Questões de Concurso Para prefeitura de porangatu - go

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Q3591050 Português
Assinale a alternativa que possui uma metáfora.
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Q3591049 Português
Acerca do fragmento a seguir, é correto afirmar que

“A vida aqui só é ruim/ quando não chove no chão,/ mas se chover dá de tudo/ fartura tem de porção [...]”
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Q3591048 Português
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir:

As crianças ___acesso à tecnologia desde muito cedo, o que ___as concentradas e distraídas por longas horas de seu dia, enquanto os pais ___ se ocupados com outros assuntos. Muitas vezes eles não ___riscos para seus filhos nessa rotina de intimidade com as telas e nem ___consequentes prejuízos.
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Q3591047 Português
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir:

Na sociedade em que vivemos, ___ mulheres ainda se cobra que sejam mães dedicadas, que possuam, todas, o chamado instinto materno, e por isso jamais abandonem suas crias. Aos homens não é exigido instinto paterno; no máximo, reconhecimento de paternidade, o que nada tem ___ ver com dedicação e não os exime da ação de abandonar. Cabe ___ mãe, na maioria dos casos, exercer dois papéis; ___ vezes, sem direito ___ outra escolha [...]
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Q3591046 Português
Texto para a questão.


    Ana Clara, de 17 anos, está prestes a concluir a última etapa da formação básica, o Ensino Médio. Aluna da terceira série de uma escola pública da região metropolitana de São Paulo, sua história ilustra os abismos educacionais que os estudantes brasileiros experimentaram nos últimos anos.

    Um breve histórico: em 2020, ela e outros milhões de estudantes brasileiros iniciaram o Ensino Médio durante a pandemia. Apesar dos esforços para não deixar os estudos de lado, ficou evidente que as telas dos celulares não foram suficientes para proporcionar uma qualidade de formação adequada aos jovens. 

[...]


Por CAMILA DA SILVA E ANA LUIZA BASILIO | 15.08.2023 05H11- Carta Capital
Pode-se afirmar que 
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Q3591045 Português
Texto para a questão.


    Ana Clara, de 17 anos, está prestes a concluir a última etapa da formação básica, o Ensino Médio. Aluna da terceira série de uma escola pública da região metropolitana de São Paulo, sua história ilustra os abismos educacionais que os estudantes brasileiros experimentaram nos últimos anos.

    Um breve histórico: em 2020, ela e outros milhões de estudantes brasileiros iniciaram o Ensino Médio durante a pandemia. Apesar dos esforços para não deixar os estudos de lado, ficou evidente que as telas dos celulares não foram suficientes para proporcionar uma qualidade de formação adequada aos jovens. 

[...]


Por CAMILA DA SILVA E ANA LUIZA BASILIO | 15.08.2023 05H11- Carta Capital
Em “Em 2020, ela e outros milhões de estudantes brasileiros iniciaram o Ensino Médio/ durante a pandemia”, as palavras em negrito são respectivamente:
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Q3591044 Português
Assinale a opção cujas palavras grifadas sejam todas pronomes.
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Q3591043 Português
Encontra-se correta a concordância do verbo grifado na seguinte sentença:
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Q3591042 Português
Marque a opção em que todas as palavras estão escritas corretamente.
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Q3591041 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras são acentuadas pela mesma razão.
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Q3591036 Noções de Informática
Em relação ao pacote Office da Microsoft, qual o software criado e próprio para exercer as funções de preencher texto com uma imagem, definir, criar molduras para imagem, inserir vídeos do YouTube na apresentação, habilitar o play automático em vídeos, gerar lorem ipsum em caixas de texto, criar botões clicáveis e combinar formas:
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Q3591032 Legislação dos Municípios do Estado de Goiás
Com base na Lei Orgânica de Porangatu, analise as assertivas e assinale a incorreta:
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Q3591031 Português
Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Pneu furado

Luís Fernando Veríssimo


   O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.

   Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo “Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.

     ─ Você tem macaco? ─ perguntou o homem.

     ─ Não ─ respondeu a moça.

     ─ Tudo bem, eu tenho ─ disse o homem ─ Você tem estepe?

     ─ Não ─ disse a moça.

     ─ Vamos usar o meu ─ disse o homem.

    E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça.

   Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.

   Dali a pouco chegou o dono do carro.

    ─ Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.

   ─ É. Eu… Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.

