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Q3030591 Direito Administrativo
Para a construção de um hospital federal, a União necessita promover a desapropriação de um imóvel que está situado no território do Município ABC do Estado D. Esse imóvel é bem público, está desafetado e pertence ao domínio do referido Município. Já o Município ABC, para a construção de um posto de saúde, necessita desapropriar um imóvel pertencente ao Estado D. No tocante à situação narrada, é correto afirmar que:
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Q3030590 Direito Administrativo
Em maio de 2017, a requerimento de Sônia, particular que acreditava preencher todos os requisitos legais para a concessão de determinado benefício, o Município Z instaurou processo administrativo a fim de dirimir a questão. A instrução do processo ocorreu com a observância da legislação pertinente e dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ao final da instrução, a autoridade pública competente, entendendo que Sônia perfazia todos os requisitos legais previamente estabelecidos, decidiu favoravelmente à concessão do benefício. Ocorre que, em julho de 2024, de ofício, ao rever diversos processos administrativos sobre a mesma matéria, o Município verificou que houve um erro na análise de concessão do benefício a Sônia e entendeu que sua autorização foi indevida. Diante dessa constatação, o Município decidiu anular o ato de concessão do benefício. Considerando o fato narrado, assinale a afirmativa correta.
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Q3030589 Direito Administrativo
Bento é estagiário contratado da Prefeitura do Município XYW para prestar serviços no órgão responsável pela formalização de procedimentos licitatórios. Devido às despesas com moradia, alimentação e mensalidade do curso de graduação, ele está enfrentando dificuldades financeiras. Osvaldo, particular que celebra contratos públicos com a Administração, passou a ajudar Bento financeiramente entregando-lhe a quantia mensal de mil reais. Em razão da ajuda financeira, Bento deixou de praticar alguns atos administrativos que estavam confiados à sua responsabilidade e que, mesmo não resultando em dano direto ao patrimônio público, beneficiaram Osvaldo. A respeito do fato narrado, é possível afirmar que a conduta de Bento:
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Q3030588 Direito Administrativo
Acerca do tema regime jurídico e princípios administrativos, analise as afirmativas a seguir.

I. A função administrativa tutela, como regra, está subordinada aos interesses de toda a coletividade e, precipuamente, os interesses da própria Administração Pública.
II. O princípio da moralidade administrativa tem eficácia própria e força efetiva de norma constitucional, pelo que pode ser imediatamente aplicado.
III. As entidades da Administração Pública indireta têm sua atuação subordinada ao princípio da impessoalidade, ainda que sua finalidade esteja atrelada à exploração de atividade econômica.
IV. A convocação de particular para servir como mesário durante o período eleitoral decorre de prerrogativa que é concedida à Administração Pública na busca da concretização do princípio da supremacia do interesse público.

Está correto o que se afirma apenas em
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Q3030457 Literatura
Considerando as funções da literatura, reconhecendo-a como uma modalidade artística, pode-se afirmar sobre o texto literário:

I. A linguagem predominante é a denotativa. II. Possui função, predominantemente, utilitária. III. Possui caráter subjetivo e conotativo. IV. Pode apresentar como uma de suas funções afirmar a identidade de um povo.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3030456 Literatura

Leia a seguir a estrofe do poema de Manuel Bandeira – “Os sinos”:


Sino de Belém, como soa bem!

Sino de Belém bate bem-bem-bem.

Sino da paixão… Por meu pai?… –Não!

Não!

Sino da paixão bate bão-bão-bão.


As figuras de linguagem fonéticas também são reconhecidas como recursos estilísticos utilizados especialmente na literatura. Acerca da estrofe apresentada, pode-se afirmar que:

Alternativas
Q3030454 Literatura

Mas porém é brasileiro,

Brasileiro que nem eu...

Fomos nós dois que botamos

Pra fora Pedro II...

Somos nós dois que devemos

Até os olhos da cara

Pra esses banqueiros de Londres...

(Mário de Andrade – Poesias completas.)



