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Q3907231 Redação Oficial
Assinale a alternativa que apresenta um enunciado correto, de acordo com as normas da redação técnica oficial, para um locutor se dirigir diretamente a um Presidente da República. 
Alternativas
Q3907230 Português
“A aparência diz pouco. Só a poesia mostra o real.” (Adélia Prado)

No pensamento acima, ao associar a “aparência” à ação de dizer e a “poesia” à ação de mostrar, vigora aí a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q3907229 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Amizades definitivas



      Amizade vai além do momento.


     É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.


   Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.


    Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.


   Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.


  Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.


   Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.


   Amigo mesmo é (...) aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.


   Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.



CARPINEJAR, Fabrício. Amizades definitivas. 4 crônicas

sobre amizade. Disponível em

<https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-sobreamizade-fabricio-carpinejar>. 

A expressão “circunscritos a uma vizinhança etária”, empregada no texto, é sinônima de:
Alternativas
Q3907228 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Amizades definitivas



      Amizade vai além do momento.


     É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.


   Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.


    Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.


   Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.


  Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.


   Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.


   Amigo mesmo é (...) aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.


   Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.



CARPINEJAR, Fabrício. Amizades definitivas. 4 crônicas

sobre amizade. Disponível em

<https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-sobreamizade-fabricio-carpinejar>. 

“Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos.”



A locução destacada no trecho acima tem o sentido de:

Alternativas
Q3907227 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Amizades definitivas



      Amizade vai além do momento.


     É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.


   Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.


    Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.


   Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.


  Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.


   Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.


   Amigo mesmo é (...) aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.


   Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.



CARPINEJAR, Fabrício. Amizades definitivas. 4 crônicas

sobre amizade. Disponível em

<https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-sobreamizade-fabricio-carpinejar>. 

O texto “Amizades definitivas” é predominantemente:
Alternativas
Q3907131 Português

“Professores são antes de tudo trabalhadores. Pessoas que possuem rotinas, direitos, contas a pagar, seres que sonham em conquistar reconhecimento, respeito e, claro, transformar o mundo, mas sem esperar que isso seja um fardo ou um sonho heroico de cinema. O professor se torna um agente transformador quando reconhece seus limites e os dos outros – é aí que ele opera grandes transformações, por vezes silenciosas e de longa duração.”


Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br (adaptado)



O coesivo “quando” em “O professor se torna um agente transformador quando reconhece seus limites e os dos outros...” poderia ser substituído, sem alteração do sentido original do texto, por: 

Alternativas
Q3907130 Português

“Nas últimas décadas, ampliou-se o acesso à educação escolar no país, ofertou-se o ensino institucionalizado às diferentes camadas sociais, conquistou-se um espaço para o desenvolvimento do cidadão e a construção da cidadania. Busca-se agora, para garantir o direito à educação, a implementação de políticas públicas eficientes de atendimento à criança e ao adolescente...”.


Eliana Maria França Carneiro



Sobre o texto acima, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3907129 Português

“É pela linguagem que nossas vivências e experiências se convertem em conhecimento. É por ela que construímos nossos mundos, ampliando significados que conseguimos dar às palavras e aos conceitos, ao mesmo tempo que introduzimos novas palavras e conceitos novos a partir da vivência de diferentes fenômenos e experiências.”


Roque Moraes



O primeiro período do texto, acima, poderia ser reescrito CORRETAMENTE na alternativa:

Alternativas
Q3907128 Português

“O papel do professor é primordial na formação do indivíduo e, por consequência, da sociedade. A história da humanidade conta com inúmeros personagens, desde os grandes pensadores e pesquisadores, homens das letras, artes e ciência, até pais, mães e chefes de pequenas comunidades, que se tornaram importantes mestres na difusão de conhecimentos e culturas.”


Disponível em: https://www.extraclasse.org.br



No texto acima, a relação estabelecida entre “de conhecimentos e culturas” e “difusão” é de: 

Alternativas
Q3907127 Português

“Buscar um melhor ordenamento do ambiente urbano primando pela qualidade de vida da população é trabalhar por uma cidade sustentável. Melhorar a mobilidade urbana, a poluição sonora e atmosférica, o descarte de resíduos sólidos, eficiência energética, economia de água, entre outros aspectos, contribuem para tornar uma cidade sustentável.”


Disponível em: https://antigo.mma.gov.br



A última oração do texto acima expressa valor semântico de:

Alternativas
Q3907126 Português

“No mundo da emoção as palavras-chaves são ‘treinamento’ e ‘educação’. Você precisa treinar sua emoção para ser feliz. Você precisa educá-la para superar perdas e as frustrações. Caso contrário, sua emoção nunca será estável e nem capaz de contemplar o belo nos pequenos eventos da rotina diária.”