   ─ Coisa estranha.

   ─ É uma compulsão. Sei lá.


Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2017/12/texto-pneu-furado-luisfernando.html. Acesso em 15 ago. 2023.
No trecho “─ Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.”, pode-se afirmar que o termo “pra” é um exemplo de linguagem
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Q3591030 Literatura

Leia o texto e, a seguir, responda a questão.



LEMBRANÇA DE MORRER


Álvares de Azevedo


Quando em meu peito rebentar-se a fibra,


Que o espírito enlaça à dor vivente,


Não derramem por mim nenhuma lágrima


Em pálpebra demente.



E nem desfolhem na matéria impura


A flor do vale que adormece ao vento:


Não quero que uma nota de alegria


Se cale por meu triste passamento.



Eu deixo a vida como deixa o tédio


Do deserto, o poento caminheiro,


... Como as horas de um longo pesadelo


Que se desfaz ao dobre de um sineiro;



Como o desterro de minh’alma errante,


Onde fogo insensato a consumia:


Só levo uma saudade... é desses tempos


Que amorosa ilusão embelecia.



Só levo uma saudade... é dessas sombras


Que eu sentia velar nas noites minhas...


De ti, ó minha mãe, pobre coitada,


Que por minha tristeza te definhas!



De meu pai... de meus únicos amigos,


Pouco - bem poucos... e que não zombavam


Quando, em noites de febre endoudecido,


Minhas pálidas crenças duvidavam.


Se uma lágrima as pálpebras me inunda,


Se um suspiro nos seios treme ainda,


É pela virgem que sonhei... que nunca


Aos lábios me encostou a face linda!



Só tu à mocidade sonhadora


Do pálido poeta deste flores...


Se viveu, foi por ti! e de esperança


De na vida gozar de teus amores.



Beijarei a verdade santa e nua,


Verei cristalizar-se o sonho amigo...


Ó minha virgem dos errantes sonhos,


Filha do céu, eu vou amar contigo!



Descansem o meu leito solitário


Na floresta dos homens esquecida,


À sombra de uma cruz, e escrevam nela:


Foi poeta - sonhou - e amou na vida.



Sombras do vale, noites da montanha


Que minha alma cantou e amava tanto,


Protegei o meu corpo abandonado,


E no silêncio derramai-lhe canto!



Mas quando preludia ave d’aurora


E quando à meia-noite o céu repousa,


Arvoredos do bosque, abri os ramos...


Deixai a lua pratear-me a lousa!



Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/a-segundageracao-romantismo.htm1- Acesso em 10 ago. 2023. 













O tema deste poema é 
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Q3591029 Literatura

Leia o texto e, a seguir, responda a questão.



LEMBRANÇA DE MORRER


Álvares de Azevedo


Quando em meu peito rebentar-se a fibra,


Que o espírito enlaça à dor vivente,


Não derramem por mim nenhuma lágrima


Em pálpebra demente.



E nem desfolhem na matéria impura


A flor do vale que adormece ao vento:


Não quero que uma nota de alegria


Se cale por meu triste passamento.



Eu deixo a vida como deixa o tédio


Do deserto, o poento caminheiro,


... Como as horas de um longo pesadelo


Que se desfaz ao dobre de um sineiro;



Como o desterro de minh’alma errante,


Onde fogo insensato a consumia:


Só levo uma saudade... é desses tempos


Que amorosa ilusão embelecia.



Só levo uma saudade... é dessas sombras


Que eu sentia velar nas noites minhas...


De ti, ó minha mãe, pobre coitada,


Que por minha tristeza te definhas!



De meu pai... de meus únicos amigos,


Pouco - bem poucos... e que não zombavam


Quando, em noites de febre endoudecido,


Minhas pálidas crenças duvidavam.


Se uma lágrima as pálpebras me inunda,


Se um suspiro nos seios treme ainda,


É pela virgem que sonhei... que nunca


Aos lábios me encostou a face linda!



Só tu à mocidade sonhadora


Do pálido poeta deste flores...


Se viveu, foi por ti! e de esperança


De na vida gozar de teus amores.



Beijarei a verdade santa e nua,


Verei cristalizar-se o sonho amigo...


Ó minha virgem dos errantes sonhos,


Filha do céu, eu vou amar contigo!



