Questões de Concurso Comentadas para vestibular

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Q3928834 Medicina
A respeito da produção de hormônios no corpo humano, assinale a opção correta.
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Q3928833 Química
Texto para a questão.

    Determinada cidade enfrenta o desafio de reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e minimizar os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de resíduos. Para isso, iniciou três projetos principais:

1 Produção de etanol a partir da cana-de-açúcar
• Etapas envolvidas: colheita da cana, extração do caldo, fermentação dos açúcares pela ação de leveduras, destilação para separação do etanol.
• Objetivo: substituir parte da gasolina utilizada nos transportes.

2 Reciclagem de alumínio proveniente de latas descartadas
• Etapas envolvidas: coleta seletiva, limpeza, fusão do metal em altas temperaturas, moldagem em novas peças.
• Objetivo: reduzir o consumo de matéria-prima.

3 Tratamento de água para abastecimento da população
• Etapas envolvidas: decantação, filtração, cloração e fluoretação.
• Objetivo: garantir água potável e segura para consumo humano. 
Os métodos de separação de misturas citados no texto apresentado incluem
Alternativas
Q3928832 Engenharia Ambiental e Sanitária
Texto para a questão.

    Determinada cidade enfrenta o desafio de reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e minimizar os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de resíduos. Para isso, iniciou três projetos principais:

1 Produção de etanol a partir da cana-de-açúcar
• Etapas envolvidas: colheita da cana, extração do caldo, fermentação dos açúcares pela ação de leveduras, destilação para separação do etanol.
• Objetivo: substituir parte da gasolina utilizada nos transportes.

2 Reciclagem de alumínio proveniente de latas descartadas
• Etapas envolvidas: coleta seletiva, limpeza, fusão do metal em altas temperaturas, moldagem em novas peças.
• Objetivo: reduzir o consumo de matéria-prima.

3 Tratamento de água para abastecimento da população
• Etapas envolvidas: decantação, filtração, cloração e fluoretação.
• Objetivo: garantir água potável e segura para consumo humano. 
A reciclagem do alumínio, uma das estratégias adotadas pela cidade de que trata o texto apresentado anteriormente, é considerada uma forma de preservação dos recursos naturais porque 
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Q3928830 Química
Texto para a questão.

    Alguns bombons possuem um recheio líquido, uma espécie de “li r” u “xar pe” e eu interior. Muitos podem se perguntar: como isso é possível? Seria esse líquido inserido dentro do bombom sólido oco? Se sim, como se faria para tapar o orifício de introdução e evitar que o líquido vaze?
    Na verdade, o processo não é bem esse. O recheio é feito com uma mistura de sacarose e outros ingredientes, formando uma pasta ou um creme relativamente firme. Antes de se recobrir o recheio sólido com chocolate, a enzima invertase é adicionada à mistura. Essa enzima catalisa a hidrólise da sacarose em duas moléculas menores: glicose e frutose. Após o bombom ser fechado com a casca de chocolate, a invertase começa a agir lentamente. Em alguns dias ou semanas, a sacarose se converte em glicose e frutose, que são mais solúveis em água. Isso transforma o recheio sólido em um xarope líquido dentro da casca.
Ainda considerando-se as informações do texto anterior, é correto afirmar que a hidrólise da sacarose, produzindo glicose e frutose, é uma reação
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Q3928828 Química
Texto para a questão.

    Alguns bombons possuem um recheio líquido, uma espécie de “li r” u “xar pe” e eu interior. Muitos podem se perguntar: como isso é possível? Seria esse líquido inserido dentro do bombom sólido oco? Se sim, como se faria para tapar o orifício de introdução e evitar que o líquido vaze?
    Na verdade, o processo não é bem esse. O recheio é feito com uma mistura de sacarose e outros ingredientes, formando uma pasta ou um creme relativamente firme. Antes de se recobrir o recheio sólido com chocolate, a enzima invertase é adicionada à mistura. Essa enzima catalisa a hidrólise da sacarose em duas moléculas menores: glicose e frutose. Após o bombom ser fechado com a casca de chocolate, a invertase começa a agir lentamente. Em alguns dias ou semanas, a sacarose se converte em glicose e frutose, que são mais solúveis em água. Isso transforma o recheio sólido em um xarope líquido dentro da casca.
Caso a reação de hidrólise da sacarose, mencionada no texto apresentado, não fosse catalisada e o sistema já estivesse em equilíbrio químico, então a adição de mais sacarose à mistura do recheio
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Q3928825 Química
Texto para a questão.

