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Como a guerra de palavras molda as notícias
“Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.”
Assim começa o poema “O Lutador” de Carlos Drummond de Andrade, a meu ver, um dos mais belos poemas sobre o ofício de escrever. Sobre a quase que impossibilidade de definir, seja lá o que (ou quem) for, com vocábulos, o que se pretende dizer ou expressar. Do alto de sua sabedoria infantil, Marcelo, o inesquecível personagem de “Marcelo, Martelo, Marmelo” (Ed. Salamandra), de Ruth Rocha, outra das nossas grandes autoras, já definiu bem a grande dúvida que ronda a origem das palavras, sejam elas em que língua forem:
“– Papai, por que mesa chama mesa?
– Ah, Marcelo, vem do latim.
– Puxa, papai, do latim? E latim é língua de cachorro?
– Não, Marcelo, latim é uma língua muito antiga.
– E por que é que esse tal de latim não botou na mesa nome de cadeira, na cadeira nome de parede, e na parede nome de bacalhau?”
O pai de Marcelo, é claro, não soube responder à pergunta do garoto. E nós, tal como ele, muitas vezes nos pomos a perguntar por que uma pessoa usou tal palavra e não outra (ou outras) para comunicar alguma coisa, definir um conceito, contar uma história. E se perguntarmos a ela, muito provavelmente essa pessoa usará mais tantas outras para justificar a escolha daquela e assim,nos convencer que fez o melhor uso para descrever o que desejava. Longe de mim querer dar conta de explicar um fenômeno tão complexo como a linguagem nas poucas linhas deste artigo. Minha reflexão aqui é sobre como as palavras importam para moldar e explicar a nossa realidade. Nietzsche, um dos maiores filósofos de todos os tempos, disse que as palavras são pontes iridescentes que ligam coisas separadas. Faço um complemento à sua fala: e quando elas se juntam, são capazes de produzir sentido, a chave para que sigamos vivos, em ação, transformando o mundo em que vivemos. As palavras dão sentido à nossa experiência, ao que acontece ao nosso redor e ao que se passa com e em cada um de nós.
Há mais de 30 dias vivemos uma experiência das mais complexas em diferentes sentidos com a guerra na Ucrânia. E como ela se dá para além dos tiros, bombas, das mortes brutais, e está acontecendo “em tempo real” nas mídias, nos relatos “ao vivo” de quem filma e/ou fotografa o inenarrável sofrimento humano e posta nas redes sociais, assistimos à tão falada “guerra das narrativas” na qual desenrola-se uma escolha cuidadosa de palavras que tentam dar conta de explicar os fatos que se desenrolam, minuto a minuto. Por que uns usam o termo “invasão” e outros “guerra”? E qual a razão de outros insistirem em dizer que se trata de “exercícios militares”, ou ainda de um “conflito” ou então de uma “ocupação”? É que quando você escolhe o termo guerra versus invasão, você selecionou um ponto de vista para explicar os fatos que conseguiu perceber – e, esperamos! – verificar.
“Entendo que para contar é necessário primeiramente construir um mundo”, dizia um dos maiores semiólogos e linguistas do nosso tempo, o escritor italiano Umberto Eco. “Que leitor modelo eu queria, quando estava escrevendo? Um cúmplice, claro, que entrasse no meu jogo. (...) Um texto quer ser uma experiência de transformação para o próprio leitor”. Estar consciente desse jogo, conhecer as regras da construção das mensagens é uma das grandes habilidades a serem conquistadas pelos cidadãos dessa Era da (Des)Informação, e um dos pilares da Educação para as Mídias. É fundamental que o leitor (re)conheça que cada notícia é composta por um conjunto de palavras, de termos, que contam uma determinada história, sob um ponto de vista específico, que interessa a um certo grupo de pessoas e/ou instituições. Faz tempo que o mito da objetividade jornalística caiu por terra, por isso, para se formar um leitor crítico, há que prepará-lo para desenvolver uma certa dose de ceticismo saudável, aliado a uma investigação constante dos muitos porquês que envolvem a construção de uma mensagem.
