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Q3967425 Direito Administrativo
O leilão é uma das modalidades de licitação previstas na Lei nº 14.133/2021. Com base nos dispositivos dessa norma, assinale a alternativa que apresenta corretamente as características dessa modalidade.
Alternativas
Q3967424 Direito Administrativo
Tendo como fundamento os artigos 5º ao 11 da Lei nº 14.133/2021, analise as seguintes afirmativas:

I. Compra: aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só vez ou parceladamente, considerada imediata aquela com prazo de entrega de até 30 (trinta) dias da ordem de fornecimento.
II. Concorrência: modalidade de licitação para contratação de bens e serviços especiais e de obras especiais de engenharia.
III. Pregão: modalidade de licitação obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior retorno econômico.
IV. Um dos critérios de julgamento da concorrência é melhor técnica ou conteúdo artístico.

Estão corretas as afirmações:
Alternativas
Q3967423 Administração de Recursos Materiais
O conceito de material permanente define itens com duração superior a dois anos, considerando-se os aspectos de durabilidade, fragilidade, perecibilidade, incorporabilidade e transformabilidade.
São critérios que dizem respeito à classificação de material permanente, exceto:
Alternativas
Q3967422 Administração Pública
Segundo Vieira (2023), "Embora existam semelhanças entre a gestão pública e a privada, a Administração Pública é regida por condicionantes específicas. Enquanto na administração privada vigora o princípio da autonomia da vontade (fazer tudo o que a lei não proíbe); na Administração Pública vigora o princípio da estrita legalidade (fazer apenas o que a lei autoriza). Além disso, o objetivo da primeira é o lucro; enquanto a segunda visa o bem comum e a satisfação do interesse público.”
Com base nas distinções entre a Administração Pública e a Administração Privada, assinale a alternativa que descreve corretamente uma característica exclusiva da Administração Pública.
Alternativas
Q3967421 Direito Administrativo
Segundo Carvalho (2020), para que o ato administrativo seja considerado válido, ele deve ser composto por cinco elementos ou requisitos fundamentais: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. A ausência ou vício em qualquer um desses elementos pode levar à nulidade do ato. Vale destacar que, enquanto a competência, a finalidade e a forma são, em regra, elementos vinculados, o motivo e o objeto podem ser discricionários em determinados atos.
Considere que um servidor público, detentor de competência legal, aplicou uma multa a um estabelecimento comercial. No entanto, ao redigir o documento, o servidor não apresentou os fatos e os fundamentos jurídicos que justificaram a punição. Esse ato administrativo apresenta um vício em qual elemento?
Alternativas
Q3967420 Direito Administrativo
Em uma determinada Universidade Federal, Maria é uma servidora que ingressou por meio de concurso público de provas e títulos, ocupando o cargo de Assistente em Administração de forma permanente. Já o professor Ricardo, além de suas funções docentes, foi nomeado pelo Reitor para exercer a função de Diretor de Centro, cargo que não exige novo concurso e pode ser revertido a qualquer momento.
Em relação a essa situação, é correto afirmar que 
Alternativas
Q3967419 Administração Pública
Para Matias-Pereira (2014), "O Estado manifesta-se por meio de duas funções distintas: a política e a administrativa. A função de governo (política) envolve a fixação de diretrizes, opções estratégicas e a escolha de prioridades para a sociedade. Já a função administrativa é o instrumento que o Estado utiliza para pôr em prática as decisões políticas, agindo de forma contínua, técnica e subordinada à lei."
O Conselho Universitário de uma instituição federal, após ouvir a comunidade acadêmica, decidiu que a prioridade orçamentária do próximo ano será a implementação de um sistema de transporte interno gratuito para os alunos (Função de Governo/Direção). Para concretizar essa decisão, a Secretaria de Logística da Universidade iniciou o mapeamento das rotas, a estimativa de custos de combustível e a elaboração do edital de licitação para compra dos veículos (Função Administrativa).
Com base no texto e no caso narrado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3967418 Direito Administrativo
De acordo com Carvalho (2020), o sistema de controle interno de cada Poder deve apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Caso os responsáveis pelo controle interno tomem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, devem dar ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária. No que tange à improbidade, a Lei nº 8.429/92 (LIA) pune condutas que atentam contra os princípios da administração, exigindo-se, para a configuração do ato, a presença do elemento subjetivo dolo.
Durante uma auditoria interna em uma autarquia federal, o setor de Controle Interno detectou que um gestor público facilitou a aquisição de bens por preço superior ao de mercado, beneficiando conscientemente uma empresa de um familiar. Diante da situação e das normas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3967417 Auditoria Governamental
Para Matias-Pereira (2014), O controle da Administração Pública é o poder-dever de vigilância, orientação e correção que um órgão, entidade ou poder exerce sobre a conduta funcional de outro. O controle interno é aquele exercido pela própria Administração sobre seus atos; enquanto o controle externo é aquele exercido por um Poder sobre os atos de outro Poder, com destaque para a fiscalização contábil e financeira realizada pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas.
De acordo com a classificação e com a organização do sistema de controle na Administração Pública brasileira, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3967416 Administração Pública
Segundo Vieira (2023), "A Administração Pública pode ser dividida em Direta e Indireta. A Administração Direta é composta pelos órgãos dos entes federados (União, Estados, DF e Municípios). Já a Administração Indireta é o conjunto de pessoas jurídicas criadas pelo Estado para exercer atividades de forma descentralizada, possuindo personalidade jurídica própria, como as autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista.”
Em relação à organização da Administração Pública brasileira e às características de seus entes, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3967415 Legislação Federal
De acordo com o Estatuto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Resolução nº 04/1999, assinale a alternativa correta sobre o Conselho Universitário. 
Alternativas
Q3967414 Legislação Federal
De acordo com a Lei nº 11.091/2005, que dispõe sobre o Plano de Carreira dos Cargos TécnicoAdministrativos em Educação, o incentivo à qualificação consiste em 
Alternativas
Q3967413 Direito Administrativo
Com base no art. 8º da Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre as formas de provimento de cargo público, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3967412 Direito Administrativo
À luz do art. 97 da Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre as concessões ao servidor público federal, analise as afirmativas a seguir:

