 25% dos candidatos não compareceram para a realização das provas objetivas.
Assinale:
Alternativas
Q3635637 Português

O FIM DO EMPREGO


O futuro do trabalho no mundo globalizado


Fui demitido. Perdi o emprego em que estava trabalhando há seis anos. Especialista numa área em que poucos profissionais possuem conhecimento e preparo para atuar, definitivamente não esperava que isso viesse a acontecer. Nem meus colegas de trabalho entenderam os motivos que levaram a instituição a tomar essa providência.


Por incrível que pareça, fiquei menos abalado do que todos os demais. Não que eu estivesse esperando, pois já estávamos fazendo planos com o departamento em que atuava para novas aulas e cursos no ano que iria começar... Mas, como sabemos o quanto o mundo é competitivo, e como a globalização tem redirecionado as energias e exigido custos mínimos e máxima produtividade, penso até que isso demorou a acontecer. Já havia ocorrido idêntica situação com outros profissionais de qualidade que, engajados em projetos da instituição, da noite para o dia foram simplesmente “desligados” de suas funções, demitidos sumariamente...


Não que isso seja uma particularidade dessa instituição onde estive trabalhando ao longo dos últimos anos. Tampouco é possível encarar os acontecimentos como derivados de alguma perseguição ou diferença pessoal. Tudo ocorre da forma mais impessoal possível. A despeito de todo o trabalho feito, do reconhecimento do público-alvo, o que é avaliado não é sua capacidade profissional, e sim o quanto você custa para a empresa. Num mercado altamente competitivo, no qual os custos com publicidade são cada vez mais exorbitantes, em que é necessário dispor de infraestrutura e recursos materiais de ponta, a mão de obra qualificada e de alto custo deixou de ser um diferencial no qual seja prioritário investir.


O fim do emprego, como era concebido nos últimos 50 ou 60 anos, é uma realidade. Poucos serão os que ficarão por mais de 5 ou 8 anos numa mesma empresa. Carreiras duradouras, em que o sujeito trabalhava ao longo de toda sua existência num mesmo emprego, serão raríssimas. A rotatividade profissional do trabalhador, até recentemente vista como um sinal de imaturidade ou falta de seriedade, passou a ser encarada como acúmulo de experiências e de diversidade de habilidades e possibilidades funcionais.


De acordo com o consultor Ricardo Neves, em seu livro O Novo Mundo Digital, adentramos um mundo em que o emprego, aquele vínculo entre empresa e empregado, que dá ao funcionário uma forte sensação de estabilidade associada a fatores, como os benefícios trabalhistas e, principalmente, o salário mensal, está dando lugar ao conceito de trabalho. E o que seria então trabalho? Seria, no caso, a vinculação a projetos e planos, ações e realizações de prazo variável (curto, médio ou longo), para os quais os profissionais seriam contratados como “terceiros”, enquanto durassem essas empreitadas. E as garantias trabalhistas? São suprimidas, pois representam custos altos que as empresas precisam cortar. E os salários? São substituídos por honorários pagos aos profissionais que atuam como empresas, ou seja, que são identificados como pessoas jurídicas. O que se estabelece, a partir de agora, passa a ser o vínculo profissional free-lance, bastante conhecido dos profissionais que atuam na imprensa.


Também é uma prerrogativa dos novos tempos que a tecnologia esteja cada vez mais incorporada ao cotidiano e que, em alguns casos, como já ocorreu em vários segmentos profissionais, máquinas, como computadores, robôs e sistemas sofisticados substituam trabalhadores.


Outra situação bastante comum, em vigor nos Estados Unidos e em outros países, é a transferência dos setores de produção mais pesada para onde a mão de obra e os custos governamentais sejam menores. Exemplos de onde isso já está efetivado são a Índia e a China, que absorveram grande parte dos investimentos deslocados do primeiro mundo em busca de custos mais baixos.


É por isso que, mesmo tendo perdido o emprego, não acreditei, em momento algum, que fosse vítima de alguma perseguição da instituição. Entendi que os custos que significava para a empresa eram um pouco mais altos do que a média local e que, em virtude disso, fui mais uma vítima da competição globalizada...


O que fazer? Se preparar para o futuro – que não será tenebroso e sim diferente – estudando, se preparando, buscando novos espaços, virando a página e dando a volta por cima...

Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas abaixo:
(___) Em “Se preparar para o futuro – que não será tenebroso e sim diferente – estudando, se preparando, buscando novos espaços, virando a página e dando a volta por cima” os usos dos travessões podem ser substituídos pelas vírgulas.
(___) Em “Fui demitido” encontramos o tipo de sujeito desinencial.
(___) Em “Mas, como sabemos o quanto o mundo é competitivo” o termo em destaque tem valor semântico de conformidade.
(___) Em “O fim do emprego, como era concebido nos últimos 50 ou 60 anos, é uma realidade” o uso da vírgula justifica-se por isolar um adjunto adverbial deslocado. Desse modo, a reescrita da oração por “O fim do emprego é uma realidade como era concebido nos últimos 50 ou 60 anos” não admite o uso da vírgula, tendo em vista que o adjunto adverbial foi colocado no final da oração.
(___) Em “Por incrível que pareça, fiquei menos abalado do que todos os demais” o uso da virgula justifica-se por isolar um vocativo.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3635636 Português

O FIM DO EMPREGO


O futuro do trabalho no mundo globalizado


Fui demitido. Perdi o emprego em que estava trabalhando há seis anos. Especialista numa área em que poucos profissionais possuem conhecimento e preparo para atuar, definitivamente não esperava que isso viesse a acontecer. Nem meus colegas de trabalho entenderam os motivos que levaram a instituição a tomar essa providência.


Por incrível que pareça, fiquei menos abalado do que todos os demais. Não que eu estivesse esperando, pois já estávamos fazendo planos com o departamento em que atuava para novas aulas e cursos no ano que iria começar... Mas, como sabemos o quanto o mundo é competitivo, e como a globalização tem redirecionado as energias e exigido custos mínimos e máxima produtividade, penso até que isso demorou a acontecer. Já havia ocorrido idêntica situação com outros profissionais de qualidade que, engajados em projetos da instituição, da noite para o dia foram simplesmente “desligados” de suas funções, demitidos sumariamente...


Não que isso seja uma particularidade dessa instituição onde estive trabalhando ao longo dos últimos anos. Tampouco é possível encarar os acontecimentos como derivados de alguma perseguição ou diferença pessoal. Tudo ocorre da forma mais impessoal possível. A despeito de todo o trabalho feito, do reconhecimento do público-alvo, o que é avaliado não é sua capacidade profissional, e sim o quanto você custa para a empresa. Num mercado altamente competitivo, no qual os custos com publicidade são cada vez mais exorbitantes, em que é necessário dispor de infraestrutura e recursos materiais de ponta, a mão de obra qualificada e de alto custo deixou de ser um diferencial no qual seja prioritário investir.


O fim do emprego, como era concebido nos últimos 50 ou 60 anos, é uma realidade. Poucos serão os que ficarão por mais de 5 ou 8 anos numa mesma empresa. Carreiras duradouras, em que o sujeito trabalhava ao longo de toda sua existência num mesmo emprego, serão raríssimas. A rotatividade profissional do trabalhador, até recentemente vista como um sinal de imaturidade ou falta de seriedade, passou a ser encarada como acúmulo de experiências e de diversidade de habilidades e possibilidades funcionais.


De acordo com o consultor Ricardo Neves, em seu livro O Novo Mundo Digital, adentramos um mundo em que o emprego, aquele vínculo entre empresa e empregado, que dá ao funcionário uma forte sensação de estabilidade associada a fatores, como os benefícios trabalhistas e, principalmente, o salário mensal, está dando lugar ao conceito de trabalho. E o que seria então trabalho? Seria, no caso, a vinculação a projetos e planos, ações e realizações de prazo variável (curto, médio ou longo), para os quais os profissionais seriam contratados como “terceiros”, enquanto durassem essas empreitadas. E as garantias trabalhistas? São suprimidas, pois representam custos altos que as empresas precisam cortar. E os salários? São substituídos por honorários pagos aos profissionais que atuam como empresas, ou seja, que são identificados como pessoas jurídicas. O que se estabelece, a partir de agora, passa a ser o vínculo profissional free-lance, bastante conhecido dos profissionais que atuam na imprensa.


Também é uma prerrogativa dos novos tempos que a tecnologia esteja cada vez mais incorporada ao cotidiano e que, em alguns casos, como já ocorreu em vários segmentos profissionais, máquinas, como computadores, robôs e sistemas sofisticados substituam trabalhadores.


