Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q3651154 Português
Deputada acusa robô que faz desenhos ao estilo
Pixar de racismo após tecnologia gerar imagem
de mulher negra armada



Imagens criadas, gratuitamente, por uma
inteligência artificial hospedada pela Microsoft,
viraram trend. Para criá-las, é preciso colocar uma
descrição. “Não pode uma mulher negra, cria da
favela, estar num espaço que não da violência?",
questionou Renata. Ao g1, a Microsoft disse que
irá investigar o caso.






Deputada do RJ diz que robô gerou a imagem de uma mulher
negra armada — Foto: Reprodução



        A deputada estadual Renata Souza, do Rio de Janeiro, afirmou que, ao pedir para o "robô desenhista" criar um personagem de mulher negra na favela, ao estilo Pixar, obteve, como resultado a imagem de uma pessoa segurando uma arma na mão.

      A criação de personagens com os traços conhecidos do estúdio de animação se tornou uma trend nos últimos dias porque está disponível, gratuitamente, num site da Microsoft. As ilustrações são geradas por Inteligência Artificial, a partir de um detalhamento.

       Na publicação, a deputada acusou a plataforma de "racismo algorítmico" e disse que a descrição feita para pedir a imagem foi de "uma mulher negra, de cabelos afro, com roupas de estampa africana num cenário de favela”.

    “Não pode uma mulher negra, cria da favela, estar num espaço que não da violência? O que leva essa 'desinteligência artificial' a associar o meu corpo, a minha identidade, com uma arma?”, lamentou a deputada.

      Na mesma postagem, Renata incluiu uma foto na qual segura um diploma. Doutora em Comunicação e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ), a deputada foi criada no Complexo da Maré. Zona Norte do Rio.

      "O racismo algoritmo está aí. Essa lógica de criminalização das pessoas negras, nesses territórios de favelas e periferias, também está nos algoritmos", completou a deputada, que também publicou um vídeo relatando a situação.

      A Microsoft, que hospeda o robô inteligente dentro do site bing.com/create, informou ao g1 que investiga o caso e que tomará medidas adequadas para ajustar o serviço.

       "Acreditamos que a criação de tecnologias de IA confiáveis e inclusivas é um tema crítico e algo que levamos muito a sério", diz a nota.

       O "robô desenhista" foi criado pela mesma desenvolvedora do ChatGPT, a Open AI, parceira da Microsoft.


Entenda a trend


      A mais nova trend das redes sociais cria personagens no estilo "Disney Pixar". Embora seja bem parecido com as animações originais, as imagens são produzidas pela Microsoft, que usa um "robô desenhista".

      Com o crescimento da trend, nas redes sociais, famosos postaram versões ao estilo Pixar e outros perfis têm pedido desenhos sobre cidades brasileiras, capas de álbuns, personagens famosos do cinema, entre outros temas. 


Disponível em: Deputada acusa robô que faz desenhos ao
estilo Pixar de racismo após tecnologia gerar imagem de
mulher negra armada | Tecnologia | G1 (globo.com) – Acesso
em 28/10/2023

Assinale a alternativa correta quanto ao trecho a seguir: “
O que leva essa 'desinteligência artificial' a associar o meu corpo, a minha identidade, com uma arma?”, lamentou a deputada.” 
Alternativas
Q3650994 Português
Qualidade na TV: 10 anos da campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania


        A campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania foi uma experiência que conseguiu romper, ainda que em grau diminuto, as tentativas de impedir a sociedade civil de influenciar na grade televisiva das grandes redes de televisão, que atingem 90% dos lares brasileiros. Através da constituição da rede de entidades de direitos humanos e outros movimentos sociais, organizamos reações contra as constantes omissões e infringências ao previsto nos artigos 220 a 224 da Carta Magna.

        As audiências públicas, os seminários realizados na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas, universidades e organizações não governamentais criaram uma conscientização e consequente mobilização de milhares de cidadãs e cidadãos em favor de mudanças na programação televisiva. A utilização das redes sociais, da blogosfera e da internet como um todo resultou em mudanças significativas da programação.

      Empresas públicas como a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras, entre outras, adotaram orientação no sentido de não patrocinar programas que ofendem direitos de telespectadores. Este exemplo também foi seguido por empresas privadas como as Casas Bahia.

        A metodologia utilizada pela campanha, divulgando periodicamente o ranking dos piores programas com base nas reclamações dos telespectadores, jamais foi reconhecida pelas emissoras. Contudo, as reclamações recebidas através do sítio na internet e do telefone 0800 da Câmara dos Deputados motivaram e deram base legal e constitucional para a propositura de várias ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público.

      Estas ações judiciais resultaram na obtenção do direito à resposta, em multas, e até na retirada do ar de programas. Paralelamente, houve a contribuição das TVs públicas para dar opções e possibilidades de participação ao telespectador, que exerceu papel fundamental para questionar a desenfreada baixaria, manipulação e busca de audiência a qualquer preço.


Qualidade na TV : 10 anos da campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania / organizador: Cláudio Ferreira [recurso eletrônico]. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013. 
Observe os trechos a seguir e responda ao que se pede.