Descansem o meu leito solitário


Na floresta dos homens esquecida,


À sombra de uma cruz, e escrevam nela:


Foi poeta - sonhou - e amou na vida.



Sombras do vale, noites da montanha


Que minha alma cantou e amava tanto,


Protegei o meu corpo abandonado,


E no silêncio derramai-lhe canto!



Mas quando preludia ave d’aurora


E quando à meia-noite o céu repousa,


Arvoredos do bosque, abri os ramos...


Deixai a lua pratear-me a lousa!



Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/a-segundageracao-romantismo.htm1- Acesso em 10 ago. 2023. 













O poema “Lembrança de Morrer”, do livro Lira dos 20 anos, de Álvares de Azevedo, pertence ao romantismo da segunda geração porque
Alternativas
Q3591028 Português

Leia o texto e, a seguir responda a questão.




Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2021/10/tirinha-hagarhamburguer-coesao-dik.html. Acesso em: 19 ago. 2023.

No trecho “Quero completo, mas suspenda o pepino”, a palavra “pepino” considerando o contexto do texto pode ser substituída sem prejuízo de sentido por
Alternativas
Q3591027 Português

Leia o texto e, a seguir responda a questão.




Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2021/10/tirinha-hagarhamburguer-coesao-dik.html. Acesso em: 19 ago. 2023.

Neste texto é correto afirmar que
Alternativas
Q3591026 Português
Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Machado de Assis e a choradeira dos críticos

Danilo Venticinque


    Lançar versões simplificadas de clássicos da literatura é uma prática comum em qualquer país do mundo. A inexplicável polêmica sobre a adaptação de O alienista para leitores jovens confirmou uma verdade tão antiga quanto a obra de Machado de Assis: a crítica literária brasileira tem o péssimo hábito de só abrir a boca para reclamar.

     Há exceções, é claro. Mas acompanhei o empoeirado "debate" sobre a questão com tanta preguiça que, em vez de apontar os culpados e inocentes, prefiro jogar as carapuças para o alto. Azar de quem decidir vesti-las.

    Para quem não está por dentro da discussão (que inveja!), ofereço aqui uma versão resumida e simplificada dos fatos. Na semana passada, os críticos literários brasileiros despertaram de suas catacumbas ao ler a notícia de que a escritora Patrícia Secco lançaria versões adaptadas de O alienista, de Machado de Assis, e A pata da gazela, de José de Alencar. As duas obras serão distribuídas de graça pelo Instituto Brasil Leitor, com uma tiragem total de 600 mil exemplares. O objetivo é tornar clássicos da literatura brasileira mais acessíveis para quem não tem o hábito de ler.

    Num país em que metade da população não leu uma só página de um livro nos últimos três meses e a média de tempo dedicado à leitura por dia é seis minutos, qualquer iniciativa para divulgar a literatura deveria ser bem-vinda. Mesmo se a qualidade das adaptações de Patrícia se revelar duvidosa, é impossível que a distribuição de centenas de milhares de livros tenha algum impacto negativo.

  Como já era previsto, porém, a iniciativa provocou indignação. Surgiu um abaixo-assinado para impedir o lançamento da edição simplificada. Alguns disseram que ela deturparia a obra original. Outros, que a leitura das obras na versão adaptada tiraria dos leitores a oportunidade de enriquecer seu vocabulário. Houve até quem dissesse que as adaptações em si nem são uma ideia tão ruim, mas que Machado era intocável.

  Entre essas justificativas para a revolta, é difícil dizer qual é a mais fraca. Os defensores da "integridade" da obra parecem acreditar que o lançamento da versão adaptada teria algum efeito destrutivo sobre o original. O raciocínio é absurdo. Obras literárias inspiram paródias e adaptações desde sempre. Em vez de destruir a obra, cada nova versão ajuda a divulgá-la e aumentar seu alcance. Os livros de Machado de Assis não serão banidos das livrarias e da internet. Eles sempre estarão disponíveis para quem preferir lê-los no original. Não há motivo para histeria. Acreditar que as versões simplificadas de Machado de Assis emburrecerão a população é igualmente errôneo. Quem defende esse argumento parte do pressuposto de que vivemos num país de leitores ávidos de Machado de Assis que, por pura preguiça, trocarão a versão original pela adaptação e deixarão de enriquecer seu vocabulário. Nada mais distante da realidade. A grande maioria dos alunos foge da leitura obrigatória depois de esbarrar na primeira palavra difícil e recorre a resumos (ou à cola) para acertar a meia dúzia de questões dedicadas a Machado nas provas escolares. Muitos jamais dão outra chance aos clássicos da literatura. Uma versão simplificada poderia diminuir o choque e prepará-los para descobrir a obra original mais tarde, quando estiverem prontos.

