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Q3700464 Português

Para a questão, leia o texto a seguir: 


Autenticidade e influência


    Eu nunca tinha ouvido falar da América até meus pais me dizerem que estávamos nos mudando para lá. Meu mundo era casa, família, escola, passeios para as pirâmides, férias em Alexandria. Isso era o máximo que eu podia imaginar. Como muitas crianças, minha compreensão de lugar estava atrelada ao que eu podia ver e para onde eu podia ir. O avião que me levou à América me obrigou a redesenhar meu mapa, a reconhecer imediata e abruptamente que as fronteiras do mundo eram muito maiores do que havia experimentado. Quando criança, nunca poderia imaginar que teria família e amigos em tantos países.

    Hoje, existe ainda um muro entre os lados grego e turco de Chipre e Israel está construindo um muro ao longo da Cisjordânia. Esses muros marcam nossa história, criando divisões que limitam nossa visão. Embora politicamente motivados, eles também criam fronteiras culturais.

    Como uma imigrante que chegou aqui quando criança, faço parte do que Rúben Rumbaut chamou de geração “1.5” (citado em Firmat, 1994, p. 4). Emigrando ainda crianças, essa geração está situada entre os que emigram como adultos e os que nascem na América. A questão da autenticidade atormenta muitos de nós, que não conseguimos nos definir com um único termo. Tenho observado o conflito de alguns de meus alunos com essas mesmas questões enquanto tentam entender como sangue, localização e língua se tornam marcas de identidade. [...] “Você é mais chinês se crescer em Chinatown e frequentar uma escola chinesa do que se crescer nos subúrbios?”. Nossa nação faz perguntas semelhantes à medida que a homogeneidade e a heterogeneidade continuam a se confrontar sob a bandeira da identidade nacional. 

    Nossa filha Yasmine rejeita o modo como a rotulam quando dizem que ela é metade afro-americana e metade egípcia. “Como você pode ser metade de qualquer coisa?”, pergunta retoricamente. Ela reivindica uma identidade feita de dois inteiros, para que possa ser ao mesmo tempo completamente egípcia e completamente afro-americana. Essa questão do sangue e da identidade tem atormentado os Estados Unidos desde sempre. Para que fosse mantida uma distinção nítida entre negros e brancos, o que era essencial para a escravidão, mesmo a mínima quantidade de sangue negro significava que alguém era negro e, portanto, poderia legalmente ser tratado como inferior. Hoje, para reivindicar oficialmente uma identidade nativo-americana, é preciso provar que se tem um certo “grau de sangue indígena”. Parece que podemos nos dividir até não se identificar mais nada. A matemática de Yasmine faz mais sentido: cada parte de uma pessoa é igual a um todo.


(Fonte: KALDAS, Pauline. Cartas do Cairo. Tradução Priscila Campello.

Belo Horizonte [MG]: Fino Traço, 2023.) 


Analise as assertivas observando se cada uma tem relação direta com o título “Autenticidade e influência”:



I. Tenho observado o conflito de alguns de meus alunos com essas mesmas questões enquanto tentam entender como sangue, localização e língua se tornam marcas de identidade.


II. O avião que me levou à América me obrigou a redesenhar meu mapa, a reconhecer imediata e abruptamente que as fronteiras do mundo eram muito maiores do que havia experimentado.


III. Emigrando ainda crianças, essa geração está situada entre os que emigram como adultos e os que nascem na América.


IV. Esses muros marcam nossa história, criando divisões que limitam nossa visão. Embora politicamente, eles também criam fronteiras culturais.



Há relação direta entre o trecho e o título em: 

Alternativas
Q3700463 Português

Leia a tirinha abaixo:


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Indique a sequência que poderia substituir as palavras destacadas no período do segundo quadrinho de forma CLARA e ADEQUADA:



Quem foi o deletério que engendrou esta massa pútrida e repelente? 

Alternativas
Q3700462 Português

Leia as duas tirinhas a seguir: 

 

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Analise as assertivas:



I) O pronome “você”, originário de “Vossa mercê”, funciona como pronome pessoal de 2ª pessoa, embora a concordância se faça em 3ª pessoa, tal como ocorre no caso dos pronomes de tratamento.


