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Q3556076 Pedagogia

A prática da análise e reflexão linguística pode ser uma ferramenta poderosa no ensino da Língua Portuguesa.


Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao assunto.


( ) A prática da análise linguística surgiu como uma alternativa de ensino de língua apresentando uma crítica ao ensino focado na gramática tradicional.


( ) Propõe-se a ensinar a língua como um todo, partindo de um trabalho baseado no texto, mas evitando trabalhar os textos produzidos pelos alunos.


( ) A prática de análise linguística se configura como uma opção que completa o ensino/ aprendizagem pois oferece possibilidades de reflexão sobre os fenômenos linguísticos e usos efetivos da língua.


( ) Sua prática pode ser uma ferramenta muito importante para auxiliar os alunos na produção de textos.



Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q3556075 Pedagogia

De acordo com a Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (2016), a avaliação é um desafio constante e deve romper com a visão transmissiva e tradicional de ensino, tendo a aprendizagem como objetivo central do percurso formativo.


Analise as afirmativas abaixo de acordo com os pressupostos estabelecidos no capítulo 8, sobre avaliação.



1. Deve assegurar tempos e espaços diversos para que alunos com menor rendimento tenham condições de ser atendidos ao longo do ano letivo.


2. É importante fazer prevalecer os aspectos quantitativos de aprendizagem sobre os aspectos qualitativos.


3. O ato de avaliar é fundamental na relação entre o ensinar e o aprender, proporcionando uma formação que promova a cidadania e a participação ativa nos processos sociais para todos os sujeitos envolvidos.



Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q3556074 Português

Analise as afirmativas abaixo, sobre os “Desafios para os Componentes Curriculares das Línguas” , que faz parte da Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (2016).



1. Um dos maiores desafios na educação em linguagem é o de como lidar com a apropriação de conhecimentos linguísticos, contribuindo para uma reflexão sobre os usos de formas de vocabulário e gramática.


2. Para ser coerente com a perspectiva que norteia a Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (2016) no campo das línguas, é importante compreender que os Componentes relacionados às Línguas não têm compromisso com conteúdos de ensino, sendo possível negar seu papel e importância na educação em linguagem.


3. Sendo a Língua um lugar de interação social, torna-se relevante conceber o enunciado na interação do sujeito com os outros, compreendendo como o vocabulário e a gramática são agenciados para tal.



Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q3556073 Pedagogia

De acordo com os pressupostos sobre linguagem estabelecidos na Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (2016), embasada na Proposta Curricular de Santa Catarina (2014):


A área de linguagens concebe semiose em três grandes planos:


o plano mais amplo .....(1)....., o plano mais específico .....(2)..... e o plano mais restrito .....(3)..... .


Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas numeradas do texto.

Alternativas
Q3556072 Linguística
Para Bakhtin, há 3 conceitos primordiais para um bom funcionamento da comunicação que são: 
Alternativas
Q3556071 Português

Analise as afirmativas abaixo sobre gêneros discursivos.



1. Tanto os gêneros primários quanto os gêneros secundários possuem a mesma essência, são ambos compostos por fenômenos da mesma natureza - os enunciados orais e escritos.


2. O romance, o teatro, o discurso científico, bem como o discurso ideológico, são exemplos de gênero do discurso primário.


3. Os gêneros do discurso sofrem constantes atualizações ou transformações.


4. Os gêneros discursivos não sofrem modificações em consequência do momento histórico em que estão inseridos.



Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q3556070 Pedagogia

Sabemos que o letramento é um processo imprescindível para o desenvolvimento pessoal e social de um indivíduo.


Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao assunto.



( ) O letramento é uma ferramenta poderosa somente para o empoderamento individual.


( ) O uso de recursos digitais pode ser uma forma eficaz de desenvolver o letramento.


( ) É de fundamental importância incentivar a produção de diferentes tipos de textos escritos para ampliar o letramento.


( ) O desenvolvimento do letramento é um processo contínuo que envolve somente diferentes práticas de leitura.



Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q3556069 Pedagogia

De acordo com a Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (2016), quanto aos primeiros anos do ensino fundamental, é correto afirmar que:



1. A expectativa é que, ao final do primeiro ano, todas as crianças tenham ampliado suas vivências com a escrita e aprendido que o sistema de escrita tem vínculos com os fonemas.


2. A questão central nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental é a alfabetização, pois a apropriação da linguagem escrita garantirá aos educandos a possibilidade de continuar aprendendo e se desenvolvendo.


3. É possível alfabetizar crianças pequenas desde que o ensino seja organizado de forma que a leitura e a escrita sejam necessárias a elas, que ler e escrever sejam relevantes à vida.


4. O desenhar e o brincar, entre outras linguagens, podem ser desconsiderados nos primeiros anos do Ensino Fundamental.



Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q3556068 Pedagogia

Analise as afirmativas abaixo quanto ao papel dos professores nos primeiros Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em relação à apropriação da leitura e da escrita, como instrumento cultural pelos seus educandos.