    O Codex Ebers, um papiro médico produzido no antigo Egito, descreve o uso de alho para limpar feridas e tratar doenças. Hoje, sabe-se que o dissulfeto de dialila (CH2═CH─CH2─S─S─CH2─CH═CH2; M = 146 g/mol), o composto volátil responsável pelo odor do alho, é um poderoso agente antibactericida, mais potente contra febre tifoide, inclusive, que a própria penicilina.

    Em escala industrial, o dissulfeto de dialila é produzido a partir de dissulfeto de sódio (Na2S2; M = 110 g/mol) e cloreto de alila (C3H5Cl; M = 76,5 g/mol), a temperaturas entre 40 °C e 60 °C, em uma atmosfera de gás inerte, conforme a reação mostrada a seguir.

Captura_de tela 2026-03-12 142902.png (522×50)
Conforme afirmado no texto apresentado anteriormente, o composto Na2S2 é denominado dissulfeto de sódio. É correto afirmar que esse composto
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Q3928824 Química
Texto para a questão.

    O Codex Ebers, um papiro médico produzido no antigo Egito, descreve o uso de alho para limpar feridas e tratar doenças. Hoje, sabe-se que o dissulfeto de dialila (CH2═CH─CH2─S─S─CH2─CH═CH2; M = 146 g/mol), o composto volátil responsável pelo odor do alho, é um poderoso agente antibactericida, mais potente contra febre tifoide, inclusive, que a própria penicilina.

    Em escala industrial, o dissulfeto de dialila é produzido a partir de dissulfeto de sódio (Na2S2; M = 110 g/mol) e cloreto de alila (C3H5Cl; M = 76,5 g/mol), a temperaturas entre 40 °C e 60 °C, em uma atmosfera de gás inerte, conforme a reação mostrada a seguir.

Captura_de tela 2026-03-12 142902.png (522×50)
Considerando-se que a reação entre dissulfeto de sódio e cloreto de alila, mencionada no texto precedente, tenha um rendimento de 88%, é correto afirmar que 1 kg de dissulfeto de sódio produzirá uma quantidade de dissulfeto de dialila
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Q3928807 Física
    Um corpo, inicialmente em repouso, está no topo de um plano inclinado, de altura h. O ângulo entre o plano e a direção horizontal é dado por θ, e a aceleração da gravidade é representada por g, conforme ilustrado na figura a seguir.

Captura_de tela 2026-03-12 142446.png (283×177)

    Sabe-se que há atrito entre o corpo e a superfície do plano inclinado e que o coeficiente de atrito estático é o dobro do coeficiente de atrito cinético e tem valor adimensional igual a 1. Sabe-se, também, que o valor de θ é o menor valor possível para que o corpo não permaneça em repouso. Sobre o corpo atua a força peso.

    A partir dessas informações, assinale a opção que corresponde ao tempo que o corpo demorará para descer do topo até a base do plano inclinado.
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Q3928806 Inglês
Text for question.

