Questões de Concurso Comentadas para copeve-ufal

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Q3957957 Pedagogia
    Desde a Constituição Federal de 1988, a legislação prevê o direito à educação para toda a população, inclusive para aquelas pessoas que não tiveram acesso à escola em idade apropriada, na infância ou na adolescência. Dessa forma, é dever do governo federal, bem como de estados e municípios, assegurar a oferta pública e gratuita de educação escolar para jovens e adultos. Entretanto, apesar da previsão de direitos e deveres, passados mais de 30 anos, as estatísticas nacionais não deixam dúvidas sobre os desafios enfrentados pelo país para assegurar a educação de todos, em especial daqueles que tiveram seus direitos violados quando crianças ou adolescentes. Ademais, nos deparamos com um quadro de retrocessos, em um contexto de ausência de políticas e recrudescimento das desigualdades em decorrência da pandemia da covid-19.
    Considerando as realidades sociais em nosso país, a desigualdade racial, econômica e de gênero aparece também no perfil das turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), majoritariamente compostas por pessoas negras e trabalhadoras. Nesse sentido, a EJA apresenta especificidades, problemáticas e metodologias próprias que não só devem ser visibilizadas, como também podem inspirar práticas pedagógicas e estratégias de gestão em todo o sistema de ensino, sobretudo no atual contexto de crise econômica e sanitária.
    Vista muitas vezes como não prioritária, a EJA foi considerada durante as décadas de 80 e 90 como obsoleta, uma vez que a expectativa política era de que os investimentos em uma educação primária eficiente a longo prazo eliminariam sua necessidade. O fato é que, mais de trinta anos depois, a desigualdade social e a ausência de políticas públicas efetivas que promovam a equidade racial e de gênero se traduzem em números ainda preocupantes de analfabetismo entre adultos, evasão e abandono. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 20,2% dos jovens de 14 a 29 anos não concluíram a Educação Básica, dentre os quais 71,7% são negros (pretos e pardos). Já em relação às taxas de analfabetismo, apesar de estas registrarem queda geral desde 2016, o país ainda possui 11 milhões de pessoas que não dominam plenamente a leitura e a escrita.
    [...] 
Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/conteudo-multimidia/detalhe/. Acesso em: 9 fev. 2026.

No contexto das políticas públicas, dadas as afirmativas, ao se estabelecer uma relação entre o texto e a importância da EJA (Educação de Jovens e Adultos), nas escolas públicas, como modalidade de ensino,

I. A modalidade EJA foca em metodologias adaptadas às experiências de vida dos alunos adultos, visando à inclusão social e à qualificação para o mercado de trabalho.
II. A modalidade EJA garante o direito constitucional à educação, promovendo a emancipação social, utilizando-se de estratégias de inclusão e de equidade, fundamentais para a erradicação do analfabetismo.
III. A EJA, na atualidade, enfrenta desafios como a necessidade de metodologias específicas e a garantia de financiamento, uma vez que as metodologias existentes estão sendo consideradas obsoletas.
IV. Com o surgimento de políticas públicas efetivas e inovadoras, a EJA atua na interseção de políticas educacionais e sociais, visando apenas ao aprendizado acadêmico para jovens excluídos do processo escolar na idade regular.

verifica-se que está/ão correta/s apenas
Alternativas
Q3957956 Português
Projeto Peneira
    Uma palestra sobre segurança do trabalho envolvendo a comunidade das marisqueiras foi o ponto de partida do projeto Peneira. O professor de Eletrotécnica do Campus Maceió, Allisson Silva, contou que ficou surpreso com as informações que relatavam o sofrimento dos envolvidos nas atividades. A partir de então, ele começou a pesquisar sobre as etapas da cadeia produtiva do sururu.
    “Teve uma fala, em uma das reportagens que eu vi, de um garoto que não ia para a escola há quatro anos. Isso acabou pesando muito para começar pela peneira, que é uma atividade basicamente ocupada por mulheres e crianças, então, influencia muito a evasão escolar”, explicou o professor, que coordena o projeto.
    O protótipo foi desenvolvido para ser utilizado como uma peneira de baixo custo, que descasca o sururu.
    “As estruturas são de portas do Ifal Maceió, o acrílico que tem nela são de barreiras utilizadas durante a pandemia, que quebraram. Então, a gente reutilizou os pedaços, e, posteriormente, foi colocado um variador de velocidade, para ajustar de acordo com a quantidade de sururu”, detalhou o professor.
    O projeto foi aprovado no edital das Oficinas 4, em 2021, com os estudantes Kamilly dos Santos, Vitória Lopes, Livia Luna, João Souza e Sheldon da Silva. Depois foi aprovado no edital do Pibiti de 2022, com Bianca dos Santos, e renovado no edital do Pibiti deste ano, com Nícolas Cordeiro.
    Em abril do ano passado, o professor Alisson levou os estudantes a uma visita técnica para conhecer de perto a cadeia do sururu, na beira da lagoa, em Maceió.
    “Essa visita fez uma diferença enorme, todos ficaram com uma vontade imensa de trabalhar, se solidarizaram com a situação precária, e viram toda a dificuldade. Eles passaram a ter uma vontade grande de participar e poder contribuir para melhorar a cadeia produtiva”.
    Os próximos passos do grupo é aperfeiçoar o protótipo.
    “A gente está tentando conseguir um financiamento, uma forma de acelerar o projeto para a migração de materiais que atendam às exigências das resoluções da Vigilância Sanitária. Melhorias para serem aplicadas também a outros tipos de mariscos, como maçunins e mexilhões”, finalizou o professor.