II) Armandinho, personagem das duas tirinhas, espanta-se por não encontrar “você” no sistema pronominal, ainda que tal pronome seja usado em muitas partes do Brasil.


III) "O povo”, na tirinha, tem o mesmo valor de pronome pessoal “nós”.


IV) Armandinho, ao declarar “O povo somos nós”, guia-se pelo significado e não pela flexão de concordância.




Estão CORRETAS as assertivas:


Alternativas
Q3700461 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir: 


Variação e mudança


Sírio Possenti


A maioria absoluta dos brasileiros ̶ talvez não só os brasileiros ̶ alfabetizados ou letrados tem uma ideia completamente equivocada do que seja uma língua. Para eles, língua é a que a escola ensina, ou o que está nos manuais do tipo "não erre mais". O resto é erro. Todos consideram que as variantes são erros.


Ocorre que o que a escola ensina também é mais ou menos variado. E depende muito também do desempenho linguístico dos professores. Como eles são membros da sociedade, são afetados pelas mudanças que a língua sofre com o correr do tempo, de forma que seu "português" é, de alguma forma, o português de seu tempo. O que não é necessariamente ruim.


Isto quer dizer que o português que os professores falam e mesmo o que escrevem não é necessariamente o português dos livros adotados nas escolas. O que vale para professores de português vale também para os das outras disciplinas, claro. E vale também para os jornalistas e para as personalidades que eles entrevistam, tenham elas a formação que tiverem (em geral, são especialistas em alguma coisa, sempre especialistas). É só ouvir os debates ou os programas de entrevistas para verificar isso.


Dou dois exemplos banais. Duvido que haja 10% de professores ou falantes letrados que profiram o dito futuro (aplicarei minha poupança em ações da empresa X). Todos dizem "vou aplicar". Outro exemplo? Quase ninguém diz "nós". Diz-se "a gente". Como pouco se diz "tu", exceto em algumas regiões, a conjugação verbal do futuro é


Eu vou aplicar


Você vai aplicar


Ele/ela vai aplicar


A gente vai aplicar


Vocês vão aplicar


Eles/elas vão aplicar.


Ou não é? Quem não fala assim que atire a primeira pedra. Não vou dizer (!!) que todos falam sempre assim porque sei que uma língua sempre apresenta variação. Alguns entrevistados, ou jornalistas, dirão (!!), talvez, de vez em quando, no meio da conversa, "falaremos disso na próxima entrevista", claro, sendo mais formais. Em compensação, alguns também dirão "vamo falá disso na próxima veiz", sendo bem mais informais. E ninguém nota que falou errado durante a entrevista. Por quê? Porque ninguém fala errado mesmo! Isso não é erro. Esse é o português falado culto do Brasil hoje. É um fato. Só isso.


Numa certa ocasião, fui entrevistado por uma emissora de TV (eu no estúdio e um folclorista em outra cidade). Argumentava que a linguagem popular não tinha nada de errado, era só diferente, e era enfrentado pela apresentadora que "defendia nossa língua". Para dobrá-la, só me restou um recurso: ficar atento ao que ela dizia e citar os "erros" que ela ia cometendo, segundo os próprios critérios dela. Ficou meio sem jeito, e eu tive que insistir que ela falava corretamente... o português real (e que aquele que ela defendia não existe mais, pelo menos na fala).


O que muita gente não entende ̶ ou não quer entender, porque significaria perder uma boa teta! ̶ é que a variação tem tudo a ver com a mudança. Todos acham normal que aquila tenha derivado para águia, que asinus tenha derivado para asno (tem muita coisa mudada aí, mas o básico é que a palavra latina proparoxítona se torna paroxítona), mas acham ridículas formas como fosfro (para fósforo), corgo (para córrego), xicra e chacra (para xícara e chácara), embora a regra antiga que explica a mudança e a atual que explica a variação sejam a rigor a mesma (os falantes seguem regras, não erram!!!), sem contar que dizem, numa boa, sem se dar conta do que fazem, xicrinha e chacrinha. Quá!


Variação tem tudo a ver com mudança. Mas, se entendêssemos isso, muita gente perderia uma grana preta!! 


Fonte: http://www.cataphora.com.br/2010/03/variacao-e-mudanca-sirio-possenti_8437.html (Acesso em: 25 set. 2024).