    The elevation of scientific discourse to a major component in the project of modernity and the Eurocentrism inherent in the Western scientific enterprise have aided both the development of racial hierarchies and the creation of the long-enduring myth of science as an impartial, pure and value-free endeavour, superior to other peoples’ modes of thinking. It is also to be argued that it is one thing to ‘discover’, identify, categorise and classify plants, beetles as well as peoples, but quite another to transform such categories and classifications into hierarchies that suggest stratification in terms of social and moral inferiority. The process of categorisation would then not in itself be normative, but rather evaluative attributions would be based upon moral and social preferences, subjective value judgements and the striving for political power.
    The conundrum of the conceptual status and the socio-political consequences of the Enlightenment has not been resolved satisfactorily. Yet there now exists agreement on some parameters. The consensus is that scientific racism, racial medicine and colonial rule were for a time closely linked, variously reinforced and justified each other. Claims to racial superiority and Western scientific and medical hegemony are seen to have emerged alongside each other in the wake of the Enlightenment, culminating eventually not only in scientifically based racism in the nineteenth century and racial medicine in the twentieth century, but also in the perceived enhancement and legitimisation of colonial expansion by reference to medical and scientific progress. The interrelatedness of race, science and medicine, and its extension to the colonial realm during the nineteenth century, in particular, therefore constitutes one major focus for work and research.


Waltraud Ernst. Historical and contemporary perspectives on race, science and medicine.
In: Waltraud Ernst and Bernard Harris (eds.) Race, Science and Medicine, 1700–1960.
London: Routledge, 1999.
In Waltraud Ernst’s text, the word “conundrum”, used in the beginning of the second paragraph, could be correctly replaced, without changing the overall meaning of the sentence, with
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Q3928805 Inglês
Text for question.

    The elevation of scientific discourse to a major component in the project of modernity and the Eurocentrism inherent in the Western scientific enterprise have aided both the development of racial hierarchies and the creation of the long-enduring myth of science as an impartial, pure and value-free endeavour, superior to other peoples’ modes of thinking. It is also to be argued that it is one thing to ‘discover’, identify, categorise and classify plants, beetles as well as peoples, but quite another to transform such categories and classifications into hierarchies that suggest stratification in terms of social and moral inferiority. The process of categorisation would then not in itself be normative, but rather evaluative attributions would be based upon moral and social preferences, subjective value judgements and the striving for political power.
    The conundrum of the conceptual status and the socio-political consequences of the Enlightenment has not been resolved satisfactorily. Yet there now exists agreement on some parameters. The consensus is that scientific racism, racial medicine and colonial rule were for a time closely linked, variously reinforced and justified each other. Claims to racial superiority and Western scientific and medical hegemony are seen to have emerged alongside each other in the wake of the Enlightenment, culminating eventually not only in scientifically based racism in the nineteenth century and racial medicine in the twentieth century, but also in the perceived enhancement and legitimisation of colonial expansion by reference to medical and scientific progress. The interrelatedness of race, science and medicine, and its extension to the colonial realm during the nineteenth century, in particular, therefore constitutes one major focus for work and research.


Waltraud Ernst. Historical and contemporary perspectives on race, science and medicine.
In: Waltraud Ernst and Bernard Harris (eds.) Race, Science and Medicine, 1700–1960.
London: Routledge, 1999.
Waltraud Ernst’s text leads to the conclusion that, for him,
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Q3928804 Inglês
Text for question.

    The elevation of scientific discourse to a major component in the project of modernity and the Eurocentrism inherent in the Western scientific enterprise have aided both the development of racial hierarchies and the creation of the long-enduring myth of science as an impartial, pure and value-free endeavour, superior to other peoples’ modes of thinking. It is also to be argued that it is one thing to ‘discover’, identify, categorise and classify plants, beetles as well as peoples, but quite another to transform such categories and classifications into hierarchies that suggest stratification in terms of social and moral inferiority. The process of categorisation would then not in itself be normative, but rather evaluative attributions would be based upon moral and social preferences, subjective value judgements and the striving for political power.
    The conundrum of the conceptual status and the socio-political consequences of the Enlightenment has not been resolved satisfactorily. Yet there now exists agreement on some parameters. The consensus is that scientific racism, racial medicine and colonial rule were for a time closely linked, variously reinforced and justified each other. Claims to racial superiority and Western scientific and medical hegemony are seen to have emerged alongside each other in the wake of the Enlightenment, culminating eventually not only in scientifically based racism in the nineteenth century and racial medicine in the twentieth century, but also in the perceived enhancement and legitimisation of colonial expansion by reference to medical and scientific progress. The interrelatedness of race, science and medicine, and its extension to the colonial realm during the nineteenth century, in particular, therefore constitutes one major focus for work and research.


