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Q4248279 Português
        Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade. Ou seja, ele exige que os cidadãos aceitem que os arranjos institucionais são apropriados para eles e que essas instituições farão o que é certo na maior parte do tempo. Assim, quanto mais legitimidade tiver, maior será o seu espaço para agir. Pode-se governar por curtos períodos de tempo sem legitimidade por meio de medidas coercitivas, mas isso é caro ⸺ e provavelmente reduzirá ainda mais a legitimidade.

        Geralmente pensamos em um governo que alcança legitimidade por meio de procedimentos. Se eleito em uma eleição livre e justa, a maioria dos cidadãos considerará que ele tem legitimidade. Além disso, se os processos pelos quais as leis são feitas e aplicadas forem constitucionais e também forem considerados justos, as leis serão legítimas. Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

        Além dos aspectos processuais, o setor público também deve pensar sobre os aspectos substantivos da legitimidade. Existem agora evidências significativas de que ela se baseia, também, no desempenho do setor público na prestação de bens e serviços à população. Um bom governo é visto cada vez mais como fornecedor de boas escolas, bons cuidados de saúde, boas estradas e todos os outros serviços de que a sociedade depende.

        Criar e manter a confiança do cidadão, portanto, requer não apenas o bom funcionamento dos governos de acordo com o que prevê a lei, mas também exige que o governo concretize a prestação de serviços públicos. Portanto, instrumentos como a gestão do desempenho tornaram-se mais importantes não apenas na gestão interna, mas também para justificar a própria existência do governo perante seus cidadãos. Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores, mas a boa governança pode legitimar as ações do setor público.

B. Guy Peters. Guia da Política de Governança Pública. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2018, p. 22 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


No período "Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade." (primeiro parágrafo), o sujeito da oração principal está elíptico e refere-se a "um governo".

Alternativas
Q4248278 Português
        Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade. Ou seja, ele exige que os cidadãos aceitem que os arranjos institucionais são apropriados para eles e que essas instituições farão o que é certo na maior parte do tempo. Assim, quanto mais legitimidade tiver, maior será o seu espaço para agir. Pode-se governar por curtos períodos de tempo sem legitimidade por meio de medidas coercitivas, mas isso é caro ⸺ e provavelmente reduzirá ainda mais a legitimidade.

        Geralmente pensamos em um governo que alcança legitimidade por meio de procedimentos. Se eleito em uma eleição livre e justa, a maioria dos cidadãos considerará que ele tem legitimidade. Além disso, se os processos pelos quais as leis são feitas e aplicadas forem constitucionais e também forem considerados justos, as leis serão legítimas. Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

        Além dos aspectos processuais, o setor público também deve pensar sobre os aspectos substantivos da legitimidade. Existem agora evidências significativas de que ela se baseia, também, no desempenho do setor público na prestação de bens e serviços à população. Um bom governo é visto cada vez mais como fornecedor de boas escolas, bons cuidados de saúde, boas estradas e todos os outros serviços de que a sociedade depende.

        Criar e manter a confiança do cidadão, portanto, requer não apenas o bom funcionamento dos governos de acordo com o que prevê a lei, mas também exige que o governo concretize a prestação de serviços públicos. Portanto, instrumentos como a gestão do desempenho tornaram-se mais importantes não apenas na gestão interna, mas também para justificar a própria existência do governo perante seus cidadãos. Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores, mas a boa governança pode legitimar as ações do setor público.

B. Guy Peters. Guia da Política de Governança Pública. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2018, p. 22 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


Da leitura do texto infere-se que a gestão do desempenho ganha relevância externa ao justificar a existência do governo perante seus cidadãos. 

Alternativas
Q4248073 Português
Leia o texto a seguir.

Nos estados, o custo de governabilidade raramente se paga apenas com a distribuição de cargos ou a negociação de comissões parlamentares. Em contextos onde o tecido econômico é setorialmente concentrado, a estabilidade da coalizão é negociada em moeda de outra natureza: entregas de infraestrutura logística, previsibilidade regulatória para o crédito agrícola e segurança jurídica para o licenciamento de empreendimentos. É esse arranjo — e não sua versão federal simplificada — que define a governabilidade efetiva, por exemplo, em Goiás.
Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/21/governabilidadepresidencialismo-de-coalizao-goias. Acesso em: 05 jun. 2026.


De acordo com o texto, a estabilidade das coalizões governamentais em Goiás se deve à 
Alternativas
Q4248067 Português
Texto 1


    Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.
     Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem, mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.

Leia o texto a seguir.



