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Q3081799 Legislação dos Municípios do Estado de Minas Gerais
As políticas municipais que priorizam os investimentos na educação são cruciais tanto para a garantia do direito fundamental à educação quanto para a promoção do desenvolvimento socioeconômico, contribuindo para a formação de uma cidadania participativa e esclarecida. As disposições normativas municipais relacionadas à educação não apenas asseguram o acesso a um ensino de qualidade, mas também estabelecem os fundamentos para uma sociedade mais equitativa. De acordo com as disposições relacionadas à educação previstas na Lei Orgânica do Município de Divinópolis, é correto afirmar que, EXCETO: 
Alternativas
Q3081798 Noções de Informática
A Secretaria de Saúde de Divinópolis enfrenta desafios significativos na gestão de dados de saúde devido ao aumento constante no volume de informações geradas pelas unidades de saúde locais. O sistema precisa garantir a transmissão eficiente e segura desses dados entre diversas localidades, incluindo hospitais, clínicas e a própria secretaria. Uma infraestrutura de rede robusta e bem planejada é essencial para apoiar a telemedicina, registros eletrônicos de saúde e outros serviços críticos que dependem de comunicações de dados em tempo real. Sabe-se que um problema comum enfrentado é a sobrecarga de rede durante picos de transmissão de dados volumosos, como imagens médicas e dados de monitoramento em tempo real, que podem comprometer a qualidade do serviço e atrasar a entrega de cuidados de saúde. “Na infraestrutura de redes ou de comunicação de dados da Secretaria de Saúde de Divinópolis, os dados podem ser transmitidos de várias formas, dependendo da configuração e da necessidade das aplicações de saúde. Em um modo de comunicação chamado _____________, os dados fluem apenas em uma direção, do transmissor para o receptor, útil para envio de alertas médicos. Outro modo, ___________, permite transmissão de dados nas duas direções, mas de forma alternada, não simultaneamente, adequado para consultas interativas de baixa prioridade. O modo mais complexo, _____________, permite a transmissão de dados simultaneamente em ambas as direções, crucial para consultas de telemedicina em tempo real. Ele é comparado a uma ______________ de tráfego, e sua capacidade de transmissão é denominada _________________, essencial para suportar o alto volume de dados durante emergências médicas.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
Alternativas
Q3081797 Noções de Informática
No Sistema Operacional Windows, o Prompt de Comando é uma interface de linha de comando que permite aos usuários executar uma ampla variedade de tarefas. Ele é baseado no MS-DOS, um sistema operacional de linha de comando que foi amplamente utilizado antes do advento das interfaces gráficas de usuário. Assinale a afirmativa que relaciona INCORRETAMENTE um comando do Prompt de Comandos do Windows (aquele baseado em MS-DOS) à sua descrição. 
Alternativas
Q3081796 Noções de Informática
No departamento de finanças da Prefeitura de Divinópolis, os funcionários frequentemente precisam consolidar informações financeiras de diferentes departamentos. Dentre os conceitos e noções da planilha de cálculo MS-Excel está a definição de vínculo entre dados presentes em células de planilhas distintas, permitindo analisar e consolidar, inclusive, séries temporais. Considere que os funcionários estão trabalhando com três planilhas na mesma pasta de trabalho do MS-Excel: “Despesas_DepartamentoA”, “Despesas_DepartamentoB” e “Total_Despesas”. Eles irão criar um vínculo entre a célula B15 na “Despesas_DepartamentoA”, que contém o total de despesas do Departamento A, e a célula B15 na “Despesas_DepartamentoB”, que contém o total de despesas do Departamento B. Esse vínculo permitirá que a célula B5, na “Total_Despesas”, atualize automaticamente seu valor para a soma dos valores das células correspondentes nas outras duas planilhas sempre que estes últimos forem alterados. Esse procedimento é comum e compatível com as versões do MS-Excel 2007, 2010, 2013, 2016, 2019 e Excel no Microsoft 365. A imagem a seguir fornece um exemplo das planilhas “Despesas_DepartamentoA” e “Despesas_DepartamentoB”:

Q23.png (477×617)

Como é criar tal vínculo entre as três planilhas na mesma pasta de trabalho do MS-Excel?
Alternativas
Q3081795 Noções de Informática
Um funcionário da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Divinópolis está trabalhando em um folder para a semana pedagógica do segundo semestre de 2024. Ele está empregando noções do processador de texto MS-Word para Windows, a fim de compor uma ilustração agrupando várias formas. No MS-Word, a seleção de múltiplas formas simultaneamente é uma tarefa que permite ao usuário realizar várias operações, como agrupar, mover, redimensionar, formatar, entre outras. Sobre a seleção de múltiplas formas simultaneamente no MS-Word, é possível EXCETO:
Alternativas
Q3081794 Noções de Informática

