Questões de Concurso Comentadas para farmacêutico

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Ano: 2025 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Castelo - ES Provas: IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Obras | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Dermatologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico do Trabalho | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Veterinário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Nutricionista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Orientador Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Procurador Municipal | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Psicólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Terapeuta Ocupacional | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Endodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Odontopediatria | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Periodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ginecologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ortopedista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Otorrinolaringologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Pediatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Psiquiatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Tributos Municipais | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Analista de Sistemas | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Arquivista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Assistente Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Biólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Auditor Público Interno | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Bibliotecário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Educador Físico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrimensor | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrônomo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Civil | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Eletricista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Farmacêutico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fisioterapeuta | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fonoaudiólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Contador | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Economista Doméstico |
Q3761460 Português
Leia o texto e responda à questão.


“O Espelho”


Machado de Assis


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Eu, que era um dos convivas, contei-lhes que possuía uma teoria, a qual me tinha custado grande trabalho e algumas noites de insônia; mas não lhe queria expor sem que me prometessem ouvi-la com paciência. Prometeram todos.

— A teoria é esta — disse eu —: cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro. A primeira, a alma interior, é a que sente e pensa; a segunda, a alma exterior, é a que nos vem de fora, da rua, das pessoas, das coisas. Esta domina muitas vezes aquela; e, em certos casos, não há propriamente duas, mas uma só alma exterior.

Pediram-me exemplos. Respondi que não os havia catalogados, mas que ia contar um caso, acontecido comigo, há muitos anos, em que vi a minha alma interior desaparecer, cedendo a outra, nascida de um objeto, de um simples objeto. E contei-lhes.

Era eu então rapaz de vinte e cinco anos, recém-saído de um curso, quando uma velha tia minha me deixou por herança um espelho grande, antigo, com moldura larga e severa. Não me parecia valiosa a dádiva; mas, por lembrança, levei-o comigo para uma casa de subúrbio, onde me recolhi, a fim de estudar. Ora, sucedeu que, mal instalado, comecei a sentir um vazio dentro de mim, como se me houvesse despido de mim mesmo. O estudo não me prendia, a leitura cansava-me; eu andava pela casa, de um aposento a outro, com um aborrecimento que não sei definir.

Foi então que me lembrei do espelho. Mandei pendurá-lo na parede da sala; ao vê-lo, senti-me outro. Não é que eu me achasse mais formoso do que era; mas o espelho tinha a virtude de dar consistência à minha pessoa: eu me via, e esse simples fato restituía-me a presença. Dentro de pouco, o hábito apoderou-se de mim. Vivia diante do espelho; trabalhava, comia, descansava, sempre com o olhar a buscar, de instante a instante, a confirmação da minha figura naquela lâmina tranquila. Se o retiravam, tudo caía no mesmo vazio anterior; se o repunham, eu renascia.

Parecer-vos-á ridículo; não o era então. O que digo é que a minha alma exterior se compunha, naquele tempo, desse objeto. Não era vaidade de beleza, nem amor próprio do traje; era qualquer coisa mais funda: a necessidade de um reflexo que me certificasse da minha existência. Ora, uma noite, por troça de amigos, esconderam-me o espelho. Dizei o que quiserdes: senti desfalecer a vida íntima; tornei-me sombra; e, apesar de me ver com os olhos do corpo, não me sentia com os olhos do espírito. Só quando me restituíram o espelho, voltei a ser eu.

Daí infiro que o homem, em não poucos casos, vive de fora para dentro; e que um objeto, um cargo, uma farda, um título, pode suplantar a alma interior, até anulá-la. Se isto é triste ou ridículo, não disputo; conto o que foi. E, posto que tenha hoje a casa cheia de espelhos, nenhum tem para mim a força daquele primeiro, que não era só vidro e azougue, mas um pedaço da minha própria alma.