A chamada grande mídia vem sendo profundamente abalada pelo advento das redes sociais, onde todos e qualquer um é jornalista. Daí a importância de se frisar que se a objetividade jornalística é uma quimera, a objetividade, em si, é um método, não um ponto de vista. E o bom jornalismo faz uso dela quando estabelece critérios claros (e bem expostos em sua política editorial) para publicar um conteúdo, pesquisando o contexto no qual ele se desenrola, conhecendo os mais diversos e diferentes pontos de vista sobre o que se está contando, analisando todas as informações coletadas, fazendo perguntas – tantas quantas forem necessárias para trazer mais clareza ao fato – e escolhendo palavras que sejam molduras o mais próximas possível do que se quer retratar. “As palavras são imprecisas. Elas nunca capturam totalmente o que está acontecendo. Há uma diferença qualitativa entre um jornalista que usa palavras de forma imprudente e um que está lutando, revisando e atualizando sua linguagem à medida que sabe mais (...) as palavras também têm um significado público quando absorvidas pela mídia. As palavras têm definições, mas também conotações e significados culturais, dependendo do contexto em que são usadas. E tudo isso está em jogo nas notícias”, afirma o jornalista e articulista do periódico digital Medium, Jeremy Littau.
A afirmação do jornalista americano explica de maneira bastante simples porque cada um lê a notícia do jeito que lhe interessa, afinal, cada termo selecionado se encaixa na moldura que o leitor tem, aquela que lhe possibilita ver e compreender o mundo em que vive. Nesse sentido, nunca é demais lembrar que o poder está, de fato, na mão do leitor. Em uma sociedade letrada como a nossa, a leitura (e aqui me refiro a ela como a possibilidade de ler/ver/ouvir em quaisquer suportes) é um instrumento precioso para que interpretemos a realidade e então, possamos devolver a nossa percepção dela para a nossa comunidade e com isso, construirmos a nossa história. O exercício da leitura nos dá a possibilidade de questionar e elaborar as nossas perguntas e respostas a partir da nossa experiência. O leitor crítico quer acessar as notícias, mas sobretudo quer entendê-las e encontrar sentido nelas e para elas. Aquecimento global ou mudança climática? Protesto ou motim? Combate ou luta? Você escolhe como explicar ou compreender, meu caro leitor.
(ALVES, Januária Cristina. Como a guerra de palavras molda as notícias.
Jornal Nexo. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/
2022/Como-a-guerra-de-palavras-molda-as-not%C3%ADcias. Acesso em:
05/04/2022. Adaptado.)
( ) Reconhecer medos, angústias e demais conflitos internos. ( ) Explorar e refletir sobre a realidade e o espaço em que está inserido. ( ) Trabalhar sobre a frustração e a resistência, moldando a personalidade e o equilíbrio emocional. ( ) Desenvolver a psicomotricidade, assim como a socialização, a imaginação, a criatividade, a disciplina e a linguagem.
A sequência está correta em
(Disponível em http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/215- 568057805/74791-professores-aprenderao-nocoes-basicas-deprimeiros-socorrocom. Adaptado.)
Os engasgos são problemas comuns nas mais diversas fases da vida; no entanto, na infância, podem ser mais frequentes e perigosos, levando a óbito. Em caso de engasgo em bebê, quando ainda estiver em estado consciente, ao socorrer, deve-se:
I. Posicionar o bebê de barriga para baixo no seu braço, com a cabeça mais baixa que o corpo. II. Efetuar cinco tapotagens nas costas, entre as escápulas. III. Verificar se na garganta há algum objeto estranho e fazer a retirada com os dedos. IV. Dar água para o bebê, pois facilita a desobstrução da garganta. V. Continuar os procedimentos, caso a criança não retorne à respiração regular, até a chegada do bombeiro.
Estão corretos apenas os procedimentos
1. Fábula. 2. Apólogo. 3. Parábola. 4. Mito.
( ) Narrativa antiga que fala de deuses, duendes, heróis fabulosos, ou de situações em que o sobrenatural domina. ( ) Narrativa de uma situação vivida por animais que alude a uma situação humana e tem por objetivo transmitir certa moralidade. ( ) Narrativa breve de uma situação vivida por seres inanimados, que adquirem vida e aludem a uma situação exemplar para os homens. ( ) Narrativa breve de uma situação vivida por seres humanos (ou por humanos e animais), da qual se deduz, por comparação, um ensinamento moral ou espiritual.
A sequência está correta em
(Um número poderá se repetir mais de uma vez.)
1. De 0 a 1 ano. 2. De 1 e 3 anos. 3. De 3 e 6 anos.
( ) Início da aprendizagem e controle do seu próprio comportamento. ( ) Oportunidade para desenvolver habilidade motora fina. ( ) Apoio na aquisição de novas habilidades motoras, de linguagem e pensamento. ( ) Encorajamento para exercitar a linguagem, através da fala, da leitura e do canto. ( ) Desenvolvimento de oportunidades para aprender a cooperar, ajudar e compartilhar. ( ) Oportunidade para explorar com estimulação adequada o início do desenvolvimento da linguagem (olhar, tocar, escutar, cheirar, provar).
