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Q3691715 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A palavra que tem exatamente o mesmo número de sílabas que “embaraçada”, que ocorre no texto, é: 
Alternativas
Q3691714 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
O verbo em “— Eu comprei um vaso.” está conjugado:
Alternativas
Q3691713 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Os vocábulos “sem” e “sequer”, que ocorrem no trecho “[...] sem sequer me dar conta do que fazia.”, pertencem, respectivamente, às classes gramaticais:
Alternativas
Q3691712 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Identifique o único excerto a seguir em que o vocábulo “o” é empregado como pronome demonstrativo.
Alternativas
Q3691711 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A figura de linguagem presente no trecho “— Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” é a de:
Alternativas
Q3691710 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Pela última fala da empregada, conclui-se que, para ela:
Alternativas
Q3690989 Psicologia
As intervenções com grupos são uma ferramenta importante na prática do psicólogo em contextos institucionais, como escolas e serviços de saúde. Assinale a alternativa que descreve um fenômeno grupal que o coordenador de um grupo terapêutico ou operativo deve manejar.
Alternativas
Q3690988 Psicologia
O processo de envelhecimento acarreta mudanças em diversas dimensões da vida do indivíduo, incluindo aspectos cognitivos, sociais e emocionais. Sobre as características psicológicas do envelhecimento, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A inteligência fluida, relacionada à velocidade de processamento e à resolução de novos problemas, tende a apresentar um declínio com a idade, enquanto a inteligência cristalizada, relacionada ao conhecimento e à experiência acumulados, tende a se manter ou até aumentar.
(__)A teoria da seletividade socioemocional postula que, com o envelhecimento, os indivíduos tendem a priorizar relacionamentos e interações que são emocionalmente mais significativos, buscando otimizar suas experiências emocionais.
(__)O envelhecimento é um processo universalmente associado ao desenvolvimento de quadros demenciais, como a Doença de Alzheimer, sendo a demência uma parte natural e inevitável da senescência.
(__)A aposentadoria é um evento do ciclo vital que pode exigir um processo de adaptação significativo, podendo representar tanto uma oportunidade para novos projetos quanto uma crise de identidade e perda do papel social.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3690987 Psicologia
As teorias e técnicas psicoterápicas se baseiam em diferentes concepções sobre o psiquismo e o adoecimento. A Terapia Comportamental clássica, baseada nos princípios do Behaviorismo Radical de B. F. Skinner, utiliza conceitos específicos para a análise e modificação do comportamento. Sobre esses conceitos, analise as afirmativas a seguir.
I.O comportamento operante é aquele cuja probabilidade de ocorrência futura é modificada pelas consequências que produz no ambiente.
II.O reforço positivo é a apresentação de um estímulo agradável após a emissão de um comportamento, com o efeito de aumentar a probabilidade de que este comportamento se repita.
III.A punição consiste na apresentação de um estímulo aversivo ou na retirada de um estímulo reforçador após a emissão de um comportamento, com o objetivo de aumentar a frequência desse comportamento.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3690986 Psicologia
Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), atualmente denominados Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB), foram criados para ampliar a abrangência e a resolutividade das ações da Atenção Primária. A atuação do psicólogo no Nasf-AB é pautada por uma lógica de trabalho específica. Sobre esta atuação, analise as afirmativas a seguir.
I.O trabalho se organiza por meio do apoio matricial, que consiste em um arranjo organizacional que visa oferecer suporte técnico especializado e pedagógico às equipes de referência da Estratégia Saúde da Família.
II.As principais ferramentas do psicólogo no Nasf-AB incluem a discussão de casos, a construção conjunta de projetos terapêuticos singulares, a intervenção intersetorial e a realização de ações de saúde em espaços coletivos.
III.A atuação do psicólogo no Nasf-AB deve priorizar a realização de atendimentos individuais em psicoterapia breve, com a constituição de uma agenda de atendimentos clínicos que funcione de forma paralela e independente da equipe de Saúde da Família.
Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3690985 Psicologia
O Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece os princípios e as normas que regem o exercício da profissão, visando à proteção da sociedade e à qualidade dos serviços prestados. A respeito do sigilo profissional, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O sigilo profissional visa proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações a que o psicólogo tenha acesso no exercício profissional.
(__)Em caso de quebra do sigilo, o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias, sendo que a decisão pela quebra é de sua inteira responsabilidade.
(__)O psicólogo pode quebrar o sigilo em situações que envolvam risco ou violação de direitos da pessoa atendida ou de terceiros, como em casos de suspeita de maus-tratos a crianças e adolescentes.
(__)Ao participar de reuniões multiprofissionais, o psicólogo está isento do dever de sigilo, podendo compartilhar todas as informações do caso com os demais membros da equipe, independentemente da pertinência.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3690984 Psicologia
Na teoria de Jean Piaget, o processo de desenvolvimento cognitivo ocorre por meio de um mecanismo de equilibração, que envolve a interação de dois processos complementares: a assimilação e a acomodação. Sobre estes conceitos, analise as afirmativas a seguir.
I.A assimilação é o processo pelo qual o indivíduo incorpora novas informações ou experiências aos esquemas cognitivos já existentes, sem modificá-los.
