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Q2887190 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

Assinale a sentença em que há ERRO na concordância nominal.

Alternativas
Q2887189 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

Analise as frases a seguir, quanto ao uso do acento indicativo de crase.


I – Heloísa não sabe se a comida está à altura dos convidados.

II – Os telefones começaram a tocar à partir daquele momento.

III – Ao sair à rua, percebeu que esquecera o celular.

IV – A moça teria de informar se o pagamento seria feito à vista ou à prazo.


O acento indicativo de crase está empregado de forma totalmente correta APENAS nas frases

Alternativas
Q2887188 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

No fragmento “... e repetiu, aos gritos (a ligação parecia estar ruim), números de série...” (. 53-54), o trecho entre parênteses visa a

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Q2887187 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

O barulho no local era tão alto que o homem, coitado, saiu rápido.


Indique o único período que mantém exatamente o mesmo sentido da oração apresentada acima, embora com outra estrutura.

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Q2887186 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

Mas acompanhei, acabrunhada, sua conversa ...” (. 60-61)


A palavra destacada pode ser substituída, sem interferir no significado do texto, por

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A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

A autora considera que vive a vida dos outros nos momentos em que

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A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

No final do quinto parágrafo, a expressão “Pobres estômagos” dá a entender que

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Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

Nos restaurantes a quilo, “...a palavra é supérflua...” (l. 25-26) porque

Alternativas
Q2886321 Português

A vida dos outros



Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

porque meu escritório fica em local muito movimenta-

do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

fazer a escolha.

Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

15 lavra.

Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

também muito frequentados por turistas, pois é um

conforto para eles entrar e comer num lugar em que

não precisam tentar se entender com pessoas que só

falam essa língua secreta chamada português.

25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

por quê? Por culpa do telefone celular.

Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

35 estômagos.

E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

isso.

45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

ção parecia estar ruim), números de série do artigo

55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

sem ver aquele assunto resolvido?

Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

vez.

Com o advento do celular, minha vida ficou as-

65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

novas regras para acompanhar as transformações.

70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

No trecho “ ... essa língua secreta chamada português.” (. 24), o texto quer ressaltar que a língua portuguesa

Alternativas
Q2882912 Português

Texto II


Pinte o sonho


------------Quais os sonhos das crianças que moram em

-----comunidades carentes? Uma casinha para a família

-----com flores no jardim? Uma piscina para a vizinhança?

-----Ou uma bicicleta? Não importa qual seja, o projeto Paint

5 --a Future (Pinte um Futuro) vai, de certa forma, realizá-lo.

-----A ideia surgiu com a pintora holandesa Hetty van der

-----Linden, em 2003.

------------Dona de uma simpatia contagiante e com um

-----grande círculo de amigos artistas plásticos interna-

10 --cionais, Hetty pensava na melhor maneira de aliar a

-----arte a um fim social. Ela queria, além disso, que todos

-----se divertissem com esse trabalho. Então imaginou

-----reunir vários pintores em um lugar paradisíaco para que

-----eles fizessem quadros que depois seriam leiloados em

15 --benefício das comunidades carentes. Mais: essas telas

-----seriam feitas a partir dos desenhos que retratavam os

-----sonhos das crianças de lugares pobres, recolhidos por

-----voluntários numa etapa anterior.

------------Assim todos ficavam contentes: as crianças por

20 --terem expressado seus sonhos, os artistas por traba-

-----lharem em lugares lindos, as pousadas que os acolhem

-----de graça e as galerias que vendem suas obras sem

-----comissão por colaborarem com um fim social sem sair

-----dos seus ramos de atividade. E os compradores, por

25 --ajudar a realizar sonhos infantis. “Ela conseguiu um

-----milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar

-----uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um

-----trabalho voluntário e prazeroso”, diz Myrine Vlavianos,

-----sócia da galeria Multipla, que faz as exposições do

30 --Paint a Future em São Paulo e Florianópolis. E, assim,

-----sonhos ganham cores e formas.


ALVES, Liane

Disponível em: http://vidasimples.abril.uol.com.br /edicoes/073/mente_aberta/conteudo_399745.shtml

Nos trechos a seguir, o que destacado DIFERE dos demais, quanto à categoria gramatical, em:

Alternativas
Q2882911 Português

Texto II


Pinte o sonho


------------Quais os sonhos das crianças que moram em

-----comunidades carentes? Uma casinha para a família

-----com flores no jardim? Uma piscina para a vizinhança?

