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Q3846244 Áudio e Vídeo
A seleção de produções brasileiras em diferentes categorias do Oscar evidencia a amplitude temática e formal do cinema nacional no cenário internacional. A presença simultânea de longas de ficção, documentários e curtas-metragens revela um reconhecimento que ultrapassa gêneros específicos e valoriza distintas formas de narrativa audiovisual. Além disso, a participação de profissionais brasileiros em categorias artísticas e técnicas reforça essa visibilidade ampliada. Recentemente, três filmes brasileiros avançaram mais uma etapa na seleção para serem indicados ao Oscar 2026. São eles:
Alternativas
Q3846243 História
A organização política brasileira após a Proclamação da República foi marcada por instabilidade institucional, conflitos armados e forte concentração de poder nas elites regionais. Rebeliões como Canudos, Contestado e a Revolta da Armada expressaram resistências ao novo regime, enquanto a prática de fraudes eleitorais garantiu a predominância das oligarquias estaduais. Esse arranjo político passou a ser questionado por grupos insatisfeitos, culminando em um movimento que alterou profundamente a condução do Estado brasileiro.

Qual fator explica diretamente a eclosão do movimento político que levou à ascensão de Getúlio Vargas ao poder?
Alternativas
Q3846242 Geografia
A economia de Santa Catarina apresenta forte diversificação regional em suas atividades produtivas, com diferentes mesorregiões especializadas em setores distintos da indústria, serviços e agricultura. A Grande Florianópolis possui destaque nos setores de tecnologia da informação, turismo, serviços e construção civil; o Norte catarinense concentra atividades industriais ligadas ao complexo metal-mecânico e tecnológico; o Vale do Itajaí é conhecido pela indústria têxtil, naval e de tecnologia; a região Oeste se sobressai em produção agroindustrial e móveis; o Planalto Serrano abriga atividades ligadas à indústria de papel, celulose e madeira; e a região Sul tem forte presença dos setores de vestuário, plásticos e cerâmico.

I.A Grande Florianópolis destaca-se apenas pela agricultura e pelo setor extrativo mineral, não possuindo relevância nos setores de tecnologia ou serviços.

II.O Vale do Itajaí possui um polo industrial associado predominantemente à indústria têxtil, vestuário, naval e tecnologia.

III.A região Norte de Santa Catarina caracteriza-se como polo tecnológico e metal-mecânico.

IV.O Oeste catarinense concentra atividades de produção alimentar e de fabricação de móveis.


Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3846241 Geografia
A divisão do planeta em continentes constitui um tema fundamental da Geografia, envolvendo critérios físicos, históricos e culturais que variam conforme a tradição acadêmica adotada. No contexto do ensino e da produção científica no Brasil, consolidou-se um modelo específico de regionalização continental, amplamente utilizado em livros didáticos, documentos oficiais e exames de nível superior. Esse modelo difere de outras classificações internacionais ao considerar aspectos naturais e históricos na definição das grandes porções continentais da superfície terrestre.
De acordo com a classificação adotada pela geografia brasileira, quantos são os continentes e quais são seus nomes? 
Alternativas
Q3846230 Português
"A principal meta de muitos estudantes é uma só: alcançar uma formação de qualidade."
Os dois-pontos indicam uma pausa significativa na entonação, anunciando que a frase ainda não foi concluída.
No enunciado acima, ele foi utilizado para:
Alternativas
Q3846229 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
"Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado."
A partir desse trecho é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3846226 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
Considerando as marcas de textualidade presentes no texto, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.

(__)Em "Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta..." , as ações do personagem são sequenciais, mostrando a ordem dos acontecimentos.
(__)Em "Pouco depois", "enquanto isso", "desta vez", "antes de mais nada", "agora", garantem continuidade temporal e progressão narrativa.
(__)Os parágrafos e frases não se conectam, tornando impossível acompanhar o fluxo da história, pois há interrupções do narrador para comentários internos.
(__)Em "Sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão", a expressão "sempre" é marcador de intensidade/frequência, indicando que a ação do personagem é constante ou habitual naquele momento de tensão.


A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3846225 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
Após a leitura do texto "O homem nu", analise as afirmativas a seguir:

I.O personagem usa um embrulho de pão como 'cobertura', evidenciando seu desconforto.
II.As ações do personagem, como parar o elevador ou abrir a porta entre os andares, refletem sua desorientação.
III.As referências ao "Regime do Terror" e "pesadelo de Kafka" mostram como ele percebe a situação como extrema e surreal.
IV.O desespero do personagem era motivado pelo receio de ser surpreendido nu, pelo possível aparecimento inesperado do cobrador e pela perda de controle sobre os acontecimentos.


É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3846224 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
"Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar." A crase em "à porta" está adequada. Agora, analise o emprego desse sinal nos enunciados a seguir:
I.Ontem, assisti à uma cena igual à que assisti na semana passada. II.Fui à Campinas para o festival de vinho. III.Sentiu-se à vontade para fazer o comentário sobre o evento. IV.Quando abordo questões relacionadas a excesso de gastos, refiro-me à Marcela.
O uso do sinal indicativo de crase está correto em:
Alternativas
Q3846223 Português
O homem nu

(Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações.

Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar —

amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café.

Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço de escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada.

Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pelo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão de seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta!