I - “organizamos reações contra as constantes omissões e infringências ao previsto nos artigos 220 a 224 da Carta Magna.”
II - “Paralelamente, houve a contribuição das TVs públicas para dar opções e possibilidades de participação ao telespectador”

Se os termos destacados fossem substituídos por uma palavra feminina e singular, ocorreria o fenômeno crase:
Alternativas
Q3650683 Português
As redes sociais estão estimulando o autodiagnóstico de transtornos mentais?
Testes e avaliações de transtornos como TDAH estão se espalhando pela internet, mas diagnóstico requer avaliação profissional
    Outro dia, recebi em meu consultório uma pessoa dizendo ter TDAH. Ela chegou com o diagnóstico fechado e pedindo a minha ajuda para, digamos, melhorar o seu dia [___] dia por meio de alguma estratégia médica. Eu perguntei [___] esse paciente quando ele havia sido diagnosticado e quem era o colega médico que havia feito o diagnóstico. A resposta, muito calma, foi: “Eu mesmo”. E emendou que já havia admitido a si mesmo que tinha déficit de atenção e hiperatividade, que seus conhecidos já haviam aceitado a sua condição e que, por favor, eu não dissesse que ele não tinha o transtorno.
    Se você digitar “teste online de autismo” ou “teste de TDAH online” no Google, encontrará, só na primeira página de resultados, uma dezena de opções. Testes para esses e outros transtornos também se espalham pela internet e pelas redes sociais. Há avaliações até que medem níveis de ansiedade, depressão e estresse.
    O problema quando se fala em saúde mental é que o objeto não é tão claro quanto é, por exemplo, o da cardiologia, que é o coração, ou da ortopedia, que são os ossos. Nessas áreas da Medicina, os testes são muito objetivos: ou alguém trincou ou não trincou o osso; ou se tem uma veia entupida ou próxima de ficar obstruída ou não se tem.
    Saúde mental é uma área que implica uma certa subjetividade; daí [___] necessidade do olho no olho entre médico e paciente. Só por meio uma boa avaliação, inclusive dos impactos que as queixas de um paciente trazem para a vida dele, é que podemos fazer um diagnóstico acertado. É bom lembrar que um mesmo conjunto de sintomas pode ser causado por várias coisas diferentes. Daí a importância de buscar um profissional de saúde mental quando se está sofrendo por alguma razão.
    Autodiagnosticar-se pode ser perigoso. Além de alguém correr o risco de seguir estratégias que podem causar mais mal do que bem, o autodiagnóstico costuma levar ao aumento de ansiedade não só em você, mas em pessoas próximas [___] você.
Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Glossário:
Subjetividade – Relativa ao lado pessoal e individual do sujeito.
TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

GUERRA, Arthur. As redes sociais estão estimulando o autodiagnóstico de transtornos mentais? Forbes Brasil, 26 de setembro de 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbessaude/2023/09/arthur-guerra-as-redes-sociaisautodiagnostico-de-transtornos-mentais/. Acesso em: 27 set. 2023. Adaptado.
No texto apresentado, foram inseridas lacunas, que devem ser completadas com a ou com à. Ao se preencherem tais espaços, obtém-se a seguinte sequência:
Alternativas
Q3650399 Português

Medo de ensinar

Publicado em 26/09/2023 Paulo Pestana - Crônica

  

      Dona Didi estava parada em frente ao portão. Todo dia era assim: ela recebia os alunos no pequeno alpendre do externato; mas alguma coisa estava errada. Eu mesmo vi quando começou o trabalho de demolição da ampla casa amarela que abrigava a escola; vi quando o muro baixo foi substituído por um tapume. Também vi um prédio pronto no mesmo lugar, ao lado da Catedral, naquela rua íngreme que nos fazia chegar arfando [ ] aula.

    Mas ela estava lá. Não chegava a ser gorda, mas era corpulenta, tinha o cenho sempre decidido e fechado, com sorrisos reservados apenas aos pais. E trazia permanentemente uma ameaçadora régua numa das mãos, batendo-a na palma da outra mão; corria entre os alunos[ ] lenda que ela guardava uma palmatória, na esperança de que seu uso fosse novamente autorizado para punir os maus alunos.

    Mas eu sabia que Dona Didi havia morrido. Foi este o motivo de a escola ter fechado. Ainda assim ela estava ali. Ao lado dela, como sempre, a mais bela professora do mundo, a minha professora – como era mesmo o nome dela? Não conseguia lembrar.

    É por essas e outras que eu ainda acho que o medo é uma força maior que o amor – como é que eu lembro o nome da mulher que mais me meteu medo na vida e não lembro como se chamava a dona do sorriso mais doce, que guiava minha mão sobre a pauta de caligrafia?

    A sensação era estranha – eu ainda não tinha consciência de que era um sonho, até porque, no meu caso, eles são quase sempre misteriosos, fragmentados, desconexos. Jung ensinou que o sonho é uma força da natureza, não depende de nada para aparecer, mas pode ser uma reação [ ] uma situação de consciência. Parece que era o caso.

    Há alguns dias eu tivera uma conversa com uma amiga professora em escola pública de uma cidade satélite que renovou a minha inabalável crença no fracasso da raça humana. Narrou casos cada vez mais frequentes de agressões verbais, de intimidações e até de violência física contra colegas.