Fonte: Edição de referência: Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. páginas 241-257. (Adaptado) - https://machadodeassis.net/
O que a relação entre “alma exterior” e papéis sociais (cargo, farda, título) aponta sobre a subjetividade contemporânea?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Castelo - ES Provas: IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Obras | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Dermatologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico do Trabalho | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Veterinário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Nutricionista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Orientador Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Procurador Municipal | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Psicólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Terapeuta Ocupacional | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Endodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Odontopediatria | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Periodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ginecologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ortopedista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Otorrinolaringologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Pediatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Psiquiatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Tributos Municipais | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Analista de Sistemas | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Arquivista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Assistente Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Biólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Auditor Público Interno | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Bibliotecário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Educador Físico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrimensor | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrônomo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Civil | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Eletricista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Farmacêutico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fisioterapeuta | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fonoaudiólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Contador | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Economista Doméstico |
Q3761459 Português
Leia o texto e responda à questão.


“O Espelho”


Machado de Assis


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Eu, que era um dos convivas, contei-lhes que possuía uma teoria, a qual me tinha custado grande trabalho e algumas noites de insônia; mas não lhe queria expor sem que me prometessem ouvi-la com paciência. Prometeram todos.

— A teoria é esta — disse eu —: cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro. A primeira, a alma interior, é a que sente e pensa; a segunda, a alma exterior, é a que nos vem de fora, da rua, das pessoas, das coisas. Esta domina muitas vezes aquela; e, em certos casos, não há propriamente duas, mas uma só alma exterior.

Pediram-me exemplos. Respondi que não os havia catalogados, mas que ia contar um caso, acontecido comigo, há muitos anos, em que vi a minha alma interior desaparecer, cedendo a outra, nascida de um objeto, de um simples objeto. E contei-lhes.

Era eu então rapaz de vinte e cinco anos, recém-saído de um curso, quando uma velha tia minha me deixou por herança um espelho grande, antigo, com moldura larga e severa. Não me parecia valiosa a dádiva; mas, por lembrança, levei-o comigo para uma casa de subúrbio, onde me recolhi, a fim de estudar. Ora, sucedeu que, mal instalado, comecei a sentir um vazio dentro de mim, como se me houvesse despido de mim mesmo. O estudo não me prendia, a leitura cansava-me; eu andava pela casa, de um aposento a outro, com um aborrecimento que não sei definir.

Foi então que me lembrei do espelho. Mandei pendurá-lo na parede da sala; ao vê-lo, senti-me outro. Não é que eu me achasse mais formoso do que era; mas o espelho tinha a virtude de dar consistência à minha pessoa: eu me via, e esse simples fato restituía-me a presença. Dentro de pouco, o hábito apoderou-se de mim. Vivia diante do espelho; trabalhava, comia, descansava, sempre com o olhar a buscar, de instante a instante, a confirmação da minha figura naquela lâmina tranquila. Se o retiravam, tudo caía no mesmo vazio anterior; se o repunham, eu renascia.

Parecer-vos-á ridículo; não o era então. O que digo é que a minha alma exterior se compunha, naquele tempo, desse objeto. Não era vaidade de beleza, nem amor próprio do traje; era qualquer coisa mais funda: a necessidade de um reflexo que me certificasse da minha existência. Ora, uma noite, por troça de amigos, esconderam-me o espelho. Dizei o que quiserdes: senti desfalecer a vida íntima; tornei-me sombra; e, apesar de me ver com os olhos do corpo, não me sentia com os olhos do espírito. Só quando me restituíram o espelho, voltei a ser eu.

Daí infiro que o homem, em não poucos casos, vive de fora para dentro; e que um objeto, um cargo, uma farda, um título, pode suplantar a alma interior, até anulá-la. Se isto é triste ou ridículo, não disputo; conto o que foi. E, posto que tenha hoje a casa cheia de espelhos, nenhum tem para mim a força daquele primeiro, que não era só vidro e azougue, mas um pedaço da minha própria alma.


Fonte: Edição de referência: Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. páginas 241-257. (Adaptado) - https://machadodeassis.net/
Por que o primeiro espelho exerce efeito especial sobre o narrador?
Alternativas
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Q3761458 Português
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“O Espelho”


Machado de Assis


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Eu, que era um dos convivas, contei-lhes que possuía uma teoria, a qual me tinha custado grande trabalho e algumas noites de insônia; mas não lhe queria expor sem que me prometessem ouvi-la com paciência. Prometeram todos.

