Leia o texto a seguir para responder à questão.
A Arte
O Renascimento proporcionou mudança na mentalidade conceitual da arte ao separá-la dos ofícios e
das ciências. À época, a poesia, por exemplo, passou a ser considerada arte ao invés de um tipo de filosofia
ou mesmo profecia. A partir daí, nota-se inclusive uma melhora na percepção e na situação social do artista,
pois os nobres e os ricos europeus aguçaram seus interesses pela beleza. A arte consagra-se como um objeto
de consumo estético da nobreza e das altas classes sociais.
Hoje em dia, em pleno século 21, até mesmo a televisão, a moda, a publicidade e os videojogos são por
muitos considerados manifestações artísticas. Segundo René Huyghe, a arte e o homem são indissociáveis.
Não há arte sem homem, muito menos homem sem arte. O ser isolado ou a civilização que não chega à arte
estão ameaçados por uma secreta asfixia espiritual, por uma turbação moral.
Se para São Tomás de Aquino a arte é o reto ordenamento da razão, para Pablo Picasso, a arte é a
mentira que nos ajuda a ver a verdade. Ambos estarão certos. Quiçá, por isso, se aceita o conceito de arte
englobar todas as criações realizadas pelo ser humano para expressar sua visão mais sensível acerca do
mundo, seja real ou imaginário.
A arte é a capacidade humana de criação. É a expressão ou aplicação de habilidades criativas e a
imaginação para criar obras que são apreciadas principalmente por sua beleza, intelecto ou poder emocional.
Seus resultados são obtidos por distintos meios. A arte de cozinhar, de pintar quadros, de grafitar, as artes
plásticas, a arte de compor (poemas e partituras musicais), a gravura, a impressão de livros e, até mesmo,
atrelados a um conceito mais severo, meios hoje em dia causadores de grande repulsa social, como a caça e
a guerra, podem ser considerados como arte. O ser humano e a arte estão rigorosamente conectados. A arte
liberta. E, atualmente, a arte de viver cada vez mais se faz indispensável para a emancipação humana.
LEÃO, Renato Zerbini Ribeiro. 2020. “A Arte”. Correio Braziliense, 26 de janeiro de 2020. https://www.correiobraziliense.com.br/.
[Fragmento Adaptado]