    Ela está para desistir. Nem a Lei que garante ao professor autoridade para retirar um aluno da sala de aula – o que, por si só, mostra o tamanho do absurdo vivido pelos mestres – serve de paliativo. “A gente entra na sala com os nervos[ ] flor da pele, sem saber o que esperar”, me disse, enquanto eu me lembrava do dia, décadas atrás, que Ambrósio fez xixi nas calças durante uma bronca, em que ficou o tempo todo de cabeça baixa.

    Não sei o que aconteceu com o conceito de autoridade, que vem sendo corroído em nome de uma liberdade que não respeita ninguém e que, portanto, não é liberdade. Nos últimos anos, tem assumido ares de epidemia, já que ninguém quer se submeter a nada, mas, quando um professor tem medo de ensinar, é sinal de que a picada está no fim.

    E ainda tem gente que acha que vamos começar resolvendo os problemas brasileiros obrigando motorista [ ] acender o farol durante o dia ou adoçando palavras para disfarçar o amargor do preconceito.

PESTANA, Paulo. Medo de ensinar. Correio Braziliense, 18 de setembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br//medo-deensinar/. Acesso em: 29 set. 2023. Adaptado.

No decorrer do texto, foram inseridas lacunas, que devem ser completadas com à ou com a. Assinale a alternativa que apresenta o correto preenchimento de tais espaços.
Alternativas
Q3647354 Português
Responda à questão com base no seguinte texto:

O conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859. Morreu de apoplexia fulminante, pouco depois de cochilar a sesta — segundo costumava dizer — e quando se preparava a ir jogar a usual partida de voltarete em casa de um desembargador, seu amigo. O Dr. Camargo, chamado à pressa, nem chegou a tempo de empregar os recursos da ciência; o Padre Melchior não pôde dar-lhe as consolações da religião: a morte fora instantânea. No dia seguinte, fez-se o enterro, que foi um dos mais concorridos que ainda viram os moradores do Andaraí. Cerca de duzentas pessoas acompanharam o finado até a morada última, achando-se representadas entre elas as primeiras classes da sociedade. O conselheiro, posto não figurasse em nenhum grande cargo do Estado, ocupava elevado lugar na sociedade, pelas relações adquiridas, cabedais, educação e tradições de família. Seu pai fora magistrado no tempo colonial, e figura de certa influência na corte do último vice-rei. Pelo lado materno descendia de uma das mais distintas famílias paulistas. Ele próprio exercera dois empregos, havendo-se com habilidade e decoro, do que lhe adveio a carta de conselho e a estima dos homens públicos. Sem embargo do ardor político do tempo, não estava ligado a nenhum dos dois partidos, conservando em ambos preciosas amizades, que ali se acharam na ocasião de o dar à sepultura. Tinha, entretanto, tais ou quais ideias políticas, colhidas nas fronteiras conservadoras e liberais, justamente no ponto em que os dois domínios podem confundir-se. Se nenhuma saudade partidária lhe deitou a última pá de terra, matrona houve, e não só uma, que viu ir a enterrar com ele a melhor página da sua mocidade.

Autor: Machado de Assis. Trecho extraído da obra Helena. 
Analise o emprego do acento indicativo de crase na frase abaixo:
O Dr. Camargo, chamado à pressa, nem chegou a tempo de empregar os recursos da ciência

Em qual das frases abaixo, a ocorrência da crase se dá em virtude da mesma regra? 
Alternativas
Q3645635 Português
TEXTO IV


HUMILHANTE CRASE


      Janistraquis não costuma recortar apenas os títulos, mas as notícias inteiras. Entretanto, [...] ele fracassou. “Considerando, o Caderno 2 quer nos enlouquecer”, garantiu Janistraquis, brandindo um título realmente intrigante: Veneza abre os braços à Casanova.

          “Cadê o texto?”, perguntei, mas meu secretário não conseguira localizá-lo. Como é que essa cidade pode abrir os braços a uma casa nova, se é cidade antiquíssima, feita de edificações medievais? Janistraquis alertou- -me para o fato de que não se tratava de casa nova, mas Casanova, nome de gente. Ah! Então referia-se àquele conquistador!

         O título tornava-se, todavia, mais confuso. Como é que Veneza pode abrir os braços à maneira de Casanova? Seria abrir os braços de forma obscena, como fazia o velho fauno nos salões e também nos becos e gôndolas? Denso mistério.[...]


(JAPIASSU, Moacir. Jornal de Imprensa: a notícia levada a sério. São Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997. P. 106.)
Releia o fragmento: “Então referia-se àquele conquistador!” Marque a alternativa sobre o emprego da crase antes do vocábulo “àquele”, palavra masculina:
Alternativas
Q3645634 Português
TEXTO IV


HUMILHANTE CRASE


      Janistraquis não costuma recortar apenas os títulos, mas as notícias inteiras. Entretanto, [...] ele fracassou. “Considerando, o Caderno 2 quer nos enlouquecer”, garantiu Janistraquis, brandindo um título realmente intrigante: Veneza abre os braços à Casanova.