Considerando a temática tratada assim como seu autor, pode-se afirmar que a estrofe apresentada:

Alternativas
Q3030453 Literatura
De acordo com o conhecimento acerca dos movimentos literários no Brasil assim como suas características, relacione adequadamente as colunas a seguir.

1. Determinismo. 2. Admiração pelo Classicismo. 3. Quebra das convenções de versificação. 4. Complexidade e profundidade dos conceitos.

( ) Barroco. ( ) Realismo. ( ) Modernismo. ( ) Parnasianismo.

A sequência está correta em
Alternativas
Q3030452 Literatura

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

(Trecho do Soneto de fidelidade de Vinicius de Moraes, do livro “Antologia poética”. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960, p. 96.)



A partir de recursos estilísticos, efeitos sonoros específicos podem ser identificados no trecho apresentado. Considerando tal afirmação, está correto o indicado em:
Alternativas
Q3030451 Português

O navio negreiro


Quem são estes desgraçados

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são? Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa...

Dize-o tu, severa Musa,

Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,

Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto

A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão.

Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,

Sem luz, sem ar, sem razão. . .

(Castro Alves)


Contrato de trabalho


Sou um negro Ao candidatar-me A um emprego, mesmo sabendo que a “chance” está reservada às “pessoas de boas aparências”.
Sou um negro Ao candidatar-me A um emprego Mesmo sabendo que a “vaga” Já foi “devidamente preenchida”. (Adão Ventura)


A partir das leituras anteriores pode-se afirmar que:

Alternativas
Q3030450 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Considerando a narrativa apresentada e seus elementos constituintes, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3030449 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Considerando-se o gênero textual discurso e suas características; pode-se afirmar que, no texto:
Alternativas
Q3030448 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

De acordo com o último período do texto: “O orador foi vivamente cumprimentado.”, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3030447 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Identifique, a seguir, a reescrita em que o trecho destacado tem a sua sequência lógica original prejudicada.
Alternativas
Q3030446 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Ao unir os trechos “– Não sou daqueles que ...” (5º§) e “... embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...” (6º§), observa-se:
Alternativas
Q3030445 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas [...]” (5º§) A substituição do termo destacado, em que o efeito de sentido original é preservado assim como a coerência textual, é possível por: 
Alternativas
Q3030444 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Dentre os elementos destacados a seguir, só NÃO representa um termo com função coesiva em que o objetivo é manter o referente apresentado no texto:
Alternativas
Q3030443 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

Acerca da articulação observada em referência às frases constituintes do texto apresentado, indique a alternativa correta.
Alternativas
Q3030442 Português

Leia o texto III para responder à questão.


Texto III


Eloquência singular


    Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

    – Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

    O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

– Não sou daqueles que… 

    Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que… Resolveu ganhar tempo:

    – …embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou…

    Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

    …daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa…

    Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

    – Não sou daqueles que…

    Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido logo de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

    – Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada…

    Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância.

    [...]

    Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que…

    – Como?

    Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

    – Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

    Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

    – Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

    – Eu? Mas eu não disse nada…

    – Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

    O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

    – Que é que você acha? – cochichou um.

    – Acho que vai para o singular.

    – Pois eu não: para o plural, é lógico.

    O orador seguia na sua luta:

    – Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente…

    Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa.

    Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta…

    – Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

    – Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública…

    E entrava por novos desvios:

    – Muito embora… sabendo perfeitamente… os imperativos de minha consciência cívica… senhor Presidente… e o declaro peremptoriamente… não sou daqueles que…

    O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia mais por onde fugir:

    – Senhor Presidente, meus nobres colegas!

    Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:

    – Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

    Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.



(SABINO, Fernando. Eloquência singular. In: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: sabiá, 1965. Adaptado.)

De acordo com o texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3030441 Português

Leia o texto II para responder à questão.


Texto II


Sobre a simplificação da linguagem do Direito que o CNJ deseja 


    Há um projeto anunciado pelo ministro Barroso, presidente do CNJ, de simplificar a linguagem jurídica, que busca “eliminar termos excessivamente formais e dispensáveis à compreensão do conteúdo”, “adotar linguagem direta e concisa nos documentos, comunicados públicos, despachos, decisões, sentenças, votos e acórdãos” e “explicar, sempre que possível, o impacto da decisão ou julgamento na vida do cidadão”, entre outros pontos.