-----Ou uma bicicleta? Não importa qual seja, o projeto Paint

5 --a Future (Pinte um Futuro) vai, de certa forma, realizá-lo.

-----A ideia surgiu com a pintora holandesa Hetty van der

-----Linden, em 2003.

------------Dona de uma simpatia contagiante e com um

-----grande círculo de amigos artistas plásticos interna-

10 --cionais, Hetty pensava na melhor maneira de aliar a

-----arte a um fim social. Ela queria, além disso, que todos

-----se divertissem com esse trabalho. Então imaginou

-----reunir vários pintores em um lugar paradisíaco para que

-----eles fizessem quadros que depois seriam leiloados em

15 --benefício das comunidades carentes. Mais: essas telas

-----seriam feitas a partir dos desenhos que retratavam os

-----sonhos das crianças de lugares pobres, recolhidos por

-----voluntários numa etapa anterior.

------------Assim todos ficavam contentes: as crianças por

20 --terem expressado seus sonhos, os artistas por traba-

-----lharem em lugares lindos, as pousadas que os acolhem

-----de graça e as galerias que vendem suas obras sem

-----comissão por colaborarem com um fim social sem sair

-----dos seus ramos de atividade. E os compradores, por

25 --ajudar a realizar sonhos infantis. “Ela conseguiu um

-----milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar

-----uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um

-----trabalho voluntário e prazeroso”, diz Myrine Vlavianos,

-----sócia da galeria Multipla, que faz as exposições do

30 --Paint a Future em São Paulo e Florianópolis. E, assim,

-----sonhos ganham cores e formas.


ALVES, Liane

Disponível em: http://vidasimples.abril.uol.com.br /edicoes/073/mente_aberta/conteudo_399745.shtml

“ ‘Ela conseguiu um milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um trabalho voluntário e prazeroso’,” (𝓁. 25-28)


Na passagem transcrita acima, o emprego dos dois pontos e das aspas justifica-se por anteceder e transcrever, respectivamente, um(a)

Alternativas
Q2882910 Português

Texto II


Pinte o sonho


------------Quais os sonhos das crianças que moram em

-----comunidades carentes? Uma casinha para a família

-----com flores no jardim? Uma piscina para a vizinhança?

-----Ou uma bicicleta? Não importa qual seja, o projeto Paint

5 --a Future (Pinte um Futuro) vai, de certa forma, realizá-lo.

-----A ideia surgiu com a pintora holandesa Hetty van der

-----Linden, em 2003.

------------Dona de uma simpatia contagiante e com um

-----grande círculo de amigos artistas plásticos interna-

10 --cionais, Hetty pensava na melhor maneira de aliar a

-----arte a um fim social. Ela queria, além disso, que todos

-----se divertissem com esse trabalho. Então imaginou

-----reunir vários pintores em um lugar paradisíaco para que

-----eles fizessem quadros que depois seriam leiloados em

15 --benefício das comunidades carentes. Mais: essas telas

-----seriam feitas a partir dos desenhos que retratavam os

-----sonhos das crianças de lugares pobres, recolhidos por

-----voluntários numa etapa anterior.

------------Assim todos ficavam contentes: as crianças por

20 --terem expressado seus sonhos, os artistas por traba-

-----lharem em lugares lindos, as pousadas que os acolhem

-----de graça e as galerias que vendem suas obras sem

-----comissão por colaborarem com um fim social sem sair

-----dos seus ramos de atividade. E os compradores, por

25 --ajudar a realizar sonhos infantis. “Ela conseguiu um

-----milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar

-----uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um

-----trabalho voluntário e prazeroso”, diz Myrine Vlavianos,

-----sócia da galeria Multipla, que faz as exposições do

30 --Paint a Future em São Paulo e Florianópolis. E, assim,

-----sonhos ganham cores e formas.