          “Cadê o texto?”, perguntei, mas meu secretário não conseguira localizá-lo. Como é que essa cidade pode abrir os braços a uma casa nova, se é cidade antiquíssima, feita de edificações medievais? Janistraquis alertou- -me para o fato de que não se tratava de casa nova, mas Casanova, nome de gente. Ah! Então referia-se àquele conquistador!

         O título tornava-se, todavia, mais confuso. Como é que Veneza pode abrir os braços à maneira de Casanova? Seria abrir os braços de forma obscena, como fazia o velho fauno nos salões e também nos becos e gôndolas? Denso mistério.[...]


(JAPIASSU, Moacir. Jornal de Imprensa: a notícia levada a sério. São Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997. P. 106.)
Analise as afirmações abaixo sobre o texto “Humilhante crase”:

I- A crase antes da palavra “Casanova” incomoda o autor, pois não há artigo feminino antes do sobrenome “Casanova”.
II- A preposição “a”, que ocorre nesse contexto, é exigida pela expressão “abrir os braços”.
III- A ironia, segundo Japiassu, está no fato de o jornal sugerir que uma cidade antiquíssima “abrisse os braços” para uma “casa nova”.

Marque a alternativa correta:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Concórdia - SC Provas: FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Anos Iniciais do Ensino Fundamental | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Arte | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Ciências | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Educação Especial | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Educação Especial – Intérprete de Libras | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Educação Especial – Professor de Braille | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Educação Física | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Educação Infantil | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Ensino Religioso | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Geografia | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - História | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Laboratório de Informática | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Laboratório Pedagógico I (Anos Iniciais do Ensino Fundamental) | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Laboratório Pedagógico II de Língua Portuguesa (Anos Finais do Ensino Fundamental) | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Laboratório Pedagógico II de Matemática (Anos Finais do Ensino Fundamental) | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Língua Inglesa | FEPESE - 2023 - Prefeitura de Concórdia - SC - Professor - Literatura Dramatizada |
Q3644672 Português
Leia atentamente o texto abaixo.

Importância do Agro em Santa Catarina

Motor da economia catarinense, o agro é destaque com resultados positivos ano após ano. Modernização, treinamento, qualificação e investimentos de produ tores rurais, agroindústrias e cooperativas consolidam a produção agropecuária catarinense orientada para resultados de excelência. Atento .......... necessidades e anseios de mercados cada vez mais exigentes e em constante mudança, Santa Catarina agrega os títulos de maior produtor nacional de maçãs, suínos, cebolas, pescados, ostras e mexilhões e do segundo lugar no ranking quando se trata de produção de tabaco, palmito, aves, pera e arroz, além de ser o quarto maior produtor de leite.

Representando praticamente um terço do Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina, o agronegócio contempla 31% da produção econômica estadual.

..........exportações do agronegócio catarinense apresentaram elevação de 10,2% no primeiro semestre deste ano, totalizando U$ 474,6 milhões, segundo análise da FIESC. De acordo com a entidade, o aumento ocorreu devido ........... safras positivas de grãos e vendas de carnes suína e de aves, principal mente para China, Japão, Singapura e Índia. As vendas ainda aumentaram para a América Latina, com desta que para venda de soja para a Argentina, carne suína e miúdos de aves para o México, arroz para a Venezuela e carne suína para o Chile.

Para manter a competitividade internacional do agro negócio catarinense, algumas frentes precisam ser observadas. Entre as principais, um olhar voltado ao êxodo rural bem como ............ contratação de mão de obra especializada, continuidade do fomento

..........tecnologia e melhorias logísticas, como investimento em ferrovias, são imprescindíveis. A chegada do grão por caminhões precisa ser revista, pois clientes asiáticos e europeus estão cada vez mais atentos .......... sustentabilidade da produção – e também por isso o transporte por trens seria benéfico.

Além da logística, ............ a necessidade de maior produção de insumos como grãos, para abastecimento de aves e suínos. Santa Catarina consome 7 milhões de toneladas destes grãos, mas produz apenas 2 milhões de toneladas.

Com demandas de clientes mais exigentes, ajustes são necessários para alavancar os resultados em mercados importadores e para conquistar maior inserção internacional.

Revista nscDC, Santa Catarina. Ano 38, no 12.227. Adaptado.
Assinale a alternativa que completa as lacunas do texto , de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q3642405 Português

Nas férias de dezembro, conheça o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, MG


O espaço conta com exposições que contemplam réplicas e acervos didáticos de paleontologia

Lucas Rocha, da CNN 10/12/2022


Peirópolis, no distrito rural de Uberaba, em Minas Gerais, é o lar de um conjunto de dinossauros de várias espécies. O local, que fica próximo à região do morro da Serra do Veadinho, é bastante conhecido pelos achados de vários fósseis de vertebrados em bom estado de conservação.


Para caracterizar uma nova espécie, os pesquisadores do campo da taxonomia, a ciência que envolve a descrição e classificação dos organismos, buscam encontrar detalhes na fisiologia de cada espécime.


Entusiastas do período Jurássico podem visitar, em Peirópolis, o Museu dos Dinossauros da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). O espaço conta com exposições que contemplam acervos didáticos de paleontologia.