— A teoria é esta — disse eu —: cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro. A primeira, a alma interior, é a que sente e pensa; a segunda, a alma exterior, é a que nos vem de fora, da rua, das pessoas, das coisas. Esta domina muitas vezes aquela; e, em certos casos, não há propriamente duas, mas uma só alma exterior.

Pediram-me exemplos. Respondi que não os havia catalogados, mas que ia contar um caso, acontecido comigo, há muitos anos, em que vi a minha alma interior desaparecer, cedendo a outra, nascida de um objeto, de um simples objeto. E contei-lhes.

Era eu então rapaz de vinte e cinco anos, recém-saído de um curso, quando uma velha tia minha me deixou por herança um espelho grande, antigo, com moldura larga e severa. Não me parecia valiosa a dádiva; mas, por lembrança, levei-o comigo para uma casa de subúrbio, onde me recolhi, a fim de estudar. Ora, sucedeu que, mal instalado, comecei a sentir um vazio dentro de mim, como se me houvesse despido de mim mesmo. O estudo não me prendia, a leitura cansava-me; eu andava pela casa, de um aposento a outro, com um aborrecimento que não sei definir.

Foi então que me lembrei do espelho. Mandei pendurá-lo na parede da sala; ao vê-lo, senti-me outro. Não é que eu me achasse mais formoso do que era; mas o espelho tinha a virtude de dar consistência à minha pessoa: eu me via, e esse simples fato restituía-me a presença. Dentro de pouco, o hábito apoderou-se de mim. Vivia diante do espelho; trabalhava, comia, descansava, sempre com o olhar a buscar, de instante a instante, a confirmação da minha figura naquela lâmina tranquila. Se o retiravam, tudo caía no mesmo vazio anterior; se o repunham, eu renascia.

Parecer-vos-á ridículo; não o era então. O que digo é que a minha alma exterior se compunha, naquele tempo, desse objeto. Não era vaidade de beleza, nem amor próprio do traje; era qualquer coisa mais funda: a necessidade de um reflexo que me certificasse da minha existência. Ora, uma noite, por troça de amigos, esconderam-me o espelho. Dizei o que quiserdes: senti desfalecer a vida íntima; tornei-me sombra; e, apesar de me ver com os olhos do corpo, não me sentia com os olhos do espírito. Só quando me restituíram o espelho, voltei a ser eu.

Daí infiro que o homem, em não poucos casos, vive de fora para dentro; e que um objeto, um cargo, uma farda, um título, pode suplantar a alma interior, até anulá-la. Se isto é triste ou ridículo, não disputo; conto o que foi. E, posto que tenha hoje a casa cheia de espelhos, nenhum tem para mim a força daquele primeiro, que não era só vidro e azougue, mas um pedaço da minha própria alma.


Fonte: Edição de referência: Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. páginas 241-257. (Adaptado) - https://machadodeassis.net/
Quando o espelho é retirado pelos amigos, o narrador descreve “desfalecer da vida íntima”.

Qual é o ponto decisivo dessa cena para a tese do conto?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Castelo - ES Provas: IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Obras | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Dermatologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico do Trabalho | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Veterinário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Nutricionista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Orientador Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Procurador Municipal | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Psicólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Terapeuta Ocupacional | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Endodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Odontopediatria | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista Periodontia | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ginecologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Ortopedista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Otorrinolaringologista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Pediatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico Psiquiatra | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Agente Fiscal de Tributos Municipais | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Analista de Sistemas | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Arquivista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Assistente Social | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Biólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Auditor Público Interno | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Bibliotecário | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Educador Físico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Enfermeiro | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrimensor | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Agrônomo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Civil | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Engenheiro Eletricista | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Farmacêutico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fisioterapeuta | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Fonoaudiólogo | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Médico | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Cirurgião Dentista ESF | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Contador | IBADE - 2025 - Prefeitura de Castelo - ES - Economista Doméstico |
Q3761457 Português
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“O Espelho”


Machado de Assis


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Eu, que era um dos convivas, contei-lhes que possuía uma teoria, a qual me tinha custado grande trabalho e algumas noites de insônia; mas não lhe queria expor sem que me prometessem ouvi-la com paciência. Prometeram todos.