Waltraud Ernst. Historical and contemporary perspectives on race, science and medicine.
In: Waltraud Ernst and Bernard Harris (eds.) Race, Science and Medicine, 1700–1960.
London: Routledge, 1999.
It can be inferred from Waltraud Ernst’s text that scientifically based racism and colonial expansion
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Q3928803 Inglês
Text for question.

     Space medicine is an emerging field that blends emergency care, physiology, psychology and toxicology to help astronauts manage the health challenges of space flight. Its key focus is understanding how the body responds in the absence of gravity. In space, astronauts live in microgravity, a state of near weightlessness caused by continuous free fall while orbiting the planet.
     Although gravity is still present, its effects are greatly diminished. Fluids move upward, muscles weaken and bones lose mass. These changes can disrupt normal body function in ways that are still being studied.
     “Microgravity is not an environment we evolved for,” says Dr. Lisa McNamee, who works with space medicine. “It acts like a stress test on the body, and that tells us things about human physiology that we’d never discover in a lab,” she adds.
     Other risks include radiation, pressure changes, disrupted sleep cycles, lunar dust and g-forces. These forces, caused by changes in acceleration, can place added strain on the body.

Niamh Shaw. Medicine’s final frontier: How space is changing what we know about health.
Internet: <www.irishtimes.com> (adapted).
With the sentence “Fluids move upward, muscles weaken and bones lose mass” (second sentence of the second paragraph), Niamh Shaw mentions bodily changes that
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Q3928802 Inglês
Text for question.

     Space medicine is an emerging field that blends emergency care, physiology, psychology and toxicology to help astronauts manage the health challenges of space flight. Its key focus is understanding how the body responds in the absence of gravity. In space, astronauts live in microgravity, a state of near weightlessness caused by continuous free fall while orbiting the planet.
     Although gravity is still present, its effects are greatly diminished. Fluids move upward, muscles weaken and bones lose mass. These changes can disrupt normal body function in ways that are still being studied.
     “Microgravity is not an environment we evolved for,” says Dr. Lisa McNamee, who works with space medicine. “It acts like a stress test on the body, and that tells us things about human physiology that we’d never discover in a lab,” she adds.
     Other risks include radiation, pressure changes, disrupted sleep cycles, lunar dust and g-forces. These forces, caused by changes in acceleration, can place added strain on the body.

Niamh Shaw. Medicine’s final frontier: How space is changing what we know about health.
Internet: <www.irishtimes.com> (adapted).
Niamh Shaw’s main purpose with her text is to
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Q3928800 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
    Tecnologia assistiva (ou ajuda técnica), conforme definida na Lei Brasileira de Inclusão, são produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

Brasil. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Manual de acessibilidade em eventos presenciais. 1.ª ed. Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2025. Internet: <gov.br>.

Considerando as informações apresentadas, assinale a opção correta acerca do uso de tecnologia assistiva em eventos e produções artísticas.
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Q3928799 Literatura
Com relação ao gênero literário dramático e sua produção artística como espetáculo, assinale a opção correta. 
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Q3928798 Literatura
Amor

    Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.
    No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
        (...)
      O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu ao seu rosto um ar de mulher. O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.
     A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.
    O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.
     Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio.

Clarice Lispector. Todos os contos. Benjamin Moser (org.).
Rio de Janeiro: Rocco, 2016, p. 145-7 (com adaptações).

O texto Amor ilustra um aspecto marcante e inovador da narrativa intimista de Clarice Lispector no contexto da terceira fase do Modernismo brasileiro. Esse aspecto corresponde 
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Q3928797 Português
Amor

    Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.
    No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
        (...)
      O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu ao seu rosto um ar de mulher. O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.
     A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.
    O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.
     Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio.