A partir da mostra, os visitantes realizam uma viagem no tempo com a observação de fósseis e réplicas dos dinossauros.


O horário de funcionamento é de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. A entrada é gratuita e não há necessidade de agendamento prévio.


O museu está localizado no bairro de Peirópolis, situado nas margens da BR-262 no km 784. Está distante de Uberaba aproximadamente 22 km, sentido Belo Horizonte.


fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/nas-ferias- -de-dezembro-conheca-o-museu-dos-dinossauros-de-peiropolis- -em-mg/

Assinale a alternativa que apresenta o uso correto da crase.
Alternativas
Q3642070 Português

As máquinas não conseguem realizar (pelo menos ainda) as atividades consideradas exclusivamente humanas, como liderar, empatizar, criar e julgar outros humanos (se bem que acabamos de ver exemplos de previsões de julgamentos realizados por máquinas; mas, no caso da tabela, os autores referem-se a julgamentos que levam em consideração emoções e empatia, não apenas o lado racional). Essa questão de decisões legais realizadas por máquinas ainda é bastante polêmica, mas, em alguns casos, os algoritmos podem ser excelentes referências.


Com relação à criatividade, esse tem sido um tema constante entre os estudiosos. Há algoritmos para escrever canções, imitar estilos de grandes pintores e ajudar nas decisões criativas em um set de filmagem, por exemplo. Os programas tentam entender os critérios que os humanos usam para gostar de determinadas obras e usam como apoio para a tomada de decisão.


O Watson (o famoso robô da IBM) conseguiu, em 2016, criar o trailer para um filme de terror da Century Fox Studios (Morgan) analisando o visual, o som e a composição de centenas de trailers de filmes de terror a fim de identificar padrões. Com base nisso, Watson selecionou as cenas que iriam para o trailer, reduzindo semanas de trabalho exaustivo.  


John Smith, que gerenciou todo o projeto, faz, porém, uma ressalva: “É fácil para a inteligência artificial criar alguma coisa nova aleatoriamente. Mas é muito difícil criar alguma coisa nova, inesperada e útil”. 


Os algoritmos, então, seriam ferramentas úteis para substituir profissionais medianos, que se baseiam em gostos mais populares e comuns para criar peças — sejam pinturas, músicas, esculturas, ilustrações ou vídeos — ou para auxiliar nos trabalhos mais demorados e acelerar protótipos.


Mas para se criar algo realmente original, brilhante e inesperado, que se transforme em uma experiência memorável, ainda são necessários talentos exclusivamente humanos.


Uma das tendências apontadas para futuros trabalhos dominados por humanos, inclusive, é o setor de entretenimento. Se as pessoas terão mais tempo livre, mais tempo também terão de pensar sobre a vida, de ouvir música, visitar exposições, assistir a filmes, ver peças de teatro.


A arte fala sobre o ser humano, seus dilemas, dúvidas, crises existenciais, emoções e sentimentos. O que nos faz humanos, em suma, é a capacidade que temos de fazer (e apreciar) a arte. Essa parte não tem como ser assumida por uma máquina.


(Fonte: Atitude pró-inovação, 2021 — Adaptado.)

Considerando-se o trecho do texto “Com relação à criatividade, esse tem sido um tema constante entre os estudiosos.”, analisar os itens abaixo sobre a expressão sublinhada:



I. Deve permanecer com “à”, porque a preposição “a” é seguida de uma palavra feminina determinada por um artigo definido.


II. Pode ser reescrito com “a”, porque se trata de um caso de uso facultativo da crase.


III. Pode ser substituído por “Em relação a”.



Está(ão) CORRETO(S):  

Alternativas
Q3640167 Português

Q40.png (513×182)


Pode-se afirmar que:

Alternativas
Q3639098 Português
Vá plantar batatas!

A origem desta frase é portuguesa. Antigamente em Portugal, país voltado a navegações e à pesca, a agricultura, conquanto fornecedora de alimentos básicos, era vítima de certo desdém. Algumas de suas culturas eram ainda mais depreciadas, como era o caso da batata, que demorou a entrar na culinária portuguesa e brasileira. Era tida como alimento vulgar, e quem se dedicasse a plantar batatas estava se sujeitando a uma atividade desqualificada. A expressão aparece registrada em O povo português, obra do famoso poeta, folclorista e político lusitano Teófilo Braga (1843-1924), comentando a decadência das pequenas indústrias, ocasião em que trabalhadores qualificados, de repente sem emprego, foram aconselhados a plantar batatas.

(Dionísio da Silva – De onde vêm as palavras)
“[...]foram aconselhados a plantar batatas.” O “a” nesse trecho não recebeu acento indicador de crase pelo mesmo motivo em:
Alternativas
Q3637120 Português

Ana das Carrancas: artista que transformou a tradição em arte completaria 100 anos em 2023


A artesã pernambucana ficou conhecida por suas obras em barro inspiradas em carrancas de madeira que via nas embarcações


Rodolfo Rodrigo

Brasil de Fato | Recife (PE)

15 de Março de 2023



    No dia 18 de fevereiro, a artesã pernambucana Ana Leopoldina dos Santos, também conhecida como Ana das Carrancas, completaria 100 anos de idade se estivesse viva. Ela ficou conhecida por suas esculturas em barro inspiradas nas carrancas de madeira que via nas embarcações e sua história de superação marcou a arte do Nordeste até hoje.