Na preparação de um upgrade nos computadores da Prefeitura Municipal de Divinópolis, com base em conhecimentos básicos de microcomputadores PC-Hardware, o técnico de TI revisa as especificações e funcionalidades dos componentes de hardware para garantir compatibilidade e desempenho adequados. Sobre componentes de hardware de um microcomputador PC, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) A placa-mãe é o componente que permite a comunicação entre a CPU, memória RAM e outros dispositivos periféricos.

( ) A fonte de alimentação converte energia de AC para DC e também atua como principal componente de armazenamento de dados.

( ) A memória RAM é um tipo de armazenamento não volátil, o que significa que mantém os dados quando o computador é desligado.

( ) O SSD é uma opção de armazenamento que proporciona acesso mais rápido aos dados em comparação ao HDD tradicional.

( ) A placa de vídeo é um componente essencial para a renderização de textos em qualquer aplicativo de processamento de texto.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3081793 Raciocínio Lógico
Isabela armazena em seu estojo um total de 14 canetas idênticas, exceto pela cor da tinta. Considere que a tinta de cada caneta é de uma única cor. Sabe-se que Isabela possui duas canetas de cada uma das cores de tinta: azul, preto, verde, vermelho, roxo e laranja. As canetas restantes possuem tintas das cores amarelo e rosa. Quantas canetas, no mínimo, devem ser retiradas do estojo para que Isabela tenha a garantia de que retirou duas canetas da mesma cor?
Alternativas
Q3081792 Raciocínio Lógico
Após apresentar alguns sintomas, Gilberto fez uma consulta com um endocrinologista no dia 5 de agosto, segunda-feira. Conforme as orientações de seu médico, fará um tratamento e deve retornar ao médico na 4ª sexta-feira do próximo mês. Em qual dia será o retorno de Gilberto no endocrinologista?
Alternativas
Q3081791 Raciocínio Lógico
Em uma pesquisa realizada por nutricionistas com 180 pessoas durante o período da pandemia do Coronavírus, concluiu-se que:

• 80 pessoas tiveram alteração alimentar no grupo dos doces; • 103 pessoas tiveram alteração alimentar no grupo das bebidas alcoólicas; • 28 pessoas tiveram alteração alimentar tanto no grupo dos doces quanto no grupo das bebidas alcoólicas.

De acordo com essas informações, quantas pessoas tiveram alteração alimentar, exclusivamente, em outros grupos?
Alternativas
Q3081790 Raciocínio Lógico
Na última segunda-feira, Roberta fez um trajeto de carro de 375 km entre as cidades A e B. Ela saiu da cidade A, mantendo uma velocidade média de 1,5 quilômetro por minuto. Na metade do caminho, ela estacionou o seu carro por 40 minutos para almoçar e retomou a viagem mantendo a mesma velocidade média de antes. Se Roberta saiu da cidade A às 6 horas, em qual horário ela chegará na cidade B?
Alternativas
Q3081789 Matemática
Três professores, que possuem as idades de 23, 35 e 54 anos, conseguiram um financiamento total de R$ 392.000,00 para o desenvolvimento dos seus projetos de pesquisa. Após um acordo entre os professores, ficou estabelecido que esse valor será distribuído de forma diretamente proporcional à idade de cada um deles. De acordo com o exposto, qual a diferença entre o valor que será recebido pelo professor mais velho, com respeito ao valor que será recebido pelo professor mais novo?
Alternativas
Q3081788 Raciocínio Lógico
Determinada repartição pública ocupa alguns andares de um edifício e conta, atualmente, com 250 funcionários. Dentre eles, 180 realizam suas atividades no primeiro andar e, 120, no segundo andar. Qual o número máximo de funcionários que NÃO desempenham suas atividades em nenhum desses dois andares?
Alternativas
Q3081787 Raciocínio Lógico
Quatro estudantes foram desafiados por seu professor na resolução de uma questão de raciocínio lógico. Considere que todos começaram a resolução no mesmo instante. Com respeito ao tempo gasto por cada um deles na solução da questão, observou-se que Carlos gastou 5 minutos a menos que Lorena para resolver o item. Lorena, por sua vez, gastou 2 minutos a menos que Josué. Sabe-se que o tempo gasto por Josué para resolver a questão é equivalente à metade da soma dos tempos gastos por Lorena e Arthur, sendo que este último gastou exatamente 12 minutos na resolução. Qual foi o menor tempo gasto, em minutos, na solução da questão?
Alternativas
Q3081786 Raciocínio Lógico
A primeira fileira de um grande auditório possui 40 assentos devidamente enumerados de 1 a 40. As médicas Amanda, Bianca, Cecília e Diana estão acompanhando uma palestra e estão sentadas nessa fileira, nos assentos de números A, B, C e D, respectivamente. Sobre esses assentos, sabe-se que:
• A < B < C < D; • Entre os assentos de números A e B, excluindo os extremos, há 5 assentos; • Entre os assentos de números B e C, excluindo os extremos, há 7 assentos; • Entre os assentos de números C e D, excluindo os extremos, há 9 assentos; • A = 13.

