Questões de Concurso Comentadas para fiscal sanitário

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Q3428936 Direito Administrativo
Um Fiscal Sanitário do município, atuando com base na legislação sanitária federal e no Código Sanitário Estadual da Paraíba (Lei nº 4.033/06), inspeciona um estabelecimento de serviço de alimentação e constata graves inconformidades relativas às Boas Práticas de Manipulação, conforme preconiza a Resolução RDC nº 216/2004 da ANVISA, representando risco à saúde dos consumidores. Diante desta situação, qual procedimento administrativo inicial caracteriza formalmente a constatação da infração sanitária e dá início ao Processo Administrativo Sanitário (PAS), assegurando o direito à ampla defesa e ao contraditório? 
Alternativas
Q3428935 Direito Sanitário
A atuação do Fiscal Sanitário é pautada por procedimentos técnicos e legais específicos, visando a garantir o cumprimento da legislação sanitária e a proteger a saúde pública. O Processo Administrativo Sanitário (PAS), regido por normas como a Lei Federal nº 6.437/77, e complementado por legislações estaduais (como a Lei nº 4.033/06 na Paraíba) e municipais, define os ritos para apuração de infrações e aplicação de penalidades, assegurando o devido processo legal. Sobre esses procedimentos, analise as afirmativas a seguir.

I- A aplicação de medidas cautelares pela autoridade sanitária, como a interdição de um estabelecimento ou a apreensão de produtos antes da conclusão do PAS, exige a demonstração inequívoca de risco iminente e grave à saúde pública, devendo o ato administrativo ser formalizado e devidamente motivado, indicando os fatos e fundamentos legais que o justificam.
II- Durante uma inspeção, o Fiscal Sanitário deve utilizar documentos distintos para finalidades específicas: o Termo de Visita ou Relatório de Inspeção para registrar as observações gerais e orientações, e o Auto de Infração exclusivamente para formalizar a constatação de uma ou mais violações à legislação sanitária, peça esta que inaugura formalmente o PAS.
III- A coleta de amostras de produtos para análise fiscal (de controle) deve seguir procedimentos que garantam sua representatividade e inviolabilidade. O laudo laboratorial oficial que condena o produto é prova definitiva da infração, permitindo à autoridade sanitária aplicar a penalidade de multa imediatamente, sem necessidade de conceder ao autuado o direito à contraprova.
IV- Ao aplicar uma penalidade prevista na Lei nº 6.437/77, como a multa, a autoridade sanitária competente deve obrigatoriamente fixá-la no grau máximo estipulado para a infração, sempre que o infrator for comprovadamente reincidente, independentemente da análise de outras circunstâncias, como a gravidade do risco ou a condição econômica do autuado.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3428934 Saúde Pública
As Boas Práticas de Manipulação (BPM) são procedimentos essenciais que devem ser adotados por serviços de alimentação a fim de garantir a qualidade higiênico-sanitária e a conformidade dos alimentos com a legislação sanitária (como a RDC nº 216/2004 da ANVISA), prevenindo a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). Sobre algumas dessas práticas fundamentais, analise as afirmativas a seguir.

