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Q3858766 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância.
Alternativas
Q3858764 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a neurologista entrevistada e as pesquisas científicas citadas
Alternativas
Q3858763 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Segundo o texto, a relação entre surdez e Alzheimer pode ser estabelecida porque
Alternativas
Q3858760 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Em “E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes…” (4º parágrafo), a expressão “ora… ora”, destacada, expressa 
Alternativas
Q3858759 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Considere os trechos:
• “… às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa.” (2º parágrafo)
• “até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.” (4º parágrafo)
No contexto em que foram empregadas, as palavras destacadas têm como sinônimos, respectivamente,
Alternativas
Q3858758 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, no trecho, o narrador se dirige diretamente ao leitor.
Alternativas
Q3858757 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
A respeito do trecho “Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente” (2º parágrafo), é correto afirmar que
Alternativas
Q3858756 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a visão dos “cavalos brancos nas nuvens” por Napoleão 
Alternativas
Q3858755 Português

Leia a tira a seguir para responder a questão.


A frase do 3º quadro “Eu simplesmente não consigo convencer ele…” pode ser reescrita, em conformidade com a norma-padrão de emprego e colocação dos pronomes, do seguinte modo:
Alternativas
Q3847686 Pedagogia
Analise as afirmativas sobre o lúdico como instrumento de aprendizagem e marque (V), para verdadeiro, e (F), para falso:


(__)O lúdico favorece o desenvolvimento cognitivo e social das crianças.
(__)O lúdico é incompatível com os objetivos pedagógicos do Ensino Fundamental.
(__)Jogos e brincadeiras podem ser planejados com intencionalidade educativa.
(__)O lúdico contribui para a motivação e o engajamento dos alunos.

Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3847685 Pedagogia
Nas turmas do Ensino Fundamental, sobre a construção de limites e disciplina, é CORRETA a alternativa que define o que deve ser priorizado nesse contexto escolar. 
Alternativas
Q3847684 Pedagogia

Associe os princípios da avaliação educacional (Coluna A) às suas características (Coluna B).

Coluna A

I.Avaliação diagnóstica. II.Avaliação formativa. III.Avaliação somativa. IV.Avaliação contínua. V.Avaliação mediadora.

Coluna B

A.Ocorre ao longo do processo para acompanhar avanços e dificuldades.
B.Analisa os conhecimentos prévios dos estudantes.
C.Tem como foco principal o resultado final do percurso.
D.Orienta intervenções pedagógicas durante a aprendizagem.
E.Estabelece diálogo entre professor e aluno sobre o aprender.

Assinale a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA:
Alternativas
Q3847683 Pedagogia
Analise as assertivas sobre currículo escolar no Ensino Fundamental.

I.O currículo expressa intenções educativas e valores sociais.
II.Deve considerar a diversidade cultural e regional dos estudantes.
III.Limita-se exclusivamente aos conteúdos das disciplinas.
IV.Orienta o trabalho pedagógico de forma articulada e contextualizada.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3847682 Pedagogia
Considerando a organização do trabalho docente no Ensino Fundamental, as intencionalidades educativas da escola e a necessidade de garantir a aprendizagem dos alunos de forma contínua, contextualizada e significativa, é CORRETA a alternativa que define como deve ser compreendido o planejamento pedagógico. 
Alternativas
Q3847681 Pedagogia
Considerando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como documento normativo que orienta a Educação Básica brasileira, estabelece direitos de aprendizagem e desenvolvimento e respeita a diversidade dos sistemas de ensino, é CORRETA a alternativa que define a principal finalidade da BNCC.
Alternativas
Q3847680 Pedagogia
Considerando o papel da escola na formação de leitores e produtores de textos, as orientações pedagógicas contemporâneas e a necessidade de garantir o desenvolvimento das competências linguísticas ao longo dos Anos Iniciais, é CORRETA a alternativa que define como a alfabetização deve ser entendida.
Alternativas
Q3847679 Pedagogia
Sobre a Educação especial e educação inclusiva, associe os conceitos (Coluna A) às definições (Coluna B). 

Coluna A

I.Educação Especial. II.Educação Inclusiva. III.Atendimento Educacional Especializado. IV.Acessibilidade. V.Adaptação curricular.

Coluna B

A.Organização de recursos pedagógicos para eliminar barreiras.
B.Modalidade que perpassa todos os níveis de ensino.
C.Estratégias para atender necessidades específicas.
D.Serviço complementar ao ensino regular.
E.Garantia de participação de todos no ensino comum.

Assinale a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA:
Alternativas
Q3847678 Pedagogia
Sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), analise as afirmativas a seguir.

I.As DCNs orientam a organização curricular da Educação Básica.
II.As DCNs respeitam a autonomia, assegurando a liberdade de organização dos sistemas de ensino.
III.As DCNs estabelecem conteúdos únicos e rígidos para todas as escolas.
IV.As DCNs consideram princípios éticos, políticos e estéticos.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3847677 Pedagogia
Diante de problemas comportamentais frequentemente associados a dificuldades de aprendizagem no contexto do Ensino Fundamental, é CORRETA a alternativa que propõe como deve agir o professor.
Alternativas
Q3847675 Geografia
A divisão do planeta em continentes constitui um tema fundamental da Geografia, envolvendo critérios físicos, históricos e culturais que variam conforme a tradição acadêmica adotada. No contexto do ensino e da produção científica no Brasil, consolidou-se um modelo específico de regionalização continental, amplamente utilizado em livros didáticos, documentos oficiais e exames de nível superior. Esse modelo difere de outras classificações internacionais ao considerar aspectos naturais e históricos na definição das grandes porções continentais da superfície terrestre.
De acordo com a classificação adotada pela geografia brasileira, quantos são os continentes e quais são seus nomes?
Alternativas
Respostas
381: D
382: C
383: D
384: A
385: B
386: B
387: C
388: E
389: A
390: A
391: B
392: D
393: C
394: B
395: C
396: C
397: D
398: C
399: D
400: D