   Por fim, não há nenhuma justificativa para a crença de que Machado de Assis é intocável e não deve ser adaptado. As livrarias estão cheias de adaptações de Shakespeare, Homero e outros clássicos indiscutíveis da literatura. Se eles podem ser adaptados, por que não Machado?

   O que mais me chama atenção no discurso de quem critica as adaptações de Machado de Assis é a falta de propostas. Se adaptar Machado de Assis é uma heresia, o que deve ser feito para incentivar a leitura no Brasil? A resposta de todos os defensores da integridade da literatura brasileira aparentemente é a mesma. Devemos obrigar estudantes a ler Machado de Assis na versão original e assistir, orgulhosos, ao surgimento de uma nova geração de leitores cultos e apaixonados pelos clássicos.

  Parece promissor. Mas é isso o que as nossas escolas já fazem há décadas. Não funciona. Aliás, Machado de Assis provavelmente detestaria saber que suas obras-primas são desperdiçadas em adolescentes que, em sua maioria, não têm paciência nem maturidade para entendê-las. 

   As versões originais de Machado de Assis sempre serão melhores do que qualquer adaptação. Disso, não há dúvida. O que os críticos puristas precisam entender é que a questão não é essa. Não existe uma disputa entre a versão original e a simplificada. A versão original já está disponível em inúmeros formatos para estudantes que, por diversos motivos, não passam das primeiras páginas. Para eles, a escolha é entre ler uma versão adaptada e simplesmente não ler. Uma adaptação, por mais rasteira que seja, pode ajudá-los a criar o hábito da leitura. É pouco. Mas é melhor do que nada.


Disponível em: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/daniloventicinque/noticia/2014/05/machado-de-assis-e-bchoradeira-dos-criticosb.html. Acesso em: 18 ago. 2023. 
O autor do texto defende a opinião de que 
Alternativas
Q3591025 Português
Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Machado de Assis e a choradeira dos críticos

Danilo Venticinque


    Lançar versões simplificadas de clássicos da literatura é uma prática comum em qualquer país do mundo. A inexplicável polêmica sobre a adaptação de O alienista para leitores jovens confirmou uma verdade tão antiga quanto a obra de Machado de Assis: a crítica literária brasileira tem o péssimo hábito de só abrir a boca para reclamar.

     Há exceções, é claro. Mas acompanhei o empoeirado "debate" sobre a questão com tanta preguiça que, em vez de apontar os culpados e inocentes, prefiro jogar as carapuças para o alto. Azar de quem decidir vesti-las.

    Para quem não está por dentro da discussão (que inveja!), ofereço aqui uma versão resumida e simplificada dos fatos. Na semana passada, os críticos literários brasileiros despertaram de suas catacumbas ao ler a notícia de que a escritora Patrícia Secco lançaria versões adaptadas de O alienista, de Machado de Assis, e A pata da gazela, de José de Alencar. As duas obras serão distribuídas de graça pelo Instituto Brasil Leitor, com uma tiragem total de 600 mil exemplares. O objetivo é tornar clássicos da literatura brasileira mais acessíveis para quem não tem o hábito de ler.

    Num país em que metade da população não leu uma só página de um livro nos últimos três meses e a média de tempo dedicado à leitura por dia é seis minutos, qualquer iniciativa para divulgar a literatura deveria ser bem-vinda. Mesmo se a qualidade das adaptações de Patrícia se revelar duvidosa, é impossível que a distribuição de centenas de milhares de livros tenha algum impacto negativo.

  Como já era previsto, porém, a iniciativa provocou indignação. Surgiu um abaixo-assinado para impedir o lançamento da edição simplificada. Alguns disseram que ela deturparia a obra original. Outros, que a leitura das obras na versão adaptada tiraria dos leitores a oportunidade de enriquecer seu vocabulário. Houve até quem dissesse que as adaptações em si nem são uma ideia tão ruim, mas que Machado era intocável.

