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Q2403352 Português

INSTRUÇÃO: Leia esta citação de Fernando Pessoa para responder às questões de 7 a 10.

-

“Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cômodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.”

-

Disponível em: www.livroecafe.com.

Acesso em: 27 mar. 2021.

O verbo “esperar”, em suas duas ocorrências no trecho, tem como complemento implícito a noção de

Alternativas
Q2403351 Português

INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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A melhor vingança

-

O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua autoridade paterna.

-

– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai é um simples empregado público que mal ganha para sustentar a família! Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento.

-

Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca; só sei que depois dessa observação do Comendador Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio, onde a rapariga todas as tardes o esperava com um sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva, e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum tempo, começou a consolar-se, porque outro homem, se bem que menos jovem, menos bonito e menos elegante que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois estavam casados.

-

Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu estabelecimento comercial entrou num maravilhoso período de prosperidade.

-

Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro. Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava à janela do seu palacete, em companhia do marido, viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o desgraçado era o Vieirinha.

-

Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou, naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo, e interrogou-a neste sentido.

-

– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te, com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva, ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim, sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma intimação do pai.

-

– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira, que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido em especulações da bolsa tudo quanto possuía.

-

– Pois bem, o Vieirinha ali está!

-

E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra sobre a calçada, e dormia.

-

– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa ocasião de te vingares!

-

– Queres tu melhor vingança?

-

– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei por ti.

-

– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.

-

– Pelo contrário.

-

Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante de si um homem de confiança do Cardoso.

-

– Onde estou eu?

-

– Não se importe. Levante-se para tomar banho!

-

O Vieirínha deixou-se levar como uma criança. Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso, ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:

-

– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em que torne a beber.

-

– Mas a quem devo tantos benefícios?

-

– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho, não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter sabido que a sua regeneração foi uma vingança.

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Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 27 mar. 2022.

Assinale a alternativa em que o advérbio destacado modifica uma palavra que está implícita no trecho.

Alternativas
Q2403349 Português

INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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A melhor vingança

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O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua autoridade paterna.

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– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai é um simples empregado público que mal ganha para sustentar a família! Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento.

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Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca; só sei que depois dessa observação do Comendador Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio, onde a rapariga todas as tardes o esperava com um sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva, e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum tempo, começou a consolar-se, porque outro homem, se bem que menos jovem, menos bonito e menos elegante que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois estavam casados.

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Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu estabelecimento comercial entrou num maravilhoso período de prosperidade.

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Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro. Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava à janela do seu palacete, em companhia do marido, viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o desgraçado era o Vieirinha.

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Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou, naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo, e interrogou-a neste sentido.

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– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te, com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva, ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim, sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma intimação do pai.

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– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira, que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido em especulações da bolsa tudo quanto possuía.

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– Pois bem, o Vieirinha ali está!

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E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra sobre a calçada, e dormia.

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– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa ocasião de te vingares!

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– Queres tu melhor vingança?

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– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei por ti.

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– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.

-

– Pelo contrário.

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Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante de si um homem de confiança do Cardoso.

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– Onde estou eu?

-

– Não se importe. Levante-se para tomar banho!

-

O Vieirínha deixou-se levar como uma criança. Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso, ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:

-

– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em que torne a beber.

-

– Mas a quem devo tantos benefícios?

-

– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho, não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter sabido que a sua regeneração foi uma vingança.

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Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 27 mar. 2022.

É correto afirmar que, na sociedade em que se passa a trama, a diferença entre o emprego do nome e o emprego do apelido de uma pessoa se deve a um fator relacionado a

Alternativas
Q2403348 Português

INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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A melhor vingança

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O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua autoridade paterna.

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– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai é um simples empregado público que mal ganha para sustentar a família! Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento.

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Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca; só sei que depois dessa observação do Comendador Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio, onde a rapariga todas as tardes o esperava com um sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva, e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum tempo, começou a consolar-se, porque outro homem, se bem que menos jovem, menos bonito e menos elegante que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois estavam casados.