Releia o trecho do texto de Possenti, que vamos denominá-lo texto 1, e considere os outros, texto 2 e texto 3



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Analise as assertivas a seguir:



I) No texto 1, ocorre adição de unidades de informação por meio do conectivo E.


II) O valor semântico de E no texto 2 indica multiplicidade de segmentos coordenados.


III) No texto 3, o conectivo E propicia a produção de uma sequência narrativa.


IV) Nos três textos, verificamos o uso excessivo do conectivo E que confere uma coloquialidade e distorção de alguns sentidos.



Estão CORRETAS somente as assertivas:

Alternativas
Q3700460 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir: 


Variação e mudança


Sírio Possenti


A maioria absoluta dos brasileiros ̶ talvez não só os brasileiros ̶ alfabetizados ou letrados tem uma ideia completamente equivocada do que seja uma língua. Para eles, língua é a que a escola ensina, ou o que está nos manuais do tipo "não erre mais". O resto é erro. Todos consideram que as variantes são erros.


Ocorre que o que a escola ensina também é mais ou menos variado. E depende muito também do desempenho linguístico dos professores. Como eles são membros da sociedade, são afetados pelas mudanças que a língua sofre com o correr do tempo, de forma que seu "português" é, de alguma forma, o português de seu tempo. O que não é necessariamente ruim.


Isto quer dizer que o português que os professores falam e mesmo o que escrevem não é necessariamente o português dos livros adotados nas escolas. O que vale para professores de português vale também para os das outras disciplinas, claro. E vale também para os jornalistas e para as personalidades que eles entrevistam, tenham elas a formação que tiverem (em geral, são especialistas em alguma coisa, sempre especialistas). É só ouvir os debates ou os programas de entrevistas para verificar isso.


Dou dois exemplos banais. Duvido que haja 10% de professores ou falantes letrados que profiram o dito futuro (aplicarei minha poupança em ações da empresa X). Todos dizem "vou aplicar". Outro exemplo? Quase ninguém diz "nós". Diz-se "a gente". Como pouco se diz "tu", exceto em algumas regiões, a conjugação verbal do futuro é


Eu vou aplicar


Você vai aplicar


Ele/ela vai aplicar


A gente vai aplicar


Vocês vão aplicar


Eles/elas vão aplicar.


Ou não é? Quem não fala assim que atire a primeira pedra. Não vou dizer (!!) que todos falam sempre assim porque sei que uma língua sempre apresenta variação. Alguns entrevistados, ou jornalistas, dirão (!!), talvez, de vez em quando, no meio da conversa, "falaremos disso na próxima entrevista", claro, sendo mais formais. Em compensação, alguns também dirão "vamo falá disso na próxima veiz", sendo bem mais informais. E ninguém nota que falou errado durante a entrevista. Por quê? Porque ninguém fala errado mesmo! Isso não é erro. Esse é o português falado culto do Brasil hoje. É um fato. Só isso.


Numa certa ocasião, fui entrevistado por uma emissora de TV (eu no estúdio e um folclorista em outra cidade). Argumentava que a linguagem popular não tinha nada de errado, era só diferente, e era enfrentado pela apresentadora que "defendia nossa língua". Para dobrá-la, só me restou um recurso: ficar atento ao que ela dizia e citar os "erros" que ela ia cometendo, segundo os próprios critérios dela. Ficou meio sem jeito, e eu tive que insistir que ela falava corretamente... o português real (e que aquele que ela defendia não existe mais, pelo menos na fala).


O que muita gente não entende ̶ ou não quer entender, porque significaria perder uma boa teta! ̶ é que a variação tem tudo a ver com a mudança. Todos acham normal que aquila tenha derivado para águia, que asinus tenha derivado para asno (tem muita coisa mudada aí, mas o básico é que a palavra latina proparoxítona se torna paroxítona), mas acham ridículas formas como fosfro (para fósforo), corgo (para córrego), xicra e chacra (para xícara e chácara), embora a regra antiga que explica a mudança e a atual que explica a variação sejam a rigor a mesma (os falantes seguem regras, não erram!!!), sem contar que dizem, numa boa, sem se dar conta do que fazem, xicrinha e chacrinha. Quá!