Considerando essas informações, qual o valor de D?
Alternativas
Q3081785 Raciocínio Lógico
O administrador de um clube esportivo fez uma pesquisa com todos os 1.000 frequentadores do local. Como resultado, ele observou que:

• 70% dos frequentadores que possuem mais de 50 anos de idade não moram no mesmo bairro do clube; • 40% dos frequentadores que possuem uma idade menor ou igual a 50 anos moram no mesmo bairro do clube; • 40% dos frequentadores possuem uma idade menor ou igual a 50 anos.

Considere que um frequentador que mora no mesmo bairro do clube será selecionado para receber uma mensalidade gratuita. Qual a probabilidade de ele possuir uma idade menor ou igual a 50 anos?
Alternativas
Q3081784 Raciocínio Lógico
Mariana é professora do ensino básico em certa escola particular e leciona para crianças do 2º ano. Na dinâmica da última aula, ela formou um grupo com 3 crianças presentes. Antes da formação do grupo, Mariana notou que 56 grupos distintos poderiam ser formados. De acordo com o exposto, quantas crianças estavam presentes na última aula?
Alternativas
Q3081783 Português

As palavras



    Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente. Os contos do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na “página certa”, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: “O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?”. Perguntei, incrédulo: “As Fadas estão aí dentro?”. A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me lavava, interrompendo-se para me friccionar com água-de-colônia, para apanhar debaixo da banheira o sabão que lhe escorregara das mãos, e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido; eu só tinha olhos para Anne-Marie, a moça de todas as minhas manhãs; eu só tinha ouvidos para a sua voz perturbada pela servidão; eu me comprazia com suas frases inacabadas, com suas palavras sempre atrasadas, com sua brusca segurança, vivamente desfeita, e que descambava em derrota, para desaparecer em melodioso desfiamento e se recompor após um silêncio. A história era coisa que vinha por acréscimo: era o elo de seus solilóquios. Durante o tempo todo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.


    Anne-Marie fez-me sentar à sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? o quê? e a quem? Minha mãe ausentara-se: nenhum sorriso, nenhum sinal de conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem. Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me causavam medo: eram verdadeiras centopeias, formigavam de sílabas e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas: cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus meandros, sem se preocupar comigo: às vezes desapareciam antes que eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder a graça de uma vírgula. Seguramente, o discurso não me era destinado. Quanto à história, endomingara-se: o lenhador, a lenhadora e suas filhas, a fada, todas essas criaturinhas, nossos semelhantes, tinham adquirido majestade, falava-se de seus farrapos com magnificência; as palavras largavam a sua cor sobre as coisas, transformando as ações em ritos e os acontecimentos em cerimônias. Alguém se pôs a fazer perguntas: o editor de meu avô, especializado na publicação de obras escolares, não perdia a ocasião de exercitar a jovem inteligência de seus leitores. Pareceu-me que uma criança era interrogada: no lugar do lenhador, o que faria? Qual das duas irmãs preferiria? Por quê? Aprovava o castigo de Babette? Mas essa criança não era absolutamente eu, e fiquei com medo de responder. Respondi no entanto: minha débil voz perdeu-se e senti tornar-me outro. Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: parecia-me que eu era filho de todas as mães, que ela era mãe de todos os filhos. Quando parou de ler, retomei-lhe vivamente os livros e saí com eles debaixo do braço sem dizer-lhe obrigado.


(SARTRE, Jean-Paul. As palavras. Trad. J. Guinsburg. 6ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 33-5. Adaptado.)

