O texto “Amizades definitivas” é predominantemente:

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Q3907227 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Amizades definitivas



      Amizade vai além do momento.


     É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.


   Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.


    Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.


   Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.


  Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.


   Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.


   Amigo mesmo é (...) aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.


   Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.



CARPINEJAR, Fabrício. Amizades definitivas. 4 crônicas

sobre amizade. Disponível em

<https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-sobreamizade-fabricio-carpinejar>. 

O texto “Amizades definitivas” é predominantemente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a predominância dissertativa, marcada pela formulação de ideia geral e pela contraposição conceitual sobre a amizade, como em “Amizade vai além do momento. / Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio. / Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais.”; por isso, a alternativa A corresponde ao texto-base, e não as opções narrativas ou descritivas.

Tema central: tipologia textual predominante
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o texto não conta uma história nem retrata um personagem específico: ele sustenta uma tese sobre o que é amizade verdadeira, contrapondo-a a vínculos circunstanciais. Essa construção se dá por generalizações, definições e avaliações subjetivas do enunciador, o que caracteriza organização dissertativa. Além disso, o tom não é neutro: expressões como “amizade verdadeira”, “oportunismo do convívio” e “afinidades circunstanciais” mostram julgamento pessoal, exatamente como a alternativa afirma.
B
Errada
A alternativa erra ao atribuir ao texto um viés racional e científico. A base textual mostra reflexão opinativa e valorativa, não abordagem técnica, metodológica ou comprovada por dados. Há dissertação, mas não científica: o texto é literário-reflexivo e subjetivo.
C
Errada
Não há narração de fatos reais com personagens específicos. O texto trabalha com situações genéricas, como “quando você está solteiro” e “os conhecidos da academia”, sem enredo, sem sequência temporal de ações e sem individualização de personagens. Isso exclui a tipologia narrativa.
D
Errada
Também não há narração de fatos imaginários. O caráter de crônica não transforma automaticamente o texto em narrativa ficcional. Aqui não existe história construída com personagens definidos, ações encadeadas e núcleo narrativo; há reflexão abstrata sobre amizade.
E
Errada
A alternativa erra porque a descrição não predomina. Os trechos em que o autor define “amigo mesmo” funcionam como apoio à tese argumentativa sobre amizade verdadeira. Além disso, não se descreve “um amigo do autor” específico; o texto permanece no plano geral e conceitual.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gênero e tipologia: por ser uma crônica e trazer exemplos do cotidiano e caracterizações do “amigo mesmo”, o candidato pode marcar narrativa ou descrição; porém a questão pede o modo de organização predominante, e o texto se estrutura por tese e argumentação.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se o texto defende uma ideia geral com juízos do autor; se isso predomina, a base é dissertativa.
  • Não trate exemplos genéricos do cotidiano como enredo: sem personagens individualizados e ações encadeadas, não há predominância narrativa.
  • Se houver caracterização de alguém, observe a função dela no texto; quando serve para sustentar uma tese, não basta para tornar o texto descritivo.
  • Quando a alternativa acrescentar “científica”, confirme se o texto é objetivo, técnico e comprovativo; dissertação subjetiva não atende a esse recorte.

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Comentários

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A) dissertativo, apresentando ideias pessoais e subjetivas sobre a amizade.

Que texto lindo. Bem reflexivo.

É uma cronica então ja apresenta a vivência do autor sobre tal tema . Letra A

Alternativa A: Correta. O texto classifica-se predominantemente como dissertativo (uma crônica dissertativo-argumentativa), pois seu propósito central é debater, analisar e expor um ponto de vista a respeito do conceito de amizade. O tom é marcado por ideias pessoais e subjetivas, uma vez que o autor emite juízos de valor particulares baseados em suas próprias percepções sobre as relações humanas ("Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio"), sem se valer de uma linguagem fria ou puramente técnica.

Alternativa B: Incorreta. Embora o texto seja dissertativo, ele passa longe de apresentar ideias "racionais e científicas". Não há dados estatísticos, estudos sociológicos, pesquisas psicológicas ou jargões científicos embasando a estrutura textual; trata-se de uma crônica de teor estritamente literário e reflexivo.

Alternativas C e D: Incorretas. O texto não se enquadra na tipologia narrativa. O autor não desenvolve um enredo estruturado em torno de uma linha temporal com introdução, complicação, clímax e desfecho, tampouco apresenta ações praticadas por personagens bem específicos (reais ou imaginários). As menções aos casados, solteiros ou estudantes servem apenas como exemplos genéricos e ilustrativos de situações cotidianas.

Alternativa E: Incorreta. A tipologia descritiva foca em detalhar a imagem de um ser, objeto ou cenário de forma estática para que o leitor possa visualizá-lo. Embora o texto pontue características do que seria um "amigo verdadeiro" e um "conhecido circunstancial", o objetivo geral do texto não é traçar o retrato físico ou psicológico de um amigo específico do autor, mas sim dissertar conceitualmente sobre a natureza das amizades.

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