Outra situação bastante comum, em vigor nos Estados Unidos e em outros países, é a transferência dos setores de produção mais pesada para onde a mão de obra e os custos governamentais sejam menores. Exemplos de onde isso já está efetivado são a Índia e a China, que absorveram grande parte dos investimentos deslocados do primeiro mundo em busca de custos mais baixos.


É por isso que, mesmo tendo perdido o emprego, não acreditei, em momento algum, que fosse vítima de alguma perseguição da instituição. Entendi que os custos que significava para a empresa eram um pouco mais altos do que a média local e que, em virtude disso, fui mais uma vítima da competição globalizada...


O que fazer? Se preparar para o futuro – que não será tenebroso e sim diferente – estudando, se preparando, buscando novos espaços, virando a página e dando a volta por cima...

Sobre o texto, considere as seguintes assertivas:
I. Entende-se do texto que os países “Índia” e “China” têm direcionado novas perspectivas de empregabilidade, oportunizando que os trabalhadores possam ter acúmulo de experiências, o que possibilita diversas possibilidades de habilidades funcionais.
II. Depreende-se do texto que o narrador renuncia a sua demissão, mesmo sabendo que se trata da necessidade de reduzir os custos das empresas.
III. Em consonância com o texto, entende-se que o contexto socioeconômico, que é proveniente de um processo acelerado da globalização, favoreceu que os altos índices de empregabilidade fossem reduzidos.
Assinale:
Alternativas
Q3635635 Português
    Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”
    Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).
    Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.
    O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bate-estacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…
    “Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…
    “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…”

Acerca dos aspectos linguísticos do texto, marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas abaixo.


(___) A partícula “se” em “onde se registravam as entradas” é uma conjunção integrante.


(___) A partícula “se” em: “Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes” e em “é assim que cada verso se inicia” exercem a mesma função morfossintática.


(___) Na oração “Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta!” o termo em destaque exerce a função de pronome relativo.


(___) Em “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia” o sinal indicativo de crase justifica-se pela regência do verbo “poder”, que exige preposição, e pela presença de artigo definido feminino.


(___) Em “Os poetas são seres muito estranhos” encontramos uma oração coordenada assindética. O tipo de sujeito da oração é denominado de sujeito simples. Desse modo, os vocábulos “poetas” e “são” são termos essenciais da oração.


(___) A partícula “que” em “dinheiro que não era mais seu” e em “A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar” possuem a mesma função.


(___) A substituição do vocábulo “têm” em “Os outros têm de aprender” por “tem” prejudicaria a correção gramatical do texto.


(___) Em “Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem” a partícula “que” é pronome relativo e exerce, na oração, função anafórica.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é:

Alternativas
Q3635634 Português
    Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”
    Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).
    Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.
    O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bate-estacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…
    “Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…
    “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…”
Considere o seguinte trecho do texto:
“Resta essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado / Resta essa vontade de chorar diante da beleza / Resta essa comunhão com os sons / Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história.”
Acerca do trecho acima, julgue as assertivas abaixo:
I. A repetição das palavras “resta essa”, nos cinco versos, apresenta a figura de linguagem denominada de anáfora.
II. Os vocábulos “súbita” e “história” obedecem a mesma regra de acentuação gráfica.
III. Os vocábulos “subitamente” e “silêncio” pertencem a mesma classe gramatical.
IV. A forma verbal “chorar” está na forma nominal denominada de infinito e a sua transitividade é indireta.
V. Na expressão “que se perdem” o termo em destaque está no presente do subjuntivo do verbo perder.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3635633 Português
    Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”
    Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).
    Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.
    O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bate-estacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…
    “Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…
    “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…”

Sobre a colocação pronominal do texto, analise as assertivas e identifique com C as assertivas corretas e E as assertivas erradas.


(___) A oração “Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação” pode ser reescrita, sem prejuízo de correção gramatical, por: Não consta-me que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação.


(___) A oração “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória” pode ser reescrita, sem prejuízo de correção gramatical, por: ao ouvir na madrugada passos que perdem-se sem memória.


(___) A oração “sem que lhe seja necessário escrever versos” pode ser reescrita, sem prejuízo de correção gramatical, por: sem que seja-lhe necessário escrever versos.


(___) Estaria comprometida a correção gramatical se a oração “A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar” fosse reescrita da seguinte maneira: A primeira poesia que ouve-se é uma canção de ninar.


(___) O trecho “que não se ouvem mais” admite a colocação pronominal na forma enclítica.