Variação tem tudo a ver com mudança. Mas, se entendêssemos isso, muita gente perderia uma grana preta!! 


Fonte: http://www.cataphora.com.br/2010/03/variacao-e-mudanca-sirio-possenti_8437.html (Acesso em: 25 set. 2024).

Leia este excerto:



“Denomina-se referenciação as diversas formas de introdução, no texto, de novas entidades ou referentes. Quando tais referentes são retomados mais adiante ou servem de base para introdução de novos referentes, tem-se o que se denomina progressão referencial”.



Fonte: KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2013, p. 123.



Atentando-se para a retomada do referente, assinale o único trecho em que a palavra ou expressão sublinhada NÃO FUNCIONA anaforicamente:

Alternativas
Q3700459 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir: 


Variação e mudança


Sírio Possenti


A maioria absoluta dos brasileiros ̶ talvez não só os brasileiros ̶ alfabetizados ou letrados tem uma ideia completamente equivocada do que seja uma língua. Para eles, língua é a que a escola ensina, ou o que está nos manuais do tipo "não erre mais". O resto é erro. Todos consideram que as variantes são erros.


Ocorre que o que a escola ensina também é mais ou menos variado. E depende muito também do desempenho linguístico dos professores. Como eles são membros da sociedade, são afetados pelas mudanças que a língua sofre com o correr do tempo, de forma que seu "português" é, de alguma forma, o português de seu tempo. O que não é necessariamente ruim.


Isto quer dizer que o português que os professores falam e mesmo o que escrevem não é necessariamente o português dos livros adotados nas escolas. O que vale para professores de português vale também para os das outras disciplinas, claro. E vale também para os jornalistas e para as personalidades que eles entrevistam, tenham elas a formação que tiverem (em geral, são especialistas em alguma coisa, sempre especialistas). É só ouvir os debates ou os programas de entrevistas para verificar isso.


Dou dois exemplos banais. Duvido que haja 10% de professores ou falantes letrados que profiram o dito futuro (aplicarei minha poupança em ações da empresa X). Todos dizem "vou aplicar". Outro exemplo? Quase ninguém diz "nós". Diz-se "a gente". Como pouco se diz "tu", exceto em algumas regiões, a conjugação verbal do futuro é


Eu vou aplicar


Você vai aplicar


Ele/ela vai aplicar


A gente vai aplicar


Vocês vão aplicar


Eles/elas vão aplicar.


Ou não é? Quem não fala assim que atire a primeira pedra. Não vou dizer (!!) que todos falam sempre assim porque sei que uma língua sempre apresenta variação. Alguns entrevistados, ou jornalistas, dirão (!!), talvez, de vez em quando, no meio da conversa, "falaremos disso na próxima entrevista", claro, sendo mais formais. Em compensação, alguns também dirão "vamo falá disso na próxima veiz", sendo bem mais informais. E ninguém nota que falou errado durante a entrevista. Por quê? Porque ninguém fala errado mesmo! Isso não é erro. Esse é o português falado culto do Brasil hoje. É um fato. Só isso.


Numa certa ocasião, fui entrevistado por uma emissora de TV (eu no estúdio e um folclorista em outra cidade). Argumentava que a linguagem popular não tinha nada de errado, era só diferente, e era enfrentado pela apresentadora que "defendia nossa língua". Para dobrá-la, só me restou um recurso: ficar atento ao que ela dizia e citar os "erros" que ela ia cometendo, segundo os próprios critérios dela. Ficou meio sem jeito, e eu tive que insistir que ela falava corretamente... o português real (e que aquele que ela defendia não existe mais, pelo menos na fala).


O que muita gente não entende ̶ ou não quer entender, porque significaria perder uma boa teta! ̶ é que a variação tem tudo a ver com a mudança. Todos acham normal que aquila tenha derivado para águia, que asinus tenha derivado para asno (tem muita coisa mudada aí, mas o básico é que a palavra latina proparoxítona se torna paroxítona), mas acham ridículas formas como fosfro (para fósforo), corgo (para córrego), xicra e chacra (para xícara e chácara), embora a regra antiga que explica a mudança e a atual que explica a variação sejam a rigor a mesma (os falantes seguem regras, não erram!!!), sem contar que dizem, numa boa, sem se dar conta do que fazem, xicrinha e chacrinha. Quá!