Augusto Cury



O recurso coesivo “caso contrário” pode ser substituído, sem perda do sentido expresso no texto, por:

Alternativas
Q3907125 Português

“Engraçado é que nós, humanos, não sabemos ao certo nem quem somos de fato, mas temos a petulância de afirmar coisas que ultrapassam o limite da imaginação. Aliás, adoro me basear na lógica...”.


Diego Góes


No texto, acima, a palavra “petulância” equivale semanticamente à:

Alternativas
Q3907123 Português

Rios sem discurso


“Quando um rio corta, corta-se de vez


o discurso-rio de água que ele fazia;


cortado, a água se quebra em pedaços,


em poços de água, em água paralítica.


Em situação de poço, a água equivale


a uma palavra em situação dicionária:


isolada, estanque no poço dela mesma,


e porque assim estanque, estancada;


e mais: porque assim estancada, muda,


e muda porque com nenhuma comunica,


porque cortou-se a sintaxe desse rio,


o fio de água por que ele discorria.” 


João Cabral de Melo Neto



Na estrofe acima, além da função poética da linguagem, o poeta através do título, evidencia a relação entre o discurso e a água. Essa função da linguagem é denominada: 

Alternativas
Q3907122 Linguística

“Atento ao olhar de luminosidade


Esquadrinha a geometria de um flagrante


Magnífica captura de um insight


Doce acalanto da imortalidade evidente.”


Isa Colli



Fragrante


Assim como o aroma


Você me transforma!


Mirando o universo


Deixa-me no ar


A cada vento


De todos os momentos,


Não me esqueço De você inadmissível


Fragrância


Vinda de todas


As partes do universo!


Valter Bitencourt Júnior



Nos vocábulos destacados, nos textos acima, ocorre um fenômeno semântico denominado: 

Alternativas
Q3907121 Português

“A figura de linguagem _______________ também é conhecida como concordância ideológica. Ela acontece toda vez que uma palavra deixa de concordar gramaticalmente com outras palavras ou expressões presentes na frase e passa a concordar com o sentido ideológico delas.”


Disponível em: https://www.figurasdelinguagem.com



Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE a lacuna do texto acima.

Alternativas
Q3907119 Português

“A ortografia é o sistema de representação convencional de uma língua na sua vertente escrita. A este sistema de representar a grafia de cada palavra chegam os estudiosos técnicos levando em conta a lição dos critérios fonéticos, fonológicos, morfológicos, sintáticos, etimológicos e de tradição cultural.”


Disponível em: https://www.academia.org.br (fragmento)



Com base no texto acima, assinale a alternativa que contém um vocábulo com a grafia inadequada. 

Alternativas
Q3907118 Português

“A Academia Brasileira de Letras apresenta palavras ou expressões que passaram a ter uso corrente na língua portuguesa, podendo ser neologismos, empréstimos linguísticos ou mesmo vocábulos que, apesar de já existirem há algum tempo na língua, têm sido usados com mais frequência ou com um novo sentido nos dias de hoje.


A criação, o uso e a difusão de uma nova palavra ou expressão vêm da necessidade que temos de nomear algo que faz parte da nossa realidade ou que nossa inteligência e percepção foram capazes de identificar com mais intensidade. Conhecer o significado de novas palavras enriquece nosso vocabulário e nos faz mergulhar na atmosfera intelectual em que vivemos. Mais do que isso, contribui para o pleno desenvolvimento de nossa capacidade de comunicação, amplia a compreensão que temos do mundo e nos torna aptos a identificar problemas, buscar soluções e sermos agentes de mudança em prol de uma sociedade mais humana, ética e justa.”


Disponível em: https://www.academia.org.br



Assinale a alternativa em que os termos sublinhados estabelecem uma relação de regência nominal. 

Alternativas
Q3906456 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No sexto período do texto, o trecho introduzido pelo sinal de dois-pontos empregado após o vocábulo “autoridade” consiste na explicitação do termo que está elíptico em “o de maior autoridade”.

Alternativas
Q3906455 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


Pela construção dos sentidos do trecho “Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo” (antepenúltimo período), é correto concluir que o termo “lhes” remete a “príncipes”.

Alternativas
Q3906452 Português
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.


No trecho “se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio” (penúltimo período), a estrutura sintática “o que se lhes não deve” corresponde a o que não lhes é devido. 

Alternativas
Respostas
18121: D
18122: B
18123: C
18124: B
18125: A
18126: E
18127: B
18128: A
18129: D
18130: C
18131: A
18132: C
18133: E
18134: D
18135: A
18136: B
18137: E
18138: E
18139: C
18140: C