Disponível em: https://alnb.com.br/alagoas/conheca-os-projetos-do-ifal-na-semana-nacional-da-educacao-profissional-e-tecnologica/. Acesso em: 31 jan. 2026.

A respeito do evento comunicativo descrito, que exemplifica um projeto integrador na EPT (Educação Profissional e Tecnológica), focada em preparar cidadãos para o mercado de trabalho, dadas as afirmativas,

I. Na elaboração do “Projeto Peneira”, utiliza-se a Língua materna, no intuito de revelar, no mundo textual, características pertinentes ao mundo real.
II. A fim de que professores e alunos construam conhecimentos de forma cooperativa, o texto que menciona o “Projeto Peneira” descreve ações pedagógicas para delinear os percursos básicos de desenvolvimento, mensurar os resultados e registrar o que foi idealizado para possíveis e necessárias adaptações.
III. No texto do “Projeto Peneira”, há uma demonstração de que os princípios constitutivos da textualidade denotam, mesmo havendo desconhecimento das relações lógico-textuais para a constituição da superestrutura, que nada impede que haja coesão virtual entre produção, teoria e ações educativas.
IV. O “Projeto Peneira” é ligado à Diretoria de Ensino e tem como objetivo contribuir com a educação inclusiva ao atuar de maneira integrada aos demais setores da instituição.
V. O “Projeto Peneira” vem promovendo ações de ensino com a temática das identidades e relações étnico-raciais, no âmbito da comunidade escolar e em suas relações com a comunidade externa, especialmente junto aos movimentos sociais antirracistas, quilombolas e indígenas.

verifica-se que está/ão correta/s apenas
Alternativas
Q3957955 Português
    Não é possível falar de autonomia de professores sem fazer referência ao contexto trabalhista, institucional e social em que os professores realizam o seu trabalho. Seu desenvolvimento não é apenas uma questão de vontade e livre pensamento por parte dos docentes. As condições reais de desenvolvimento de sua tarefa, bem como o clima ideológico que a envolve, são fatores fundamentais que a apoiam ou a entorpecem. E sem as condições adequadas, o discurso sobre a autonomia pode cumprir apenas duas funções: ou é uma mensagem de resistência, de denúncias, de carências para um trabalho digno e com possibilidades de ser realmente educativo, ou é uma armadilha para os professores, que só pretende fazê-los crer falsamente que possuem condições adequadas de trabalho e que, portanto, o problema é só deles.

CONTRERAS, José. Autonomia de professores. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez, 2002.

A respeito dos mecanismos de coesão gramatical, observe os vocábulos destacados no fragmento de texto e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3957954 Português
Texto 1: Queda de 71% nos casos de dengue
    Nos primeiros meses de 2025, foram contabilizados 669 mil casos prováveis de dengue contra 2,3 milhões em 2024. Em relação às mortes, houve queda de 82%, com 368, em 2025. A região Sudeste continua sendo o local mais afetado e o estado de São Paulo apresenta o maior número em 2025, concentrando 70% dos casos prováveis de dengue do país. Em relação à vacina contra a dengue, doses com datas mais próximas do vencimento podem ter ampliação de faixa etária para aplicação ou serem remanejadas para municípios que não dispõem de vacinas. (Radis, 2025).