As expressões destacadas indicam ideias de, EXCETO:
Alternativas
Q3081782 Português

As palavras



    Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente. Os contos do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na “página certa”, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: “O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?”. Perguntei, incrédulo: “As Fadas estão aí dentro?”. A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me lavava, interrompendo-se para me friccionar com água-de-colônia, para apanhar debaixo da banheira o sabão que lhe escorregara das mãos, e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido; eu só tinha olhos para Anne-Marie, a moça de todas as minhas manhãs; eu só tinha ouvidos para a sua voz perturbada pela servidão; eu me comprazia com suas frases inacabadas, com suas palavras sempre atrasadas, com sua brusca segurança, vivamente desfeita, e que descambava em derrota, para desaparecer em melodioso desfiamento e se recompor após um silêncio. A história era coisa que vinha por acréscimo: era o elo de seus solilóquios. Durante o tempo todo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.


    Anne-Marie fez-me sentar à sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? o quê? e a quem? Minha mãe ausentara-se: nenhum sorriso, nenhum sinal de conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem. Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me causavam medo: eram verdadeiras centopeias, formigavam de sílabas e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas: cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus meandros, sem se preocupar comigo: às vezes desapareciam antes que eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder a graça de uma vírgula. Seguramente, o discurso não me era destinado. Quanto à história, endomingara-se: o lenhador, a lenhadora e suas filhas, a fada, todas essas criaturinhas, nossos semelhantes, tinham adquirido majestade, falava-se de seus farrapos com magnificência; as palavras largavam a sua cor sobre as coisas, transformando as ações em ritos e os acontecimentos em cerimônias. Alguém se pôs a fazer perguntas: o editor de meu avô, especializado na publicação de obras escolares, não perdia a ocasião de exercitar a jovem inteligência de seus leitores. Pareceu-me que uma criança era interrogada: no lugar do lenhador, o que faria? Qual das duas irmãs preferiria? Por quê? Aprovava o castigo de Babette? Mas essa criança não era absolutamente eu, e fiquei com medo de responder. Respondi no entanto: minha débil voz perdeu-se e senti tornar-me outro. Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: parecia-me que eu era filho de todas as mães, que ela era mãe de todos os filhos. Quando parou de ler, retomei-lhe vivamente os livros e saí com eles debaixo do braço sem dizer-lhe obrigado.


(SARTRE, Jean-Paul. As palavras. Trad. J. Guinsburg. 6ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 33-5. Adaptado.)

No trecho “Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: [...]” (2º§), é possível constatar a ocorrência de:
Alternativas
Q3081781 Português

As palavras



    Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente. Os contos do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na “página certa”, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: “O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?”. Perguntei, incrédulo: “As Fadas estão aí dentro?”. A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me lavava, interrompendo-se para me friccionar com água-de-colônia, para apanhar debaixo da banheira o sabão que lhe escorregara das mãos, e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido; eu só tinha olhos para Anne-Marie, a moça de todas as minhas manhãs; eu só tinha ouvidos para a sua voz perturbada pela servidão; eu me comprazia com suas frases inacabadas, com suas palavras sempre atrasadas, com sua brusca segurança, vivamente desfeita, e que descambava em derrota, para desaparecer em melodioso desfiamento e se recompor após um silêncio. A história era coisa que vinha por acréscimo: era o elo de seus solilóquios. Durante o tempo todo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.


    Anne-Marie fez-me sentar à sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? o quê? e a quem? Minha mãe ausentara-se: nenhum sorriso, nenhum sinal de conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem. Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me causavam medo: eram verdadeiras centopeias, formigavam de sílabas e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas: cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus meandros, sem se preocupar comigo: às vezes desapareciam antes que eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder a graça de uma vírgula. Seguramente, o discurso não me era destinado. Quanto à história, endomingara-se: o lenhador, a lenhadora e suas filhas, a fada, todas essas criaturinhas, nossos semelhantes, tinham adquirido majestade, falava-se de seus farrapos com magnificência; as palavras largavam a sua cor sobre as coisas, transformando as ações em ritos e os acontecimentos em cerimônias. Alguém se pôs a fazer perguntas: o editor de meu avô, especializado na publicação de obras escolares, não perdia a ocasião de exercitar a jovem inteligência de seus leitores. Pareceu-me que uma criança era interrogada: no lugar do lenhador, o que faria? Qual das duas irmãs preferiria? Por quê? Aprovava o castigo de Babette? Mas essa criança não era absolutamente eu, e fiquei com medo de responder. Respondi no entanto: minha débil voz perdeu-se e senti tornar-me outro. Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: parecia-me que eu era filho de todas as mães, que ela era mãe de todos os filhos. Quando parou de ler, retomei-lhe vivamente os livros e saí com eles debaixo do braço sem dizer-lhe obrigado.