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Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu estabelecimento comercial entrou num maravilhoso período de prosperidade.

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Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro. Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava à janela do seu palacete, em companhia do marido, viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o desgraçado era o Vieirinha.

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Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou, naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo, e interrogou-a neste sentido.

-

– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te, com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva, ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim, sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma intimação do pai.

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– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira, que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido em especulações da bolsa tudo quanto possuía.

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– Pois bem, o Vieirinha ali está!

-

E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra sobre a calçada, e dormia.

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– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa ocasião de te vingares!

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– Queres tu melhor vingança?

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– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei por ti.

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– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.

-

– Pelo contrário.

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Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante de si um homem de confiança do Cardoso.

-

– Onde estou eu?

-

– Não se importe. Levante-se para tomar banho!

-

O Vieirínha deixou-se levar como uma criança. Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso, ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:

-

– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em que torne a beber.

-

– Mas a quem devo tantos benefícios?

-

– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho, não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter sabido que a sua regeneração foi uma vingança.

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Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 27 mar. 2022.

Releia este trecho.

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“A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito”.

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A palavra em destaque significa

Alternativas
Q2403347 Português

INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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A melhor vingança

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O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua autoridade paterna.

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– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai é um simples empregado público que mal ganha para sustentar a família! Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento.

-

Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca; só sei que depois dessa observação do Comendador Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio, onde a rapariga todas as tardes o esperava com um sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva, e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum tempo, começou a consolar-se, porque outro homem, se bem que menos jovem, menos bonito e menos elegante que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois estavam casados.

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Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu estabelecimento comercial entrou num maravilhoso período de prosperidade.

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Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro. Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava à janela do seu palacete, em companhia do marido, viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o desgraçado era o Vieirinha.

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Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou, naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo, e interrogou-a neste sentido.

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– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te, com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva, ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim, sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma intimação do pai.

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– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira, que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido em especulações da bolsa tudo quanto possuía.

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– Pois bem, o Vieirinha ali está!

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E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra sobre a calçada, e dormia.

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– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa ocasião de te vingares!

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– Queres tu melhor vingança?

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– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei por ti.

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– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.

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– Pelo contrário.

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Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante de si um homem de confiança do Cardoso.

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– Onde estou eu?

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– Não se importe. Levante-se para tomar banho!

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O Vieirínha deixou-se levar como uma criança. Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso, ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:

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– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em que torne a beber.

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– Mas a quem devo tantos benefícios?

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– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho, não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter sabido que a sua regeneração foi uma vingança.

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Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 27 mar. 2022.

Releia este trecho, observando o emprego da segunda pessoa do singular.

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“Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento”.

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Assinale a alternativa em que esse trecho foi reescrito de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, ao empregar o pronome “você”, no lugar de “tu”.

Alternativas
Q2403345 Português

INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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A melhor vingança

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O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua autoridade paterna.

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– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai é um simples empregado público que mal ganha para sustentar a família! Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento.

-

Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca; só sei que depois dessa observação do Comendador Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio, onde a rapariga todas as tardes o esperava com um sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva, e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum tempo, começou a consolar-se, porque outro homem, se bem que menos jovem, menos bonito e menos elegante que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois estavam casados.

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Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu estabelecimento comercial entrou num maravilhoso período de prosperidade.

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Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro. Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava à janela do seu palacete, em companhia do marido, viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o desgraçado era o Vieirinha.

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Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou, naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo, e interrogou-a neste sentido.

-

– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te, com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva, ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim, sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma intimação do pai.

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– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira, que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido em especulações da bolsa tudo quanto possuía.

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– Pois bem, o Vieirinha ali está!

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E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra sobre a calçada, e dormia.

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– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa ocasião de te vingares!

-

– Queres tu melhor vingança?

-

– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei por ti.

-

– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.

-

– Pelo contrário.

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Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante de si um homem de confiança do Cardoso.

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– Onde estou eu?

-

– Não se importe. Levante-se para tomar banho!