    Reconheço as boas intenções. Sempre é bom desejar melhorias. Meu ponto é que, a pretexto de combater a condenável linguagem empolada (o datavenismo é chato mesmo) que herdamos de uma tradição elitista, há tempos se vem alimentando uma cultura simplificadora, que é extremamente perigosa. Essa cultura naturaliza uma formação de baixa qualidade, na qual se vende (e a palavra é justamente essa) aos alunos a ilusão de que não precisam estudar a sério para exercerem sua profissão. Toda complexidade do Direito seria na verdade uma complicação desnecessária.

    Um grande mercado se estabeleceu para vender essas facilidades: professores, coaches, cursinhos, tiktokers, editoras e faculdades. Eles anunciam um aprendizado que exigiria pouca leitura, atenção e dedicação, mas que traria sucesso financeiro rápido e garantido. Os efeitos disso transcendem o ambiente educacional e se refletem num empobrecimento do raciocínio jurídico visível na prática. Cada vez mais, crescem relatos do completo despreparo dos recém-formados. Não me refiro aqui somente às deficiências técnicas, de não saber operar minimamente com conceitos doutrinários ou elaborar peças processuais. Trata-se de algo muito mais profundo e catastrófico: lidadores jurídicos que sequer sabem interpretar leis ou argumentar de modo coerente. Analfabetos funcionais.

    O assunto é pop. Jornalistas (e agora também o CNJ) amam pessoas da área jurídica que “explicam” o Direito em forma de platitudes. Ou, em palavras mais diretas, “Direito em linguagem simples”. 

    Admito que sempre é salutar facilitar a comunicação. Porém, a pergunta é: a ciência (ou uma área do conhecimento como o Direito) é algo para ser facilitado sem que perca a substância?

    Uma coisa é o Direito em sua complexidade. Outra é confundir isso com a forma de comunicar para quem não é da área. Ou para quem é da área, dado o grau de mediocretização crescente. Aqui está o busílis. O problema de quem defende simplificar a linguagem do Direito (seja lá o que isso signifique) é que parece que desejam simplificar o Direito para os próprios lidadores jurídicos. Pior é misturar isso. 

    De minha parte, na contramão, penso que devemos é sofisticar o ensino. Urgentemente. Ou dessimplificar. E não confundir isso com a comunicação para o usuário (ou para os próprios profissionais). Não esqueçamos que quem explica para o paciente o problema é o médico. Não é o atendente do hospital. Nem o porteiro. E quem explica o caso para o usuário é o seu advogado. Isso quer dizer que explicar sentença por tik tok parece, com o devido respeito e com toda a lhaneza, uma espécie de caricatura do Direito.

    Judiciário não faz Direito para jornalistas. Judiciário comunica Direito que foi aplicado. O Direito, que deve ser sofisticado porque cuida dos direitos das pessoas, deve ser tão complexo quanto necessário. Tão complexo quanto deve ser um procedimento cirúrgico para curar pessoas. O modo como o médico vai contar isso na entrevista é outra coisa.



(STRECK, Lenio Luiz. Sobre a simplificação da linguagem do Direito que o CNJ deseja. Consultor Jurídico, 2024. Disponível em:

<https://www.conjur.com.br/2024-jan-25/sobre-a-simplificacao-da-linguagem-do-direito-que-o-cnj-deseja/> Acesso em: 25/10/2024. Adaptado.)

A analogia foi utilizada nos textos I e II como uma estratégia argumentativa a fim de facilitar a compreensão do interlocutor. Contêm analogias as seguintes passagens: 
Alternativas
Respostas
11781: A
11782: D
11783: B
11784: D
11785: C
11786: C
11787: C
11788: D
11789: A
11790: A
11791: B
11792: A
11793: A
11794: B
11795: D
11796: A
11797: A
11798: C
11799: D
11800: B