Variação tem tudo a ver com mudança. Mas, se entendêssemos isso, muita gente perderia uma grana preta!! 


Fonte: http://www.cataphora.com.br/2010/03/variacao-e-mudanca-sirio-possenti_8437.html (Acesso em: 25 set. 2024).

Assinale a afirmativa CORRETA:

Alternativas
Q3700458 Português

Para responder à questão, leia o texto a seguir: 


Variação e mudança


Sírio Possenti


A maioria absoluta dos brasileiros ̶ talvez não só os brasileiros ̶ alfabetizados ou letrados tem uma ideia completamente equivocada do que seja uma língua. Para eles, língua é a que a escola ensina, ou o que está nos manuais do tipo "não erre mais". O resto é erro. Todos consideram que as variantes são erros.


Ocorre que o que a escola ensina também é mais ou menos variado. E depende muito também do desempenho linguístico dos professores. Como eles são membros da sociedade, são afetados pelas mudanças que a língua sofre com o correr do tempo, de forma que seu "português" é, de alguma forma, o português de seu tempo. O que não é necessariamente ruim.


Isto quer dizer que o português que os professores falam e mesmo o que escrevem não é necessariamente o português dos livros adotados nas escolas. O que vale para professores de português vale também para os das outras disciplinas, claro. E vale também para os jornalistas e para as personalidades que eles entrevistam, tenham elas a formação que tiverem (em geral, são especialistas em alguma coisa, sempre especialistas). É só ouvir os debates ou os programas de entrevistas para verificar isso.


Dou dois exemplos banais. Duvido que haja 10% de professores ou falantes letrados que profiram o dito futuro (aplicarei minha poupança em ações da empresa X). Todos dizem "vou aplicar". Outro exemplo? Quase ninguém diz "nós". Diz-se "a gente". Como pouco se diz "tu", exceto em algumas regiões, a conjugação verbal do futuro é


Eu vou aplicar


Você vai aplicar


Ele/ela vai aplicar


A gente vai aplicar


Vocês vão aplicar


Eles/elas vão aplicar.


Ou não é? Quem não fala assim que atire a primeira pedra. Não vou dizer (!!) que todos falam sempre assim porque sei que uma língua sempre apresenta variação. Alguns entrevistados, ou jornalistas, dirão (!!), talvez, de vez em quando, no meio da conversa, "falaremos disso na próxima entrevista", claro, sendo mais formais. Em compensação, alguns também dirão "vamo falá disso na próxima veiz", sendo bem mais informais. E ninguém nota que falou errado durante a entrevista. Por quê? Porque ninguém fala errado mesmo! Isso não é erro. Esse é o português falado culto do Brasil hoje. É um fato. Só isso.


Numa certa ocasião, fui entrevistado por uma emissora de TV (eu no estúdio e um folclorista em outra cidade). Argumentava que a linguagem popular não tinha nada de errado, era só diferente, e era enfrentado pela apresentadora que "defendia nossa língua". Para dobrá-la, só me restou um recurso: ficar atento ao que ela dizia e citar os "erros" que ela ia cometendo, segundo os próprios critérios dela. Ficou meio sem jeito, e eu tive que insistir que ela falava corretamente... o português real (e que aquele que ela defendia não existe mais, pelo menos na fala).


O que muita gente não entende ̶ ou não quer entender, porque significaria perder uma boa teta! ̶ é que a variação tem tudo a ver com a mudança. Todos acham normal que aquila tenha derivado para águia, que asinus tenha derivado para asno (tem muita coisa mudada aí, mas o básico é que a palavra latina proparoxítona se torna paroxítona), mas acham ridículas formas como fosfro (para fósforo), corgo (para córrego), xicra e chacra (para xícara e chácara), embora a regra antiga que explica a mudança e a atual que explica a variação sejam a rigor a mesma (os falantes seguem regras, não erram!!!), sem contar que dizem, numa boa, sem se dar conta do que fazem, xicrinha e chacrinha. Quá!


Variação tem tudo a ver com mudança. Mas, se entendêssemos isso, muita gente perderia uma grana preta!! 


Fonte: http://www.cataphora.com.br/2010/03/variacao-e-mudanca-sirio-possenti_8437.html (Acesso em: 25 set. 2024).