1. Cabe aos professores somente expor os educandos aos gêneros do discurso que correspondem ao seu cotidiano.


2. Os professores não devem atuar como escribas e também como leitores enquanto o processo de apropriação do sistema de escrita alfabética ainda está em curso nas vivências das crianças por meio de diversos gêneros textuais.


3. Os professores devem incentivar os educandos ao protagonismo na leitura e na autoria, dentro de suas possibilidades, no percurso de apropriação da escrita.


4. Os professores têm ao seu encargo criar condições objetivas planejadas e consequentes para que os educandos se apropriem de um dos mais importantes produtos culturais da humanidade, a escrita, tomada nos usos sociais historicizados nas relações intrasubjetivas.



Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q3556067 Linguística

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) acerca da Concepção de Linguagem como Forma de Interação.



( ) A linguagem se constitui em um processo ininterrupto que ocorre por meio de interação verbal e social entre interlocutores, não sendo um sistema estável de formas normativamente idênticas.


( ) A linguagem serve somente para exteriorizar o pensamento e transmitir informações aos interlocutores.


( ) Na perspectiva interacional, a linguagem é compreendida como ato social, negligenciando os falantes e o contexto.


( ) É impossível compreender esta concepção de linguagem sem considerar os aspectos sociais e ideológicos que a constituem.


( ) A linguagem é o local das relações sociais em que falantes não atuam como sujeitos.



Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q3556066 Linguística

Analise as afirmativas abaixo em relação às diferentes concepções de linguagem.


1. Concepção de linguagem que entende a língua como um código, definido como um conjunto de signos que se combinam segundo regras, a ser utilizado pelo transmissor para transmitir uma mensagem ao receptor.


2. Nesta concepção, a linguagem é entendida como lugar de constituição de relações sociais, onde os falantes se tornam sujeitos.


3. Esta concepção prioriza um “bem” falar e escrever, apoiada na norma culta e na gramática.


4. Concepção que concebe a linguagem como uma criação coletiva integrante de um diálogo entre o eu e o outro, entre muitos eus e muitos outros.


5. Esta concepção de linguagem advoga a ideia de que pessoas não pensam se não conseguem se expressar bem.



Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q3554330 Português
Cada um de nós, professor ou não, precisa elevar o grau da própria autoestima linguística: recusar com veemência os velhos argumentos que visem menosprezar o saber linguístico individual de cada um de nós. Temos de nos impor como falantes competentes de nossa língua materna. Parar de acreditar que “brasileiro não sabe português”, que “português é muito difícil”, que os habitantes da zona rural ou das classes sociais mais baixas “falam tudo errado”. Acionar nosso senso crítico toda vez que nos deparamos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes. Da parte do professor em geral, e do professor de língua em particular, essa mudança de atitude deve refletir-se na não aceitação de dogmas, na adoção de nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho. 
(Marcos Bagno. Preconceito linguístico)

A nova postura (crítica) defendida por Marcos Bagno solidariza-se ao contido
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Q3554329 Português
Leia o texto para responder à questão.

    À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê... 
    Interessou-me aquela janela.
    Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?
    Parei e pus-me a namorar a janela.
    Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.
   Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino! ... era completo o romance.
    Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...
     E ouvir cantar os rouxinóis! ...
     E ver raiar uma alvorada de Maio! ...
   Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela? ... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo, todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam esvoaçando em torno?
    Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.
    São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.

(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)
De acordo com o Currículo Paulista – Ensino Médio, textos como o de Almeida Garrett devem 
Alternativas
Q3554328 Português
Leia o texto para responder à questão.

    À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê... 
    Interessou-me aquela janela.
    Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?
    Parei e pus-me a namorar a janela.
    Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.
   Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino! ... era completo o romance.
    Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...
     E ouvir cantar os rouxinóis! ...
     E ver raiar uma alvorada de Maio! ...
   Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela? ... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo, todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam esvoaçando em torno?
    Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.
    São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.

(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)
Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, de onde se extraiu o excerto, foi publicado em 1846. Analisando-o, flagram-se usos que denunciam tratar-se de um momento histórico, social e espacial diferente daquele que hoje se vivencia. Um exemplo que mostra inequivocamente essa diferença contextual está na seguinte reescrita:
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Q3554326 Pedagogia
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa (1998), afirma-se: “... língua é um sistema de signos específico, histórico e social, que possibilita a homens e mulheres significar o mundo e a sociedade. Aprendê-la é aprender não somente palavras e saber combiná-las em expressões complexas, mas apreender pragmaticamente seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas entendem e interpretam a realidade e a si mesmas.”

Tal conceituação encontra eco na teoria de Bakhtin porque esse autor
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Q3554324 Português
Leia o texto para responder à questão.