  Entre essas justificativas para a revolta, é difícil dizer qual é a mais fraca. Os defensores da "integridade" da obra parecem acreditar que o lançamento da versão adaptada teria algum efeito destrutivo sobre o original. O raciocínio é absurdo. Obras literárias inspiram paródias e adaptações desde sempre. Em vez de destruir a obra, cada nova versão ajuda a divulgá-la e aumentar seu alcance. Os livros de Machado de Assis não serão banidos das livrarias e da internet. Eles sempre estarão disponíveis para quem preferir lê-los no original. Não há motivo para histeria. Acreditar que as versões simplificadas de Machado de Assis emburrecerão a população é igualmente errôneo. Quem defende esse argumento parte do pressuposto de que vivemos num país de leitores ávidos de Machado de Assis que, por pura preguiça, trocarão a versão original pela adaptação e deixarão de enriquecer seu vocabulário. Nada mais distante da realidade. A grande maioria dos alunos foge da leitura obrigatória depois de esbarrar na primeira palavra difícil e recorre a resumos (ou à cola) para acertar a meia dúzia de questões dedicadas a Machado nas provas escolares. Muitos jamais dão outra chance aos clássicos da literatura. Uma versão simplificada poderia diminuir o choque e prepará-los para descobrir a obra original mais tarde, quando estiverem prontos.

   Por fim, não há nenhuma justificativa para a crença de que Machado de Assis é intocável e não deve ser adaptado. As livrarias estão cheias de adaptações de Shakespeare, Homero e outros clássicos indiscutíveis da literatura. Se eles podem ser adaptados, por que não Machado?

   O que mais me chama atenção no discurso de quem critica as adaptações de Machado de Assis é a falta de propostas. Se adaptar Machado de Assis é uma heresia, o que deve ser feito para incentivar a leitura no Brasil? A resposta de todos os defensores da integridade da literatura brasileira aparentemente é a mesma. Devemos obrigar estudantes a ler Machado de Assis na versão original e assistir, orgulhosos, ao surgimento de uma nova geração de leitores cultos e apaixonados pelos clássicos.

  Parece promissor. Mas é isso o que as nossas escolas já fazem há décadas. Não funciona. Aliás, Machado de Assis provavelmente detestaria saber que suas obras-primas são desperdiçadas em adolescentes que, em sua maioria, não têm paciência nem maturidade para entendê-las. 

   As versões originais de Machado de Assis sempre serão melhores do que qualquer adaptação. Disso, não há dúvida. O que os críticos puristas precisam entender é que a questão não é essa. Não existe uma disputa entre a versão original e a simplificada. A versão original já está disponível em inúmeros formatos para estudantes que, por diversos motivos, não passam das primeiras páginas. Para eles, a escolha é entre ler uma versão adaptada e simplesmente não ler. Uma adaptação, por mais rasteira que seja, pode ajudá-los a criar o hábito da leitura. É pouco. Mas é melhor do que nada.


Disponível em: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/daniloventicinque/noticia/2014/05/machado-de-assis-e-bchoradeira-dos-criticosb.html. Acesso em: 18 ago. 2023. 
No trecho, “As livrarias estão cheias de adaptações de Shakespeare, Homero e outros clássicos indiscutíveis da literatura. Se eles podem ser adaptados, por que não Machado?”, a palavra “Machado” corresponde a uma
Alternativas
Q3591024 Português
Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Machado de Assis e a choradeira dos críticos

Danilo Venticinque


    Lançar versões simplificadas de clássicos da literatura é uma prática comum em qualquer país do mundo. A inexplicável polêmica sobre a adaptação de O alienista para leitores jovens confirmou uma verdade tão antiga quanto a obra de Machado de Assis: a crítica literária brasileira tem o péssimo hábito de só abrir a boca para reclamar.

     Há exceções, é claro. Mas acompanhei o empoeirado "debate" sobre a questão com tanta preguiça que, em vez de apontar os culpados e inocentes, prefiro jogar as carapuças para o alto. Azar de quem decidir vesti-las.

    Para quem não está por dentro da discussão (que inveja!), ofereço aqui uma versão resumida e simplificada dos fatos. Na semana passada, os críticos literários brasileiros despertaram de suas catacumbas ao ler a notícia de que a escritora Patrícia Secco lançaria versões adaptadas de O alienista, de Machado de Assis, e A pata da gazela, de José de Alencar. As duas obras serão distribuídas de graça pelo Instituto Brasil Leitor, com uma tiragem total de 600 mil exemplares. O objetivo é tornar clássicos da literatura brasileira mais acessíveis para quem não tem o hábito de ler.