    Ana das Carrancas era uma mulher negra e sertaneja que enfrentou muitas dificuldades até encontrar na arte uma forma de sustentar sua família por meio das esculturas de carrancas feitas no barro. À medida que seu trabalho evoluiu, as figuras ganharam uma definição cada vez mais característica, chamando a atenção sobretudo pelos olhos vazados em homenagem a seu marido, Zé Vicente, que era uma pessoa com deficiência visual e ajudava na preparação do barro.

    Hoje, as responsáveis por manter o legado de Ana das Carrancas são suas filhas, Maria da Cruz e Ângela, que mantêm, juntas, o Centro de Arte Ana das Carrancas, em Petrolina. Maria, filha de Ana das Carrancas, revelou que a habilidade da mãe em moldar o barro foi transmitida de geração em geração em sua família.

    “Ana das Carrancas aprendeu a moldar o barro com a mãe dela. É um trabalho hereditário. A mãe dela era descendente de índios e o pai de afrodescendentes e através dessa família ela conseguiu construir no barro uma arte singular aqui na região que deu origem às carrancas de barro”, disse.

    Ao longo dos anos, o nome de Ana das Carrancas abriu novos caminhos e lhe trouxe muitas conquistas. Décadas depois do início do seu trabalho, ela foi homenageada com o título de cidadã de Petrolina, reconhecida como patrimônio vivo de Pernambuco, em 2006, e convidada a Brasília para receber a comenda de Ordem ao Mérito Cultural, ao lado de um grande elenco de artistas de diversas linguagens.

    A Arte de moldar o barro e criar peças únicas é uma tradição que Ana também passou para suas filhas. "Através do amor que ela tinha na arte, ela repassa pras filhas esse conhecimento e até então a gente dá continuidade ao trabalho produzindo peças rústicas e diversificadas no barro", afirmou Maria.

    Ana das Carrancas faleceu em 2008, após enfrentar consecutivos problemas de saúde, deixando saudades. Sua obra permanece como um legado valioso para a cultura popular e para o artesanato pernambucano e brasileiro que permanece influenciando nas produções em barro.

    “A maior influência foi de eu ter aprendido a arte através do amor e da boa vontade dela, e o que ficou de influência foi a gente dar continuidade até hoje. Para mim, eu só deixo de ter essa vontade de construir, fabricar e ser artesã quando eu for para o andar de cima”, concluiu Maria.



Disponível em: Ana das Carrancas: artista que transformou a

tradição em | Cultura (brasildefato.com.br) –

Acesso em: 05/11/2023 

Sobre as ocorrências do fenômeno crase no texto, leia as assertivas a seguir.



I. Em “À medida que seu trabalho evoluiu”, a crase ocorre por se tratar de uma locução conjuntiva que tem como núcleo uma palavra feminina.


II. Em “deu origem às carrancas de barro”, é o substantivo “origem” que projeta a preposição “a”, tratando-se de um caso de regência nominal.



As assertivas acima estão respectivamente: 

Alternativas
Q3635472 Português
Considere:

I.Antes das locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas.
II.Antes de palavras femininas.

De acordo com as considerações feitas, assinale a alternativa cujo uso da crase NÃO deve ser empregado:
Alternativas
Q3635438 Português
Indique a opção que apresenta a ocorrência INCORRETA da crase:
Alternativas
Q3635200 Português

Considere as seguintes orações:



I. Ele votou pela reparação civil por crimes de tortura na ditadura militar e, portanto, a favor do pagamento de indenização à família do jornalista.


II. A atriz assiste à vitória do Brasil.


III. A BR 324 foi interditada para dar segurança à procissão.


O uso da crase, de acordo com a norma culta da língua portuguesa, está correto: 

Alternativas
Q3634800 Português
E ELES NÃO FORAM FELIZES PARA SEMPRE

    João e Maria não são mais as crianças ingênuas que se deixavam iludir por uma casa feita de doces no meio da floresta. Adultos, se tornaram caçadores mercenários que querem vingança contra a bruxa que um dia ameaçou suas vidas. A Bela Adormecida, por sua vez, já não é vítima do feitiço de uma bruxa invejosa. Por vontade própria, ela cai em sono profundo para satisfazer o fetiche dos homens.

    Não, não deu a louca nos contos de fadas. Foi o cinema que decidiu cortar os “felizes para sempre" do roteiro mais popular dessas histórias e recontá-las sob perspectiva mais adulta e, em alguns casos, mais sombria também, como nos exemplos acima. Seguindo "A Garota da Capa Vermelha", longa baseado no conto Chapeuzinho Vermelho que estreou nos cinemas este mês, pelo menos mais outros seis filmes inspirados em contos de fadas, mas com uma abordagem bem diferente das doces adaptações feitas pela Disney que se acostumou a ver nos cinemas, devem chegar à tela grande entre este ano e o próximo.