Clarice Lispector. Todos os contos. Benjamin Moser (org.).
Rio de Janeiro: Rocco, 2016, p. 145-7 (com adaptações).

No texto Amor, a imagem de um cego no ponto do bonde provoca na personagem Ana uma reação tão intensa que “quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio”. Pelos sentidos veiculados no fragmento, infere-se que tal reação se deve
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Q3928796 Literatura
Botafogo                                                          Murilo Mendes
Desfilam algas, sereias, peixes e galeras
E legiões de homens desde a pré-história
Diante do Pão de Açúcar impassível.
Um aeroplano bica a pedra amorosamente
A filha do português debruçou-se à janela
Os anúncios luminosos leem seu busto
A enseada encerrou-se num arranha-céu.

Murilo Mendes. Os quatro elementos. Internet: <www.algumapoesia.com.br>.

O Modernismo brasileiro recebeu forte influência das vanguardas europeias, cujos conceitos passaram a fazer parte definitivamente da arte brasileira a partir da Semana de Arte Moderna. No texto Botafogo, que integra o Modernismo brasileiro, verifica-se que o autor foi influenciado, principalmente, pelo(a) 
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Q3928795 Literatura
Memórias de um sargento de milícias

    Viu-se na rua, sem saber para onde ir, tendo por única fortuna uma bacia de barbear embaixo do braço, um par de navalhas e outro de lancetas na algibeira. Verdade é que quem tinha consigo estes trastes estava com as armas e uniforme do ofício; porém isso não bastava; o pobre rapaz estava em apertos. (...)
    No largo do Paço um marujo que estava sentado em uma pedra junto ao mar chamou-o para que lhe fizesse a barba: mãos à obra, que já naquele dia não morria de fome.
    Todo barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna.
    O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos comboios que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.
    — Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
    — Sim, eu também sangro...
    — Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar a gente a bordo; morre-se ali que é uma praga.
    — Homem, eu da cirurgia não entendo muito...
    — Pois já não disse que sabe também sangrar?
    — Sim...
    — Então já sabe até demais.
    No dia seguinte saiu o nosso homem pela barra fora: a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta.

Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um sargento de milícias.
São Paulo: Ática, 2001, p. 43.
O romance Memórias de um sargento de milícias foi publicado entre 1852 e 1853, mas os fatos narrados se passam em um período anterior, compreendido entre 1808 e 1820. Considerando essa informação e o trecho do romance apresentado anteriormente, assinale a opção correta em relação a essa obra no contexto da literatura brasileira. 
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Q3928794 Português
Memórias de um sargento de milícias

    Viu-se na rua, sem saber para onde ir, tendo por única fortuna uma bacia de barbear embaixo do braço, um par de navalhas e outro de lancetas na algibeira. Verdade é que quem tinha consigo estes trastes estava com as armas e uniforme do ofício; porém isso não bastava; o pobre rapaz estava em apertos. (...)
    No largo do Paço um marujo que estava sentado em uma pedra junto ao mar chamou-o para que lhe fizesse a barba: mãos à obra, que já naquele dia não morria de fome.
    Todo barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna.
    O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos comboios que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.
    — Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
    — Sim, eu também sangro...
    — Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar a gente a bordo; morre-se ali que é uma praga.
    — Homem, eu da cirurgia não entendo muito...
    — Pois já não disse que sabe também sangrar?
    — Sim...
    — Então já sabe até demais.
    No dia seguinte saiu o nosso homem pela barra fora: a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta.

Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um sargento de milícias.
São Paulo: Ática, 2001, p. 43.
No fragmento apresentado da obra Memórias de um sargento de milícias, o emprego da palavra “fortuna” no primeiro, no terceiro e no último parágrafos contribui para a caracterização do personagem central do episódio narrado, o barbeiro, porque
Alternativas
Respostas
141: D
142: E
143: C
144: E
145: A
146: A
147: A
148: B
149: D
150: A
151: B
152: C
153: E
154: A
155: C
156: C
157: D
158: A
159: C
160: B