— A teoria é esta — disse eu —: cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro. A primeira, a alma interior, é a que sente e pensa; a segunda, a alma exterior, é a que nos vem de fora, da rua, das pessoas, das coisas. Esta domina muitas vezes aquela; e, em certos casos, não há propriamente duas, mas uma só alma exterior.

Pediram-me exemplos. Respondi que não os havia catalogados, mas que ia contar um caso, acontecido comigo, há muitos anos, em que vi a minha alma interior desaparecer, cedendo a outra, nascida de um objeto, de um simples objeto. E contei-lhes.

Era eu então rapaz de vinte e cinco anos, recém-saído de um curso, quando uma velha tia minha me deixou por herança um espelho grande, antigo, com moldura larga e severa. Não me parecia valiosa a dádiva; mas, por lembrança, levei-o comigo para uma casa de subúrbio, onde me recolhi, a fim de estudar. Ora, sucedeu que, mal instalado, comecei a sentir um vazio dentro de mim, como se me houvesse despido de mim mesmo. O estudo não me prendia, a leitura cansava-me; eu andava pela casa, de um aposento a outro, com um aborrecimento que não sei definir.

Foi então que me lembrei do espelho. Mandei pendurá-lo na parede da sala; ao vê-lo, senti-me outro. Não é que eu me achasse mais formoso do que era; mas o espelho tinha a virtude de dar consistência à minha pessoa: eu me via, e esse simples fato restituía-me a presença. Dentro de pouco, o hábito apoderou-se de mim. Vivia diante do espelho; trabalhava, comia, descansava, sempre com o olhar a buscar, de instante a instante, a confirmação da minha figura naquela lâmina tranquila. Se o retiravam, tudo caía no mesmo vazio anterior; se o repunham, eu renascia.

Parecer-vos-á ridículo; não o era então. O que digo é que a minha alma exterior se compunha, naquele tempo, desse objeto. Não era vaidade de beleza, nem amor próprio do traje; era qualquer coisa mais funda: a necessidade de um reflexo que me certificasse da minha existência. Ora, uma noite, por troça de amigos, esconderam-me o espelho. Dizei o que quiserdes: senti desfalecer a vida íntima; tornei-me sombra; e, apesar de me ver com os olhos do corpo, não me sentia com os olhos do espírito. Só quando me restituíram o espelho, voltei a ser eu.

Daí infiro que o homem, em não poucos casos, vive de fora para dentro; e que um objeto, um cargo, uma farda, um título, pode suplantar a alma interior, até anulá-la. Se isto é triste ou ridículo, não disputo; conto o que foi. E, posto que tenha hoje a casa cheia de espelhos, nenhum tem para mim a força daquele primeiro, que não era só vidro e azougue, mas um pedaço da minha própria alma.


Fonte: Edição de referência: Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. páginas 241-257. (Adaptado) - https://machadodeassis.net/
A narrativa enquadra um relato em situação de conversa noturna entre cavalheiros. Em termos de efeitos de sentido, o quadro inicial funciona principalmente para:
Alternativas
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Q3761456 Português
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“O Espelho”


Machado de Assis


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Eu, que era um dos convivas, contei-lhes que possuía uma teoria, a qual me tinha custado grande trabalho e algumas noites de insônia; mas não lhe queria expor sem que me prometessem ouvi-la com paciência. Prometeram todos.

— A teoria é esta — disse eu —: cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro. A primeira, a alma interior, é a que sente e pensa; a segunda, a alma exterior, é a que nos vem de fora, da rua, das pessoas, das coisas. Esta domina muitas vezes aquela; e, em certos casos, não há propriamente duas, mas uma só alma exterior.

Pediram-me exemplos. Respondi que não os havia catalogados, mas que ia contar um caso, acontecido comigo, há muitos anos, em que vi a minha alma interior desaparecer, cedendo a outra, nascida de um objeto, de um simples objeto. E contei-lhes.

