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Q3650683 Português
As redes sociais estão estimulando o autodiagnóstico de transtornos mentais?
Testes e avaliações de transtornos como TDAH estão se espalhando pela internet, mas diagnóstico requer avaliação profissional
    Outro dia, recebi em meu consultório uma pessoa dizendo ter TDAH. Ela chegou com o diagnóstico fechado e pedindo a minha ajuda para, digamos, melhorar o seu dia [___] dia por meio de alguma estratégia médica. Eu perguntei [___] esse paciente quando ele havia sido diagnosticado e quem era o colega médico que havia feito o diagnóstico. A resposta, muito calma, foi: “Eu mesmo”. E emendou que já havia admitido a si mesmo que tinha déficit de atenção e hiperatividade, que seus conhecidos já haviam aceitado a sua condição e que, por favor, eu não dissesse que ele não tinha o transtorno.
    Se você digitar “teste online de autismo” ou “teste de TDAH online” no Google, encontrará, só na primeira página de resultados, uma dezena de opções. Testes para esses e outros transtornos também se espalham pela internet e pelas redes sociais. Há avaliações até que medem níveis de ansiedade, depressão e estresse.
    O problema quando se fala em saúde mental é que o objeto não é tão claro quanto é, por exemplo, o da cardiologia, que é o coração, ou da ortopedia, que são os ossos. Nessas áreas da Medicina, os testes são muito objetivos: ou alguém trincou ou não trincou o osso; ou se tem uma veia entupida ou próxima de ficar obstruída ou não se tem.
    Saúde mental é uma área que implica uma certa subjetividade; daí [___] necessidade do olho no olho entre médico e paciente. Só por meio uma boa avaliação, inclusive dos impactos que as queixas de um paciente trazem para a vida dele, é que podemos fazer um diagnóstico acertado. É bom lembrar que um mesmo conjunto de sintomas pode ser causado por várias coisas diferentes. Daí a importância de buscar um profissional de saúde mental quando se está sofrendo por alguma razão.
    Autodiagnosticar-se pode ser perigoso. Além de alguém correr o risco de seguir estratégias que podem causar mais mal do que bem, o autodiagnóstico costuma levar ao aumento de ansiedade não só em você, mas em pessoas próximas [___] você.
Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Glossário:
Subjetividade – Relativa ao lado pessoal e individual do sujeito.
TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

GUERRA, Arthur. As redes sociais estão estimulando o autodiagnóstico de transtornos mentais? Forbes Brasil, 26 de setembro de 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbessaude/2023/09/arthur-guerra-as-redes-sociaisautodiagnostico-de-transtornos-mentais/. Acesso em: 27 set. 2023. Adaptado.
No texto apresentado, foram inseridas lacunas, que devem ser completadas com a ou com à. Ao se preencherem tais espaços, obtém-se a seguinte sequência:
Alternativas

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Tema central da questão: Uso correto da crase (à) e da preposição a nas lacunas do texto, conforme as regras gramaticais da norma-padrão.

Regra fundamental: A crase (à) ocorre quando há a fusão da preposição "a" + o artigo feminino "a" ou pronomes demonstrativos femininos. Não ocorre crase:

  • Antes de palavras masculinas;
  • Antes de pronomes pessoais, demonstrativos masculinos e verbos;
  • Em locuções de palavras repetidas ("dia a dia").

Análise das lacunas:

Lacuna 1: “melhorar o seu dia a dia”
Não há crase por ser locução de palavra repetida. Como ensina Celso Cunha & Lindley Cintra, nesse caso usa-se apenas “a”: dia a dia.

Lacuna 2: “Eu perguntei a esse paciente”
A regência do verbo “perguntar” exige a preposição “a”, mas “esse paciente” é masculino. Igualmente, conforme Bechara, não se emprega crase antes de masculinos. a esse paciente.

Lacuna 3: “pessoas próximas a você”
O adjetivo “próximo” exige a preposição “a”, porém “você” é pronome pessoal. Pela norma-padrão, crase não se usa antes de pronomes pessoais. a você.

Análise das alternativas:

A), B) e C) – Todas trazem crase em pelo menos uma lacuna inadequadamente, contrariando as regras:

  • Não há artigo feminino ou termo feminino que justifique crase nos casos testados.
  • Pegadinha: muitos candidatos se confundem por memorização incorreta ou por distração ao ver a preposição “a”, mas é fundamental analisar a palavra seguinte!

Alternativa correta: D) a | a | a | a.

Dicas para provas: Sempre analise a palavra seguinte à preposição “a”. Se for masculina ou um pronome pessoal, NUNCA use crase!

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