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• Ele acompanhou várias epidemias nas últimas décadas e, durante a pandemia de covid-19, esteve à frente...
• ... que coordenou parte das ações do país para lidar com o novo coronavírus, o Sars-CoV-2.
• ... para invadir as células e causar a infecção, testou anticorpos contra ele e desenvolveu ao menos uma vacina.
As vírgulas são empregadas nas três passagens com a função de separar, correta e respectivamente:
De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
O MISTÉRIO DOS NÃO LUGARES E ESPAÇOS LIMÍTROFES
Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
Era uma foto especial justamente porque não tinha nada de especial. Não fossem os ideogramas nas placas, poderia ter sido feita em Guarulhos ou no Galeão.
O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
A neutralidade excessiva, porém, pode ser tão aterrorizante quanto a diferença. Vide a lenda urbana das backrooms*, que nasceu no submundo online do fórum 4chan em 2019.
A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
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Bruno Vaiano
Esses dias, tropecei em uma imagem dos carrosséis de bagagem no aeroporto de Beijing – aquelas esteiras em que as malas despachadas desfilam preguiçosamente à espera de seus donos recém-desembarcados.
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O etnógrafo francês Marc Augé propôs, em 1995, que aeroportos, shoppings, redes de fast-food, hotéis e praças de pedágio – tudo que é homogêneo mundo afora, mesmo em países com culturas radicalmente diferentes – fossem definidos como não lugares.
Em geral, trata-se de construções ocupadas provisoriamente por viajan tes entediados e funcionários uniformizados. Lugares de trânsito, em vez de permanência.
Esses ambientes são um contraponto ao choque cultural de pousar em um país distante. Coisa que até o mais experiente dos viajantes, o chef Anthony Bourdain, já sentiu: ao chegar ao Japão pela primeira vez, ele considerou matar a fome em uma Starbucks em vez de entrar em um boteco típico de Tóquio: “Eu estava agudamente consciente do quão bizarro e gringo eu parecia”.
Aeroportos são um exemplo do que a internet convencionou chamar de espaço liminar ou limítrofe. Eles são velhos conhecidos da ficção. Em Crônicas de Nárnia, uma espécie de Jardim do Éden serve de hub de conexão entre di ferentes mundos, acessados por lagoas.
Em Matrix Reloaded, o herói Neo acessa um corredor branco repleto de portas “de serviço” – cada uma dá acesso a um dos cenários da simulação de computador em que a humanidade foi aprisionada.
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A ideia é de que seria possível se teletransportar acidentalmente para uma realidade paralela formada por labirintos intermináveis de salas vazias, silenciosas e desprovidas de janelas, com carpete, papel de parede desbotado e luzes brancas, como os corredores de um hotel decadente.
Parece inofensivo, mas não é: curtas de terror sobre as backrooms*, feitos com CGI e publicados no YouTube, são ansiedade engarrafada.
O que isso tem a ver com a vida real? Bom: até o século 19, basica mente toda a arquitetura envolvia ornamentação. Pense nas gárgulas, colunas, cúpulas e arcos dos teatros, bibliotecas e prédios públicos dessa época, comuns nos centros históricos das cidades brasileiras.
No começo do século 20, os modernistas levaram o design e a arquitetura para um caminho diferente. O austríaco Adolf Loos escreveu que “a evolução da cultura é sinônimo da remoção de ornamentos dos objetos de uso diário”. Essa foi uma visão influente, que deu início à era dos arranha-céus quadradões com fachadas de vidro e aço (como as torres do World Trade Center, ícones modernistas).
Muitas dessas construções, como o Palácio Capanema, no Rio, são bastiões do bom gosto. Mas a onipresença das fachadas de vidro foi longe de mais, e transformou o centro de nossas cidades em grandes aeroportos.
Os paredões acinzentados e reluzentes dos arranha-céus ocultam as especificidades da cultura local e transformam Farias Limas e Wall Streets do mundo todo em uma coisa só: labirintos translúcidos percorridos por engravata dos apressados. É uma tendência triste. Cidades, afinal, são lares. E não dá para ser um lar sem antes ser um lugar.
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 06 jun. 2026.
*As Backrooms são uma famosa lenda urbana e creepypasta da internet que descreve uma dimensão paralela infinita, composta por corredores labirínticos, carpete úmido e luzes fluorescentes zumbindo. Acredita-se que uma pessoa pode cair acidentalmente nesse "não lugar" ao atravessar a realidade incorretamente.
A praça do bairro
Em um sábado pela manhã, um grupo de moradores se reuniu para cuidar da praça do bairro. Eles recolheram o lixo, plantaram flores e pintaram os bancos. Após o trabalho, a praça ficou mais bonita e agradável, tornando-se um espaço de convivência para crianças, jovens e idosos. De acordo com o texto, é correto afirmar que:
“– Eu acho que nós, bois, – Dançador diz, com baba – assim como os cachorros, as pedras, as árvores, somos pessoas soltas, com beiradas, começo e fim. O homem, não: o homem pode se ajuntar com as coisas, se encostar nelas, crescer, mudar de forma e de jeito… O homem tem partes mágicas… São as mãos… Eu sei… Mas já Brilhante endureceu as orelhas, soslaiando Dançador: … “Chegou um dia, nós reparamos que já estava trecho demais sem chover. Tempo e tempo. Coisa como nunca em antes tinha sido. Quase que nem capim seco não tinha mais, e a gente comia gravetos, casca de árvores, e desenterrava raiz funda, p’ra pastar. Foi ruim…”
27. “Mas já Brilhante endureceu as orelhas, soslaiando Dançador: … “Chegou um dia, nós reparamos que já estava trecho demais sem chover. Tempo e tempo. Coisa como nunca em antes tinha sido. Quase que nem capim seco não tinha mais, e a gente comia gravetos, casca de árvores, e desenterrava raiz funda, p’ra pastar. Foi ruim…”
O conectivo destacado pode ser SUBSTITUÍDO sem prejuízo de sentido por:
[...] Amo do nauta o doloroso grito Em frágil prancha sobre mar de horrores, Porque meu seio de tornou de pedra, Porque minha’alma descorou de dores. [...]
“Em frágil prancha sobre mar de horrores, Porque meu seio de tornou de pedra, Porque minha’alma descorou de dores”
Sabendo que os vocábulos destacados nos versos possuem formas distintas de emprego (POR QUE; PORQUE; POR QUÊ; PORQUÊ), das frases a seguir, o emprego desse vocábulo deve ocorrer pelo mesmo motivo do emprego nos versos, preenchendo a lacuna, sem infringir a norma culta em: