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Q3645586 Geografia
“A vida na fazenda se tornava difícil. Sinhá Vitória benzia-se tremendo, maneja o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a caatinga amarela, onde folhas secas se pulverizavam (...)
Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para o sul. Com a fresca da madrugada andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos miúdos.”
Fonte: RAMOS, Graciliano, 1892-1953. Vidas Secas – 48ª – São Paulo: Record, 1981.

Os trechos acima, extraídos do livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata a vida de retirantes pelo Sertão Nordestino, em decorrência das secas. Retrata também situações geoecológicas deste ambiente. Analisando os trechos de “Vidas Secas” e os aspectos ecológicos e econômicos do Sertão nordestino, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3645582 Geografia
Paisagem na Janela
(Lô Borges e Milton Nascimento)
Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou.
F o n t e : h t t p s : / / w w w . g o o g l e . c o m / s e a r c h ? s c a _ e s v = 0 1 9 a 2 7 f e 4 d 8 e 4 b e d & r l z = 1 C 1 C H B F _ p t - BRBR1084BR1094&q=letra+de+milton+nascimento+paisagem+da+janela. Acesso em 29/07/2025

Os trechos da letra da música “Paisagem na Janela”, de Milton Nascimento, utilizam uma cena do cotidiano para fazer referências a temas como percepção e realidade. Esta música é exemplo de um recurso didático, que pode ser incorporado, no ensino de Geografia na educação básica, para o estudo a categoria paisagem.
Considerando os trechos da música, o conceito e a percepção do que é a paisagem, como categoria de análise da Geografia, analise as proposições a seguir.

I- A paisagem é um recorte espacial que pode ser definido como tudo aquilo que conseguimos identificar, interpretar, ver e sentir. A paisagem é uma representação momentânea de um recorte espacial.
II- Os tipos de paisagem são definidos com base nos elementos que conseguimos identificar em cada uma delas. Podem ser classificadas em paisagem natural e paisagem artificial.
III- Na letra da música Paisagem na Janela, os autores fazem a descrição de uma paisagem natural. Pássaro, igreja, temporal e janela são elementos que caracterizam a paisagem natural e que não sofreu intervenção humana.
IV- Por ser uma categoria que depende dos sentidos, a paisagem é estática. Isso significa que aquela paisagem que apreendemos a olhar a partir da janela é única e se mantêm inalterada nos momentos seguintes.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645577 Geografia
O Geógrafo alemão Friedrich Ratzel (1844-1904), é considerado como um dos principais teóricos clássicos da Geografia moderna e um precursor da Geopolítica, da Geografia Política e do Determinismo. As teorias de Ratzel estavam fortemente ligadas ao momento histórico que vivia, durante a unificação alemã. Refletindo sobre as teorias e as obras ratzelianas, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645576 Pedagogia
“Por ser uma área bastante completa, que tem um pouco de todas as outras disciplinas, como física e até história, o ensino de Geografia deve ser pautado para a ampliação das capacidades dos alunos em compreender o mundo em que estão inseridos, fazendo com que não fiquem limitados apenas ao seu convívio social, mas entendam o mundo como um todo e em todas as suas nuances.”
Fonte: Disponível em: https://editorialparco.om.br/geografia-como-ensinar. Acesso em 29/07/2025)

Considerando o texto acima e alguns dos pressupostos que devem fundamentar o processo de ensino e aprendizagem da Geografia na realidade atual, analise as proposições a seguir.

I- O propósito da Geografia deve ser o de fazer com que os alunos compreendam de forma ampla a realidade, permitindo que ajam de forma critica e responsável a partir do que aprenderam.
II- O ensino de Geografia deve também valorizar o olhar de cada aluno. Neste sentido o fundamental, na atualidade, é que o aluno possa memorizar e decorar o que foi transmitido na sala de aula.
III- O ensino de Geografia deve levar o aluno a estabelecer relações e conexões. O aluno deve também entender que a realidade não é apenas aquilo que o cerca e que suas atitudes reverberam ao seu redor.
IV- O ensino de Geografia deve ser direcionado para a formação do aluno pautada apenas no lado escolar, através de estudos conceituais dos fatos geográficos e dos temas abordados na sala de aula.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645574 Geografia
“A Cartografia, através dos tempos, foi experimentando diferentes utilizações em função de suas diversas aplicabilidades. Conforme o nível de exigência aumentava, cada vez mais necessitava-se de elementos que pudessem ser extraídos dos mapas com precisões adequadas aos interesses dos usuários.

Entre os diversos componentes de um mapa, um dos elementos fundamentais para o seu bom entendimento e uso eficaz é a escala. Exemplos de escala: 1:5.000 e 1:25.000.000
Fonte: FITZ, P. R. Cartografia Básica – nova edição – São Paulo: Oficina de texto, 2006. p 19.

Considerando o texto acima e refletindo sobre a importância e o uso da cartografia, do mapa e da escala, analise as proposições a seguir.