A partir do texto anterior, analise as assertivas a seguir:



I) O contexto comunicativo pode determinar a escolha do registro linguístico a ser utilizado pelo falante.


II) A língua é um organismo vivo e, dentro de um mesmo sistema, apresenta-se com diferenciações.


III) Os professores de língua portuguesa também apresentam aos alunos o português de seu tempo e devem se ancorar na gramática normativa para não desvirtuar o ensino.


IV) Aceitar que há em toda língua um conjunto de covariantes é admitir que se pode chegar a mudanças ainda que o processo dure relativamente muito tempo.



Estão CORRETAS somente as assertivas:

Alternativas
Q3699447 Pedagogia

O processo didático tem por objetivo dar respostas a uma necessidade: ensinar. O resultado do ensinar é dar respostas a uma outra necessidade: a do estudante aprendiz. Ensinar e aprender envolvem o pesquisar. E essas três dimensões necessitam do avaliar. Esse processo não se faz de forma isolada, mas implica interação entre sujeitos e objetos.


Fonte: VEIGA, Ilma P.A. (org.). Lições de didática. Campinas, SP: Papirus, 2006.



Considerando a abordagem da autora, como se caracteriza a atividade de ensino no contexto da formação docente e quais são as implicações dessa complexidade para o desenvolvimento de práticas pedagógicas significativas?

Alternativas
Q3699446 Pedagogia

O Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola é o documento que estabelece os objetivos, as diretrizes, as metas e os princípios fundamentais que orientam as práticas pedagógicas no ambiente escolar. Ele deverá expressar a identidade e os valores da comunidade e do território em que a escola está inserida, caracterizando os sujeitos atendidos, acolhendo e potencializando as suas particularidades.



Sobre o Projeto Político-Pedagógico e a estreita relação entre o Plano de Ensino, o Plano de Aula e a gestão da sala de aula, assinale a afirmativa que descreve corretamente como esses elementos se integram para garantir a coerência entre a visão institucional e as práticas pedagógicas cotidianas. 

Alternativas
Q3699445 Pedagogia

A prática da avaliação da aprendizagem, para manifestar-se como tal, deve apontar para a busca do melhor de todos os educandos, e não ser voltada para a seleção de uns poucos, como se comportam os exames. Por si, a avaliação, como dissemos, é inclusiva e, por isso mesmo, democrática e amorosa. Por ela, por onde quer que se passe, não há exclusão. Não há submissão, mas sim liberdade. Não há medo, mas sim espontaneidade e busca. Não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente, em busca do melhor. Sempre!


Fonte: LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Revista Pátio On-line. Porto alegre: Artmed, ano 3, n. 12, fev./abr. 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2511.pdf Acesso em: 08 out. 2024.



Na perspectiva de Luckesi, a avaliação da aprendizagem vai além de sua função meramente classificatória e punitiva e deve ser compreendida como um processo que busca promover o desenvolvimento integral dos estudantes.



Considerando essa perspectiva, qual concepção é crucial para a prática avaliativa efetiva proposta pelo autor?

Alternativas
Q3699444 Pedagogia

Na perspectiva da educação inclusiva, supõe-se que todos os alunos tenham uma resposta educativa na escola regular onde seja proporcionado o desenvolvimento de todas as suas capacidades, a fim de minimizar o preconceito e a exclusão, pois o preconceito pode resultar em sentimentos de diminuição da autoestima e em obstáculos nas interações emocionais e sociais para as pessoas com deficiência, tendo um impacto negativo na qualidade de vida que elas experimentam.


Fonte: SANTOS, T. E. de C. dos. O currículo na escola inclusiva: flexibilização curricular. Caderno Pedagógico, 21(8), 2024. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/6500/4149 Acesso em: 08 out. 2024.



Considerando a proposta curricular na perspectiva da inclusão e da diversidade, analise as afirmações a seguir, identificando aquela que representa o princípio fundamental para garantir o direito à aprendizagem de todos os estudantes. 