Imagem associada para resolução da questão


Nesse texto, a intertextualidade com o conto de fadas e com o ditado popular contribui para a construção do humor ao

Alternativas
Q4248066 Português
Texto 3


    Por que diabos “merda” é palavrão? Aliás, por que a palavra “diabos”, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como “filha-da-puta”, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.
    Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões “moram” nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.


BURGOS, A ciência do palavrão: o que está por trás dos xingamentos mais comuns. Superinteressante [edição virtual], São Paulo, 31 jan. 2008. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-do-palavrao/. Acesso em: 04 jun. 2026.
No início do texto, as perguntas e a situação hipotética envolvendo a pedra contribuem para
Alternativas
Q4248065 Português
Texto 3


    Por que diabos “merda” é palavrão? Aliás, por que a palavra “diabos”, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como “filha-da-puta”, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.
    Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões “moram” nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.


BURGOS, A ciência do palavrão: o que está por trás dos xingamentos mais comuns. Superinteressante [edição virtual], São Paulo, 31 jan. 2008. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-do-palavrao/. Acesso em: 04 jun. 2026.
No texto, a referência a “pesquisas recentes” contribui para a construção argumentativa porque
Alternativas
Q4248064 Português
Texto 3


    Por que diabos “merda” é palavrão? Aliás, por que a palavra “diabos”, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como “filha-da-puta”, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.
    Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões “moram” nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.


BURGOS, A ciência do palavrão: o que está por trás dos xingamentos mais comuns. Superinteressante [edição virtual], São Paulo, 31 jan. 2008. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-do-palavrao/. Acesso em: 04 jun. 2026.
No trecho “Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões ‘moram’ nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico.”, a expressão “mais exatamente” apresenta valor semântico de 
Alternativas
Q4248063 Português
Texto 2

     Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa.
    Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
     Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
     Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


LISPECTOR, Clarice. A não aceitação. In: LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.
No período “Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso!”, o adjetivo “horrorizada” exerce a função sintática de
Alternativas
Q4248062 Português
Texto 2

     Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa.
    Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
     Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
     Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


LISPECTOR, Clarice. A não aceitação. In: LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.
Considerando a construção de sentidos do texto como um todo, a coerência textual é organizada principalmente pela relação entre o(a)
Alternativas
Q4248061 Português
Texto 2

     Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa.
    Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
     Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
     Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


LISPECTOR, Clarice. A não aceitação. In: LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.
Releia este trecho da crônica: “Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda.” Nesse excerto, a expressão “a claridade do mar como desnuda” produz efeito expressivo ao
Alternativas
Q4248060 Português
Texto 1


    Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.
     Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem, mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
Considerando as características e funcionalidades de diferentes gêneros e tipologias textuais, o segundo parágrafo apresenta predominância da tipologia 
Alternativas
Q4248059 Português
Texto 1


    Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.
     Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem, mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
No terceiro período do primeiro parágrafo, o pronome oblíquo “lo”, em “desnaturalizá-lo”, atua como recurso de coesão textual ao referir-se ao sintagma
Alternativas
Q4248058 Português
Texto 1


    Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz.
     Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem, mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
No primeiro parágrafo, a progressão temática ocorre por meio da
Alternativas
Q4247856 Português

Leia a tirinha a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/tagged/adoro acesso em 18.6.26


Considere uma proposta de ensino que vise levar estudantes do Ensino Fundamental a compreender como escolhas linguísticas contribuem para a construção dos efeitos de sentido em uma tirinha.


Dito isso, assinale a opção que indica corretamente a atividade que melhor atende a esse objetivo. 

Alternativas
Q4247855 Português

Porsche que matou motorista de aplicativo em SP custa R$ 1 milhão e atinge 100 km/h em apenas quatro segundos


Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, bateu na traseira de um Renault Sandero na madrugada de domingo (31) e matou o condutor do veículo, na Zona Leste de São Paulo


Um jovem de 24 anos, identificado como Fernando Sastre de Andrade Filho, bateu na traseira de um Renault Sandero na madrugada de domingo (31) e matou o condutor do veículo, na Zona Leste de São Paulo. Fernando dirigia um Porsche 911 Carrera. Avaliado em cerca de R$ 1 milhão, o carro de luxo consegue atingir 100 km/h em apenas quatro segundos e sua velocidade máxima chega a quase 300 km/h.


https://oglobo.globo.com


Com o objetivo de verificar se os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental reconhecem recursos linguísticos empregados em textos jornalísticos e analisam os efeitos de sentido produzidos por essas escolhas, um professor de Língua Portuguesa propõe uma atividade de leitura do texto apresentado. Nessa perspectiva, seria mais adequado solicitar que os estudantes investigassem 

Alternativas
Q4247854 Português

Estrangeirismo é comum no vocabulário corporativo. Isso é bom ou ruim?