I. Será concedido ao servidor 1 (um) dia de dispensa do serviço, sem prejuízo da remuneração, em caso de doação voluntária de sangue, devidamente comprovada.
II. O servidor fará jus a 8 (oito) dias úteis de licença em razão de casamento.
III. É concedida ao servidor licença por até 8 (oito) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos.
IV. O servidor poderá ausentar-se do serviço por até 3 (três) dias, para fins de alistamento eleitoral.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3967411 Português
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Em relação às escolhas linguísticas do texto III, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso antes de cada afirmativa a seguir.

( ) O título da tirinha, “Como receber a morte”, sugere que seus quadrinhos apresentam instruções para a execução de um propósito.
( ) As formas verbais “Pega”, “Senta” e “Tem” pertencem ao modo imperativo.
( ) As flexões “Pega” e “Senta” estão de acordo com a conjugação prevista pela norma-padrão para a 3ª pessoa do singular (você/ele).
( ) A parte verbal da tirinha contempla as seguintes classes de palavras: verbo, substantivo, adjetivo, artigo e advérbio.

A sequência correta é:
Alternativas
Q3967410 Português
Assinale o verso do texto II em que não há linguagem conotativa. 
Alternativas
Q3967409 Português
TEXTO I


Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


     Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

     Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas aoenvelhecimentosão universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença e o luto/ São somente meus”.

       A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas.

       Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

        Montaigne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros.”

     Desde Montaigne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

        Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”.

        Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Ó, coração, ó, coração atormentado — esta caricatura/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”

      Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

      Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

        É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

     Bernard Shaw escreveu aos 92 anos: “É mais difícil lidar com o envelhecimento do que com a morte... Acreditar na imortalidade genuína é acreditar no horror inimaginável”.

        Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não-ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.

        Feliz Ano-Novo.


VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo. 31 dez. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
drauziovarella/2025/12/certos-medos-e-angustias-nao-tem-relacao-com-a-idade-e-sao-universais.shtml. Acesso em: 21 jan. 2026. (Adaptado)





TEXTO II


CONSOADA


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 223.




Assinale a alternativa em que a palavra em destaque do texto II não pode ser substituída pelo termo em itálico porque altera o sentido original do poema. 
Alternativas
Q3967408 Português
TEXTO I


Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


     Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

     Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas aoenvelhecimentosão universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença e o luto/ São somente meus”.

       A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas.

       Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

        Montaigne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros.”

     Desde Montaigne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

        Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”.

        Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Ó, coração, ó, coração atormentado — esta caricatura/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”

      Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

      Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

        É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

     Bernard Shaw escreveu aos 92 anos: “É mais difícil lidar com o envelhecimento do que com a morte... Acreditar na imortalidade genuína é acreditar no horror inimaginável”.

        Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não-ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.

        Feliz Ano-Novo.


VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo. 31 dez. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
drauziovarella/2025/12/certos-medos-e-angustias-nao-tem-relacao-com-a-idade-e-sao-universais.shtml. Acesso em: 21 jan. 2026. (Adaptado)





TEXTO II


CONSOADA


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 223.




Os textos I, II e III não se posicionam sobre a morte de forma 
Alternativas
Q3967407 Português
TEXTO I


Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


     Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

     Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas aoenvelhecimentosão universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença e o luto/ São somente meus”.

       A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas.

       Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

        Montaigne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros.”

     Desde Montaigne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

        Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”.

        Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Ó, coração, ó, coração atormentado — esta caricatura/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”

      Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

      Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

        É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

     Bernard Shaw escreveu aos 92 anos: “É mais difícil lidar com o envelhecimento do que com a morte... Acreditar na imortalidade genuína é acreditar no horror inimaginável”.

        Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não-ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.

        Feliz Ano-Novo.


VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo. 31 dez. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
drauziovarella/2025/12/certos-medos-e-angustias-nao-tem-relacao-com-a-idade-e-sao-universais.shtml. Acesso em: 21 jan. 2026. (Adaptado)





TEXTO II


CONSOADA


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 223.




Em relação ao uso da vírgula nos trechos a seguir, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso antes de cada afirmativa:

( ) Em “Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.”, a vírgula antes do “mas” separa a oração coordenada sindética alternativa do restante do período composto.
( ) Em “Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.”, a vírgula antes do “eles” sinaliza a inversão da oração subordinada adverbial concessiva em relação à oração principal.
( ) Em “Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um ‘velho gaiteiro de 50 anos’. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos [...].”, as três vírgulas se justificam porque separam adjuntos adverbiais de lugar ou de tempo deslocados, fora da ordem direta.
( ) Em “É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos [...]” e em “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”, as palavras em destaque são intercaladas por vírgulas, por se tratarem de apostos explicativos.

A sequência correta é:
Alternativas
Q3967406 Português
TEXTO I


Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


     Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

     Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas aoenvelhecimentosão universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença e o luto/ São somente meus”.

       A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas.

       Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

        Montaigne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros.”

     Desde Montaigne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

        Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”.

        Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Ó, coração, ó, coração atormentado — esta caricatura/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”

      Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

      Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

        É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

     Bernard Shaw escreveu aos 92 anos: “É mais difícil lidar com o envelhecimento do que com a morte... Acreditar na imortalidade genuína é acreditar no horror inimaginável”.

        Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não-ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.

        Feliz Ano-Novo.


VARELLA, Drauzio. Folha de S. Paulo. 31 dez. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
drauziovarella/2025/12/certos-medos-e-angustias-nao-tem-relacao-com-a-idade-e-sao-universais.shtml. Acesso em: 21 jan. 2026. (Adaptado)





TEXTO II


CONSOADA


Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 223.




Assinale a alternativa em que as palavras são acentuadas por regras distintas.  
Alternativas
Respostas
15561: A
15562: B
15563: D
15564: A
15565: C
15566: C
15567: D
15568: A
15569: D
15570: C
15571: A
15572: B
15573: B
15574: C
15575: A
15576: B
15577: C
15578: B
15579: A
15580: C