Texto 2: Influenza A: principal causa da morte de idosos por SRAG
     O vírus da Influenza A se tornou a principal causa de morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em idosos, segundo o Boletim Infogripe da Fiocruz (15/5). Também foi registrado o aumento de hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país. A orientação é para que todas as pessoas dos grupos mais vulneráveis tomem a vacina da influenza, pois é a forma mais eficaz para prevenir hospitalizações e mortes (Radis, 2025).

Conforme a esfera de circulação social e o objetivo, esses textos apresentam quais assuntos, estrutura e ordem dos seus períodos, respectivamente.
Alternativas
Q3957951 Literatura
ARTISTA

O meu desejo é ser pintor — Lionardo,
cujo ideal em piedades se acrisola;
fazendo abrir-se ao mundo a ampla corola
do sonho ilustre que em meu peito guardo.

Meu anseio é, trazendo ao fundo pardo
da vida, a cor da veneziana escola,
dar tons de rosa e de ouro, por esmola,
a quanto houver de penedia ou cardo.

Quando encontrar o manancial das tintas
e os pincéis exaltados com que pintas,
Veronese! teus quadros e teus frisos,

irei morar onde as Desgraças moram;
e viverei de colorir sorrisos
nos lábios dos que imprecam ou que choram!

ANDRADE, M. Pauliceia desvairada. São Paulo: Novo Século, 2017, p. 9.

No poema, o eu lírico expressa o desejo de transpor a arte da pintura para a poesia, buscando dar cor e vida à página.
Pela sua estrutura externa, o texto define-se como um poema 
Alternativas
Q3957950 Português
Captura_de tela 2026-03-30 174844.png (375×292)

Disponível em: https://www.portugues.com.br/redacao/coesao-e-coerencia.html. Acesso em: 31 jan. 2026.

Levando-se em consideração que estrutura, coesão e coerência são os três pilares fundamentais para a construção de um texto claro, organizado e compreensível, dados os fragmentos de obras de Guimarães Rosa,

I. “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
II. “Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo”.
III. “Há uma hora certa, no meio da noite, uma hora morta, em que a água dorme”.
IV. “Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador”.
V. “Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação”.

verifica-se que há processo de coesão referencial anafórico apenas em
Alternativas
Q3957949 Literatura
HÍPICA
Saltos records
cavalos da Penha
correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas As meninas
E a orquestra toca chá
Na sala de cocktails

ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas. In: Obras Completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. v. 7, p. 129.

Dadas as afirmativas, considerando-se que o poema de Oswald de Andrade descreve cenas de lazer da alta burguesia,

I. O poeta Oswald de Andrade lança mão da fragmentação cubista e, por meio de flashes cinematográficos, utiliza-se de linguagem sintética e imagética, descrevendo um cenário elitizado.
II. Uma vez que o sentido só pode ser estabelecido, em sua totalidade, por meio das relações entre os enunciados e entre os contextos de produção e de recepção do texto, o poema “Hípica” apresenta-se incoerente.
III. Oswald de Andrade utiliza o poema para ironizar a vida social fútil e o luxo da burguesia paulistana da época, um tema recorrente no período pós-modernista.
IV. Os versos: “cavalos da Penha / correm jóqueis de Higienópolis” podem sugerir uma sutil justaposição de mundos, típica da visão crítica do autor.
V. O poema não segue uma estrutura narrativa linear. Ele funciona como uma colagem de cenas ou flashes cinematográficos, influenciado pela fase pós-modernista.

verifica-se que estão corretas apenas
Alternativas
Q3957948 Português
ADEUS
Então disse:
– Viver era isso?
E fechou lentamente os olhos.

NETO, Miguel Sanches. Os cem menores contos brasileiros do século. Marcelino Freire (Org). Cotia: Ateliê, 2004, p. 68.

Pelo contexto desse microconto, assinale a alternativa correta que apresenta o efeito de sentido a que é remetido o leitor.
Alternativas
Q3957947 Português
    (Mas e eu? E eu que estou contando esta história que nunca me aconteceu e nem a ninguém que eu conheça? Fico abismado por saber tanto a verdade. Será que o meu ofício doloroso é o de adivinhar na carne a verdade que ninguém quer enxergar? Se sei quase tudo de Macabéa é que já peguei uma vez de relance o olhar de uma nordestina amarelada. Esse relance me deu ela de corpo inteiro. Quanto ao paraibano, na certa devo ter-lhe fotografado mentalmente a cara – e quando se presta atenção espontânea e virgem de imposições, quando se presta atenção a cara diz quase tudo).
    E agora apago-me de novo e volto para essas duas pessoas que por força das circunstâncias eram seres meio abstratos.

LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Romance. São Paulo: 1977, p. 23.

No fragmento dessa narrativa, nota-se uma peculiaridade a respeito da morfossintaxe dos pronomes pessoais, comumente empregada até mesmo em textos literários ou por falantes cultos brasileiros.

Assinale a alternativa que apresenta esse traço semântico.
Alternativas
Q3957946 Linguística
    Entramos no conceito de gramática modular, que é algo primordial para os estudos dos gerativistas, podendo ser definida como a viabilidade de analisar isoladamente a sintaxe em relação aos demais elementos da gramática, como léxico, fonologia, morfologia e semântica. Para Chomsky, a análise da gramática e de seus componentes pressupõe a abordagem de módulos autônomos, operando independentemente uns dos outros. Isso implica que cada componente é regido por suas próprias regras, sem sofrer influência direta dos demais módulos. Existem alguns pontos de encontro entre esses módulos da gramática, porque a sintaxe produz sintagmas e sentenças através das palavras do léxico. O item final da sintaxe (que é a sentença), portanto, precisa obter uma leitura fonológica e uma interpretação semântica, o que o gerativismo batizou de Forma Lógica. [...]

KENEDY, E. Gerativismo In: MARTELOTTA, Mário Eduardo Toscano. (Org.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008, v. 1, p. 127-140.

Sabendo que as principais correntes da linguística moderna estudam a língua sob perspectivas distintas, assinale a alternativa cuja informação acerca da corrente linguística gerativista está correta.
Alternativas
Q3957944 Português
Nervos de Aço
Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do meu pode ser?

Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação

Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sinto é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor
[...]

Disponível em: https://www.letras.mus.br/lupcinio-rodrigues/127284/. Acesso em: 9 fev. 2026.

A título de informação, a “Geração de 45” no Brasil, inserida na terceira fase do modernismo pós-Segunda Guerra Mundial, caracteriza-se por um retorno ao formalismo, à sondagem psicológica, à angústia existencial e, paradoxalmente, a um certo lirismo contido, distanciando-se do caráter mais agressivo da fase de 1922.

A letra da composição “Nervos de Aço”, de Lupicínio Rodrigues (composta nos anos 1940, popularizada no pós-guerra), assemelha-se à temática da geração 45, podendo assim representar essa geração porque 
Alternativas
Q3957943 Português
    Uma forma relativamente simples da relação humana é a conversa. Um fala, o outro replica. O primeiro responde, o segundo retruca. E assim as ideias de cada um podem ir mudando… É possível, por exemplo, que se chegue a um certo acordo durante a conversa. Talvez um convença o outro de um ou outro ponto. Nesse caso, alguma coisa passa de um para outro, é assimilada em suas ideias, é capaz de produzir mudanças e de ser também modificada. O mesmo acontece quando há uma discordância. Nesse caso, as ideias de um penetram no diálogo interno do outro como se fossem um adversário, impulsionando seus pensamentos. A característica especial desse tipo de processo é que cada um dos interlocutores forma ideias que não existiam até então ou leva adiante ideias que já existiam de algum modo. Mas a direção e a ordem seguidas, por essa formação e transformação das ideias não são explicáveis unicamente pelo que apresenta um ou outro parceiro, e sim pela relação entre os dois. É justamente essa possibilidade de as pessoas irem mudando em relação umas às outras e através de sua relação mútua, de irem se reconfigurando em relação umas às outras, que torna a conversa um processo potente e necessário na convivência humana.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos Indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. (Fragmento).

Ao discorrer sobre a conversa como processo de convivência humana, o autor recorre à referenciação e à exemplificação.
Nesse sentido, o que define o contexto dos exemplos apresentados?
Alternativas
Q3957941 Português
    Texto 1: (EM13LP15) Planejar, produzir, revisar, editar, reescrever e avaliar textos escritos e multissemióticos, considerando sua adequação às condições de produção do texto, no que diz respeito ao lugar social a ser assumido e à imagem que se pretende passar a respeito de si mesmo, ao leitor pretendido, ao veículo e mídia em que o texto ou produção cultural vai circular, ao contexto imediato e sócio-histórico mais geral, ao gênero textual em questão e suas regularidades, à variedade linguística apropriada a esse contexto e ao uso do conhecimento dos aspectos notacionais (ortografia padrão, pontuação adequada, mecanismos de concordância nominal e verbal, regência verbal etc.), sempre que o contexto o exigir.

