Questões de Concurso Comentadas para nc-ufpr

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Ano: 2016 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL Prova: NC-UFPR - 2016 - COPEL - Contador Júnior |
Q621974 Português

  Dei uma palestra em janeiro no Festival Literário Galle. Nos últimos dez anos, esse festival tornou-se um dos maiores destaques do circuito cultural do Sri Lanka. Neste ano, o evento criou festivais “de contato com as comunidades” em Kandy, na região montanhosa do país, e Jaffna, no norte.

   Foi significativo o fato de o festival ter sido levado a Jaffna, capital da província do Norte. A brutal guerra civil entre os Tigres pela Libertação do Tamil Eelam e o Exército de Sri Lanka acabou há menos de sete anos. Muita coisa no Norte foi reconstruída, mas os fantasmas do conflito ainda assombram Jaffna, desde os edifícios marcados por buracos de balas até os milhares de civis mortos do conflito.

  Contra esse pano de fundo, o festival criou um espaço de engajamento com uma larga variedade de ideias, de maneira que não acontece com frequência em um lugar como Jaffna. O evento foi aberto com uma discussão da literatura tâmil, que ajudou a moldar e definir a identidade tâmil. 

   Reconhecendo as sensibilidades envolvidas, os organizadores do festival promoveram a sessão na língua tâmil. Porém, fato notável, todos os palestrantes e muitos escritores tâmeis presentes na plateia fizeram objeção, insistindo no uso do inglês. “Não queremos falar apenas com nós mesmos”, disse um dos presentes.

    É uma opinião que não encontro com frequência. “Falar consigo mesmo”, muitas vezes, infelizmente, parece ser o objetivo das políticas de identidade no Ocidente. Um bom exemplo disso é a moda atual de denunciar a “apropriação cultural”, que denota o uso por pessoas de uma cultura (especialmente pessoas de posição privilegiada) dos símbolos e ideias de outra cultura.

    Essa noção já levou a casos bizarros, como grêmios estudantis que proibiram o uso do sombreiro (chapéu mexicano) ou as aulas de ioga. O problema é que a história da cultura é a história da apropriação. Não pode haver cultura sem que os povos emprestem, roubem e se apropriem de elementos uns dos outros.

   A discussão sobre identidade que aconteceu em Jaffna foi diferente. Para os tâmeis presentes, a identidade não era uma barreira com a qual se proteger do resto do mundo, mas uma maneira de dialogar com esse mundo. 

    Chamou minha atenção igualmente a resposta do público em um evento realizado alguns dias antes em Colombo, a capital do Sri Lanka. Eu tinha sido entrevistado sobre o palco, num bate-papo que cobriu desde minha infância até meu senso de identidade, passando por questões de liberdade de expressão e censura.

   Critiquei a política de identidade e expressei apoio ao direito de causar ofensa. Especificamente, defendi a revista satírica francesa “Charlie Hebdo” contra acusações de racismo. 

    Já discursei sobre temas semelhantes para plateias semelhantes na Europa e encarei críticas consideráveis. “O que lhe dá o direito de ofender outros?”, já me perguntaram. “A liberdade de expressão é acompanhada da obrigação de usá-la de modo responsável”, me disseram.

   Em um debate no Reino Unido sobre as consequências do caso “Charlie Hebdo”, outro participante lamentou o fato de o debate ter ficado polarizado entre os que estavam a favor ou contra a liberdade de expressão. Não podemos simplesmente ser a favor ou contra a liberdade, ele argumentou: “É mais complicado que isso”. 

   Teria o palestrante apresentado o mesmo argumento 200 anos atrás, quando se debatia a abolição da escravidão? Será que ele teria dito “não podemos simplesmente ser a favor ou contra a abolição da escravidão. A liberdade é mais complicada que isso”?