I- A escala 1:25.000.000 é classificada como grande, sendo ideal para representar um bairro de uma determinada escola, cujo mapa apresenta grande riqueza de detalhes.
II- A cartografia trabalha com uma visão reduzida do território, sendo necessário indicar a proporção entre a superfície terrestre e a sua representação. Essa proporção é indicada pela escala.
III- A escala 1:50.000 é denominada de escala numérica. Em uma carta confeccionada com esta escala, 1 centímetro medido no mapa representa uma distância de 50 mil centímetros (ou 500 metros), no terreno.
IV- Através da cartografia é possível realizar uma representação geométrica plana, ampla e convencional, de apenas uma parte da superfície terrestre, apresentada por meio de mapas, cartas ou plantas.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645573 Geografia
“O espaço é um fator social, isto é, um elemento de determinação. Uma vez produzido pela história, o espaço passa a condicionar a ação dos homens através de sua configuração. Surgido como um campo de forças sociais, o espaço se torna uma determinação através de seu quadro geográfico de localizações, dado o seu poder de fazer reproduzir as linhas de força das estruturas vigentes e consecutivas das sociedades por meio dele organizadas, influindo na própria montagem das configurações através do traçado das configurações iniciais.”
Fonte: MOREIRA, R. O Pensamento Geográfico Brasileiro 2: as matizes de renovação.- São Paulo: Contexto, 2009. P63

Considerando o texto acima e o significado de espaço para a Geografia, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645038 Pedagogia
Ao abordar as tendências pedagógicas na prática escolar, Libâneo (2014, p. 2) assevera que “a educação brasileira, pelo menos nos últimos cinquenta anos, tem sido marcada pelas tendências liberais, nas suas formas ora conservadora, ora renovada. Evidentemente tais tendências se manifestam, concretamente, nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores, ainda que estes não se deem conta dessa influência. [...] A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois, embora difunda a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições”.

Fonte: LIBÂNEO, J. C. Tendências Pedagógicas na Prática Escolar. Disponível em https://praxistecnologica.wordpress.com/wpcontent/uploads/2014/08/tendencias_pedagogicas_libaneo.pdf. Acesso em 29/08/2025. (Adaptado)

Considerando a abordagem das tendências pedagógicas por Libâneo e o excerto apresentado, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645037 Pedagogia
Na página oficial da UNESCO na internet, em uma seção na qual é abordado o aprendizado digital e a transformação da educação, a UNESCO justifica o fato de considerar importante a inovação digital na educação, nos termos que seguem:

“A tecnologia digital tornou-se uma necessidade social para garantir a educação como um direito humano básico, especialmente em um mundo que vivencia crises e conflitos cada vez mais frequentes. Durante a pandemia da COVID-19, os países sem infraestrutura suficiente de TIC [Tecnologias da Informação e Comunicação] e sem sistemas de aprendizagem digital bem estruturados sofreram as maiores interrupções educacionais e perdas de aprendizagem. Essa situação deixou até um terço dos estudantes em todo o mundo sem acesso à aprendizagem durante o fechamento das escolas por mais de um ano. A interrupção educacional causada pela COVID-19 revelou claramente a urgente necessidade de aliar tecnologias e recursos humanos para transformar os modelos escolares e construir sistemas de aprendizagem inclusivos, abertos e resilientes. A UNESCO apoia o uso da inovação digital para ampliar o acesso a oportunidades educacionais e promover a inclusão, aprimorar a relevância e a qualidade da aprendizagem, construir trajetórias de aprendizagem ao longo da vida com apoio das TIC, fortalecer os sistemas de gestão da educação e da aprendizagem e monitorar os processos de aprendizagem”.
Fonte: UNESCO. Disponível em https://www.unesco.org/en/digital-education/need-know?hub=84636. Acesso em 29 ago. de2025

Sobre o papel das tecnologias digitais na educação e, considerando o excerto, analise as assertivas a seguir:

I- O uso educacional das tecnologias digitais só tem relevância em contextos excepcionais, como em situações de crises e pandemias.
II- As tecnologias digitais podem ampliar o acesso ao ensino, fortalecer a inclusão e melhorar a qualidade e relevância da aprendizagem.
III- O uso das tecnologias digitais na educação serve para promover um ensino padronizado e uniforme, obstando adaptações locais e contextuais.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645036 Pedagogia
Luckesi (2008, p. 165), ao abordar a avaliação, afirma que “a atividade de avaliar caracteriza-se como um instrumento subsidiário do crescimento; meio subsidiário da construção do resultado satisfatório”.

A respeito do excerto destacado, analise as afirmações a seguir:

I- O planejamento e a avaliação devem atuar conjuntamente na promoção da aprendizagem, indicando caminhos e investigando os resultados intermediários, respectivamente.
II- A avaliação deve servir à classificação, estimulando a cultura do mérito entre os aprendizes e resgatando a posição de autoridade do docente.
III- O professor deve estar atento às necessidades de redirecionamento indicadas pela avaliação.