II.A acomodação é o processo que envolve a modificação dos esquemas cognitivos existentes para se ajustarem às novas informações ou experiências que não puderam ser assimiladas.
III.O equilíbrio entre assimilação e acomodação leva à adaptação e à construção de novas estruturas cognitivas, impulsionando o desenvolvimento para estágios mais avançados.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3690983 Psicologia
 A abordagem sistêmica compreende a família como um sistema complexo e inter-relacionado, no qual o comportamento de cada membro afeta e é afetado pelos demais. Sobre os conceitos da terapia familiar sistêmica, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)Homeostase é a tendência do sistema familiar de manter a estabilidade e o equilíbrio, mesmo que disfuncional, resistindo a mudanças que ameacem seus padrões habituais de interação.
(__)O paciente identificado é o membro da família que manifesta o sintoma (o "problema"), mas que, na perspectiva sistêmica, é visto como o porta-voz de uma disfunção de todo o sistema familiar.
(__)Circularidade é o princípio segundo o qual as relações em uma família não são lineares (causa e efeito), mas circulares, em que cada membro influencia e é influenciado pelos outros em um processo contínuo de retroalimentação.
(__)A terapia familiar sistêmica busca identificar o membro "culpado" pela disfunção familiar, focando a intervenção exclusivamente nele para que, ao mudar, todo o sistema se ajuste.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q3690982 Psicologia
A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget postula que a criança passa por estágios sequenciais e qualitativamente distintos de organização do pensamento. O estágio sensório-motor, que ocorre aproximadamente nos dois primeiros anos de vida, é caracterizado por uma forma particular de inteligência. Assinale a alternativa que descreve a principal característica da inteligência no estágio sensório-motor.
Alternativas
Q3690981 Psicologia
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. Conforme o DSM-5, para o diagnóstico, os sintomas devem atender a certos critérios. A respeito desses critérios, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)Para o diagnóstico de TDAH, é necessário que vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estivessem presentes antes dos 12 anos de idade.
(__)Os sintomas devem estar presentes em dois ou mais contextos, como em casa e na escola, ou no trabalho, indicando que não são apenas uma reação a um ambiente específico.
(__)Deve haver claras evidências de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou profissional, ou de que reduzem sua qualidade.
(__)A presença de um Transtorno do Espectro Autista (TEA) exclui o diagnóstico de TDAH, não sendo possível a comorbidade entre os dois transtornos.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3690980 Psicologia
A atuação do psicólogo em instituições como escolas ou unidades de saúde, especialmente no contexto do AEE e do NASF, difere da prática clínica tradicional de consultório. Sobre esta atuação institucional, analise as afirmativas a seguir.
I.O foco da intervenção é, muitas vezes, a relação entre o indivíduo e a instituição, buscando promover a saúde, prevenir agravos e facilitar processos de inclusão, e não apenas tratar o transtorno do indivíduo de forma isolada.
II.O psicólogo atua frequentemente em equipe multiprofissional, devendo desenvolver habilidades de comunicação, colaboração e construção de projetos comuns com outros profissionais, como pedagogos, assistentes sociais e médicos.
III.A demanda pelo trabalho do psicólogo na instituição é frequentemente indireta, vinda de um professor, de um gestor ou da equipe de saúde, exigindo do psicólogo a capacidade de analisar a demanda e intervir no sistema, e não apenas no "paciente identificado".
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3690979 Direito Sanitário
A Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, conhecida como Lei Orgânica da Saúde, regula em todo o território nacional as ações e serviços de saúde. Assinale a alternativa que apresenta um dos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelecidos por esta lei.
Alternativas
Q3690978 Psicologia
A teoria psicanalítica freudiana postula a existência de mecanismos de defesa do Ego, que são processos psicológicos inconscientes utilizados para reduzir a ansiedade e proteger o indivíduo de pensamentos e sentimentos intoleráveis. Assinale a alternativa que descreve corretamente o mecanismo de defesa da formação reativa.
Alternativas
Q3690977 Psicologia
A teoria sociocultural de Lev Vygotsky oferece ferramentas conceituais importantes para a compreensão da relação entre aprendizagem e desenvolvimento no contexto escolar. Um de seus conceitos centrais é a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Assinale a alternativa que define corretamente a ZDP.
Alternativas
Q3690976 Psicologia
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) estabelece os critérios para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sobre esses critérios, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O diagnóstico de TEA exige a presença de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, manifestados por dificuldades na reciprocidade socioemocional e em comportamentos comunicativos não verbais.
(__)É necessário também que o quadro clínico inclua padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, como estereotipias motoras, insistência nas mesmas coisas ou interesses fixos e intensos.
(__)Os sintomas devem estar presentes no período precoce do desenvolvimento, embora possam não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas da criança.
(__)O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista pode ser realizado na ausência de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Respostas
5461: D
5462: C
5463: E
5464: B
5465: D
5466: B
5467: B
5468: C
5469: D
5470: A
5471: B
5472: C
5473: E
5474: B
5475: B
5476: A
5477: A
5478: B
5479: C
5480: D