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Q4409944 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
O coletivo de "pessoas" está inadequado em:
Alternativas
Q4409943 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
A cronista usou: Fulana, Beltrana e Sicrana com intento de:
Alternativas
Q4409942 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
O sentido de "É para segmentar as castas." (parágrafo quarto), no texto é:
Alternativas
Q4409941 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
Assinale a alternativa em que o substantivo sofre variação de gênero.
Alternativas
Q4409940 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
O sentido dado às palavras no texto está correto, exceto em:
Alternativas
Q4409939 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
No excerto: "Quando eu era criança, criancinha mesmo (...)", о substantivo no diminutivo sugere, no texto ideia:
Alternativas
Q4409938 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
Quando a família dizia: "(...) bem-vinda ao planeta Terra.", significava:
Alternativas
Q4409937 Não definido
Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão.


O papel higiênico da empregada


   Quando eu era criança, criancinha mesmo, achava quе todo mundo era do bem. Até que comecei a crescer e descobri que nem tanto assim. Lembro que, ainda menina, foi um choque quando descobri que as pessoas mentiam, engavam, eram agressivas. Não estou falando de bandidos da tevê, e sim de garotas da minha aula, vizinhos, gente conhecida. Eu ficava confusa. Fulana era generosa com as amigas e, ao mesmo tempo, estúpida com a própria mãe. Beltrana ia à missa todo domingo e nos outros dias remexia na mochila dos colegas para roubar material escolar. Sicrana era minha amigona na quarta-feira e na quinta me virava o rosto, por nada. Eu chegava em casa, pedia explicações pra família e recebia como resposta: bem-vinda ao planeta Terra.

   Eu queria o impossível: olhar para uma pessoa e saber o que poderia esperar dela. Seria do bem? Do mal? Viria a me decepcionar? Todas as pessoas decepcionam uma vez a outra, todas cometem erros, mas eu queria encontrar alguma espécie de comportamento-padrão que me desse uma pista segura sobre com quem eu estava lidando. Até que, certo dia, fui à casa de uma colega para estudar. De repente, precisei ir ao banheiro. Só havia um no apartamento, e ocupado. Eu estava apertada. Apertadissima. Minha amiga sugeriu que eu usasse o banheiro da empregada, topei na hora. E lá descobri que o papel higiênico da empregada era diferente do papel usado pelos outros membros da família. Era mais áspero. Parecia uma lixa. Muito mais barato.

   Era um costume, e talvez seja até hoje: comprar um tipo de papel higiênico para a família e outro, de pior qualidade, para o banheiro de serviço. Eis ali a pista que eu inocentemente buscava para descobrir a indole das pessoas.

   Hoje, adulta, sei que descobrir a índole de alguém é um processo muito mais complexo, mas ainda me surpreendo que algumas pessoas façam certas diferenciações. O relacionamento entre empregados e patrões ainda é uma maneira de perceber como certos preconceitos seguem bem firmes. Não é por economia que se compra papel higiênico mais barato para a empregada, por mais que seja este o argumento usado por quem o faz. É para segmentar as castas. É para manter a hierarquia. É pela manutenção do poder.

  As pessoas querem tanto acabar com as injustiças sociais, e às vezes não conseguem mudar pequenas regras dentro da sua própria casa. Cada um de nós tem um potencial revolucionário que pode se manifestar por meio de pequenos gestos. Comprar o mesmo papel higiênico para todos, quem diria, também é uma maneira de lutar por um mundo melhor. 


(MEDEIROS, Martha. O meu melhor. São Paulo: Planeta do Brail, 2019. p. 157/158.)
A crônica de Martha Medeiros trata:
Alternativas
Q4409901 Não definido
Marque o termo que se refere ao trânsito do nível de maior complexidade para o de menor complexidade - por exemplo: os encaminhamentos feitos pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) ou por outro serviço setorial ao CRAS. 
Alternativas
Q4409900 Não definido
Considerando a organização do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), é correto afirmar que:
Alternativas
Q4409899 Não definido
Representa uma capacidade mental que remete o avaliando a experiências impressivas, auxiliando na comparação com experiências atuais e projetando-se nas prospecções e programas futuros:
Alternativas
Q4409898 Não definido
São considerados eixos fundamentais da proposta da Clínica, com exceção de:
Alternativas
Q4409897 Não definido
Sobre a Resolução n.º 6, de 29 de março de 2019, do CFP, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q4409896 Não definido
Para a avaliação de funções executivas em crianças de sete anos, recomenda-se utilizar o teste:
Alternativas
Q4409895 Não definido
Trata-se de uma atividade que permite ao examinador observar e avaliar a "personalidade em ação", quantificando e documentando comportamentos importantes enquanto o examinando o executa. Por meio das respostas do examinando, é possível avaliar sua capacidade de adaptação, estilo de enfrentamento em situações adversas, as atitudes e preocupações subjacentes e disposições para pensar, sentir e agir de determinada maneira. A descrição apresentada é compatível com o:
Alternativas
Q4409894 Não definido
Sobre as distinções entre uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas, analise as afirmativas seguintes:

I- Dependência - seria experimentar ou consumir esporadicamente ou de forma episódica, não acarretando prejuízos por conta disto.
Il-Abuso ou uso nocivo - tendência a ingerir bebidas alcoólicas seguindo um padrão, sem nenhuma consequência prejudicial.
III-Tolerância - Perda ou diminuição da sensibilidade aos efeitos iniciais da substância.
IV- Saliência do comportamento de uso - Ocorre a presença de desejo persistente e tentativas frustradas de controlaro consumo.

Estão corretas: 
Alternativas
Q4409893 Não definido
No que se refere à Resolução CFP n.° 09/2018, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q4409892 Não definido
Marque a alternativa que não exemplifica a avaliação psicológicа compulsória existente no Brasil.
Alternativas
Q4409891 Não definido
O diagnóstico da deficiência intelectual (DI) baseia-se tanto na avaliação clínica quanto em testes padronizados das funções adaptativas e intelectual. Marque a alternativa que descreve adequadamente os cuidados que se deve ter na interpretação dos resultados advindos de um teste de Ql.

I- Pessoas com DI apresentam escores em torno de dois desvios-padrão ou mais abaixo da média populacional, incluindo uma margem de erro de medida (em geral + 5 pontos).
II-A interpretação dos resultados dos testes de Ql não necessita dejulgamento clínico.
III-Escores de Ql são aproximações do funcionamento conceitual, mas podem ser insuficientes para a avaliação do raciocínio em situações da vida real;
IV-Escores de subtestes individuais pouco discrepantes podem invalidar um escore geral de QI.
Alternativas
Q4409890 Não definido
Leia o caso a seguir:

"Uma jovem de 19 anos, estudante universitária. Descrita pelos pais como excelente aluna. Na universidade, demonstrava dificuldade para concluir suas tarefas e medo de frustrar as expectativas dos pais. Ao aprender a dirigir automóvel, passou a apresentar maior nível de insegurança e medo. Mesmo tendo adquirido a CNH, evitava dirigir. Ao sentar no veículo, pensava "vou perder o controle", "provocarei um acidente", "não sou capaz de enfrentar este medo". Sentia tremores pelo corpo, taquicardia, suas mãos ficavam geladas e chorava com facilidade". O quadro descrito é compatível com:
Alternativas
Respostas
7101: D
7102: D
7103: A
7104: D
7105: C
7106: A
7107: B
7108: C
7109: B
7110: A
7111: A
7112: D
7113: C
7114: A
7115: D
7116: C
7117: B
7118: C
7119: A
7120: B