Questões de Concurso Comentadas para arquiteto urbanista

Foram encontradas 5.594 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080943 Arquitetura
O movimento holandês De Stijl, que durou de 1917 a 1931, teve por centro a obra de três homens:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080942 Arquitetura
Preencha corretamente as lacunas do texto a seguir quanto à arquitetura praticada por Ludwig Mies van der Rohe no período entre 1921 e 1933.

Mies van der Rohe foi tão inspirado pela obra do arquiteto holandês ______________ quanto pela escola prussiana do Neoclassicismo do qual se tornaria herdeiro direto. Após referências abertas aos principais neoclássicos de Schinkel, Mies faz um gesto rumo a um “novo ______________” com seu projeto de 1933 para o ______________.

A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080940 Arquitetura
O arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, em seu livro “Cidades para pessoas”, destaca a importância da escala urbana para a percepção sensorial do ser humano e sua respectiva sensação de acolhimento no espaço urbano.

Avalie as afirmações sobre os sentidos e escala nos projetos de arquitetura e urbanismo.

I - A distância de 100 metros nos permite ver movimentos e linguagem corporal em linhas gerais, sendo a distância de referência para arenas esportivas e grandes eventos.
II - Ao dirigirmos um carro, a escala dos 60 km/h tem amplos espaços e vias largas, proporcionando uma experiência sensorial rica, detalhada e multifacetada.
III - A comunicação entre pessoas no nível térreo e nos edifícios altos e seus arredores é possível até o quinto andar. Nesse pavimento do edifício ainda é possível participar da vida urbana e interagir com as pessoas.
IV - O campo de visão social de cerca de 200 metros se reflete no tamanho da maior parte das praças das cidades antigas, sendo ainda hoje a distância de referência para que o pedestre tenha uma visão geral do que acontece na praça.
V - Em ruas estreitas e espaços pequenos, onde podemos ver com detalhes as pessoas e os prédios, a situação urbana é muitas vezes percebida como impessoal e fria. Isso contrasta com a experiência em cidades e complexos urbanos onde os edifícios e espaços públicos são enormes, proporcionando uma cena calorosa e convidativa.

Está correto apenas o que se afirma em 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080939 Arquitetura
As obras de Brasília são consideradas o apogeu da trajetória de Oscar Niemeyer, influenciada por sua viagem à Europa, em 1955.

Avalie as afirmações sobre as obras de Oscar Niemeyer em Brasília.

I - Os edifícios do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal dialogam com a linguagem de pórticos externos em concreto aparente, independentemente do volume envidraçado, numa referência direta ao modernismo brutalista de Le Corbusier.
II - No Palácio do Congresso, a audácia da cúpula do Senado, voltada para baixo como uma cúpula convencional, trouxe enormes problemas técnicos, visto que a resistência à compressão e à qualidade essencial do concreto, nesse caso, não correspondia aos esforços exigidos.
III - No projeto da Catedral de Brasília, Oscar Niemeyer teve que renunciar a algumas escolhas estruturais do anteprojeto por uma questão de estabilidade, sendo uma delas a substituição do anel de concreto fixado quase no topo da coroa por uma laje situada mais embaixo.
IV - O Palácio dos Arcos, sede do Ministério das Relações Exteriores, é composto por uma caixa de vidro e pórticos revestidos de mármore que evocam a valorização das formas elegantes e leves, em detrimento da rudez e austeridade que seriam proporcionadas pelo uso do concreto aparente.
V - O Palácio da Alvorada não segue o princípio da verdade estrutural, pois o espectador tem a ilusão de estar frente a uma obra suavemente pousada no terreno e só se apoiando nele por meio de uma fina estrutura externa, porém o edifício é firmado nas sólidas fundações de seu corpo central, que inclusive comporta um subsolo.

Está correto apenas o que se afirma em 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080938 Arquitetura
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre a arquitetura brasileira.

( ) O brise-soleil nasceu idealizado por Oscar Niemeyer, como adaptação da arquitetura “moderna” de Le Corbusier ao clima quente do Brasil, para combater a insolação e o calor excessivos nas edificações.
( ) Os construtores locais empregaram materiais naturais com muito maior intensidade que materiais industrializados, especialmente porque a pedra, o principal material natural, sempre foi abundante em nosso território.
( ) O clima foi o fator físico que menos interferiu na arquitetura brasileira, visto que as temperaturas elevadas durante o verão foram desconsideradas desde a época da arquitetura colonial, com suas casas de amplos beirais e generosas varandas.
( ) O relevo acidentado de grande parte do território brasileiro explica parcialmente o emprego intensivo do pilotis como uma das características mais marcantes da nova arquitetura brasileira, dadas as facilidades que esse sistema oferece como forma de adaptação ao terreno.
( ) O êxito do concreto armado no Brasil tem relação com seu baixo custo para estruturas de grande porte e porque sua preparação no próprio canteiro de obras não exigia operários qualificados, sendo, portanto, o sistema estrutural mais bem adaptado às necessidades de um país subdesenvolvido.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080937 Arquitetura
Considerando-se os arquitetos que constroem edifícios icônicos na arquitetura da era digital-financeira, associe corretamente o arquiteto ao seu respectivo edifício e localização.

