Questões de Concurso Comentadas para médico clínico

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Q3691712 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Identifique o único excerto a seguir em que o vocábulo “o” é empregado como pronome demonstrativo.
Alternativas
Q3691711 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A figura de linguagem presente no trecho “— Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” é a de:
Alternativas
Q3691710 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Pela última fala da empregada, conclui-se que, para ela:
Alternativas
Q3684670 Medicina

Analise os itens a seguir e assinale a alternativa correta sobre diverticulite.



I - A diverticulite é a inflamação e/ou a infecção dos divertículos, sendo a complicação clínica mais comum nessa doença.


II - A apresentação típica da diverticulite é dor e febre persistentes no quadrante superior direito. 

Alternativas
Q3684669 Medicina
É uma doença pulmonar aguda decorrente da obstrução de vasos da circulação arterial pulmonar causada pela impactação de partículas cujo diâmetro é maior que o do vaso acometido. A maioria dos casos é precedida por uma trombose venosa profunda dos membros inferiores. Essa definição corresponde a:
Alternativas
Q3684668 Medicina

É caracterizada como uma dilatação anormal de uma artéria, que pode se romper e causar hemorragia ou permanecer íntegra por toda a vida. Pode ocorrer em diversas artérias do corpo, como as do cérebro, coração, rim ou abdômen, sendo que as localizadas na aorta torácica, abdominal e no cérebro apresentam altas taxas de mortalidade.



Esse conceito refere-se a: 

Alternativas
Q3684667 Medicina
Uma criança é levada ao atendimento com febre em elevação progressiva há alguns dias, além de tosse, coriza e conjuntivite. No segundo dia da doença, observam-se na mucosa jugal pequenas manchas vermelhas, irregulares e brilhantes, com centros branco-azulados, em região interna da bochecha. Com base nesse quadro clínico, assinale a alternativa que indica corretamente o diagnóstico mais provável.
Alternativas
Q3684666 Medicina

É uma zoonose causada por espiroquetas patogênicas do gênero Leptospira. É uma doença febril generalizada. Os principais responsáveis pela transmissão da doença são os ratos.



O conceito descrito refere-se a:

Alternativas
Q3684665 Medicina
A talassemia é uma doença genética caracterizada por um defeito na síntese das cadeias de globina, o que prejudica a formação da hemoglobina. Sobre a talassemia, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3684664 Medicina

As parasitoses intestinais são infecções que se estabelecem no trato gastrintestinal, podendo ser causadas por diferentes tipos de enteroparasitos. Analise os itens abaixo e assinale a alternativa correta.



I. Os agentes causadores das parasitoses intestinais incluem tanto protozoários quanto helmintos.


II. Dentre os protozoários causadores dessas infecções intestinais, destacam-se os flagelados e os vírus entéricos.


III. Os helmintos podem apresentar-se em formato chato ou cilíndrico.

Alternativas
Q3684663 Medicina

Analise as afirmativas a seguir indique “V” para verdadeiro e “F” para falso



( ) O vírus da hepatite A (VHA) é um vírus de RNA transmitido principalmente por via fecaloral, por contato direto ou por consumo de água e alimentos contaminados.


( ) A hepatite B (VHB) é adquirida principalmente por via parenteral, mas também pode ser transmitida por contato íntimo, como em relações sexuais desprotegidas.


( ) A infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) é atualmente uma das principais causas de cirrose hepática.

Alternativas
Q3684662 Medicina
A osteoporose é uma doença esquelética descrita por: 
Alternativas
Q3684661 Medicina

A respeito da gastrite, analise as afirmativas a seguir:



I. A gastrite é um diagnóstico histológico que denota inflamação da mucosa gástrica, consequentemente, o diagnóstico da gastrite pode ser feito por endoscopia e biópsia.


II. A infecção pela bactéria Helicobacter pylori representa a causa mais comum de gastrite.


III. O Helicobacter pylori é uma bactéria cocóide, Gram-positivo, que habita principalmente o intestino delgado humano.



Assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q3684660 Medicina
Sobre os sinais e sintomas associados às arritmias cardíacas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3684659 Medicina

Durante uma consulta, uma paciente relata tosse persistente com produção de muco, sensação de peso no peito, febre, cansaço frequente, falta de ar e leve irritação na garganta. Não há relato de crises noturnas recorrentes nem de chiado no peito.



Considerando os sintomas apresentados, o quadro clínico é mais compatível com:

Alternativas
Q3684658 Medicina
Pacientes com diabetes tipo 2 podem permanecer assintomáticos por longos períodos. Qual das seguintes características NÃO está associada ao diabetes tipo 2?
Alternativas
Q3684657 Medicina

Um adolescente de 15 anos é levado por sua mãe ao atendimento ambulatorial com queixas de episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, sensação de aperto torácico e tosse seca. Segundo a responsável, esses sintomas ocorrem com maior intensidade durante a noite e nas primeiras horas da manhã.


Com base nas informações apresentadas, o quadro clínico é compatível com:

Alternativas
Q3684656 Medicina
A pneumonia é uma infecção pulmonar que se manifesta por diversos sintomas. Assinale a alternativa que apresenta um conjunto de sinais e sintomas compatíveis com o quadro clínico típico da pneumonia:
Alternativas
Q3681653 Direito Sanitário
Considerando a previsão constitucional no que tange a Saúde, analise as proposições abaixo e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta considerando V (Verdadeiro) e F (Falso). São competência do Sistema Único de Saúde:

( ) Incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação.
( ) Fiscalizar e inspecionar alimentos, excluindo apenas o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano.
( ) Ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde.
( ) Participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos.
Alternativas
Q3681652 Medicina
A gasometria arterial é essencial para o diagnóstico e manejo adequado de pacientes com insuficiência respiratória e distúrbios ácido-base. Diante disso, qual das seguintes práticas é correta para garantir uma avaliação precisa e apropriada do estado respiratório e ácido-base do paciente?
Alternativas
Respostas
901: B
902: D
903: B
904: C
905: B
906: D
907: D
908: C
909: B
910: C
911: E
912: B
913: B
914: C
915: C
916: B
917: A
918: B
919: D
920: C