BNCC, Língua Portuguesa no Ensino Médio, p. 509. Disponível em: https:Documents/COP_doc/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf. Acesso em: 23 fev. 2026.

    Texto 2: Eu fiz assim :) Gravei e revisei as atividades
     […] Uma das atividades que realizamos foi a produção de poemas. Durante um mês, dei aulas sobre esse gênero e depois eles escreveram os próprios textos no Word. Após a correção ortográfica, publicamos as produções no blog. É ótimo porque, caso eles queiram, podem até aprimorar o que já foi publicado. Para conseguir realizar essas atividades com o uso da tecnologia, temos um professor responsável por essa área.

Depoimento da profa. de EJA Débora Niklaus. Nova Escola – Guia de Tecnologia na Educação, 2012, p. 72.

De acordo com a habilidade da BNCC apresentada no Texto 1, as atividades desenvolvidas pela professora da EJA em seu relato atendem à seguinte ordem de etapas:
Alternativas
Q3957940 Português
    As vivências das ressonâncias afetivas estão mais ligadas com a forma de se enxergar o coral e de como acontece a percepção dessas interações. Ademais, a valorização das pequenas trocas e ajudas do grupo, nos diálogos espontâneos, são exemplos de que as ressonâncias afetivas estão no cotidiano do coral. Por isso, as ressonâncias vocais-afetivas adentram esse espaço, queiramos ou não, sendo que o diferencial está em como as percebemos e trabalhamos suas potencialidades formativas. Um dos exemplos das interações que favorecem as ressonâncias afetivas é quando os cantores se dispõem a estar num coral em que seus integrantes são voluntários, e que dentro desse espaço nunca teriam coragem de cantar sozinhos, o que em nada diminui a importância da participação dessas pessoas para o coral (Lakschevitz, 2017). Essa situação mostra que a insegurança de cantar sozinho é diminuída quando se canta junto, quando se conta com os outros coralistas e o regente. Ou seja, são as trocas das ressonâncias vocais-afetivas que fazem com que esses coralistas tenham apoio para superar suas dificuldades. É através dessa confiança que talvez, no futuro, possam até mesmo cantar sozinhos (executar “solos” musicais) no coral. Ademais, essas reflexões sobre o coral “para além” dos fragmentos e em constante diálogo com a educação como um todo contribuem de alguma forma para explorar brechas que possam surgir. Queiroz (2017, p. 176) é elucidativo sobre isso, afirmando que diante de “saberes e estratégias de formação ‘prontas’, dadas pelo determinismo social e cultural, é preciso ter a convicção de que há nesses aspectos ‘brechas’ para o preenchimento de novos conhecimentos, novas conjecturas, novas relações”.

Disponível em: https://periodicos.uninove.br/cadernosdepos/article/view/28688/11989. Acesso em: 9 fev. 2026.

De acordo com os operadores argumentativos destacados nesse fragmento textual, verifica-se que
Alternativas
Q3957939 Português
O pássaro incubado

O pássaro preso na gaiola é um geógrafo quase alheio:
Prefere, do mundo que o cerca, não as arestas: o meio.

É isso que o diferencia dos outros pássaros: ser duro.
Habita cada momento que existe dentro do cubo.

Ao pássaro preso se nega a condição acabado.
Não é um pássaro que voa: É um pássaro incubado.

Falta a ele: não espaços nem horizontes nem casas:
Sobra-lhe uma roupa enjeitada que lhe decepa as asas.

O pássaro preso é um pássaro recortado em seu domínio:
Não é dono de onde mora, nem mora onde é inquilino.

Disponível em: https://ermiracultura.com.br/2019/05/24/cinco-poemas-de-cacaso/. Acesso em: 31 jan. 2026.

À guisa de informação, a poesia marginal (também conhecida como Geração Mimeógrafo) está intimamente ligada ao modernismo brasileiro, sendo frequentemente considerada uma extensão ou uma pós-vanguarda modernista que surgiu no contexto conturbado dos anos 1960 e 1970, durante a ditadura militar.

A poesia O pássaro incubado, de Cacaso, sintetiza
Alternativas
Q3957936 Português
Bibliotecas
    […] Os livros são também toupeiras ou minhocas, troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir e para as fazer brincar. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e o baixo, a esquerda e a direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Podemos pensar que abrir e fechar um livro é obrigá-lo a pestanejar, mas dentro de um livro nunca se faz escuro. Os livros querem sempre ver e estão sempre a contar.

MÃE, Valter Hugo. Bibliotecas. Na Ponta do Lápis, ano XIV, nº 31, p. 20.