    O olhar menos ingênuo e mais pesado que os novos filmes lançam sobre os contos de fadas espelha aspectos da própria atualidade. "A Fera", por exemplo, que ainda não tem data de estreia no Brasil, traz "A Bela e a Fera" para o século XXI propositalmente. "Eu adorei a ideia de tornar contemporânea a história e ambientála em um colégio. O conto trata da forma como se lida com a aparência e achei a escola o cenário ideal para explorar a obsessão que a nossa cultura e a nossa juventude têm pelo visual", comentou o diretor Daniel Barnz, em entrevista de divulgação do filme.

    Essa sintonia com o presente ultrapassa a questão da temática e encontra eco também na própria origem dessas narrativas, cujas primeiras versões, de séculos atrás, nada tinham de infantil. "Na origem, os contos de fadas eram histórias para adultos. No século passado, eles foram bastante atenuados para se direcionarem às crianças, que passavam a ser vistas como seres frágeis e necessitados de proteção. E, agora, tais textos estão voltando a ser adultizados, assim como as próprias crianças vêm se mostrando", sugere Patrícia Magero Pitta, doutora em teoria da literatura pela PUC-RS. "A Garota da Capa Vermelha" foi um dos filmes da nova safra que buscou inspiração nessa fonte adulta. O roteiro foi criado após o estudo de inúmeras versões, muitas delas perturbadoras, que o conto de Chapeuzinho Vermelho teve ao longo da história. No filme, a Chapeuzinho é uma jovem crescida e sensual, apaixonada pelo lenhador, mas prometida em casamento para o ferreiro. Ela planeja fugir com seu grande amor, mas adia a decisão depois que a irmã é assassinada por um lobisomem, cuja identidade é desconhecida.

    Ao mesmo tempo, porém, a avalanche de produções com esse viés também não deixa de contar com uma dose de esperteza da indústria do cinema. Assim como as adaptações de livros ou cinebiografias, os contos podem se converter em um filão lucrativo para a indústria. "Hollywood sempre investe em franquias estabelecidas, como os personagens de quadrinhos, os heróis. Os contos de fadas se enquadram na mesma ideia. Além disso, tem o conforto em saber que existe um público que já está familiarizado com essas histórias e vai querer ver novas versões", observa o crítico de cinema Pablo Villaça, editor do site Cinema em Cena.

    Mas essa familiaridade com a estrutura das histórias tem efeitos que vão além da atração do público para as salas de cinema, acredita a professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Márcia Ivana de Lima e Silva. "Os contos de fadas continuam valendo até hoje na sua estrutura mínima, que propõe solução de problemas, e é por isso que eles acabam sendo aproveitados por esse cinema comercial. O filme acaba tendo essa particularidade de mostrar a solução das situações de uma forma tranquila, quase que renovando as nossas possibilidades de enfrentar o cotidiano, e isso independe da idade", explica.

    Não por acaso, filmes para todos os tipos de público já se apropriaram das estruturas dos contos de fadas para construírem seus enredos, destaca a escritora e doutora em teoria da literatura Viviane Dexheimer Gil. É o caso de "Harry Potter", que trata do afastamento da família, a série "Crepúsculo", que aborda o impedimento amoroso, mas também "Cisne Negro", que gira em torno da libertação, e "Uma Linda Mulher", uma espécie de Cinderela dos anos 1980.
O emprego do acento de crase na palavra em destaque não está de acordo com a normapadrão em: 
Alternativas
Q3628499 Português
TEXTO: NÃO É PRÓPRIO FALAR SOBRE OS ALUNOS


Gosto de ouvir conversas. Mania de psicanalista. É que nas conversas moram mundos diferentes do meu. Thomas Mann, no seu livro "José do Egito", conta um diálogo entre José e o mercador que o comprara para vendê-lo como escravo, no Egito: "Estamos a um metro de distância um do outro. E, no entanto, ao teu redor gira um universo do qual o centro és tu, e não eu. E ao meu redor gira um universo do qual o centro sou eu, e não tu". Fascinam-me esses universos que me tangenciam e que, no entanto, estão distantes de mim. Gosto de ouvir conversas para viajar por outros mundos. Por vários anos eu viajei diariamente de trem, de Campinas para Rio Claro, no Estado de São Paulo, onde eu era professor na antiga Faculdade de Filosofia. No mesmo vagão viajavam também muitos professores a caminho das escolas onde trabalhavam. Iam juntos, alegres e falantes... Por anos escutei o que falavam. Falavam sempre sobre as escolas. Era ao redor delas que giravam os seus universos. Falavam sobre diretores, colegas, salários, reuniões, relatórios, férias, programas, provas. Mas nunca, nunca mesmo, eu os ouvi falar sobre os seus alunos. Parece que nos universos em que viviam não havia alunos, embora houvesse escolas. Se não falavam sobre alunos é porque os alunos não tinham importância.

