Questões de Concurso
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A tabela a seguir fornece os preços médios da saca de 60kg de milho e da saca de 60kg de trigo.
Milho |
R$ 16,00 |
Trigo |
R$ 25,00 |
Em média, é possível fabricar 37L de etanol com 100kg de milho e 35L de etanol com 100kg de trigo.
De acordo com as informações fornecidas e mantidos todos os valores apresentados, assim como as proporções, pode-se concluir corretamente que:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Assinale a opção em que o par de orações NÃO apresenta transformação da voz verbal.
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Em "Afinal, Nova York também é lugar de cultura," (l. 50-51), o termo destacado introduz um novo período, atribuindo a este, em relação ao anterior, a noção de:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
O significado da expressão "tratamento tópico" (l. 62) está, no texto, em oposição a:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Assinale a afirmativa que se comprova no texto.
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
A partir do texto, interpreta-se a capacidade de adaptação, na vida da sociedade, como:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
A alusão ao poema e à opinião do poeta Garcia Lorca reforça os argumentos do autor do texto contra:
As receitas obtidas através das vendas de subprodutos devem ser consideradas como:
Nos termos da Constituição Federal de 1988, a cobrança do Imposto de Renda e de proventos de qualquer natureza apresenta como princípio básico que será pautada nos critérios da generalidade, universalidade e progressividade. O critério da universalidade determina que o tributo deverá ser cobrado:
Entende-se por tributos diretos aqueles que:
Em Contabilidade, o grupo de Resultado de Exercícios Futuros deve ser avaliado:
João Montenegro aplicou em um CDB o valor de R$ 15.000,00, com as seguintes características:
• prazo - 6 meses;
• juros (compostos) - 3% ao mês.
No final do prazo, o investidor vai resgatar, em reais, o valor de:
Um capital de R$ 25.000,00 foi aplicado por sete meses, rendendo de juros R$ 7.875,00. Qual a taxa de juros simples mensal utilizada nessa aplicação?
Um fabricante opera com os seguintes custos e expectativas de vendas:
– Custo variável unitário (por produto fabricado): R$15,00
– Custos fixos totais: R$150.000,00
– Venda esperada (em unidades): 50.000
Se o fabricante desejar realizar uma margem (mark-up) de 10% sobre as vendas, que preço, em reais, deverá cobrar dos fornecedores?
Considere as afirmativas a seguir, sobre a determinação do preço de produtos.
I – A fixação de preços que cubram os custos variáveis e alguns custos fixos justifica-se nos casos em que o principal objetivo de uma empresa é a sobrevivência no mercado.
II – Quando uma empresa determina o preço de seus produtos de acordo com a estratégia de maximização do lucro corrente, do fluxo de caixa ou do retorno do investimento, ela corre o risco de comprometer o desempenho de longo prazo.
III – O lançamento de um produto ao menor preço possível é a estratégia adotada por empresas que desejam maximizar a sua participação de mercado, apostando na sensibilidade a preço do mercado, na redução dos custos unitários e no aumento dos lucros a longo prazo.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):