É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q3645035 Pedagogia
Para José Carlos Libâneo, a educação constitui um fenômeno social e, como tal, é socialmente determinada, o que significa dizer que a prática educativa, seus objetivos, conteúdos e o trabalho docente são determinados no seio da estrutura social, implicados em suas finalidades por questões de ordens políticas e ideológicas.

Nesse contexto, considere os excertos a seguir, extraídos do livro Didática, de Carlos Libâneo (2013): 

“A Pedagogia é um campo de conhecimentos que investiga a natureza das finalidades da educação em uma determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social.”
“O caráter pedagógico da prática educativa se verifica como ação consciente, intencional e planejada no processo de formação humana, através de objetivos e meios estabelecidos por critérios socialmente determinados e que indicam o tipo de homem a formar, para qual sociedade, com que propósitos.”
“A Didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, condições e modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos.”
“A Didática e as metodologias específicas das matérias de ensino formam uma unidade, mantendo entre si relações recíprocas. A Didática trata da teoria geral do ensino. As metodologias específicas, integrando o campo da Didática, ocupam-se dos conteúdos e métodos próprios de cada matéria na sua relação com fins educacionais.”
Fonte: adaptado de LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 2013. p. 25 (Adaptado)

Com base no exposto, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3645034 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
O Capítulo IV do Título II da Lei nº 13.146/2015, Estatuto da Pessoa com Deficiência, trata especificamente do Direito à Educação e, em seu art. 28 discorre sobre as incumbências do poder público.

Nesse contexto, é CORRETO afirmar que incumbe ao poder público:
Alternativas
Q3645033 Pedagogia
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos, Resolução CNE/CES nº 7, de 14 de dezembro de 2010, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645032 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) constitui um “documento de caráter normativo que define [...] aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver [...] de modo a que tenham assegurados os seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento”
Fonte: (BRASIL, 2017, p.7).

Sobre a BNCC, analise as proposições a seguir:

I- Estabelece aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas a todos os estudantes ao longo da educação básica em todo o território nacional.
II- Tem caráter consultivo e orientador, devendo inspirar a elaboração dos currículos das diversas redes de ensino.
III- Relaciona aprendizagens essenciais ao desenvolvimento de competências gerais que estruturam a proposta curricular.

É CORRETO o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3645030 Pedagogia
No capítulo que trata da Educação, o art. 208 da Constituição Federal passou a prever, após a Emenda Constitucional nº 14 de 1996, que é dever do Estado a garantia da progressiva universalização do ensino médio gratuito. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996, após alteração em sua redação dada pela Lei nº 12.796/2013, lê-se:

“Art. 4º O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:

I – educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma: a) pré-escola; b) ensino fundamental; c) ensino médio”.
Fonte: BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 22/08/2025.

Considere as proposições a seguir:

I- A universalização do ensino médio continua a ser um objetivo perseguido pelo Estado, sendo considerada a ampliação de matrículas neste nível de ensino, inclusive, pelo Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 13.005/2014.
II- ALDB abandonou a pretensão de o Estado alcançar a universalização do ensino médio gratuito.
III- O Estado brasileiro passou a definir como prioridade a oferta dos ensinos fundamental e médio gratuitos apenas na idade certa.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645022 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Sobre o Texto I, marque a alternativa que indica o momento que a narradora-personagem recebe o livro.
Alternativas
Q3645021 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as afirmações que seguem, com base no fragmento do Texto I: “Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa” (1º§).

I- A expressão “e sim” assume valor semântico de contraste.
II- A expressão “e sim” assume valor semântico de adição.
III- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que apresenta uma informação diferente da informação mencionada anteriormente.
IV- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que reforça a informação mencionada anteriormente.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645020 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as assertivas que seguem, com base no fragmento do Texto I: “Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho” (1º§).

I- A palavra “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
II- A palavra “que” introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva.
III- O termo “que” é classificado como conjunção integrante.
IV- O pronome “ela” funciona como complemento do verbo “escolhera”.
V- O pronome “ela” está funcionando sintaticamente como sujeito.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645019 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
No fragmento do Texto I: “Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina” (1º§), o pronome “me” exerce função sintática de: 
Alternativas
Q3645018 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Marque a alternativa CORRETA acerca das relações lógico-semânticas, unidade textual e progressão temática do Texto I. 
Alternativas
Q3645017 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as assertivas que seguem a respeito do Texto I.

I- A narrativa é construída em terceira pessoa, com uma narradora onisciente.
II- O emprego de elementos como tempo e espaço é marcante, conferindo unidade ao texto.
III- O texto não apresenta uma progressão de eventos, sendo estruturado como um relato atemporal.
IV- O texto apresenta um conflito central, relacionado à busca do livro pela protagonista.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
3181: B
3182: E
3183: E
3184: B
3185: D
3186: B
3187: B
3188: A
3189: C
3190: E
3191: B
3192: E
3193: A
3194: D
3195: D
3196: E
3197: E
3198: B
3199: E
3200: A