A sequência está correta em
I. O “cuidar” na educação infantil é apenas uma forma de garantir a sobrevivência da criança às suas necessidades essenciais ligadas à questão da alimentação, higiene, saúde, vestuário, dentre outras. II. O “cuidar” precisa ser considerado, principalmente, com as necessidades das crianças que, quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo. III. O “educar” é uma questão que deve ser encarada com seriedade por todas as pessoas envolvidas no desenvolvimento infantil, pois significa ensinar a escrever, ler, pintar e somar, dentre outras atividades da aprendizagem infantil.
Está correto o que se afirma apenas em
I. Recusar fé aos documentos públicos. II. Manter a publicidade de atos, propagandas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos com a publicidade que constem nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos. III. Destinar recursos públicos, através de financiamentos e de outras modalidades, ao fomento de monocultura.
É VEDADO ao município de Linhares/ES o que se afirma em
( ) Mercado, feira e matadouro. ( ) Iluminação pública. ( ) Fiscalização sanitária. ( ) Cemitério e serviço funerário.
A sequência está correta em
(Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/amazonia/ noticia/2022/04/18/como-desmatamento-pode-aumentar-anemia-emcriancas-na-amazonia.ghtml. Acesso em: 18/04/2022.)
Sobre a floresta Amazônica, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O avanço do desmatamento, impulsionado pela criação de áreas de pastagem para bois, tende a reduzir a oferta de carne de caça para indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais amazônicas, grupos socialmente vulneráveis. ( ) A presença do número significativo do confinamento bovino na região privilegia as famílias ribeirinhas, mesmo com o preço alto das carnes; isto não é fato preponderante para a falta deste alimento nas mesas. ( ) Eventos atípicos como fortes secas ou cheias têm atingido a região amazônica nos últimos anos, contribuindo cada vez mais para o desequilíbrio ambiental nas áreas já degradadas por ação humana.
A sequência está correta em
(Disponível: https://www.br.undp.org.)
Considerando que o Brasil é uma República Federativa Presidencialista, relacione adequadamente os Presidentes às suas respectivas características governamentais.
1. João Goulart. 2. Getúlio Vargas. 3. Michel Temer. 4. Itamar Franco.
( ) Tendo como grande peculiaridade o autoritarismo na forma de governar, foi eleito de maneira indireta. Estabeleceu um projeto político de aproximação dos trabalhadores, mas o declínio de sua ditadura resultou em ser deposto pelos militares. ( ) Mandato abreviado em decorrência do golpe civil militar pela radicalização e instabilidade política. ( ) Assumiu definitivamente a Presidência da República em 31 de agosto de 2016, após o Senado Federal aprovar o processo de impeachment. ( ) Durante seu mandato implantou o Plano Real em prol da estabilização da economia através da moeda com as reservas cambiais disponíveis.
A sequência está correta em
(Disponível em: https://avamec.mec.gov.br/ava-mec-ws/instituicao/ seb/conteudo/modulo/4427/uni2/slide1.html.)
Em relação ao ensino híbrido, é INCORRETO afirmar que:
(Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/2022/04/vestir-pijamaem-reunioes-do-zoom-prejudica-a-performance/?utm_source=terra_ capa_noticias&utm_medium=referral. Acesso em: 18/04/2022.)
Em relação aos impactos das mudanças nas relações de trabalho para empresas, profissionais e candidatos a emprego, analise as afirmativas a seguir.
I. O home office é o trabalho remoto considerado como a saída encontrada para continuar as atividades, pelo menos para aqueles profissionais cujo emprego não exige presença física em um local específico. II. Tem como grande desafio de manter a continuidade da produção do trabalhador sem a supervisão direta do chefe ou próximo a ele, mantendo, assim, o mesmo número de horas trabalhadas. III. Empreendedores, líderes, colaboradores e gestores devem aceitar que a tecnologia está em tudo, como, por exemplo, através dos e-mails empresariais é possível resolver rapidamente diversos problemas, reduzir o número de reuniões e melhorar o contato entre as áreas.
Está correto o que se afirma em
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/ 2022/04/20/comite-da-onu-colocara-pressao-pelo-fim-de-lei-de-anistiano-brasil.html0l. Acesso em: 20/04/2022.)
Em relação à luta pela anistia no Brasil, assinale a afirmativa INCORRETA.

Qual a senha do cadeado da mala?
Aquilo por que vivi
Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso instável, por sobre profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.
Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual a nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime.
Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.
Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta a terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a constituir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria de ser a vida humana. Anseio por aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.
(Bertrand Russel. Autobiografia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1967. Adaptado.)