-

O Vieirínha deixou-se levar como uma criança. Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso, ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:

-

– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em que torne a beber.

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– Mas a quem devo tantos benefícios?

-

– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho, não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter sabido que a sua regeneração foi uma vingança.

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Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 27 mar. 2022.

É correto afirmar que a vingança a que o título do conto se refere

Alternativas
Q2020665 Serviço Social
De acordo com as orientações técnicas para o Centro de Referência deAssistência Social (CRAS), o espaço físico do CRAS deve necessariamente possuir ambientes que garantam a oferta do PAIF, além de ambiente específico que garanta o cumprimento de sua função de gestão territorial da proteção social básica.
De acordo com a publicação supracitada, não constitui um espaço que todo CRAS deve dispor:
Alternativas
Q2020664 Serviço Social
São instâncias deliberativas do SUAS, de caráter permanente e composição paritária entre governo e sociedade civil, exceto:
Alternativas
Q2020663 Serviço Social
As ações das três esferas de governo na área de Assistência Social realizam-se de forma articulada, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e execução dos programas, em suas respectivas esferas, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.
Com base na Lei nº 8.742, de 7 de setembro de 1993 (LOAS), não compete aos estados: 
Alternativas
Q2020662 Direito Constitucional
São objetivos da Seguridade Social brasileira, descritos na Constituição Federal, exceto:
Alternativas
Q2020661 Serviço Social
São objetivos do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e indivíduos (PAEFI), exceto:
Alternativas
Q2020660 Serviço Social
De acordo com o estabelecido pela Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, não devem ser usuários do Serviço de Proteção e Atendimento Integral a Família (PAIF):
Alternativas
Q2020659 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Com base nos pressupostos estabelecidos no Estatuto da Criança e Adolescente acerca da adoção, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2020658 Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741 de 2003
Tendo em vista os direitos fundamentais elencados na Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, Estatuto do Idoso, assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q2020657 Serviço Social
Acerca das políticas públicas de transferência de renda na América Latina e Caribe, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q2020656 Serviço Social
A gestão das ações na área de Assistência Social é organizada sob a forma de sistema descentralizado e participativo, denominado Sistema Único de
Assistência Social (SUAS). Esse sistema tem como objetivo, exceto:
Alternativas
Q2020630 Contabilidade Pública
A Norma Brasileira de Contabilidade NBC TSP 08 – Intangível, estabelece o tratamento contábil dos ativos intangíveis para as entidades do setor público.
Com relação ao que preconiza essa norma, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2020629 Contabilidade Pública
Com relação aos demonstrativos fiscais, assinale a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q2020628 Auditoria
De acordo com Castro (2011), em seu livro Auditoria, Contabilidade e Controle Interno no Setor Público, o controle interno é de suma importância para as entidades do setor público. Nesse sentido, considere as afirmativas embasadas na obra anteriormente citada.
I. De acordo com o Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA), o controle interno pode ser dividido em controles administrativos e controles contábeis. II. Entre as finalidades do controle interno, estão a estimulação à obediência e o respeito às políticas traçadas, bem como a proteção dos ativos. III. A preocupação com o controle interno está intimamente ligada a dois fatores básicos: imagem do administrador e risco para o patrimônio da entidade.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
Alternativas
Q2020627 Direito Administrativo
Com relação ao processo de compras públicas, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.
( ) A existência de preços registrados obriga a Administração a firmar as contratações que deles poderão advir, ficando-lhe facultada a utilização de outros meios, respeitada a legislação relativa às licitações. ( ) Para a legislação pertinente às compras públicas, considera-se contratante a pessoa física ou jurídica, ou consórcio de pessoas jurídicas, que participa ou manifesta a intenção de participar de processo licitatório. ( ) Entre as modalidades de licitação, tem-se a concorrência, que é licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. ( ) Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação dos recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa.
Assinale a sequência correta.
Alternativas
Respostas
301: A
302: C
303: A
304: B
305: D
306: C
307: D
308: B
309: B
310: B
311: B
312: C
313: C
314: D
315: A
316: C
317: D
318: C
319: A
320: B