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
No Currículo Paulista – Ensino Médio, a habilidade EM13LP04 tem como fundamento “Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.” No texto de Machado de Assis, uma passagem em que o narrador recorre ao diálogo intertextual com o fito de justificar e enaltecer o seu relato é:
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Q3554323 Português
Leia o texto para responder à questão.

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Daí, a estrutura informal e aberta dessa nova experiência narrativa, tecido de lembranças casuais, fait divers e cortes digressivos entre banais e cínicos da personagem-autor, que não transcende nunca a “filosofia” do bom senso burguês congelada pela condição irreversível de defunto.
(Alfredo Bosi, 2015)

Identifica-se um corte digressivo, pontuado de ironia, na seguinte passagem do texto:
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Q3554322 Literatura
Leia o texto para responder à questão.

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR

    Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sextafeira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 
    Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
    — “Morto! morto!” dizia consigo.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Com base em Alfredo Bosi (2015), é correto afirmar que a narrativa de Memórias Póstumas de Brás Cubas traduz a literatura machadiana
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Q3554321 Português
Considere as informações:

Narrativa oral – uma jovem de 17 anos
eh... eu vou falar sobre a minha família... sobre os meus pais... o que eu acho deles... como eles me tratam... bem... eu tenho uma família... pequena... ela é composta pelo meu pai... pela minha mãe... pelo meu irmão... eu tenho um irmão pequeno de... dez anos... eh... o meu irmão não influencia em nada... a minha mãe é uma pessoa superlegal... sabe?

Retextualização: aluna de Letras, UFPE, 4º Período
– Bem, eu vou falar sobre a minha família, sobre meus pais, o que acho deles e como eles me tratam.
– A minha família é pequena, composta pelo meu pai, minha mãe e um irmão pequeno de dez anos que não influencia em nada. Minha mãe é superlegal.

As informações exemplificam, respectivamente, uma produção oral e a sua retextualização. Analisando-as, é correto concluir que
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Q3554320 Português
Leia o texto para responder à questão.

Nossos filhos nas redes sociais

    Muita tinta e saliva têm sido gastas sobre o papel das redes sociais na polarização política e na degradação da verdade. Se em geral elas favorecem a “arte da associação”, que Alexis de Tocqueville via como chave de uma democracia vibrante, seus elementos tóxicos a deterioram. Mas, além da cultura cívica que essa geração legará à próxima, eles podem estar degradando a saúde mental dos herdeiros. O “risco pode ser profundo”, adverte um relatório da principal autoridade de saúde americana, dr. Vivek Murthy.
    Fato: algo terrível aconteceu com a Geração Z, nascida após 1996. Na última década, as taxas de depressão, ansiedade, comportamentos autodestrutivos e suicídios escalaram entre crianças e adolescentes, justamente os que cresceram sob o uso massivo e diário das redes viabilizado pelos smartphones. Correlação não implica causalidade, e, mesmo sendo uma causa, as redes não são a única. Mas há indícios de que, além de reforçar as outras, elas são a principal.
    Algo dessa ansiedade pode refletir a ansiedade dos pais com tensões políticas e sociais. Uma cultura protecionista e a pressão por resultados deixa às crianças cada vez menos tempo para atividades livres e não supervisionadas entre si, minando o desenvolvimento de suas habilidades em cooperar, ceder, solucionar conflitos e tolerar adversidades. Essa psique fragilizada é palpável nos campi, onde universitários “cancelam” opiniões que são sentidas como “violência”.
    A terceirização da educação e recreação para as telas pode ter um papel no isolamento dos jovens. Sua relação com transtornos mentais é mais incerta. Nesse sentido, as telas seriam como um novo alimento. A comida é necessária à vida; desbalanceada, é nociva. As telas seriam como açúcar, dispensável para a nutrição, mas saboroso, e, em excesso, pernicioso. Já as redes parecem ser algo mais. Não são como veneno de rato, tóxico para todos, mas mais como o álcool, uma substância medianamente viciante que facilita interações sociais, mas pode levar à dependência e depressão de uma minoria. Para jovens em desenvolvimento cerebral e emocional, alerta Murthy, as sequelas podem ser agudas.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 04.06.2023. Adaptado)
De acordo com Ingedore Koch (2015, adaptado), “o encadeamento de segmentos textuais, de qualquer extensão, é estabelecido, em grande número de casos, por meio de recursos linguísticos que se denominam articuladores textuais ou operadores do discurso. (...) Os articuladores enunciativos ou discursivo-argumentativos são os que encadeiam atos de fala distintos, introduzindo, entre eles, relações discursivo-argumentativas...”. Com base no exposto pela autora, identifica-se enunciado com operador do discurso, seguido de reescrita com manutenção do sentido original, em: 
Alternativas
Respostas
9621: B
9622: D
9623: D
9624: A
9625: B
9626: C
9627: D
9628: B
9629: E
9630: C
9631: E
9632: C
9633: A
9634: E
9635: A
9636: B
9637: D
9638: C
9639: E
9640: D