I- Alimentos cozidos que serão servidos quentes podem ser mantidos em temperatura ambiente por um período prolongado, de até seis horas, desde que sejam vigorosamente reaquecidos momentos antes do consumo, garantindo, assim, a eliminação de qualquer risco.
II- É crucial evitar a contaminação cruzada, o que significa, por exemplo, que os mesmos utensílios (facas, tábuas de corte) utilizados para manipular carnes cruas devem ser rigorosamente higienizados antes de serem usados em alimentos que já estão prontos para o consumo, como saladas ou sanduíches.
III- A correta e frequente higienização das mãos por parte dos manipuladores é indispensável, pois as mãos podem ser um veículo importante para a transferência de microrganismos patogênicos aos alimentos.
IV- O cozimento completo dos alimentos, assegurando que todas as partes atinjam a temperatura adequada, é um método eficaz para destruir a maioria das bactérias, vírus e outros microrganismos que causam doenças.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3428933 Engenharia Ambiental e Sanitária
A Lei nº 11.445/2007, que estabelece o marco legal do saneamento básico, preconiza a adoção de sistemas de esgotamento sanitário que garantam a saúde pública e a proteção dos corpos hídricos receptores. Considerando os diferentes níveis de tratamento aplicados em Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) – como o tratamento primário (baseado em processos físicos como gradeamento, sedimentação, caixa de gordura) e o tratamento secundário (geralmente empregando processos biológicos para remover matéria orgânica biodegradável) – qual alternativa descreve CORRETAMENTE a principal limitação técnica e sanitária do efluente resultante da aplicação de tratamento apenas em nível primário e a consequente importância do tratamento secundário para atender aos objetivos de proteção ambiental e de saúde em áreas urbanas com alta densidade populacional e corpos hídricos sensíveis? 
Alternativas
Q3428932 Saúde Pública
A saúde ambiental está diretamente relacionada à interação entre os seres humanos e o meio ambiente, abrangendo fatores físicos, químicos e biológicos que podem afetar o bem-estar da população. Nesse contexto, políticas e ações voltadas para a preservação da qualidade ambiental desempenham papel essencial na promoção da saúde pública. Considerando este cenário, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3426621 Noções de Informática
Assinale a alternativa que apresenta serviços de armazenamento de arquivos em nuvem.
Alternativas
Q3426620 Noções de Informática
João criou um documento utilizando o Google Docs e necessita compartilhar o arquivo apenas com seu sócio para que ele revise as informações. Amaneira de efetuar esse compartilhamento de forma que João tenha acesso em tempo real às alterações sugeridas pelo seu sócio é: 
Alternativas
Q3426619 Noções de Informática
Assinale a alternativa que indica o caminho CORRETO para acessar o menu de compartilhamento de pastas, utilizando o sistema operacional Windows 11.
Alternativas
Q3426618 Noções de Informática
O browser é uma das principais ferramentas utilizadas para acessar conteúdos disponíveis na internet. Sobre as funcionalidades disponíveis nesse tipo de aplicação, analise as seguintes afirmações.


I- Permite navegar por páginas na internet.


II- Permite alterar qualquer configuração do sistema operacional.


III- Permite carregar imagens e vídeos.


IV- Permite fazer e gerenciar download de arquivos.


V- É possível sincronizar sites favoritos, histórico de navegação e senhas.



É CORRETO o que se afirma apenas em: 

Alternativas
Q3426617 Noções de Informática
Local dentro do sistema operacional Windows que armazena os arquivos excluídos pelo usuário, de forma que possam ser recuperados ou excluídos permanentemente:
Alternativas
Q3426616 Arquitetura de Computadores
Item essencial para o funcionamento de um computador que fornece energia para todos os seus componentes:
Alternativas
Q3426615 Noções de Informática
Para tornar a experiência mais personalizada, os navegadores web utilizam pequenos arquivos de texto com fragmentos de dados que são salvos no computador do usuário. Esses arquivos são chamados de:
Alternativas
Q3426614 Redes de Computadores
Qual é o protocolo padrão para envio de e-mails?
Alternativas
Q3426613 Noções de Informática
Qual dos seguintes dispositivos de hardware é considerado de entrada?
Alternativas
Q3426612 Sistemas Operacionais
Sobre atualizações de programas e sistemas operacionais, analise as seguintes afirmativas.

I- Atualizações do Microsoft Windows são fornecidas sempre ao final de cada mês.
II- O serviço presente no Microsoft Windows que fornece atualizações para o sistema operacional é o Windows Update.
III- Atualizações podem corrigir falhas de segurança, adicionar novos recursos e melhorar a estabilidade.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3426611 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


           Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

         Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

      Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

       Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

         Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

         Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

       E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

      Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
Analise as palavras “desatino” e “virgindades” presentes no texto. Sobre elas, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3426610 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


           Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

         Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

      Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

       Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

         Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

         Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

       E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

      Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
Qual é o impacto do título implícito no texto, “Pois é, ninguém está satisfeito”, na interpretação da narrativa?
Alternativas
Q3426609 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


           Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

         Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

      Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

       Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

         Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

         Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

       E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

      Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
A que tipo de comportamento a protagonista se opõe em suas reflexões?
Alternativas
Q3426608 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


           Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

         Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

      Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

       Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

         Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

         Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

       E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

      Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
Qual é o tema central da narrativa apresentada no texto?
Alternativas
Q3426607 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


           Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

         Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

      Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

       Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

         Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

         Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

       E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

      Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
Sobre os elementos da narrativa presentes no texto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Respostas
801: D
802: A
803: A
804: E
805: D
806: A
807: E
808: C
809: D
810: D
811: C
812: A
813: E
814: B
815: B
816: D
817: A
818: A
819: A
820: C