Era eu então rapaz de vinte e cinco anos, recém-saído de um curso, quando uma velha tia minha me deixou por herança um espelho grande, antigo, com moldura larga e severa. Não me parecia valiosa a dádiva; mas, por lembrança, levei-o comigo para uma casa de subúrbio, onde me recolhi, a fim de estudar. Ora, sucedeu que, mal instalado, comecei a sentir um vazio dentro de mim, como se me houvesse despido de mim mesmo. O estudo não me prendia, a leitura cansava-me; eu andava pela casa, de um aposento a outro, com um aborrecimento que não sei definir.

Foi então que me lembrei do espelho. Mandei pendurá-lo na parede da sala; ao vê-lo, senti-me outro. Não é que eu me achasse mais formoso do que era; mas o espelho tinha a virtude de dar consistência à minha pessoa: eu me via, e esse simples fato restituía-me a presença. Dentro de pouco, o hábito apoderou-se de mim. Vivia diante do espelho; trabalhava, comia, descansava, sempre com o olhar a buscar, de instante a instante, a confirmação da minha figura naquela lâmina tranquila. Se o retiravam, tudo caía no mesmo vazio anterior; se o repunham, eu renascia.

Parecer-vos-á ridículo; não o era então. O que digo é que a minha alma exterior se compunha, naquele tempo, desse objeto. Não era vaidade de beleza, nem amor próprio do traje; era qualquer coisa mais funda: a necessidade de um reflexo que me certificasse da minha existência. Ora, uma noite, por troça de amigos, esconderam-me o espelho. Dizei o que quiserdes: senti desfalecer a vida íntima; tornei-me sombra; e, apesar de me ver com os olhos do corpo, não me sentia com os olhos do espírito. Só quando me restituíram o espelho, voltei a ser eu.

Daí infiro que o homem, em não poucos casos, vive de fora para dentro; e que um objeto, um cargo, uma farda, um título, pode suplantar a alma interior, até anulá-la. Se isto é triste ou ridículo, não disputo; conto o que foi. E, posto que tenha hoje a casa cheia de espelhos, nenhum tem para mim a força daquele primeiro, que não era só vidro e azougue, mas um pedaço da minha própria alma.


Fonte: Edição de referência: Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. páginas 241-257. (Adaptado) - https://machadodeassis.net/
A tese das “duas almas” propõe um conflito entre interioridade e reconhecimento externo. No episódio do espelho, qual leitura articula melhor a tese e a experiência narrada?
Alternativas
Q3759920 Farmácia
A arritmia cardíaca é caracterizada por perda do ritmo cardíaco e irregularidade nos batimentos. Pode ser causada por anormalidades em diferentes locais do coração (átrio, nos atrioventriculares ou nos ventrículos), que levam a falhas na formação e condução de impulsos no miocárdio.
Dentre as classes de fármacos utilizadas para o tratamento deste distúrbio, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3759919 Farmácia
A resistência aos antimicrobianos ocorre quando os microrganismos apresentam resistências ao tratamento, ou seja, quando a multiplicação das bactérias não é inibida pela maior concentração do antimicrobiano tolerada pelo hospedeiro. Alguns microrganismos são inerentemente resistentes, como exemplo temos os gram-negativos que não respondem ao tratamento com vancomicina. Entretanto, algumas espécies que são sensíveis a um fármaco antimicrobiano e podem desenvolver cepas resistentes, com maior virulência, através de resistência adquirida por mutações e seleção. Dentre as alternativas a seguir, são consideradas as principais causas da resistência aos antimicrobianos, exceto:
Alternativas
Q3759914 Farmácia

A Paciente M.S.O., 70 anos, hipertenso e diabético, deu entrada na UPA apresentando quadro clinico com dor torácica intensa e dispneia. O diagnóstico foi infarto agudo do miocárdio (IAM) com supra desnivelamento do segmento ST. A equipe médica prescreveu: Nitroglicerina sublingual para alívio imediato da angina; Morfina intravenosa (IV) para controle da dor e redução da ansiedade; AAS (ácido acetilsalicílico) oral para inibição da agregação plaquetária; Metoprolol IV para reduzir a demanda de oxigênio do miocárdio.