    Não precisei colocar essa pergunta à minha plateia em Colombo. As pessoas que ali estavam compreendiam implicitamente a importância da liberdade e, em especial, da liberdade de expressão. Mesmo as pessoas da plateia que eram críticas das charges publicadas pelo “Charlie Hebdo” defenderam o direito do semanário de publicá-las. [...] 

   Na realidade, desde o fim da guerra, o país assiste ao crescimento dos movimentos religiosos sectários. Por exemplo, surgiu uma vertente mais intolerante do budismo que tem como alvo não os tâmeis, mas os muçulmanos.

    O islamismo também está mudando em Sri Lanka. Antes, era uma religião relativamente aberta, descontraída. Agora, porém, chamou minha atenção o grande número de mulheres usando a burca, algo que teria sido inimaginável duas décadas atrás. Parece que muitos muçulmanos de Sri Lanka foram ser operários em países do Golfo Pérsico e, quando voltaram, trouxeram na bagagem uma vertente mais intransigente do islamismo. [...]

    Ao pedir que se proíbam a “apropriação cultural” e as ofensas, muitos adotam ideias sobre identidade, cultura e livre expressão que reforçam mais os sectários que aqueles que os contestam. Queremos uma sociedade mais aberta ou mais fechada? Esse é o xis da questão, quer seja em Colombo, Jaffna ou Londres.

(Kenan Malik. Jornal Gazeta do Povo, 27 fev. 2016) 

O autor do texto:
Alternativas
Ano: 2016 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL Prova: NC-UFPR - 2016 - COPEL - Contador Júnior |
Q621973 Português

  Dei uma palestra em janeiro no Festival Literário Galle. Nos últimos dez anos, esse festival tornou-se um dos maiores destaques do circuito cultural do Sri Lanka. Neste ano, o evento criou festivais “de contato com as comunidades” em Kandy, na região montanhosa do país, e Jaffna, no norte.

   Foi significativo o fato de o festival ter sido levado a Jaffna, capital da província do Norte. A brutal guerra civil entre os Tigres pela Libertação do Tamil Eelam e o Exército de Sri Lanka acabou há menos de sete anos. Muita coisa no Norte foi reconstruída, mas os fantasmas do conflito ainda assombram Jaffna, desde os edifícios marcados por buracos de balas até os milhares de civis mortos do conflito.

  Contra esse pano de fundo, o festival criou um espaço de engajamento com uma larga variedade de ideias, de maneira que não acontece com frequência em um lugar como Jaffna. O evento foi aberto com uma discussão da literatura tâmil, que ajudou a moldar e definir a identidade tâmil. 

   Reconhecendo as sensibilidades envolvidas, os organizadores do festival promoveram a sessão na língua tâmil. Porém, fato notável, todos os palestrantes e muitos escritores tâmeis presentes na plateia fizeram objeção, insistindo no uso do inglês. “Não queremos falar apenas com nós mesmos”, disse um dos presentes.

    É uma opinião que não encontro com frequência. “Falar consigo mesmo”, muitas vezes, infelizmente, parece ser o objetivo das políticas de identidade no Ocidente. Um bom exemplo disso é a moda atual de denunciar a “apropriação cultural”, que denota o uso por pessoas de uma cultura (especialmente pessoas de posição privilegiada) dos símbolos e ideias de outra cultura.

    Essa noção já levou a casos bizarros, como grêmios estudantis que proibiram o uso do sombreiro (chapéu mexicano) ou as aulas de ioga. O problema é que a história da cultura é a história da apropriação. Não pode haver cultura sem que os povos emprestem, roubem e se apropriem de elementos uns dos outros.

   A discussão sobre identidade que aconteceu em Jaffna foi diferente. Para os tâmeis presentes, a identidade não era uma barreira com a qual se proteger do resto do mundo, mas uma maneira de dialogar com esse mundo. 

    Chamou minha atenção igualmente a resposta do público em um evento realizado alguns dias antes em Colombo, a capital do Sri Lanka. Eu tinha sido entrevistado sobre o palco, num bate-papo que cobriu desde minha infância até meu senso de identidade, passando por questões de liberdade de expressão e censura.