No texto, um dos recursos utilizados na referenciação ao sintagma “Os livros” é a prosopopeia.

Assinale a alternativa que contém exemplo desse recurso.
Alternativas
Q3957935 Português
    O Outono é a única estação civilizada. A Primavera é um descontrole glandular da Natureza. O Inverno é o preço que a gente paga para ter o Outono, e por isso está perdoado. O Verão é uma indignidade. Eu deveria ser um par de garras serrilhadas escapulindo pelo chão de mares silenciosos, ou pelo menos um falso inglês como o Eliot. Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro. As frutas têm suco, não um inglês. Nas colónias, os nativos suavam por nós, e ... é sempre assim. Quando chega o Verão começo a me imaginar em Londres, estocando meus tintos para o Inverno.
    Mas é claro que não aguentaria duas semanas como inglês sem começar a maldizer a humidade e a sonhar com o sol. Mas não sou uma pessoa tropical. A minha terra preferida é o Outono em qualquer lugar. No Outono, as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza, etc. (O Verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no Outono.)
    Sempre digo que a praia seria um lugar óptimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo? Via-se o fundo.
    Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d'água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro de água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, para se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas. [...]

VERÍSSIMO, Luís Fernando. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

Considerando-se suas características formais, sua função e seu uso, é correto afirmar que o texto pertence ao gênero
Alternativas
Q3957934 Português
    “... a inexistência de uma política específica para os cursos noturnos caminhou ao lado da escassez de pesquisas sobre o tema. Ausentes das políticas educacionais do Estado, o curso noturno também não se constituiu num tema de pesquisas em educação, deixando assim de contribuir para a superação de alguns dos seus impasses”.

PIMENTA, Selma Garrido (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

Com base nos aspectos morfossintáticos da língua portuguesa, examine todas as ocorrências sintagmáticas da expressão em destaque no fragmento textual dado.
Assinale a alternativa que estabelece corretamente a constituição dessa expressão.
Alternativas
Q3957932 Português
    […] Um dia fomos almoçar num restaurante. E fiquei observando como as pessoas sempre olhavam para ela. Era como se sua cor retinta, os cabelos crespos e o corpo acima do peso fizessem dela sempre uma intrusa. Uma indesejada. […] Olhei para minha própria pele. E era mais clara que a de meu pai e minha mãe. E talvez por isso eu tivesse sido parado pela polícia duas vezes até ali. E fiquei pensando na crueldade de tudo aquilo. E tive vontade de chorar e já não sabia qual era o real motivo, se era por causa de sua morte, se era pelos olhares daquelas pessoas para minha tia, se era pela descoberta de que as mulheres mais pretas tinham de lidar com outras situações. […] Minha tia Luara pediu o cardápio e, enquanto esperávamos a comida, eu perguntei como ela suportava tudo aquilo. Tudo o quê?, ela perguntou. Tudo isso, de ser sempre julgada pela cor da pele. Minha tia me olhou com tristeza e disse que a gente se acostuma. A gente se acostuma com tudo. A gente se acostuma quando você caminha na rua e as pessoas recolhem as bolsas e mochilas, a gente se acostuma quando os próprios homens preferem as negras mais claras, a gente se acostuma a ser só. A gente se acostuma a chegar numa entrevista de emprego e fingir que não percebeu a cara desapontada do entrevistador. Mas não estou reclamando, porque com o passar dos anos eu aprendi a me defender bem. Aprendi a inventar estratégias de sobrevivência. […]

TENÓRIO, Jeferson. O avesso da pele. São Paulo, Cia das Letras, 2020. (Fragmento).

A forma verbal indicativa de discurso direto: “disse” tem como resposta ao interlocutor:
Alternativas
Q3957931 Português
    “Em conversa ouvida na rua, a ausência de algumas sílabas me levou a conclusão falsa – e involuntariamente criei um boato. Estarei mentindo? Julgo que não. Enquanto não se reconstituírem as sílabas perdidas, o meu boato, se não for absurdo, permanece, e é possível que esses sons tenham sido eliminados por brigarem com o resto do discurso. Quem sabe se eles aí não se encaixaram com intuito de logro?”.

RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 14.

Observando a configuração do período destacado no fragmento de texto, é correto afirmar que a fluidez na leitura se justifica porque
Alternativas
Respostas
61: B
62: B
63: D
64: A
65: C
66: D
67: B
68: E
69: E
70: D
71: C
72: E
73: C
74: C
75: A
76: A
77: E
78: A
79: E
80: C