Considerando os mecanismos de ação e as vias de administração, assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q3759912 Farmácia
No tratamento do diabetes tipo II temos indicação os tratamentos a nível de dieta, atividades físicas e medicamentosos, ao se tratar de tratamentos medicamentosos uma das ações destes fármacos será a estimulação das células beta pancreáticas fazendo com que ocorra uma adequada estimulação da secreção da insulina, desta forma marque qual dos medicamentos abaixo tem relação direta com a estimulação das células pancreáticas:
Alternativas
Q3759909 Farmácia
Quanto aos processos relacionados à análise fitoquímica, qualidade de insumos farmacêuticos ativos de origem natural (IFAON), desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos e grupos metabólicos vegetais, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3759906 Farmácia

De acordo com as afirmativas abaixo mediante a RDC 58/2014, marque a resposta correta.



I. O medicamento similar contém o(s) mesmo(s) princípio(s) ativo(s), na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com a mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, e é identificado pela marca ou nome comercial.



II. O medicamento similar pode substituir seu respectivo medicamento de referência após passar por testes laboratoriais que comprovem a equivalência. Os que já cumpriram esse processo são chamados de “similares intercambiáveis”.



III. Os medicamentos similares são identificados pela marca ou nome comercial. E, ao contrário dos medicamentos genéricos, e todo medicamento similar pode ser trocado pelo medicamento de referência.



IV. Os fabricantes dos medicamentos similares que se enquadram nos critérios da resolução não podem alterar suas bulas para indicar que são substitutos do medicamento de referência.



V. Se o similar estiver na lista de similares intercambiáveis, o farmacêutico poderá dispensá-lo no lugar do medicamento de referência, a menos que a receita médica proíba explicitamente a troca.

Alternativas
Q3758961 Direito Administrativo

De acordo com a Lei Orgânica do Município de Boqueirão, a administração pública obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, de forma a que:

Alternativas
Q3758960 Direito Administrativo

A dinâmica da gestão municipal de Boqueirão, da forma como disposta na sua Lei Orgânica, necessita que sejam obedecidas, entre outras, as seguintes determinações de ordem geral:

Alternativas
Q3758959 Direito Administrativo

Quanto ao Poder Executivo, de acordo com a Lei Orgânica do Município de Boqueirão, é correto afirmar que:

Alternativas
Q3758958 Controle Externo

Respeitando as normas federais e estaduais, mas observando a realidade local, a Lei Orgânica do Município de Boqueirão disciplina a Fiscalização Contábil, Financeira e Orçamentária de modo que:

Alternativas
Q3758957 Legislação dos Municípios do Estado da Paraíba

De acordo com a Lei Orgânica do Município de Boqueirão, o Processo Legislativo deve seguir os seguintes regramentos:

Alternativas
Q3758956 Direito Constitucional

Consoante a Lei Orgânica do Município de Boqueirão, a Câmara Municipal terá Comissões permanentes e especiais, sobre as quais é correto afirmar que:

Alternativas
Q3758953 Legislação Municipal

A Gestão Municipal deve estar prevista na Lei Orgânica de cada município de sorte a que seja de sua competência:

Alternativas
Q3758952 Direito Constitucional

Todos os Municípios brasileiros, segundo a Constituição Federal, devem ter a sua Lei Orgânica. Determina a Constituição que, apesar da autonomia de cada Município, há regras que são universais para todos. Sobre isso é correto afirmar que:

Alternativas
Q3758948 História

O processo de ocupação da cidade de Boqueirão, assim como em outros municípios do interior nordestino, esteve intimamente ligado a fatores econômicos, sociais e políticos. Segundo estudos presentes no livro “Boqueirão: história, cultura e identidade”, a formação da antiga Vila de Carnoió relaciona-se economicamente:

Alternativas
Respostas
2401: E
2402: C
2403: B
2404: A
2405: D
2406: B
2407: E
2408: B
2409: E
2410: C
2411: B
2412: D
2413: A
2414: E
2415: C
2416: B
2417: E
2418: C
2419: A
2420: D