Alternativas
Q3699443 Pedagogia

A Política da Educação Integral e Integrada em Minas Gerais foi instituída pelo Decreto Estadual n. 47.227/2017. Em seu Art. 1º, é estabelecido que a Educação Integral e Integrada visa a assegurar o acesso e a permanência dos estudantes na Educação Básica, com a melhoria da qualidade do ensino e o respeito à diversidade, garantindo-se as condições necessárias ao desenvolvimento dos diversos saberes e habilidades pelos estudantes e a ampliação da oferta da jornada em tempo integral, em consonância com as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação.


Considerando seus princípios e diretrizes, analise as afirmações a seguir:



I. A gestão da Escola terá a responsabilidade de criar estratégias operacionais para a implementação da educação integral e integrada, a partir da constituição de Escolas Polo de Educação Múltipla.


II. Essa política prioriza o desenvolvimento acadêmico dos estudantes, desconsiderando aspectos socioemocionais e culturais que impactam a formação integral.


III. A Educação Integral e Integrada deve ser organizada a partir de três eixos estruturantes como o projeto político pedagógico, a infraestrutura e o sistema de gestão.


IV. O projeto político pedagógico contemplará estratégias para a integração com outros órgãos locais do campo da proteção social, com vistas à superação de mecanismos de exclusão social que afetam o desenvolvimento e o aprendizado dos estudantes.



Está CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3699442 Direitos Humanos

O Art. 2º da Resolução CNE/CP n. 1/2012 dispõe sobre a Educação em Direitos Humanos, um dos eixos fundamentais do direito à educação. Esse documento refere-se ao uso de concepções e práticas educativas fundadas nos Direitos Humanos e em seus processos de promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de direitos e de responsabilidades individuais e coletivas. Os Direitos Humanos, internacionalmente reconhecidos como um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sejam eles individuais, coletivos, transindividuais ou difusos, referem-se à necessidade de igualdade e de defesa da dignidade humana. Assim, aos sistemas de ensino e suas instituições, cabe a efetivação da Educação em Direitos Humanos, implicando a adoção sistemática dessas diretrizes por todos(as) os(as) envolvidos(as) nos processos educacionais.



Considerando os princípios e objetivos dessa Resolução, assinale a afirmativa que apresenta corretamente um dos enfoques fundamentais que devem ser integrados ao currículo escolar:

Alternativas
Q3699441 Pedagogia

De acordo com as normas de organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, a estrutura curricular deve garantir a implementação de práticas pedagógicas que contemplem os princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as especificidades locais. As escolas da rede estadual, assegurando o seu caráter de qualidade social, deverão respeitar os princípios éticos, estéticos e políticos, tendo como centralidade o estudante e a aprendizagem, considerando a inclusão, o respeito à diversidade e às diferenças, o seu desenvolvimento integral, a sua autonomia intelectual e o pensamento crítico.


Sobre a organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, analise as afirmativas a seguir:



I. As escolas devem se basear unicamente nas diretrizes da Secretaria de Estado de Educação, desconsiderando as especificidades regionais, para garantir uniformidade no ensino, em todo o estado de Minas Gerais.


II. O dia escolar é aquele em que são realizadas atividades de caráter pedagógico e administrativo, com a presença obrigatória do pessoal docente, técnico e administrativo, podendo incluir a representação de pais e alunos.


III. O Projeto Político-Pedagógico (PPP), elaborado por toda comunidade escolar, deve ser amplamente divulgado e as ações implementadas devem ser avaliadas, periódica e coletivamente, para se ajustar o processo pedagógico.


IV. Os cursos presenciais da EJA dos anos finais do Ensino Fundamental e Médio têm duração de dois anos letivos, organizados em quatro períodos semestrais.



Está CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3699440 Pedagogia

O Decreto n. 8.752/2016 dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e estabelece diretrizes para garantir a qualidade da formação inicial e continuada de professores. Em seu Art. 1º, Fica instituída a Política Nacional, com a finalidade de fixar seus princípios e objetivos, e de organizar seus programas e ações, em regime de colaboração entre os sistemas de ensino e em consonância com o Plano Nacional de Educação - PNE, aprovado pela Lei n. 13.005, de 24 de junho de 2014, e com os planos decenais dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.



Em relação aos objetivos dessa política, assinale a afirmativa CORRETA.

