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Q633413 Português

      Texto: Patíbulos virtuais


      Ainda não tinha doze anos quando assisti a um linchamento. Vi um rapaz a fugir de bicicleta. Um homem começou a persegui-lo, a pé, e de repente já eram cinco, dez, uma turba exaltada, correndo, gritando, jogando pedras. Lembro-me de estar inteiro, de coração, numa angústia enorme, com o rapaz que fugia. Não havia nada que pudesse fazer para o ajudar. Minutos antes eu lia, ao sol, numa varanda. Logo a seguir o rapaz pedalava para salvar a vida, lá embaixo, entre uma estradinha de terra vermelha e um vasto descampado coberto de capim.

      Desde então estou sempre do lado de quem, sozinho, se vê perseguido por uma multidão. Pouco me importa o que fez o rapaz que corre; o homem que ergue a mão para se proteger da pancada; a mulher que enfrenta, chorando, os insultos de um bando de predadores cobardes.

      O surgimento das redes sociais marcou a emergência de um novo patíbulo para os linchadores. Bem sei que a comparação será sempre abusiva. Palavras, por muito aguçadas, por muito duras e pesadas, não racham cabeças. Palavras, por muito venenosas, não são capazes de matar. Em contrapartida, este novo palco tem o poder de juntar em poucos minutos largos milhares de pessoas, todas aos gritos. A estupidez das multidões virtuais é tão concreta quanto a das multidões reais.

      Praticamente todas as semanas há alguma figura pública a sofrer perseguição nas redes sociais. [...]

      Há alguns anos, em Luanda, afirmei, durante uma entrevista, não entender por que o governo insistia em promover a poesia de Agostinho Neto, primeiro presidente angolano, que a mim sempre me pareceu bastante medíocre. Um conhecido jurista e comentador político, João Pinto, deputado do partido no poder, assinou um artigo defendendo a minha prisão. Foi além: defendeu o restabelecimento da pena de morte e o meu fuzilamento. Segundo ele, eu ofendera não apenas um antigo presidente e herói nacional mas também uma divindade, visto que Agostinho Neto seria um quilamba — ou seja, um intérprete de sereias. Nas semanas seguintes foram publicados muitos outros textos de ódio. Recebi telefonemas com ameaças. Contaram-me que havia pessoas queimando os meus livros. Na altura foi bastante assustador. Hoje olho para trás e rio-me. Recordo o quanto era difícil explicar a jornalistas europeus a acusação de que teria ofendido um intérprete de sereias. Naturalmente, acabei transformando o episódio em literatura.Os europeus e norte-americanos leem aquilo e chamam-lhe realismo mágico.

      Os queimadores de livros têm receio não das ideias que os mesmos defendem, mas da sua própria incapacidade para lhes dar resposta. Aqueles que se juntam a multidões virtuais para ameaçar ou troçar de alguém são quase tão perigosos quanto os que correm pelas ruas, jogando pedras — e ainda mais cobardes.

      Fecho os olhos e volto a ver o rapaz na bicicleta. Uma pedra atingiu-o na cabeça e ele caiu. A multidão mergulhou sobre ele. Naquele dia deixei de ser criança.

               

  •   José Eduardo Agualusa. O Globo, Segundo Caderno, 07/03/2016.
  • Disponível em http://oglobo.globo.com/cultura/patibulos-virtuais-18817824#ixzz43ah8BwFY 
No dicionário, o significado do substantivo patíbulo é: estrado ou lugar onde os condenados sofrem a pena capital (forca, guilhotina, decapitação). Percebe-se, portanto, que o emprego da palavra no texto situa-se no nível da conotação. Porém, NÃO há conotação em:
Alternativas
Q633412 Português

      Texto: Patíbulos virtuais


      Ainda não tinha doze anos quando assisti a um linchamento. Vi um rapaz a fugir de bicicleta. Um homem começou a persegui-lo, a pé, e de repente já eram cinco, dez, uma turba exaltada, correndo, gritando, jogando pedras. Lembro-me de estar inteiro, de coração, numa angústia enorme, com o rapaz que fugia. Não havia nada que pudesse fazer para o ajudar. Minutos antes eu lia, ao sol, numa varanda. Logo a seguir o rapaz pedalava para salvar a vida, lá embaixo, entre uma estradinha de terra vermelha e um vasto descampado coberto de capim.

      Desde então estou sempre do lado de quem, sozinho, se vê perseguido por uma multidão. Pouco me importa o que fez o rapaz que corre; o homem que ergue a mão para se proteger da pancada; a mulher que enfrenta, chorando, os insultos de um bando de predadores cobardes.

      O surgimento das redes sociais marcou a emergência de um novo patíbulo para os linchadores. Bem sei que a comparação será sempre abusiva. Palavras, por muito aguçadas, por muito duras e pesadas, não racham cabeças. Palavras, por muito venenosas, não são capazes de matar. Em contrapartida, este novo palco tem o poder de juntar em poucos minutos largos milhares de pessoas, todas aos gritos. A estupidez das multidões virtuais é tão concreta quanto a das multidões reais.

      Praticamente todas as semanas há alguma figura pública a sofrer perseguição nas redes sociais. [...]