    Num país em que metade da população não leu uma só página de um livro nos últimos três meses e a média de tempo dedicado à leitura por dia é seis minutos, qualquer iniciativa para divulgar a literatura deveria ser bem-vinda. Mesmo se a qualidade das adaptações de Patrícia se revelar duvidosa, é impossível que a distribuição de centenas de milhares de livros tenha algum impacto negativo.

  Como já era previsto, porém, a iniciativa provocou indignação. Surgiu um abaixo-assinado para impedir o lançamento da edição simplificada. Alguns disseram que ela deturparia a obra original. Outros, que a leitura das obras na versão adaptada tiraria dos leitores a oportunidade de enriquecer seu vocabulário. Houve até quem dissesse que as adaptações em si nem são uma ideia tão ruim, mas que Machado era intocável.

  Entre essas justificativas para a revolta, é difícil dizer qual é a mais fraca. Os defensores da "integridade" da obra parecem acreditar que o lançamento da versão adaptada teria algum efeito destrutivo sobre o original. O raciocínio é absurdo. Obras literárias inspiram paródias e adaptações desde sempre. Em vez de destruir a obra, cada nova versão ajuda a divulgá-la e aumentar seu alcance. Os livros de Machado de Assis não serão banidos das livrarias e da internet. Eles sempre estarão disponíveis para quem preferir lê-los no original. Não há motivo para histeria. Acreditar que as versões simplificadas de Machado de Assis emburrecerão a população é igualmente errôneo. Quem defende esse argumento parte do pressuposto de que vivemos num país de leitores ávidos de Machado de Assis que, por pura preguiça, trocarão a versão original pela adaptação e deixarão de enriquecer seu vocabulário. Nada mais distante da realidade. A grande maioria dos alunos foge da leitura obrigatória depois de esbarrar na primeira palavra difícil e recorre a resumos (ou à cola) para acertar a meia dúzia de questões dedicadas a Machado nas provas escolares. Muitos jamais dão outra chance aos clássicos da literatura. Uma versão simplificada poderia diminuir o choque e prepará-los para descobrir a obra original mais tarde, quando estiverem prontos.

   Por fim, não há nenhuma justificativa para a crença de que Machado de Assis é intocável e não deve ser adaptado. As livrarias estão cheias de adaptações de Shakespeare, Homero e outros clássicos indiscutíveis da literatura. Se eles podem ser adaptados, por que não Machado?

   O que mais me chama atenção no discurso de quem critica as adaptações de Machado de Assis é a falta de propostas. Se adaptar Machado de Assis é uma heresia, o que deve ser feito para incentivar a leitura no Brasil? A resposta de todos os defensores da integridade da literatura brasileira aparentemente é a mesma. Devemos obrigar estudantes a ler Machado de Assis na versão original e assistir, orgulhosos, ao surgimento de uma nova geração de leitores cultos e apaixonados pelos clássicos.

  Parece promissor. Mas é isso o que as nossas escolas já fazem há décadas. Não funciona. Aliás, Machado de Assis provavelmente detestaria saber que suas obras-primas são desperdiçadas em adolescentes que, em sua maioria, não têm paciência nem maturidade para entendê-las. 

   As versões originais de Machado de Assis sempre serão melhores do que qualquer adaptação. Disso, não há dúvida. O que os críticos puristas precisam entender é que a questão não é essa. Não existe uma disputa entre a versão original e a simplificada. A versão original já está disponível em inúmeros formatos para estudantes que, por diversos motivos, não passam das primeiras páginas. Para eles, a escolha é entre ler uma versão adaptada e simplesmente não ler. Uma adaptação, por mais rasteira que seja, pode ajudá-los a criar o hábito da leitura. É pouco. Mas é melhor do que nada.


Disponível em: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/daniloventicinque/noticia/2014/05/machado-de-assis-e-bchoradeira-dos-criticosb.html. Acesso em: 18 ago. 2023. 
Este texto pode ser caracterizado como
Alternativas
Respostas
101: A
102: C
103: A
104: D
105: B
106: C
107: B
108: D
109: B
110: A
111: B
112: C
113: A
114: D
115: D
116: B
117: D
118: B
119: A
120: B