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.


https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15831/o-homem-nu adaptado
"Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: — Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa."
Identifique a afirmativa que explica a insistência do personagem em chamar Maria e bater na porta mais de uma vez. 
Alternativas
Q3846202 Programação
No desenvolvimento front-end moderno, a compreensão do modelo de caixa (Box Model) do CSS (Cascading Style Sheets) é essencial para o controle preciso do layout e dimensionamento dos elementos na página. Assinale a alternativa correta sobre o comportamento da propriedade box-sizing com o valor border-box.
Alternativas
Q3846201 Redes de Computadores
Para a correta configuração de uma Rede Local (LAN), é imprescindível compreender as funções dos protocolos que operam nas diferentes camadas do modelo OSI (Open Systems Interconnection) e da pilha TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). Analise as afirmativas a seguir sobre protocolos de rede.

I.O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é um protocolo da camada de aplicação que automatiza a configuração de dispositivos na rede, distribuindo endereços IP dinamicamente.

II.O DNS (Domain Name System) atua traduzindo nomes de domínio amigáveis (como www.exemplo.com) para endereços IP numéricos que os computadores utilizam para se comunicar.

III.O protocolo ARP (Address Resolution Protocol) é responsável por mapear um endereço IP (camada de rede) em um endereço MAC (Media Access Control) físico (camada de enlace).

Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3846200 Banco de Dados
A linguagem SQL (Structured Query Language) é o padrão para manipulação de dados em Bancos de Dados Relacionais, permitindo a extração de informações combinadas de múltiplas tabelas através de junções. Sobre os tipos de junção (JOIN), registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)O comando INNER JOIN seleciona registros que possuem valores correspondentes em ambas as tabelas envolvidas na consulta.

(__)O comando LEFT JOIN (ou LEFT OUTER JOIN) retorna todos os registros da tabela da esquerda e os registros correspondentes da tabela da direita, preenchendo com NULL onde não houver correspondência.

(__)O comando FULL OUTER JOIN retorna apenas os registros que não possuem correspondência em nenhuma das tabelas, excluindo as interseções de dados.

(__)O comando CROSS JOIN realiza o produto cartesiano entre duas tabelas, combinando cada linha da primeira tabela com todas as linhas da segunda, exigindo obrigatoriamente a cláusula ON.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3846199 Sistemas Operacionais
Um administrador de sistemas precisa configurar as permissões de um script crítico no kernel (núcleo) do sistema operacional Linux para garantir a segurança da informação. O objetivo é que apenas o proprietário do arquivo tenha permissão total de leitura, escrita e execução, enquanto o grupo e outros usuários não tenham nenhum acesso. Assinale a alternativa correta que apresenta o comando e a sintaxe octal adequados para essa configuração.
Alternativas
Q3846198 Programação
Na programação Orientada a Objetos (POO), suportada por linguagens como Java e Python, existem pilares fundamentais que permitem a reutilização e a organização eficiente do código. Assinale a alternativa correta que define o conceito de "Polimorfismo" neste paradigma.
Alternativas
Q3846197 Pedagogia
A Educação a Distância (EAD) utiliza Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) como o Moodle para mediar o processo pedagógico, empregando ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas. Assinale a alternativa correta que exemplifica uma ferramenta de comunicação tipicamente ASSÍNCRONA em um AVA.
Alternativas
Q3846196 Algoritmos e Estrutura de Dados
Durante o ensino de algoritmos, é necessário explicar estruturas de controle que permitem a execução repetitiva de um bloco de código até que uma condição seja satisfeita. Assinale a alternativa correta que identifica a estrutura de repetição que garante que o bloco de comandos seja executado pelo menos uma vez, pois o teste lógico é realizado no final do laço.
Alternativas
Q3846195 Arquitetura de Computadores
Na montagem e manutenção de computadores pessoais, a compatibilidade entre os componentes é um fator crítico para o funcionamento do sistema, especialmente no que tange à memória RAM (Random Access Memory). Assinale a alternativa correta sobre as características físicas e de compatibilidade entre as gerações de memória DDR (Double Data Rate).
Alternativas
Q3846194 Engenharia de Software
A escolha do modelo de ciclo de vida de desenvolvimento de software é crucial para o gerenciamento de prazos, custos e qualidade do produto final entregue ao cliente. Analise as afirmativas a seguir sobre os modelos tradicionais e ágeis de desenvolvimento.

I.O modelo em cascata (Waterfall) é uma abordagem sequencial onde cada fase (requisitos, análise, design, codificação, testes) deve ser concluída antes do início da próxima.

II.As metodologias ágeis, como o Scrum, baseiam-se em ciclos iterativos e incrementais chamados de sprints, permitindo adaptações rápidas a mudanças nos requisitos.

III.O manifesto ágil prioriza a documentação abrangente e o seguimento rígido de um plano inicial em detrimento da colaboração com o cliente e da resposta a mudanças.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3846193 Noções de Informática
Um professor utiliza o Microsoft Excel para processar as notas finais dos alunos e necessita automatizar a busca de situações acadêmicas em uma tabela de referência externa. Sobre as funções lógicas e de procura, como a função SE e a função PROCV (Procura Vertical), registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A função SE avalia uma condição lógica especificada e retorna um valor se o resultado for verdadeiro e outro valor distinto se o resultado for falso.

(__)A função PROCV é capaz de localizar um valor na primeira coluna de uma matriz e retornar um valor na mesma linha de uma coluna especificada, mas não consegue buscar à esquerda da coluna chave nativamente.

(__)Ao utilizar a função PROCV, omitir o argumento "procurar_intervalo" ou defini-lo como VERDADEIRO (ou 1) força a busca por uma correspondência exata do valor.

(__)A função SE não permite o aninhamento de outras funções, limitando-se a apenas uma verificação condicional simples por célula da planilha.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
Alternativas
Respostas
121: A
122: A
123: B
124: B
125: D
126: E
127: D
128: D
129: C
130: E
131: E
132: E
133: D
134: D
135: D
136: C
137: D
138: A
139: C
140: E