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Q3760344 Astronomia
Qual é o nome da sonda indiana que pousou no polo sul lunar em 23 de agosto e confirmou a presença de oxigênio no solo da Lua?
Alternativas
Q3760343 História e Geografia de Estados e Municípios
A Vila Santana do Iapó era uma extensa fazenda que iniciava no rio Iapó até o Pitangui, com uma casa sede entre Ponta Grossa e Castro. Em qual ano ela foi permutada pelos descendentes de Francisco Teixeira de Azevedo?
Alternativas
Q3760342 Geografia
Qual é o significado do nome Carambeí em Tupi Guarani?
Alternativas
Q3760341 Conhecimentos Gerais
Quais das frutas abaixo não são originárias do Brasil?
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Q3760340 Matemática
Em um grupo de 125 mulheres, 60% são mães. Das que são mães, 40% tem mais de um filho. Quantas mulheres desse grupo têm mais de um filho?
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Q3760339 Matemática
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE o resultado de: 0,8 . Imagem associada para resolução da questão
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Q3760338 Matemática
Cada dia que Rosilda precisa faltar no trabalho, são descontados R$ 48,00 em seu salário. Rosilda ganha R$ 4000,00 e precisou faltar 5 dias em seu trabalho no mês de maio. Qual será o salário de Rosilda nesse mês de maio?
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Q3760337 Matemática
Na padaria de Marli, são vendidos apenas pães franceses e pães de leite. O quilo do pão francês é R$ 24,00 mais barato que o quilo do pão de leite. No final de um dia, Marli vendeu 20 quilos de pão francês e 8 quilos de pão de leite, recebendo, no total, R$ 640,00. Qual é o preço do quilo do pão francês?
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Q3760336 Matemática Financeira
Qual é o juro de uma aplicação de R$ 13000,00 a uma taxa de juros simples de 8% a.a. por 3 anos?
Alternativas
Q3760335 Matemática
Em todo triângulo retângulo, vale a relação h² = m.n; sabendo que m = 16 cm e n = 36 cm, qual é a medida de h?
Alternativas
Q3760334 Matemática
Paulo lê 12 páginas de um livro por dia. Sabendo que esse livro tem 210 páginas, quantos dias serão necessários para que Paulo leia o livro todo?
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Q3760333 Raciocínio Lógico
A diretora de uma escola fez uma pesquisa com os alunos dos quintos anos para saber qual a cor de uniforme eles mais gostavam, entre azul e branco. Constatou que 60 gostam do uniforme azul, 40 gostam do uniforme branco, 25 gostam das duas cores e 10 não gostam de nenhuma das duas cores. Quantos alunos têm os quintos anos dessa escola?
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Q3760332 Raciocínio Lógico

Alana, Bárbara, Camila, Dayane e Elis vão apresentar seminários na aula de Matemática de sua escola.



Sabe-se que:


• Dayane foi uma das duas primeiras a apresentar.


• Camila apresentou imediatamente depois de Alana.


• Bárbara não apresentou depois de Camila, nem antes de Dayane.


• Elis foi a última a apresentar.



Em qual posição Camila apresentou?

Alternativas
Q3760331 Matemática
Assinale a alternativa que apresenta um quadrilátero cujas diagonais têm sempre a mesma medida.
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Q3760330 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos”, a palavra “aí” pode ser classificada como:
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Q3760329 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
Na expressão “fim wagneriano”, empregado pela autora, o significado do adjetivo “wagneriano” pode ser inferido pela interpretação do texto. Marque a alternativa que indica esse significado.
Alternativas
Q3760328 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
Em dado momento de seu texto, a autora descreve Getúlio Vargas como um “contemporizador por definição”. Marque a alternativa que indica um possível sentido para o adjetivo “contemporizador”.
Alternativas
Q3760327 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
Ao tratar da “terrível sorte que quase sempre espera os ditadores”, o termo “sorte” carrega, nesse contexto, o sentido de:
Alternativas
Q3760326 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “sempre se descobre a providencial porta falsa”, o termo “se” exerce a função de:
Alternativas
Q3760325 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
Em relação à oração “Os velhos, a longa vida já lhes ensinou”, marque a alternativa que indica o termo que exerce a função de núcleo do sujeito.
Alternativas
Respostas
2341: C
2342: E
2343: C
2344: C
2345: B
2346: E
2347: D
2348: E
2349: B
2350: A
2351: C
2352: C
2353: D
2354: A
2355: A
2356: A
2357: E
2358: B
2359: D
2360: D