   Critiquei a política de identidade e expressei apoio ao direito de causar ofensa. Especificamente, defendi a revista satírica francesa “Charlie Hebdo” contra acusações de racismo. 

    Já discursei sobre temas semelhantes para plateias semelhantes na Europa e encarei críticas consideráveis. “O que lhe dá o direito de ofender outros?”, já me perguntaram. “A liberdade de expressão é acompanhada da obrigação de usá-la de modo responsável”, me disseram.

   Em um debate no Reino Unido sobre as consequências do caso “Charlie Hebdo”, outro participante lamentou o fato de o debate ter ficado polarizado entre os que estavam a favor ou contra a liberdade de expressão. Não podemos simplesmente ser a favor ou contra a liberdade, ele argumentou: “É mais complicado que isso”. 

   Teria o palestrante apresentado o mesmo argumento 200 anos atrás, quando se debatia a abolição da escravidão? Será que ele teria dito “não podemos simplesmente ser a favor ou contra a abolição da escravidão. A liberdade é mais complicada que isso”?

    Não precisei colocar essa pergunta à minha plateia em Colombo. As pessoas que ali estavam compreendiam implicitamente a importância da liberdade e, em especial, da liberdade de expressão. Mesmo as pessoas da plateia que eram críticas das charges publicadas pelo “Charlie Hebdo” defenderam o direito do semanário de publicá-las. [...] 

   Na realidade, desde o fim da guerra, o país assiste ao crescimento dos movimentos religiosos sectários. Por exemplo, surgiu uma vertente mais intolerante do budismo que tem como alvo não os tâmeis, mas os muçulmanos.

    O islamismo também está mudando em Sri Lanka. Antes, era uma religião relativamente aberta, descontraída. Agora, porém, chamou minha atenção o grande número de mulheres usando a burca, algo que teria sido inimaginável duas décadas atrás. Parece que muitos muçulmanos de Sri Lanka foram ser operários em países do Golfo Pérsico e, quando voltaram, trouxeram na bagagem uma vertente mais intransigente do islamismo. [...]

    Ao pedir que se proíbam a “apropriação cultural” e as ofensas, muitos adotam ideias sobre identidade, cultura e livre expressão que reforçam mais os sectários que aqueles que os contestam. Queremos uma sociedade mais aberta ou mais fechada? Esse é o xis da questão, quer seja em Colombo, Jaffna ou Londres.

(Kenan Malik. Jornal Gazeta do Povo, 27 fev. 2016) 

Com base no texto, considere as seguintes afirmativas: 1

1. O festival em Jaffna foi um manifesto contra a atuação dos Tigres pela Libertação do Tamil, que causou a morte de milhares de civis.

2. O autor considera que a plateia de suas palestras na Europa é mais receptiva às suas ideias sobre liberdade de expressão.