ARQUITETOS
1 - Álvaro Siza
2 - Frank Gehry
3 - Rem Koolhas
4 - Norman Foster
5 - Peter Eisenman
6 - Daniel Libeskind
7 - Jacques Herzog & Pierre de Meuron

EDIFÍCIOS E LOCALIZAÇÃO
( ) Casa da Música, Porto.
( ) Museu Judaico, Berlim.
( ) HSBC Tower, Hong Kong.
( ) Estádio Allianz Arena, Munique.
( ) Museu Ibirê Camargo, Porto Alegre.
( ) Walt Disney Concert Hall, Los Angeles.
( ) Cidade da Cultura da Galícia, Santiago de Compostela.

A sequência correta dessa associação é
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Prova: FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
Q4080936 Arquitetura
O arquiteto Pedro Fiori Arantes descreve, em seu livro “Arquitetura na era digital-financeira”, o fenômeno da arquitetura denominado por ele como “as formas da renda” ou “renda da forma”.

Avalie as afirmações sobre os conceitos, significado e implicações práticas dessa arquitetura definida por uma espécie de renda da forma.

I - A renda da forma pretende explorar grandes projetos de complexidade técnica e formal para atrair um grande número de pessoas, investidores, propaganda e mídia, associando os edifícios às marcas dos chamados “arquitetos-estrelas”.
II - A renda da forma na era digital-financeira é potencializada pela produção de obras pautadas pelos princípios modernistas da arquitetura, com o uso de formas regulares, cúbicas e minimalistas, gerando maior valor financeiro e publicitário.
III - Os edifícios da arquitetura na era digital são desenhados para circular como logomarcas, sendo que sua sofisticada técnica, diferenciação das superfícies e exuberância formal passaram a ser requisitos para constituir imagens arquitetônicas exclusivas.
IV - O tipo de valorização que está associada a essa arquitetura acaba por conduzi-la cada vez mais a uma paradoxal experiência imaterial, com edifícios que desaparecem em meio a nuvens ou tornam-se etéreos como balões, paredes móveis ou torres que só existem por efeito de luz.
V - O planejamento estratégico desses edifícios de valor icônico é apoiado na economia de recursos e sustentabilidade financeira das cidades, priorizando a construção de obras marcantes que combinam a capacidade industrial de replicabilidade, racionalidade e modularidade com a simplificação e legibilidade das formas.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4078361 Segurança da Informação
Sobre os cuidados a serem tomados para evitar uma infecção por malware, analise as afirmações a seguir.

I - Ao usar um programa pirata, certificar-se de que sua origem é confiável.
II - Fazer backup dos dados em uma pasta na Área de Trabalho.
III - Utilizar um antivírus atualizado e com rotina periódica de escaneamento.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4078351 Direito Digital
Segundo a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei nº 13.709/2018, está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4078350 Legislação Federal
Analise os conceitos a seguir, referentes à Lei nº 11.091/2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico -Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação.

I - Plano de carreira é o conjunto de princípios, diretrizes e normas que regulam o desenvolvimento profissional dos servidores titulares de cargos que integram determinada carreira, constituindo-se em instrumento de gestão do órgão ou entidade.
II - Usuários são pessoas ou coletividades internas ou externas à Instituição Federal de Ensino que usufruem direta ou indiretamente dos serviços por ela prestados.
III - Cargo é a área específica de atuação do servidor, integrada por atividades afins ou complementares, organizada a partir das necessidades institucionais e que orienta a política de desenvolvimento de pessoal.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4078349 Direito Administrativo
A Lei nº 9.784/1999 regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Segundo essa Lei, estão corretas as afirmações a seguir, EXCETO:
Alternativas
Q4078348 Direito Administrativo
Preencha as lacunas, segundo os exatos termos do Decreto nº 1.171/1994, que aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.

"A _______________ da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o (a) _______________. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do _______________”.

A sequência que completa a norma citada é:
Alternativas
Q4078347 Direito Administrativo
Sobre o Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público, analise as assertivas a seguir.

I - É dever do servidor desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular.
II - É dever do servidor fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros, privilegiando o bem comum.
III - É dever do servidor ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4078346 Direito Administrativo
Segundo o regime disciplinar previsto na Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, qual é um dever do servidor público?
Alternativas
Q4078345 Direito Administrativo
Considerando-se os dispositivos da Lei nº 8.112/90, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, quais os requisitos básicos para investidura em cargo público?
Alternativas
Q4078344 Direito Constitucional
A respeito das normas constitucionais sobre a Educação, conforme a Constituição da República de 1988, é correto afirmar que
Alternativas
Q4078343 Direito Constitucional
Sobre a Administração Pública e conforme a Constituição da República de 1988 é INCORRETO afirmar que
Alternativas
Q4078342 Direito Constitucional
Conforme o artigo 2º da Constituição da República de 1988, sobre os Poderes da União é correto afirmar que
Alternativas
Q4078339 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.


Piscar (;) e chorar (;‒;)


Mário Sérgio Conti*


O ponto e vírgula corre risco de extinção: o simpático sinal de pontuação não foi usado nos últimos três dias na Folha. Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso.

Escasseiam também as reticências, irônicas ou não; o travessão, que abre uma fala ou completa o escrito; até os parênteses, que encapsulam outro sentido, como faz Drummond em "(não cantarei o mar: que ele se vingue de meu silêncio nesta concha)".

A pontuação é uma forma histórica. Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação; nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim:

NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS.

Foi com tijolos textuais como esse que se construiu o saber ocidental. Porque, como disse Aristóteles, OHOMEMÉUMANIMALPOLÍTICO. Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar; mudar inclusive as convenções.

Foi o que fez Aldus Manutius, o editor veneziano que, em fevereiro de 1494, inventou o ponto e vírgula.
Quem conta sua história é a professora Cecelia Watson, num livro delicioso, "Semicolon: Past, Present, and Future of a Misunderstood Mark". Renascentista, Manutius queria popularizar o conhecimento. Não havia padronização nem academias que policiassem o idioma. Era uma algazarra. Cada um pontuava como lhe desse na telha.

Ao publicar "O Etna", ensaio em forma de diálogo sobre o vulcão ‒ de autoria do cardeal Pietro Bembo, Manutius teve a divina ideia de captar a elocução do distinto prelado. Criou o símbolo gráfico que marca pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Com a obra pronta, vieram as regras: o ponto e vírgula separa orações numa mesma frase; organiza listas; economiza conectivos (e) ou adversativas (mas). Permaneceu perene, porém, o preceito básico ‒ registrar um silêncio específico, advindo da linguagem oral.

A engenhoca de Manutius ganhou o mundo. "MobyDick" tem 4.000 pontos e vírgulas, informa Cecelia Watson, "um a cada 52 palavras". Machado de Assis, mais comedido e certeiro, mereceria o título de mestre do ponto e vírgula na periferia do capitalismo. Henry James não escrevia sem ter ao lado da escrivaninha um barril de pontos e vírgulas. Chegou à inverter a ordem de importância entre pontuação e palavras. Numa rara entrevista, ao Times, insistiu para que o repórter anotasse sua "pontuação, bem como as palavras".

A coisa mudou no século passado. Orwell, Barthelme, Chandler e tantos outros desprezaram o miniponto de Manutius. Vonnegut teve o topete de dizer que pontos e vírgulas são "hermafroditas que não representam absolutamente nada".

É meio assim no Brasil. Nos seis contos exímios que Dalton Trevisan publicou e distribuiu no início do ano, num livreto de 32 páginas, não há um único ponto e vírgula. Dalton deixa que seus personagens e leitores deem uma paradinha onde bem entenderem. Em contrapartida, o ponto e vírgula virou emoji, um derivado dos signos de pontuação. Dois pontos e vírgulas, com um travessão no meio, mostram uma carinha derramando uma lágrima de cada olho ;–;. Sozinho, representa uma piscada ;.

No ensaio "Sinais de Pontuação", Adorno prefigurou esse uso figurativo. O ponto de exclamação é um dedo em riste ameaçador, disse. Os dois pontos abrem a boca, "e coitado do escritor que não souber saciá-los". "Marotas e satisfeitas", as aspas "lambem os lábios".

Para Adorno, o ponto e vírgula parece "um bigode caído" e passa "um sabor rústico". Como quase ninguém mais tem bigode, o ponto e vírgula, com tantos serviços prestados, está à beira do desuso.


* Jornalista e escritor.

Folha de São Paulo, 27 de maio de 2022. Adaptado.
“Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação; nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim:

NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS.”

Leia a passagem transcrita do texto, considere o gênero textual, os aspectos da textualidade e preencha corretamente as lacunas.

