Questões de Concurso
Comentadas para psicólogo
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O Art. 7º da Lei nº 8.080/1990 define que as ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal. São listados 13 (treze) princípios que devem ser rigorosamente obedecidos, dentre os quais:
I- Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência.
II- Integridade de assistência.
III- Preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral.
IV- Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.
V- Garantia opcional de informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Acolhimento é uma das principais diretrizes da humanização do SUS, parte essencial da Política Nacional de Humanização - PNH. Algumas afirmações a seguir descrevem em que consiste esta diretriz.
I- Gestão democrática: incluir os sujeitos nos processos de decisão contribui com a validação das práticas de gestão. As assembleias deliberativas com a participação popular são parte de uma ação efetiva para empoderamento dos usuários.
II- Ambiência: criação de espaços saudáveis e acolhedores, que respeitem a privacidade e sejam lugares de encontro entre os indivíduos.
III- Clínica ampliada e compartilhada: esta ferramenta busca uma ampla visão da abordagem clínica do usuário, considerando sua singularidade e complexidade de seu estado de saúde.
IV- Valorização do trabalhador: inclusão do trabalhador na tomada de decisão, dando autonomia à sua necessidade e às necessidades dos usuários, tendo em vista que são os sujeitos diretos das práticas do SUS.
V- Defesa dos direitos dos usuários: incentivo ao conhecimento dos direitos legais dos usuários e assegurar seu cumprimento em todas as fases do cuidado.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Após dois anos e meio de intenso debate, há mais de uma década foi aprovado um novo texto legal que disciplina a gestão pública da Política de Assistência Social em todo o território brasileiro, exercida de forma sistêmica pelos entes federativos, em consonância com a Constituição Federal, de 1988. Ali estão definidos também os mecanismos e formas de desenvolvimento do trabalho em equipe multidisciplinar. Trata-se da:
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial, se necessário. Foi bastante desenvolvido em espaços de atenção à saúde mental como forma de propiciar uma atuação integrada da equipe valorizando outros aspectos.
O PTS contém alguns momentos indispensáveis, corretamente listados em apenas uma das alternativas a seguir. Assinale-a.
Dentre as afirmações a seguir, apenas uma corresponde a uma determinação legal inscrita no Estatuto da Pessoa Idosa. Assinale a afirmativa CORRETA.
O Artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente indica com clareza o papel dos setores de saúde e educacional sobre a obrigação de notificar ao Conselho Tutelar ou ao Juizado da Infância sobre qualquer suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente.
Já o Artigo 245 define que o agente público que, no exercício de suas atividades profissionais, tiver suspeita ou confirmação de tais práticas contra a criança ou adolescente e agir com negligência, não denunciando, estará sujeito à sanção administrativa definida como:
O Art. 33 da Resolução nº 09/2018 do CFP define que a psicóloga e o psicólogo, na realização de estudos, pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias, atuarão considerando os processos de desenvolvimento humano, como:
Acerca do desenvolvimento da criança, nota-se que é fundamental o papel da interação social, em que os instrumentos sociais e culturais (como a linguagem) produzem formas de pensar típicas dos seres humanos. Cada sujeito aprende e se desenvolve de acordo com as interações culturais que realiza, apropriando-se dessas experiências como conhecimento, o qual lhe permitirá uma participação mais ativa e produtiva na sociedade.
A qual teoria do desenvolvimento estes conceitos se referem?
Analise as afirmações a seguir: o ego é a mente consciente; o inconsciente pessoal é uma região adjacente ao ego; o inconsciente coletivo é o sistema mais poderoso e influente da psique e, em casos patológicos, domina o ego e o inconsciente pessoal. São características inseparáveis da teoria da personalidade construída por:
De acordo com o DSM-IV, para caracterizar e diagnosticar determinado quadro de adoecimento/sofrimento psíquico, é necessário confirmar pelo menos cinco critérios por duas semanas, com prejuízo no funcionamento psicossocial ou sofrimento significativo. Pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou perda do interesse ou prazer.
Leia atentamente a lista dos sintomas a seguir: Humor deprimido; Desânimo, perda do interesse; Apetite; Sono; Anedonia; Fadiga, perda de energia; Pessimismo; Baixa autoestima; Concentração prejudicada; Pensamentos de morte ou suicídio; Retardo/agitação psicomotora.
Estes sintomas tratam especificamente de qual dos transtornos listados abaixo:
O equilíbrio dos humores resulta em saúde. O desequilíbrio destes humores provoca a doença. O cuidado depende de uma compreensão deste desequilíbrio para buscar atingir o equilíbrio. Dentre os vários modelos explicativos do processo de saúde, doença e cuidado, a concepção descrita acima se enquadra no:
Sobre a guarda de documentos produzidos, em razão de atividade profissional, havendo a extinção do serviço de Psicologia, a psicóloga ou psicólogo responsável adotará a seguinte conduta:
Em relação às manifestações de bissexualidade e demais orientações não monossexuais, à luz do Código de Ética Profissional dos Psicólogos (CEPP), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu em Resolução que à psicóloga e ao psicólogo, no exercício da profissão, é vedado:
O Código de Ética Profissional dos Psicólogos (CEPP), como quaisquer outros, estará sempre submetido às influências das mudanças que se processam em sociedade. Novas situações surgem e novos casos desafiam sua atualização permanente. Como toda produção legislativa, os casos omissos exigem avaliação e julgamento para a criação de nova ordem normativa. Após julgamento dos casos omissos no CEPP, será firmada nova jurisprudência com base em decisões:
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a quantidade de linhas necessárias para a construção da tabela verdade da proposição composta a seguir.

Em uma loja, são oferecidas três mercadorias: A, B e C. A seguir, no Diagrama de Venn, tem-se a quantidade de vezes que cada produto foi vendido ao longo de um mês. Assinale a alternativa CORRETA.

Após um desastre, a defesa civil levantou os seguintes dados:
· 78 pessoas tiveram suas casas alagadas;
· 49 pessoas tiveram apenas perda de móveis;
· 19 pessoas sofreram apenas com deslizamentos de terra;
· 27 pessoas tiveram suas casas alagadas e perderam móveis;
· 31 pessoas sofreram com deslizamentos de terra e tiveram suas casas alagadas;
· 20 pessoas tiveram suas casas alagadas, perderam móveis e sofreram com deslizamentos de terra.
Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Observe o emprego do pronome relativo nas estruturas abaixo expostas e, em seguida, indique a função sintática assumida por cada um deles.
“Em seguida vinha o 29766, EM QUE1 se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas.”
“A senhora A QUE2 me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa.”
“[...] mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, [...] e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, QUE3 lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)