ALVES, Liane

Disponível em: http://vidasimples.abril.uol.com.br /edicoes/073/mente_aberta/conteudo_399745.shtml

Quanto ao gênero e à tipologia, o Texto II classifica-se, respectivamente, como

Alternativas
Q2882908 Português

Texto II


Pinte o sonho


------------Quais os sonhos das crianças que moram em

-----comunidades carentes? Uma casinha para a família

-----com flores no jardim? Uma piscina para a vizinhança?

-----Ou uma bicicleta? Não importa qual seja, o projeto Paint

5 --a Future (Pinte um Futuro) vai, de certa forma, realizá-lo.

-----A ideia surgiu com a pintora holandesa Hetty van der

-----Linden, em 2003.

------------Dona de uma simpatia contagiante e com um

-----grande círculo de amigos artistas plásticos interna-

10 --cionais, Hetty pensava na melhor maneira de aliar a

-----arte a um fim social. Ela queria, além disso, que todos

-----se divertissem com esse trabalho. Então imaginou

-----reunir vários pintores em um lugar paradisíaco para que

-----eles fizessem quadros que depois seriam leiloados em

15 --benefício das comunidades carentes. Mais: essas telas

-----seriam feitas a partir dos desenhos que retratavam os

-----sonhos das crianças de lugares pobres, recolhidos por

-----voluntários numa etapa anterior.

------------Assim todos ficavam contentes: as crianças por

20 --terem expressado seus sonhos, os artistas por traba-

-----lharem em lugares lindos, as pousadas que os acolhem

-----de graça e as galerias que vendem suas obras sem

-----comissão por colaborarem com um fim social sem sair

-----dos seus ramos de atividade. E os compradores, por

25 --ajudar a realizar sonhos infantis. “Ela conseguiu um

-----milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar

-----uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um

-----trabalho voluntário e prazeroso”, diz Myrine Vlavianos,

-----sócia da galeria Multipla, que faz as exposições do

30 --Paint a Future em São Paulo e Florianópolis. E, assim,

-----sonhos ganham cores e formas.


ALVES, Liane

Disponível em: http://vidasimples.abril.uol.com.br /edicoes/073/mente_aberta/conteudo_399745.shtml

A passagem “sonhos ganham cores e formas.” (𝓁. 31) refere-se, semanticamente, à(ao)

Alternativas
Q2882906 Português

Texto II


Pinte o sonho


------------Quais os sonhos das crianças que moram em

-----comunidades carentes? Uma casinha para a família

-----com flores no jardim? Uma piscina para a vizinhança?

-----Ou uma bicicleta? Não importa qual seja, o projeto Paint

5 --a Future (Pinte um Futuro) vai, de certa forma, realizá-lo.

-----A ideia surgiu com a pintora holandesa Hetty van der

-----Linden, em 2003.

------------Dona de uma simpatia contagiante e com um

-----grande círculo de amigos artistas plásticos interna-

10 --cionais, Hetty pensava na melhor maneira de aliar a

-----arte a um fim social. Ela queria, além disso, que todos

-----se divertissem com esse trabalho. Então imaginou

-----reunir vários pintores em um lugar paradisíaco para que

-----eles fizessem quadros que depois seriam leiloados em

15 --benefício das comunidades carentes. Mais: essas telas

-----seriam feitas a partir dos desenhos que retratavam os

-----sonhos das crianças de lugares pobres, recolhidos por

-----voluntários numa etapa anterior.

------------Assim todos ficavam contentes: as crianças por

20 --terem expressado seus sonhos, os artistas por traba-

-----lharem em lugares lindos, as pousadas que os acolhem

-----de graça e as galerias que vendem suas obras sem

-----comissão por colaborarem com um fim social sem sair

-----dos seus ramos de atividade. E os compradores, por

25 --ajudar a realizar sonhos infantis. “Ela conseguiu um

-----milagre: deixar todo mundo satisfeito sem ter de criar

-----uma ONG que onere o processo. Tudo é fruto de um

-----trabalho voluntário e prazeroso”, diz Myrine Vlavianos,

-----sócia da galeria Multipla, que faz as exposições do

30 --Paint a Future em São Paulo e Florianópolis. E, assim,

-----sonhos ganham cores e formas.