“Boa tarde, vocês trouxeram o briefing? Precisamos fazer um brainstorm para definir o tema do workshop com o coach. O CEO e o COO pediram para darmos feedback logo, pois o deadline do job está próximo. Não podemos decepcionar o board!”


O excesso de termos em inglês na comunicação corporativa tem se tornado um desafio para muita gente, afinal, a maior parte da população brasileira não fala um idioma estrangeiro. Dependendo da área em que você atua, pode ter ficado perdido tentando saber o que estava sendo dito em determinadas ocasiões. Isso até poderia dar início a uma discussão sobre se o uso de palavras em outras línguas no dia a dia profissional é ou não positivo, no entanto, o recado de especialistas é claro: para não ficar por fora, o melhor é se atualizar e tentar acompanhar.


Adaptado de https://www.correiobraziliense.com.br


Em uma atividade de leitura sobre o texto, uma professora de Língua Portuguesa pediu que seus alunos explicassem a função discursiva do trecho inicial entre aspas na construção da argumentação.


Assinale a opção que apresenta a resposta de um estudante que demonstra compreensão adequada dessa função.


 

Alternativas
Q4247853 Português
Leia os textos a seguir.

1. Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.

2. Canto de regresso à Pátria (Oswald de Andrade)
Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá.

Ao planejar uma atividade de leitura comparada desses textos para uma turma do Ensino Médio, um professor de Língua Portuguesa pretende desenvolver a compreensão das relações intertextuais estabelecidas entre diferentes produções literárias. Considerando esse objetivo de aprendizagem, analise as afirmativas a seguir. 

I. Solicitar aos estudantes que identifiquem os elementos retomados por Oswald de Andrade e discutam as transformações realizadas em relação ao poema de Gonçalves Dias constitui uma estratégia adequada, pois favorece a compreensão dos efeitos de sentido produzidos pela intertextualidade.

II. Propor que os estudantes localizem informações explícitas sobre a representação da paisagem brasileira nos dois poemas é uma estratégia suficiente para desenvolver a compreensão da relação intertextual entre os textos, pois a identificação do tema nacional permite reconhecer as influências entre as obras.

III. Orientar os estudantes a listar as características do Romantismo e do Modernismo, para depois identificá-las nos poemas, é uma estratégia adequada para que compreendam como um texto pode dialogar com outro.

Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q4247852 Português

Observe a charge a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


A expressão “Vini, vi, vencerei o racismo!” retoma e modifica a célebre frase atribuída a Júlio César — “Vim, vi, venci” — para construir um novo sentido no contexto da imagem. Ao trabalhar essa charge com alunos do Ensino Médio, um professor pretende verificar se a turma compreendeu os efeitos de sentido produzidos pela substituição da forma verbal “venci” por “vencerei”.


Para avaliar essa aprendizagem, o professor deve solicitar que os estudantes 

Alternativas
Q4247850 Português

Observe o texto a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Ao trabalhar com alunos da 1ª série do Ensino Médio o tema das variações linguísticas, um professor de Língua Portuguesa utiliza o cartum apresentado. Com essa atividade, o professor pretende evidenciar que as línguas naturais se transformam historicamente.


Nesse contexto, o texto permite aos estudantes compreender que esse fenômeno decorre 

Alternativas
Q4247849 Português

Ela emendava o café da manhã no lanche das dez, o almoço no lanche das quatro e o jantar na ceia das nove. (...) Ganhou três queixos, essa Eurídice. Parece que seus olhos diminuíram, e seus cabelos não eram suficientes para emoldurar tantas feições. Quando viu que estava no ponto, que era o ponto de fazer o marido nunca mais se aproximar, adorou formas saudáveis de alimentação. Fazia dieta nas manhãs de segunda-feira e no intervalo entre as refeições.


BATALHA, Martha. A vida invisível de Eurídice Gusmão. São Paulo: Cia das Letras, 2016. p. 8-9.


Ao selecionar o trecho para uma avaliação de leitura literária destinada a alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, um professor pretende verificar se a turma é capaz de reconhecer os efeitos de sentido produzidos pela ironia na construção da personagem.


Considerando esse objetivo, é correto afirmar que, no trecho final, a narradora constrói uma imagem de Eurídice segundo a qual ela 

Alternativas
Respostas
1221: E
1222: C
1223: D
1224: B
1225: C
1226: B
1227: C
1228: C
1229: B
1230: A
1231: C
1232: A
1233: D
1234: E
1235: B
1236: B
1237: A
1238: A
1239: C
1240: E