Alternativas
Q3699439 Pedagogia

A Educação do Campo ganhou legitimação no Estado de Minas Gerais por meio da Resolução SEE n. 2.820/2015, que apresenta as diretrizes para a Educação do Campo no Estado. Essa legislação institucionalizou o entendimento que compõe a Educação do Campo e sobre os sujeitos que a caracterizam. De acordo com o documento, agricultores familiares, ribeirinhos, população assentada em acampamentos de reforma agrária, trabalhadores assalariados rurais quilombolas, integrantes dos movimentos atingidos pelas barragens, entre outras condições que desenvolvam suas sobrevivências materiais e de existência a partir da relação com a terra, são condições características da modalidade. Assim, a Educação do Campo enquanto política destina-se à qualificação e à ampliação da oferta da Educação Básica, tendo como parâmetro o que dispõe o Plano Nacional de Educação, priorizando a diminuição das desigualdades educacionais, principalmente, no que diz respeito às diferenças elencadas no âmbito da geografia e à universalização da Educação Básica. Essa modalidade, assim, deve proporcionar um processo de construção do saber no qual a autonomia do estudante seja colocada em destaque para se aprimorar juntamente com uma perspectiva de relação com a terra de forma sustentável.


Fonte: A Educação do Campo. Disponível em: https://srenovaera.educacao.mg.gov.br/47- divep/287-escola-do-campo. Acesso em: 10 out. 2024. (com adaptações)



Considerando as Diretrizes para a Educação Básica nas escolas do campo em Minas Gerais, qual princípio orienta a formulação das práticas pedagógicas nesse contexto, promovendo uma educação que responda às especificidades socioeconômicas e culturais das comunidades rurais?

Alternativas
Q3699438 Pedagogia

A Educação Escolar Quilombola no Brasil é uma modalidade da Educação Básica, cujos fundamentos podem ser encontrados no Parecer CNE/CP n. 03/2004 e na Resolução CNE/CP n. 01/2004, que instituem a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos das escolas públicas e privadas da Educação Básica. Posteriormente, foi assegurada nas Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica (Resolução CNE/CEB. n. 04/2010 e pela Resolução CNE/CEB n. 08/2012, bem como pelas demais orientações e resoluções do Conselho Nacional de Educação.



Qual das alternativas abaixo reflete os principais objetivos desta modalidade de ensino, conforme previsto nas diretrizes educacionais brasileiras?

Alternativas
Q3699437 Português

A questão refere-se ao texto a seguir.



O arquivo



    No fim de um ano de trabalho,

    joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

    Prosseguiu a luta. 

    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

    joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

    Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

    Respirou descompassado.

    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.

    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

    O coração parava.

    — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

    A  revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

    Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

    O corpo era um monte de rugas sorridentes.

    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

    — Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

    O chefe não compreendeu:

    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

    A emoção impediu qualquer resposta.

    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

    joão transformou-se num arquivo de metal.



(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 


O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.



Nesse fragmento, há

Alternativas
Q3699431 Português

A questão refere-se ao texto a seguir.



O arquivo



    No fim de um ano de trabalho,

    joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

    No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

    Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

    Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

    O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

    Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

    Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

    Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

    Prosseguiu a luta. 

    Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

    joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

    Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

    Respirou descompassado.

    — Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

    joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.

    — Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

    O coração parava.

    — Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

    A  revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

    — De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

    Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

    Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

    Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

    Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

    Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

    O corpo era um monte de rugas sorridentes.

    Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

    — Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

    O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

    — Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

    O chefe não compreendeu:

    — Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

    A emoção impediu qualquer resposta.

    joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

    joão transformou-se num arquivo de metal.



(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561). 


O uso de letra minúscula em “joão”



I - representa a coisificação e a insignificância do personagem.


II - intensifica a despersonalização e o anonimato do personagem.


III - corrobora a ausência de destaque da existência do personagem.


IV - acentua a personalidade idiossincrática e dinâmica do personagem.



É CORRETO o que se afirma em

Alternativas
Q3698937 Pedagogia
A abordagem interdisciplinar no trabalho com Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) é caracterizada por:
Alternativas
Respostas
4241: A
4242: C
4243: D
4244: B
4245: B
4246: A
4247: B
4248: A
4249: D
4250: D
4251: B
4252: D
4253: C
4254: C
4255: B
4256: A
4257: B
4258: B
4259: B
4260: A