(___) A oração “Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai” pode ser reescrita, sem prejuízo de correção gramatical, por: Me lembro do livro de contabilidade do meu pai.


(___) A oração “Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz” pode ser reescrita, sem prejuízo de correção gramatical, por: Entra no palco, se encaminha para o piano, se assenta, regula a distância do banco, se concentra – e não faz o que todo pianista faz.


(___) O trecho “Na alma também se encontra” não admite a forma enclítica.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é: 

Alternativas
Q3593576 Biomedicina - Análises Clínicas
A dosagem de proteínas e enzimas plasmáticas séricas apresenta grande utilidade diagnóstica, já que as alterações em suas atividades fornecem indicadores sensíveis de lesão ou proliferação celular. Sobre dosagem de proteínas e enzimas, é incorreto afirmar que: 
Alternativas
Q3593575 Biomedicina - Análises Clínicas
O organismo utiliza três mecanismos para controlar o equilíbrio ácido-base, sendo o primeiro deles o excesso de ácido excretado pelos rins, sobretudo em forma de amônia; o CO2, que é eliminado via pulmões; e, finalmente, os tampões plasmáticos. Sobre o equilíbrio ácido-base e seus distúrbios relacionados, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3593574 Patologia
Quanto mais cedo um câncer for detectado e tratado, maiores serão as chances de se obter êxito na cura dessa doença e melhor será a qualidade de vida do paciente. Por isso são tão necessárias as medidas voltadas para a detecção precoce do câncer. Assim, em relação ao rastreamento e diagnóstico de câncer, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3593573 Biomedicina - Análises Clínicas
Em relação às micobactérias, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3593572 Veterinária
A eletroforese oferece vantagens em fornecer simultaneamente e diretamente a medida do colesterol nas suas principais classes de lipoproteínas. Em relação aos achados laboratoriais obtidos por meio da eletroforese de lipoproteínas, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3593571 Biomedicina - Análises Clínicas
Sobre os métodos empregados no controle do crescimento microbiano, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3593570 Biomedicina - Análises Clínicas
Qual das alternativas está incorreta sobre abordagem laboratorial ao diagnóstico das infecções fúngicas? 
Alternativas
Q3593569 Biomedicina - Análises Clínicas
Nosso alimento é muito diversificado e, para assegurar que seja seguro, faz-se necessária uma abordagem sistemática e proativa que minimize a contaminação que pode ocorrer desde a fazenda até o prato do consumidor. Diante desse contexto, qual das alternativas está incorreta em relação aos métodos de detecção e caracterização de contaminação microbiológica de alimentos? 
Alternativas
Q3593568 Biomedicina - Análises Clínicas
Um dos exames muito solicitados é a análise de elementos anormais do sedimento urinário (EAS). Sobre esse exame, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3593567 Técnicas em Laboratório
Os laboratórios de pesquisa ou de análises clínicas necessitam utilizar uma série de equipamentos diversos. Sobre esses equipamentos e seus princípios, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3593566 Direito Sanitário
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi regulamentado pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, e alterações posteriores, que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde e sobre a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, além de dar outras providências (BRASIL, 1990). Assinale a alternativa incorreta sobre os princípios que guiam esse sistema. 
Alternativas
Q3593565 Biomedicina - Análises Clínicas
 A capacidade dos organismos em aproveitar o oxigênio para continuar a oxidação do piruvato originado na glicólise proporcionou um imenso rendimento energético, mas também propiciou o aparecimento de substâncias extremamente deletérias à homeostasia celular, os radicais livres. Sobre o tema, assinale a alternativa incorreta. 
Atenção, a sigla OH? é igual a:  Imagem associada para resolução da questão
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Q3593564 Biomedicina - Análises Clínicas
O hemograma é um dos exames mais solicitados na prática clínica em razão de seu valor informativo. Sobre esse exame, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3593563 Biomedicina - Análises Clínicas
Com exceção das Enterobacteriaceae, as bactérias gram-positivas, particularmente os cocos, constituem os microrganismos isolados com mais frequência de amostras clínicas. Sobre os testes microbiológicos voltados à detecção e identificação de estafilococos e cocos Gram-positivos relacionados, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
3061: A
3062: C
3063: E
3064: X
3065: X
3066: E
3067: A
3068: C
3069: A
3070: A
3071: A
3072: D
3073: B
3074: A
3075: A
3076: B
3077: A
3078: C
3079: C
3080: A