(SARTRE, Jean-Paul. As palavras. Trad. J. Guinsburg. 6ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 33-5. Adaptado.)

Observe as orações: “Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros.” (1º§) É possível afirmar que a relação entre elas é de: 
Alternativas
Q3081780 Português

As palavras



    Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir meus livros. Meu avô foi ao patife de seu editor e conseguiu de presente. Os contos do poeta Maurice Bouchor, narrativas extraídas do folclore e adaptadas ao gosto da infância por um homem que conservava, dizia ele, olhos de criança. Eu quis começar na mesma hora as cerimônias de apropriação. Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na “página certa”, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-los. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: “O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?”. Perguntei, incrédulo: “As Fadas estão aí dentro?”. A história me era familiar: minha mãe contava-a com frequência, quando me lavava, interrompendo-se para me friccionar com água-de-colônia, para apanhar debaixo da banheira o sabão que lhe escorregara das mãos, e eu ouvia distraidamente o relato bem conhecido; eu só tinha olhos para Anne-Marie, a moça de todas as minhas manhãs; eu só tinha ouvidos para a sua voz perturbada pela servidão; eu me comprazia com suas frases inacabadas, com suas palavras sempre atrasadas, com sua brusca segurança, vivamente desfeita, e que descambava em derrota, para desaparecer em melodioso desfiamento e se recompor após um silêncio. A história era coisa que vinha por acréscimo: era o elo de seus solilóquios. Durante o tempo todo em que falava, ficávamos sós e clandestinos, longe dos homens, dos deuses e dos sacerdotes, duas corças no bosque, com outras corças, as Fadas; eu não conseguia acreditar que se houvesse composto um livro a fim de incluir nele este episódio de nossa vida profana, que recendia a sabão e a água-de-colônia.


    Anne-Marie fez-me sentar à sua frente, em minha cadeirinha; inclinou-se, baixou as pálpebras e adormeceu. Daquele rosto de estátua saiu uma voz de gesso. Perdi a cabeça: quem estava contando? o quê? e a quem? Minha mãe ausentara-se: nenhum sorriso, nenhum sinal de conivência, eu estava no exílio. Além disso, eu não reconhecia sua linguagem. Onde é que arranjava aquela segurança? Ao cabo de um instante, compreendi: era o livro que falava. Dele saíam frases que me causavam medo: eram verdadeiras centopeias, formigavam de sílabas e letras, estiravam seus ditongos, faziam vibrar as consoantes duplas: cantantes, nasais, entrecortadas de pausas e suspiros, ricas em palavras desconhecidas, encantavam-se por si próprias e com seus meandros, sem se preocupar comigo: às vezes desapareciam antes que eu pudesse compreendê-las, outras vezes eu compreendia de antemão e elas continuavam a rolar nobremente para o seu fim sem me conceder a graça de uma vírgula. Seguramente, o discurso não me era destinado. Quanto à história, endomingara-se: o lenhador, a lenhadora e suas filhas, a fada, todas essas criaturinhas, nossos semelhantes, tinham adquirido majestade, falava-se de seus farrapos com magnificência; as palavras largavam a sua cor sobre as coisas, transformando as ações em ritos e os acontecimentos em cerimônias. Alguém se pôs a fazer perguntas: o editor de meu avô, especializado na publicação de obras escolares, não perdia a ocasião de exercitar a jovem inteligência de seus leitores. Pareceu-me que uma criança era interrogada: no lugar do lenhador, o que faria? Qual das duas irmãs preferiria? Por quê? Aprovava o castigo de Babette? Mas essa criança não era absolutamente eu, e fiquei com medo de responder. Respondi no entanto: minha débil voz perdeu-se e senti tornar-me outro. Anne-Marie, também, era outra, com seu ar de cega superlúcida: parecia-me que eu era filho de todas as mães, que ela era mãe de todos os filhos. Quando parou de ler, retomei-lhe vivamente os livros e saí com eles debaixo do braço sem dizer-lhe obrigado.


(SARTRE, Jean-Paul. As palavras. Trad. J. Guinsburg. 6ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 33-5. Adaptado.)

Tendo em vista que o fenômeno da crase é indicado ortograficamente através do uso do acento grave, assinale a alternativa em que o seu uso é facultativo.
Alternativas
Respostas
11481: A
11482: D
11483: A
11484: D
11485: A
11486: A
11487: D
11488: B
11489: A
11490: D
11491: A
11492: C
11493: B
11494: C
11495: B
11496: B
11497: D
11498: D
11499: A
11500: A