Participei da banca que examinou uma tese de doutoramento cujo tema eram os livros em que, nas escolas, são registradas as reuniões de diretores e professores. A candidata se dera ao trabalho de examinar tais reuniões para saber sobre o que falavam diretores e professores. As coisas registradas eram as coisas importantes que mereciam ser guardadas para a posteridade. Nos livros estavam registradas discussões sobre leis, portarias, relatórios, assuntos administrativos e burocráticos, eventos, festas. Mas não havia registros de coisas relativas aos alunos. Os alunos, aqueles para os quais as escolas foram criadas, para os quais diretores e professoras existem: ausentes. Não, não era bem assim: os alunos estavam presentes quando se constituíam em perturbações da ordem administrativa. Os alunos, meninos e meninas, alegres, brincalhões, curiosos, querendo aprender, alunos como companheiros dessa brincadeira que se chama ensinar e aprender —sobre tais alunos o silêncio era total.

Essa ausência do aluno —não do aluno a quem o discurso administrativo das escolas se refere como o "o perfil dos nossos alunos", nem esse nem aquele, todos, aluno abstrato— não esse, mas aquele aluno de rosto inconfundível e nome único, esse aluno de carne e osso que é a razão de ser das escolas. Ah!, é importante nunca se esquecer disso: alunos não são unidades biopsicológicas móveis sobre os quais se devem gravar os mesmos saberes, não importando que sejam meninos nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas, às margens do Amazonas, ou nas favelas do Rio. Os alunos são crianças de carne e osso que sofrem, riem, gostam de brincar, têm o direito de ter alegrias no presente e não vão à escola para serem transformados em unidades produtivas no futuro. E é essa ausência do aluno de carne e osso que está progressivamente marcando os universos que giram em torno da escola. Os professores não falam sobre os alunos. Na verdade, não é próprio que os professores falem com entusiasmo e alegria sobre os alunos. Os alunos não são tema de suas conversas. Acontece nas escolas primárias (ainda escrevo do jeito antigo porque não acredito que a mudança de nomes mude a realidade...). Mas não só nelas. Lembro-me de uma brincadeira séria que corria entre os professores de uma de nossas universidades mais respeitadas. Diziam os professores que, para que a dita universidade fosse perfeita, só faltava uma coisa: acabar com os alunos... Brincadeira? Psicanalista não acredita na inocência das brincadeiras. Com isso concordam os critérios de avaliação dos docentes, impostos pelos órgãos governamentais: o que se computa, para fins de avaliação de um docente, não são as suas atividades docentes, a relação com os alunos, mas a publicação de artigos em revistas indexadas internacionais. O que esses critérios estão dizendo aos professores é o seguinte: "Vocês valem os artigos que publicam: publish or perish"! Num universo assim definido pelo discurso dos burocratas, o aluno, esse em particular, cujo pensamento é obrigação do professor provocar e educar, esse aluno se constitui num empecilho à atividade que realmente importa. Os raros professores que têm prazer e se dedicam aos seus alunos estão perdendo o tempo precioso que poderiam dedicar aos seus artigos.

"Aquele que é um verdadeiro professor toma a sério somente as coisas que estão relacionadas com os seus estudantes —inclusive a si mesmo", afirmou Nietzsche. Eu sonho com o dia em que os professores, em suas conversas, falarão menos sobre os programas e as pesquisas e terão mais prazer em falar sobre os seus alunos.
O emprego do acento de crase na palavra em destaque não está de acordo com a norma-padrão em:
Alternativas
Q3628139 Português
Considere as seguintes orações:

I. Os decretos flexibilizavam _____ aquisição e ____ circulação de armamentos no País
II. O Senado e a Câmara lançam ‘agosto Lilás’ em combate ____ violência contra mulheres.
III. Eles estabelecerão escalas de serviço a fim de que o atendimento _____ população não seja afetado.
IV. Os pais quilombolas e indígenas defendem legado de respeito _______ natureza.
V. O pai impulsionou _____ buscar os seus sonhos.



Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das orações acima:
Alternativas
Q3628134 Português
    Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

    Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

    Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

     O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

    “Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

   “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…”
Acerca dos aspectos linguísticos do texto, marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas abaixo.

(___) A partícula “se” em “onde se registravam as entradas” é uma conjunção integrante.

(___) A partícula “se” em: “Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes” e em “é assim que cada verso se inicia” exercem a mesma função morfossintática.

(___) Na oração “Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta!” o termo em destaque exerce a função de pronome relativo.

(___) Em “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia” o sinal indicativo de crase justifica-se pela regência do verbo “poder”, que exige preposição, e pela presença de artigo definido feminino.

(___) Em “Os poetas são seres muito estranhos” encontramos uma oração coordenada assindética. O tipo de sujeito da oração é denominado de sujeito simples. Desse modo, os vocábulos “poetas” e “são” são termos essenciais da oração.

(___) A partícula “que” em “dinheiro que não era mais seu” e em “A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar” possuem a mesma função.

(___) A substituição do vocábulo “têm” em “Os outros têm de aprender” por “tem” prejudicaria a correção gramatical do texto.

(___) Em “Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem” a partícula “que” é pronome relativo e exerce, na oração, função anafórica.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é:
Alternativas
Respostas
2721: D
2722: D
2723: D
2724: B
2725: C
2726: A
2727: D
2728: E
2729: E
2730: A
2731: D
2732: D
2733: C
2734: B
2735: A
2736: E
2737: E
2738: D
2739: B
2740: A