ALVES, Liane

Disponível em: http://vidasimples.abril.uol.com.br /edicoes/073/mente_aberta/conteudo_399745.shtml

O conector “além disso,” (𝓁. 11) introduz um enunciado que, em relação ao período anterior, caracteriza-se como um(a)

Alternativas
Q2882905 Português

Texto I


Há escolas que são gaiolas

e há escolas que são asas.


-----------Escolas que são gaiolas existem para que os

-----pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros

-----engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o

-----seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros

5 --engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser

-----pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

-----------Escolas que são asas não amam pássaros

-----engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.

-----Existem para dar aos pássaros coragem para voar.

10 --Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo

-----já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser

-----ensinado. Só pode ser encorajado.


ALVES, Rubem

Disponível em: http://www.pensador.info/p/ _cronica_escolas_gaiolas_escolas_asas_rubem_alves/1/

Em “Porque a essência dos pássaros é o voo.” (𝓁. 6), o sentido sofre ALTERAÇÃO, ao substituirmos o vocábulo destacado por

Alternativas
Q2882903 Português

Texto I


Há escolas que são gaiolas

e há escolas que são asas.


-----------Escolas que são gaiolas existem para que os

-----pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros

-----engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o

-----seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros

5 --engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser

-----pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

-----------Escolas que são asas não amam pássaros

-----engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.

-----Existem para dar aos pássaros coragem para voar.

10 --Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo

-----já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser

-----ensinado. Só pode ser encorajado.


ALVES, Rubem

Disponível em: http://www.pensador.info/p/ _cronica_escolas_gaiolas_escolas_asas_rubem_alves/1/

Que passagem do 2o parágrafo do Texto I repete, semanticamente, a passagem “...a essência dos pássaros é o voo.” (𝓁. 6)?

Alternativas
Q2882901 Português

Texto I


Há escolas que são gaiolas

e há escolas que são asas.


-----------Escolas que são gaiolas existem para que os

-----pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros

-----engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o

-----seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros

5 --engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser

-----pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

-----------Escolas que são asas não amam pássaros

-----engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.

-----Existem para dar aos pássaros coragem para voar.

10 --Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo

-----já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser

-----ensinado. Só pode ser encorajado.


ALVES, Rubem

Disponível em: http://www.pensador.info/p/ _cronica_escolas_gaiolas_escolas_asas_rubem_alves/1/

No segundo parágrafo do Texto I, o 2o período, em relação ao 1o , caracteriza-se, semanticamente, como uma

Alternativas
Q2882900 Português

Texto I


Há escolas que são gaiolas

e há escolas que são asas.


-----------Escolas que são gaiolas existem para que os

-----pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros

-----engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o

-----seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros

5 --engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser

-----pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

-----------Escolas que são asas não amam pássaros

-----engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.

-----Existem para dar aos pássaros coragem para voar.

10 --Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo

-----já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser

-----ensinado. Só pode ser encorajado.


ALVES, Rubem

Disponível em: http://www.pensador.info/p/ _cronica_escolas_gaiolas_escolas_asas_rubem_alves/1/

Considerando o 1o parágrafo do Texto I, os elementos destacados a seguir que apresentam, entre si, uma relação semântica de oposição são:

Alternativas
Q2881796 Português

Texto I


Há escolas que são gaiolas

e há escolas que são asas.


-----------Escolas que são gaiolas existem para que os

-----pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros

-----engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o

-----seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros

5 --engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser

-----pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

-----------Escolas que são asas não amam pássaros

-----engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo.

-----Existem para dar aos pássaros coragem para voar.

10 --Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo

-----já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser

-----ensinado. Só pode ser encorajado.


ALVES, Rubem

Disponível em: http://www.pensador.info/p/ _cronica_escolas_gaiolas_escolas_asas_rubem_alves/1/

No primeiro parágrafo do Texto I, o único período cujo sentido NÃO caracteriza uma educação castradora é o

Alternativas
Q2880212 Português

Acerca do fragmento acima, julgue os itens que se seguem

NÃO deve receber acento grave o a(s) da opção

Alternativas
Respostas
2581: B
2582: E
2583: E
2584: C
2585: E
2586: B
2587: A
2588: D
2589: A
2590: A
2591: B
2592: E
2593: A
2594: A
2595: D
2596: C
2597: B
2598: D
2599: E
2600: C