3. Os eventos em Jaffna e Colombo são mencionados pelo autor como exemplos de abertura cultural.

Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1238476 Biologia
Considere uma espécie arbórea que ocorre em dois ambientes distintos, A e B. A espécie apresenta, no xilema secundário, elementos de vaso de mesmo diâmetro. No ambiente A, ela possui maior quantidade de elementos de vaso do que em B, considerando-se uma secção transversal do xilema com a mesma área. Levando-se em conta essa informação, é correto afirmar:
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1237155 Programação
Assinale a alternativa que apresenta as 6 maneiras principais pelas quais o conteúdo de um site pode ser organizado. 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR
Q1236739 Áudio e Vídeo
Assinale a alternativa em que o seguinte trecho de um tutorial para edição de imagens foi redigido com clareza e respeito às normas do português escrito. 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: Prefeitura de Curitiba - PR
Q1236317 História e Geografia de Estados e Municípios
Prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que foi sede da antiga Prefeitura de Curitiba:
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1234717 Medicina
Com relação ao benzeno, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1232652 Programação
Qual das fases descritas a seguir NÃO faz parte do processo de construção de um website?
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1232456 Legislação Estadual
Assinale a alternativa que apresenta um dos requisitos que devem considerados nos projetos de obras e serviços, previstos no artigo 15 da Lei nº 15.608, de 16/08/2007.
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR
Q1226289 Noções de Informática
Após o término de uma reunião, a ata foi digitada sem numeração das linhas. O procedimento correto para numerar todas as linhas, após abrir o documento, é:
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1224577 Programação
Assinale a alternativa que apresenta apenas padrões válidos para a definição de cores em CSS. 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1224113 Sociologia
A análise weberiana do fenômeno da dominação fundamenta-se na: 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1223374 Arquitetura de Software
Design Patterns 
Design Patterns A design pattern is often posed as a question: how do we solve some design problem? However a design problem is, by its nature, nonspecific, and rarely has a single straight-forward answer. There might be several ways to solve the same problem, some better than others depending on the specific situation and the specific context of the problem. A design pattern is intended to share not just solutions but a better understanding of both the problem and how it might be solved. 
Firstly, patterns have a well-defined structure. This consistent layout makes it easy to browse through a collection of patterns to find relevant help and then dive further into the material. The structure encourages the author of the pattern to think carefully about the knowledge they're sharing, whilst making the material more consistently accessible to a reader. 
Secondly, unlike a tutorial or recipe which typically guides you through a single approach to solving a problem, patterns encourage discussion of related and complementary approaches. Design decisions are rarely clear cut, so it can be useful to understand the context in which a decision is made and the resulting trade-offs. Communicating these nuances is how we share knowledge rather than just fixes for a problem.
Consider the following sentence from the text: “Design decisions are rarely clear cut, so it can be useful to understand the context in which a decision is made and the resulting trade-offs”. Taking into consideration the underlined excerpt from the sentence, it is correct to say that design decisions are:
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: ITAIPU BINACIONAL
Q1222891 Engenharia Agronômica (Agronomia)
Considerando as interfaces florestais, agrícolas e pecuárias, a denominação Sistema Agroflorestal caracteriza: 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: Prefeitura de Curitiba - PR
Q1221860 Medicina
Em relação à infecção respiratória aguda em crianças, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: Prefeitura de Curitiba - PR
Q1220565 Medicina
A respeito da doença vascular arterial periférica, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR
Q1213942 Enfermagem
Fazem parte da organização do processo de trabalho, no cuidado das doenças crônicas, EXCETO: 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: UFPR
Q1213637 Medicina
Sobre a organização da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, considere os seguintes objetivos:
1. Fomentar a mudança do modelo de atenção à saúde, fortalecendo o cuidado às pessoas com doenças crônicas.  2. Garantir o cuidado integral às pessoas com doenças crônicas.  3. Impactar positivamente nos indicadores relacionados às doenças crônicas.  4. Contribuir para a promoção da saúde da população e prevenir o desenvolvimento das doenças crônicas e suas complicações. 
São objetivos gerais dessa organização: 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1212957 Engenharia Ambiental e Sanitária
Sobre energia eólica, considere as seguintes afirmativas:
1. A operação de um parque eólico causa impactos ambientais na fauna local. 2. A implantação de um parque eólico causa grandes impactos na flora local. 3. O custo por kW gerado de um parque eólico é, em geral, menor que o de um parque de energia solar.
Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2015 Banca: NC-UFPR Órgão: COPEL
Q1212902 Engenharia Ambiental e Sanitária
Em geotecnia, o método do Círculo de Mohr é usado para: 
Alternativas
Respostas
4601: E
4602: A
4603: D
4604: E
4605: E
4606: A
4607: C
4608: E
4609: E
4610: E
4611: D
4612: A
4613: E
4614: D
4615: B
4616: B
4617: C
4618: A
4619: C
4620: B