      Há alguns anos, em Luanda, afirmei, durante uma entrevista, não entender por que o governo insistia em promover a poesia de Agostinho Neto, primeiro presidente angolano, que a mim sempre me pareceu bastante medíocre. Um conhecido jurista e comentador político, João Pinto, deputado do partido no poder, assinou um artigo defendendo a minha prisão. Foi além: defendeu o restabelecimento da pena de morte e o meu fuzilamento. Segundo ele, eu ofendera não apenas um antigo presidente e herói nacional mas também uma divindade, visto que Agostinho Neto seria um quilamba — ou seja, um intérprete de sereias. Nas semanas seguintes foram publicados muitos outros textos de ódio. Recebi telefonemas com ameaças. Contaram-me que havia pessoas queimando os meus livros. Na altura foi bastante assustador. Hoje olho para trás e rio-me. Recordo o quanto era difícil explicar a jornalistas europeus a acusação de que teria ofendido um intérprete de sereias. Naturalmente, acabei transformando o episódio em literatura.Os europeus e norte-americanos leem aquilo e chamam-lhe realismo mágico.

      Os queimadores de livros têm receio não das ideias que os mesmos defendem, mas da sua própria incapacidade para lhes dar resposta. Aqueles que se juntam a multidões virtuais para ameaçar ou troçar de alguém são quase tão perigosos quanto os que correm pelas ruas, jogando pedras — e ainda mais cobardes.

      Fecho os olhos e volto a ver o rapaz na bicicleta. Uma pedra atingiu-o na cabeça e ele caiu. A multidão mergulhou sobre ele. Naquele dia deixei de ser criança.

               

  •   José Eduardo Agualusa. O Globo, Segundo Caderno, 07/03/2016.
  • Disponível em http://oglobo.globo.com/cultura/patibulos-virtuais-18817824#ixzz43ah8BwFY 
A leitura compreensiva do texto evidencia que o principal objetivo do autor é:
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Q622122 Pedagogia
 “Certa vez, numa escola da rede municipal de São Paulo, que realizava uma reunião de quatro dias com professores e professoras de dez escolas da área para planejar em comum suas atividades pedagógicas, visitei uma sala em que se expunham fotografias das redondezas da escola. Fotografias de ruas enlameadas, de ruas bem-postas também. Fotografias de recantos feios que sugeriam tristeza e dificuldades. Fotografias de corpos andando com dificuldade, lentamente, alquebrados, de caras desfeitas, de olhar vago. Um pouco atrás de mim dois professores faziam comentários em torno do que lhes tocava mais de perto. De repente, um deles afirmou: “Há dez anos ensino nesta escola. Jamais conheci nada de sua redondeza além das ruas que lhe dão acesso. Agora, ao ver esta exposição de fotografias que nos revelam um pouco de seu contexto, me convenço de quão precária deve ter sido a minha tarefa formadora durante todos estes anos. Como ensinar, como formar sem estar aberto ao contorno geográfico, social, dos educandos?"

                                                               (Freire, Pedagogia da autonomia, 1996)