A intertextualidade é o diálogo entre textos. No trecho mencionado ela ocorre, inicialmente, por meio da __________ a obras de filósofos da Antiguidade e ao livro sagrado do cristianismo. Em um segundo momento, por meio de um gênero textual popular, reconhecido na expressão “Deus não escrevia certo por linhas tortas”. Todavia, nele se percebe o efeito de sentido __________ pela __________ do provérbio.

A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é
Alternativas
Q4078338 Linguística
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.


Piscar (;) e chorar (;‒;)


Mário Sérgio Conti*


O ponto e vírgula corre risco de extinção: o simpático sinal de pontuação não foi usado nos últimos três dias na Folha. Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso.

Escasseiam também as reticências, irônicas ou não; o travessão, que abre uma fala ou completa o escrito; até os parênteses, que encapsulam outro sentido, como faz Drummond em "(não cantarei o mar: que ele se vingue de meu silêncio nesta concha)".

A pontuação é uma forma histórica. Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação; nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim:

NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS.

Foi com tijolos textuais como esse que se construiu o saber ocidental. Porque, como disse Aristóteles, OHOMEMÉUMANIMALPOLÍTICO. Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar; mudar inclusive as convenções.

Foi o que fez Aldus Manutius, o editor veneziano que, em fevereiro de 1494, inventou o ponto e vírgula.
Quem conta sua história é a professora Cecelia Watson, num livro delicioso, "Semicolon: Past, Present, and Future of a Misunderstood Mark". Renascentista, Manutius queria popularizar o conhecimento. Não havia padronização nem academias que policiassem o idioma. Era uma algazarra. Cada um pontuava como lhe desse na telha.

Ao publicar "O Etna", ensaio em forma de diálogo sobre o vulcão ‒ de autoria do cardeal Pietro Bembo, Manutius teve a divina ideia de captar a elocução do distinto prelado. Criou o símbolo gráfico que marca pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Com a obra pronta, vieram as regras: o ponto e vírgula separa orações numa mesma frase; organiza listas; economiza conectivos (e) ou adversativas (mas). Permaneceu perene, porém, o preceito básico ‒ registrar um silêncio específico, advindo da linguagem oral.

A engenhoca de Manutius ganhou o mundo. "MobyDick" tem 4.000 pontos e vírgulas, informa Cecelia Watson, "um a cada 52 palavras". Machado de Assis, mais comedido e certeiro, mereceria o título de mestre do ponto e vírgula na periferia do capitalismo. Henry James não escrevia sem ter ao lado da escrivaninha um barril de pontos e vírgulas. Chegou à inverter a ordem de importância entre pontuação e palavras. Numa rara entrevista, ao Times, insistiu para que o repórter anotasse sua "pontuação, bem como as palavras".

A coisa mudou no século passado. Orwell, Barthelme, Chandler e tantos outros desprezaram o miniponto de Manutius. Vonnegut teve o topete de dizer que pontos e vírgulas são "hermafroditas que não representam absolutamente nada".

É meio assim no Brasil. Nos seis contos exímios que Dalton Trevisan publicou e distribuiu no início do ano, num livreto de 32 páginas, não há um único ponto e vírgula. Dalton deixa que seus personagens e leitores deem uma paradinha onde bem entenderem. Em contrapartida, o ponto e vírgula virou emoji, um derivado dos signos de pontuação. Dois pontos e vírgulas, com um travessão no meio, mostram uma carinha derramando uma lágrima de cada olho ;–;. Sozinho, representa uma piscada ;.

No ensaio "Sinais de Pontuação", Adorno prefigurou esse uso figurativo. O ponto de exclamação é um dedo em riste ameaçador, disse. Os dois pontos abrem a boca, "e coitado do escritor que não souber saciá-los". "Marotas e satisfeitas", as aspas "lambem os lábios".

Para Adorno, o ponto e vírgula parece "um bigode caído" e passa "um sabor rústico". Como quase ninguém mais tem bigode, o ponto e vírgula, com tantos serviços prestados, está à beira do desuso.


* Jornalista e escritor.

Folha de São Paulo, 27 de maio de 2022. Adaptado.
“Vonnegut teve o topete de dizer que pontos e vírgulas são ‘hermafroditas que não representam absolutamente nada’”.

Além da citação, a outra marca linguística do português do Brasil presente nessa passagem do texto é, fundamentalmente, o(a)
Alternativas
Respostas
1601: D
1602: B
1603: B
1604: B
1605: D
1606: C
1607: C
1608: C
1609: A
1610: B
1611: A
1612: D
1613: C
1614: B
1615: C
1616: E
1617: D
1618: E
1619: D
1620: A