Questões de Concurso Comentadas para técnico de laboratório - física

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Q975303 Eletricidade
Assinale a alternativa que melhor descreve as características desejadas para um fusível em um circuito elétrico.
Alternativas
Q975301 Mecânica
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir.
No micrômetro, as placas de material ______ afixadas no ______ têm a função de isolamento térmico, com o objetivo de ______ os efeitos da dilatação provocada pelo calor da mão ao se fazer a medida. Com esse instrumento é ______ realizar medidas de dimensões maiores que 25 mm.
Alternativas
Q975299 Mecânica
Quanto ao relógio comparador, é correto afirmar que:
Alternativas
Q975298 Eletricidade
Ao executar trabalhos em redes e sistemas elétricos, deve-se ter sempre como prioridade a segurança, tanto do trabalhador quanto do usuário. Com o objetivo de iniciar uma manutenção em equipamento elétrico que apresentou defeito, assinale a alternativa correta quanto à sequência de procedimentos a serem executados.
Alternativas
Q971124 Noções de Informática

Identifique quais das funcionalidades enumeradas abaixo estão presentes no Microsoft Word e estão descritas corretamente. Em seguida, assinale a alternativa correta.


I. Inserir nota de rodapé: insere uma nota numerada no rodapé da página.

II. Inserir índice remissivo: gera um índice contendo todos os termos formatados com o estilo “Entrada” contido no documento e seus respectivos números de página.

III. Inserir índice de seções: insere um índice contendo a primeira linha (título) de todas as seções do documento e seus respectivos números de página.

IV. Inserir índice de imagens: gera um índice com todas as legendas de imagens contidas no documento e suas respectivas páginas.

Alternativas
Q971123 Noções de Informática

Atualmente são utilizadas duas tecnologias para armazenamento permanente de dados em computadores pessoais: HDD (hard disk drive) e SSD (solid-state drive). Considere as seguintes afirmativas a respeito dessas tecnologias e assinale a alternativa correta.


I. A tecnologia SSD consome menos energia que a tecnologia HDD.

II. A velocidade de leitura/gravação de dados na tecnologia SSD é superior à da tecnologia HDD.

III. Considerando a capacidade de armazenamento, os dispositivos com base na tecnologia SSD são proporcionalmente mais caros que os com base na tecnologia HDD.

Alternativas
Q971122 Noções de Informática
Suponha que na pasta “Downloads” de um computador com sistema operacional Windows 10 há diversos arquivos, que ocupam 2 gigabytes no disco rígido, e que você não irá mais precisar deles. Assinale a alternativa que descreve uma forma correta de remover todos esses arquivos permanentemente, liberando espaço no disco rígido do computador.
Alternativas
Q971121 Noções de Informática
A popularização da Internet estimulou o desenvolvimento de diversos serviços, que são utilizados atualmente por pessoas e empresas. Um desses serviços permite que sejam feitas ligações telefônicas por meio da Internet e é identificado pela sigla:
Alternativas
Q969975 Direito Administrativo

Com base nos conceitos estabelecidos pela Lei nº 8.112/90, relacione os termos constantes da coluna 1 às definições constantes da coluna 2 e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.


Coluna 1

I. Readaptação

II. Reversão

III. Reintegração

IV. Remoção

V. Redistribuição


Coluna 2

( ) Retorno de servidor aposentado à atividade.

( ) Investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação, verificada em inspeção médica, que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental.

( ) Deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC.

( ) Reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.

( ) Deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.

Alternativas
Q969974 Direito Administrativo

Com base na Lei nº 8.112/90, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.


I. O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da autoridade competente de cada Poder.

II. A nomeação será feita em caráter efetivo para cargos de confiança vagos.

III. A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação do ato de provimento.

IV. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função de confiança.

V. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar um ano de efetivo exercício.

Alternativas
Q969969 Direito Ambiental

A Lei nº 12.305/10, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, incorpora conceitos modernos de gestão de resíduos sólidos e se dispõe a trazer novos instrumentos à legislação ambiental brasileira. Nesse contexto, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. A reutilização e a reciclagem são apresentadas na lei como sinônimos.

II. O ciclo de vida do produto consiste na série de etapas que envolve o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo e o consumo.

III. O passivo ambiental está associado aos impactos ambientais gerados por uma empresa, e que não tenham sido controlados ao longo de sua operação, e aos investimentos e obrigações que ela deve realizar para corrigi-los.

IV. O estímulo à rotulagem ambiental corresponde à necessidade de identificar os fornecedores de matérias-primas de interesse ambiental que compõem o produto.

V. Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos

Alternativas
Q969968 Direito Administrativo

Em 2010, a Lei nº 12.349 alterou a Lei nº 8.666, de 1993, incluindo a promoção do desenvolvimento nacional sustentável entre os princípios a serem garantidos na licitação. A esse respeito, indique se as afirmativas abaixo são verdadeiras (V) ou falsas (F) e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.


( ) Produtos, serviços e obras de menor impacto ambiental, ainda que tenham um maior custo quando do processo de licitação, poderão ser contratados.

( ) Sustentabilidade é um princípio segundo o qual o uso dos recursos naturais deve ser incentivado.

( ) A exigência de critérios de sustentabilidade nas contratações públicas confere coerência à atuação do comprador público relativamente ao dever do Estado de proteger o meio ambiente e fomentar o desenvolvimento econômico e social, integrando a atuação das áreas-meio com as políticas implementadas pelas áreas-fim.

( ) A inclusão de critérios ambientais em compras públicas contribui para a redução de gastos do Estado com políticas de reparação de danos ambientais, para a escolha de alternativas com maior durabilidade, para a diminuição do consumo de energia e materiais, além de incentivarm o surgimento de novos mercados e empregos verdes, gerando renda e aumento de arrecadação tributária.

Alternativas
Q969963 Português

Imagem associada para resolução da questão


Com base no texto 3 e conforme a norma padrão escrita, é correto afirmar que:

Alternativas
Q969959 Português

Com base no texto 2 e na norma padrão escrita, analise as seguintes afirmativas e assinale a alternativa correta.


I. A sílaba tônica marca a distinção dos tempos verbais nas palavras ‘conhecerão’ (linha 4) e ‘passaram’ (linha 19).

II. As palavras ‘bretão’ (linha 15) e ‘ancião’ (linha 20) são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo nasal.

III. O til é utilizado para marcar nasalidade vocálica nas palavras ‘revitalização’ (linha 8), ‘bretão’ (linha 15) e ‘ancião’ (linha 20).

Alternativas
Q969956 Português

Com base no trecho a seguir, transcrito do texto 1, assinale a alternativa correta.


“A palavra cachorro não se parece com um cachorro, mas mesmo assim significa ‘cachorro’. Isso acontece porque todo falante de português passou por um idêntico ato de aprendizagem mecânica na infância que liga o som ao significado.” (linhas 21-23)

Alternativas
Q969955 Português
Com base no texto 1 e na norma padrão escrita, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q969954 Português

Associe a coluna A à coluna B e indique a alternativa que representa a numeração correta, de cima para baixo, da explicação para o emprego da vírgula, conforme a norma padrão escrita.


Coluna A

1. “As cadeias de palavras denominadas ‘frases’ não são apenas estimulantes da memória, que fazem você se lembrar do homem e do melhor amigo do homem, deixando que você complete o resto.” (linhas 3-5)

2. “É um processo que desafia de tal forma a inventividade, tão comicamente falível, que o transformamos em jogos como Imagem e Ação e charadas.” (linhas 31-33)

3. “A palavra cachorro não se parece com um cachorro, mas mesmo assim significa ‘cachorro’.” (linhas 21-22)

4. “Percebemos a diferença entre o corriqueiro cachorro morde homem e o inaudito homem morde cachorro devido à ordem em que cachorro, homem e morde estão combinados.” (linhas 36-38)

5. “No caso dos morcegos, descobriu-se que o truque era um sonar [...]”. (linhas 14-15)


Coluna B

( ) Separar termos coordenados em uma mesma oração.

( ) Separar orações que relacionam ideias adversativas.

( ) Isolar uma oração com função explicativa.

( ) Demarcar um termo deslocado na oração.

( ) Isolar uma expressão com função explicativa.

Alternativas
Q2732393 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

Pode-se concluir da leitura do texto que


Alternativas
Q2732391 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

No trecho “A gaiola do grupo 2 tinha o chão eletrificado, para dar choques inesperados” (linhas 21 e 22), a preposição para confere à oração que ela encabeça o sentido de

Alternativas
Q2732389 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

Nos trechos “Quase um terço dos alunos passava por isso ocasionalmente” (linhas 13 e 14) e “O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso” (linha 34), o pronome isso se refere, respectivamente, a


Alternativas
Respostas
621: A
622: E
623: B
624: D
625: E
626: B
627: D
628: A
629: E
630: C
631: B
632: C
633: A
634: B
635: A
636: D
637: A
638: C
639: D
640: A