A reflexão de Paulo Freire nos remete a uma dimensão do currículo amplamente discutida por Tomaz Tadeu da Silva. Trata-se de categorias como:
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Q622121 Pedagogia
Na Rede Municipal de Ensino da Cidade do Rio de Janeiro, os Ginásios Experimentais Olímpicos (GEOs) vêm desenvolvendo currículos que objetivam a formação de alunos-atletas-cidadãos. Nessa perspectiva, os alunos têm um currículo organizado com oferta de diversas modalidades esportivas e, também, aulas de Educação Física. Essa oferta busca atender as seguintes orientações emanadas pelo Parecer 04 CNE/SEB/98:
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Q622120 Pedagogia
Jorge, é professor de Educação Física e chega ao conselho de classe de sua escola, onde atua com turmas de 1° ao 5° ano, com várias anotações sobre o desenvolvimento de seus alunos durante o bimestre letivo. Como atende a todas as turmas da escola, Jorge teve a oportunidade de avaliar praticamente todos os alunos. Após as dinâmicas e textos de reflexão muito significativos e que versam sobre a visão global do aluno, a equipe técnico-pedagógica solicita aos professores que indiquem o número de faltas, os alunos que necessitam de apoio pedagógico e os conceitos do bimestre. Jorge, então, sugere que seja feita uma discussão global de cada aluno, com a participação destes, inclusive para que possa contribuir com suas anotações na construção do conceito dos alunos. Todos se sentem muito incomodados e a coordenação esclarece que ele também poderá informar os conceitos e faltas lançados para cada aluno, encerrando a questão. Segundo Carrilho (2011), essa situação é muito comum nos conselhos de classe, uma vez que muitas equipes desconhecem que a avaliação no conselho de classe:
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Q622119 Pedagogia
Os alunos de seis anos do 1º ano de uma escola que atende do 1º ao 5º ano de escolaridade demonstraram muita dificuldade em internalizar as regras de um jogo proposto pela professora de alfabetização. Sabendo da dificuldade da colega, Carol, a professora de Educação Física, foi ajudá-la e percebeu que a dificuldade poderia estar não no método usado pela professora, mas na etapa de desenvolvimento humano dos alunos. Carol baseou suas conclusões nos estudos piagetianos que afirmam que:
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Q622118 Pedagogia
A população da Cidade do Rio de Janeiro tem comentado com frequência a dimensão olímpica da cidade, uma vez que esta, em 2016, sediará os Jogos Olímpicos. Carla, uma aluna do 9º ano do ensino fundamental da Rede Pública Municipal de Ensino está muito animada e vê, nas aulas de educação física, uma excelente oportunidade de participar ativamente do clima da cidade. Entretanto, Carla possui uma filha de nove meses. Segundo a Lei 9394/96, a aluna:
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Q622117 Educação Física
Considerando uma pedagogia para a educação física que se proponha a tornar os alunos críticos e autônomos, em relação à cultura corporal de movimento, os professores devem sugerir um plano político-pedagógico que, entre outros aspectos:
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Q622116 Educação Física
A diferença entre jogo e esporte, contida nas Orientações Curriculares, propostas pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, é que:
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Q622115 Educação Física
Nas Orientações Curriculares propostas pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, são considerados conteúdos que devem ser abordados e desenvolvidos pela educação física:
Alternativas
Q622114 Educação Física
De acordo com Rangel e colaboradores (2005), o lazer deve ser uma das possibilidades da educação física na escola, e sugerem que uma das ações a serem viabilizadas na escola seja:
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Q622113 Educação Física
Frequentemente, é possível nos depararmos, na mídia em geral, com corpos considerados “perfeitos" ou “belos", que, muitas vezes, vêm acompanhados de “receitas" para que possamos encontrar esse corpo cobiçado. Por outro lado, sabe-se que a mídia, presente no cotidiano dos alunos, alimenta imaginários e ajuda a construir um determinado entendimento de mundo. Considerando, então, que entre os objetivos da educação física na escola, encontra-se a autonomia, um papel que o professor deve desempenhar frente a esse tema da corporeidade é o de:
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Q622112 Educação Física
Na perspectiva dos jogos cooperativos e do processo de inclusão, é possível considerar que os professores devam:
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Q622111 Educação Física
Em uma escola há dois professores de educação física com características bem distintas. O professor João utiliza, em suas aulas, esportes mais conhecidos, como: futebol, basquetebol, handebol, voleibol e atletismo. Nesses jogos esportivos, ele tem a preocupação de realizá-los separando os meninos das meninas. Seu argumento é: uma vez que os meninos têm mais força, em um jogo no qual os dois grupos estejam misturados, as meninas poderão se machucar. Ele tem uma grande preocupação com as habilidades motoras dos alunos e valoriza a competição esportiva. Suas aulas apresentam, sempre, muita organização e disciplina. A professora Maria, por sua vez, busca trabalhar, além daqueles esportes, outras atividades. Por exemplo, resgata brincadeiras que as próprias crianças sugerem; apresenta esportes pouco conhecidos, como badminton e netball; trabalha com danças, capoeira e lutas, entre outras atividades. Suas aulas também chamam a atenção por serem realizadas com meninos e meninas, em conjunto. Nesse sentido, é possível afirmar que:
Alternativas
Q622110 Educação Física
No artigo intitulado “A representação da Educação Física na 18ª temporada da telenovela Malhação", Cândido e colaboradores analisaram o modo como a Educação Física apareceu na mídia, notadamente na telenovela Malhação. Em um dos capítulos, o personagem que caracteriza o professor de educação física se depara com uma situação pouco comum e diz: “Se o garoto realmente tem AIDS, o que eu faço? Tiro do time?". Dessa forma, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, seria importante que o professor de educação física, na escola, contextualizasse o tema, considerando:
Alternativas
Q622109 Educação Física
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), é estimulado que o professor de educação física trabalhe alguns conhecimentos básicos de fisiologia. Estes conhecimentos básicos para que o aluno compreenda as alterações que ocorrem no momento da prática de atividades físicas são:
Alternativas
Q622108 Educação Física
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), os conhecimentos de anatomia se referem, principalmente, à estrutura muscular e óssea e devem ser abordados sob o enfoque:
Alternativas
Q622107 Educação Física
No livro Educação Física na Escola: Implicações para a Prática Pedagógica, coordenado por Darido & Rangel, Silva & Venâncio expõem que uma das grandes inovações decorrentes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a liberdade e autonomia concebidas às escolas, especialmente, através do projeto pedagógico. Para os autores, é possível considerar que:
Alternativas
Q622106 Educação Física
Entre as diferentes abordagens que caracterizam o pensamento pedagógico da educação física escolar se encontra a abordagem da saúde renovada. Sobre esta, é possível afirmar que:
Alternativas
Q622105 Educação Física
Sobre a ideia que fundamenta os jogos cooperativos, é possível considerar que:
Alternativas
Respostas
1281: C
1282: B
1283: A
1284: D
1285: C
1286: A
1287: B
1288: A
1289: B
1290: C
1291: D
1292: B
1293: A
1294: D
1295: A
1296: B
1297: C
1298: C
1299: B
1300: A